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O Assunto

Portuguese, News, 1 season, 1238 episodes, 1 day, 7 hours, 32 minutes
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Um grande assunto do momento discutido com profundidade. Renata Lo Prete vai conversar com jornalistas e analistas da TV Globo, do G1, da GloboNews e dos demais veículos do Grupo Globo para contextualizar, explicar e trazer um ângulo diferente dos assuntos mais relevantes do Brasil e do mundo, além de contar histórias e entrevistar especialistas e personagens diretamente envolvidos na notícia.
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Ronnie Lessa: as confissões do assassino de Marielle

Em duas horas de depoimento a investigadores, o assassino confesso da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes contou como foram as negociações para que ele cometesse o crime. Na versão dada pelo ex-PM, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão ofereceram a ele chefiar uma área da milícia na Zona Oeste do Rio de Janeiro, um negócio que poderia lhe render milhões de dólares. O esquema narrado por Lessa – cuja delação levou à prisão dos irmãos Brazão e também de Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do RJ - dá a dimensão do poder e do avanço das milícias. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Leslie Leitão, um dos jornalistas da TV Globo que tiveram acesso aos vídeos da delação com exclusividade, e com Octavio Guedes, colunista do g1 e comentarista da GloboNews. Leslie detalha o conteúdo da delação de Lessa e quais os próximos passos para decifrar o quebra-cabeças do crime contra a vereadora. Octavio analisa como o depoimento de Lessa revela a maneira de atuação das milícias, grupos paramilitares que se expandiram à época do assassinato da vereadora, e que agora travam uma disputa territorial contra o tráfico de drogas.
5/28/202434 minutes, 39 seconds
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O uso de câmeras por policiais

As câmeras acopladas no uniforme de policiais militares começaram a ser usadas pela primeira vez no Brasil em 2019. Em São Paulo, o uso começou no ano seguinte e logo os resultados apareceram: em 2022, a mortalidade de adolescentes em intervenções policiais atingiu o menor número da série histórica. Nos batalhões que incorporaram o sistema, o número de policiais mortos em serviço caiu 76% entre 2019 (ano anterior à adoção) e 2022. As câmeras foram importantes também para ajudar nas investigações de casos de grande repercussão. Agora, o governo de São Paulo anunciou um edital para comprar novas câmeras e mudar as regras de captura e armazenamento das imagens de abordagens policiais. Para entender como o uso de câmeras em uniformes policiais impacta a segurança pública e quais os possíveis impactos de novos procedimentos de gravação, Natuza Nery conversa com Daniel Edler, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP).
5/27/202426 minutes, 45 seconds
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Fernando Haddad na trincheira política

Em audiência acalorada na Câmara, o ministro da Fazenda respondeu deputados para muito além da pauta econômica. A discussão envolveu questões como música, livros, cultura, vacinação, negacionismo e terraplanismo. O embate enérgico de Haddad se dá em um momento em que o ministro enfrenta desafios e disputas dentro do próprio governo. Para entender os motivos que levaram Haddad a confrontar deputados da oposição e quais os desafios dele à frente da Fazenda neste segundo ano de governo Lula, Natuza Nery conversa com o jornalista Thomas Traumann. Colunista da revista Veja e do Poder 360, Thomas analisa a relação “freudiana” entre Haddad e o presidente Lula, e explica o atual momento do ministro dentro do governo. Junto, Natuza e Thomas avaliam como a postura de Haddad na Câmara ajuda, mas também pode atrapalhar, o governo. E quais as chances do titular da Fazenda se manter em um papel mais combatível, à exemplo de como agia o ex-ministro Flávio Dino (atualmente no STF).
5/24/202426 minutes, 44 seconds
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Susie Wiles: A mulher forte da Campanha de Trump

Um a um, Donald Trump desbanca seus concorrentes para ser o candidato do Partido Republicano nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 5 de novembro. O ex-presidente reúne forças para tentar voltar à Casa Branca, e uma integrante desta campanha tem ganhado destaque: Susie Wiles. Com uma atuação que durante quatro décadas se manteve no anonimato, hoje ela começa a atrair os holofotes. Com discrição, a autointitulada “organizadora do caos” já havia participado de outras duas campanhas de Trump. Agora, é a mais poderosa e influente conselheira da campanha republicana. Para falar sobre Wiles, Natuza Nery recebe Maurício Moura, doutor em economia e gestão política e professor na Universidade George Washington, nos EUA. Conversa também com Brian Winter, editor-chefe da revista Americas Quarterly.
5/23/202427 minutes, 47 seconds
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O colapso na saúde do Rio Grande do Sul

Doença associada a enchentes, a leptospirose fez as primeiras vítimas depois das chuvas que devastaram as cidades gaúchas. A doença é apenas uma das que assombram as autoridades sanitárias, em meio a um cenário de destruição de hospitais e postos de saúde, e enquanto milhares de pessoas vivem em abrigos à espera da água baixar. Neste episódio, Natuza Nery recebe o infectologista Renato Kfouri e o especialista em emergência de saúde pública Diego Ricardo Xavier, coordenador do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz. Renato detalha quais são as doenças que ameaçam a saúde da população gaúcha e quais são as medidas urgentes para proteger os desabrigados de infecções e doenças respiratórias: vacinação indiscriminada. Diego revela detalhes de um mapeamento da Fiocruz sobre a destruição do sistema de saúde e analisa quais os desafios das autoridades de saúde para lidar com eventos extremos do clima.
5/22/202431 minutes, 25 seconds
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Irã: instabilidade e o futuro do regime

Morto no domingo em um acidente de helicóptero, o presidente Ebrahim Raisi era um dos nomes mais cotados para ser o sucessor do líder-supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Líder iraniano desde 1989, Khamenei tem 85 anos e está com a saúde debilitada – a figura dele é a mais importante do país, uma nação complexa do Oriente Médio, com quase 90 milhões de habitantes. A morte de Raisi embaralha a disputa pela sucessão de poder – outro cotado é um dos filhos de Khamenei, o que criaria um paradoxo para o país: a Revolução Iraniana nasceu justamente da luta contra as dinastias dos xás. Para entender como o país - mergulhado em desafios econômicos - agora encara mais instabilidade, Natuza Nery conversa com Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM. Leonardo explica como Raisi ascendeu à presidência do Irã, qual a importância da presidência no país, os vários interesses em torno da sucessão de Khamenei e como a vacância de poder pode repercutir no Oriente Médio, região já cheia de conflitos.
5/21/202430 minutes, 24 seconds
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Zolpidem: epidemia e novas regras da Anvisa

São mais de 70 milhões de pessoas com problema de insônia no país. Nesse cenário, cada vez mais brasileiros buscam medicamentos indutores de sono – segundo dados da Anvisa, quase 18 milhões de caixas de zolpidem foram vendidas no ano passado. Considerado por especialistas uma epidemia, o consumo do medicamento agora será mais rígido. A partir de agosto, a Anvisa estabeleceu que para comprar o zolpidem e a zopiclona será preciso ter uma receita azul. Para entender o que levou à alta exponencial no uso de indutores de sono no Brasil e quais os riscos para a saúde, Natuza Nery conversa com Dalva Poyares, neurologista especialista em sono, pesquisadora do Instituto do Sono e professora da Unifesp. Dalva explica os fatores que levaram à chamada epidemia de zolpidem, quais os riscos da automedicação e em quais casos o remédio é recomendado.
5/20/202432 minutes, 18 seconds
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A reação do Congresso à tragédia climática

Nos últimos anos foram inúmeros os projetos aprovados no Congresso que põe em risco a legislação ambiental brasileira. Agora, com a tragédia climática que devastou o Rio Grande do Sul, parlamentares são pressionados por entidades da sociedade civil a aprovar projetos de proteção ambiental. Nesta semana, o Senado aprovou um texto que cria regras para planos de adaptação climática. Na Câmara, há articulação para acelerar medidas de proteção contra desastres. No entanto, nas duas Casas Legislativas estão em análise mais de 20 projetos que, juntos, foram apelidados de “Pacote da Destruição”. Para entender o que é este pacote e como a tragédia no RS poderia servir de contenção a novos retrocessos ambientais, Natuza Nery conversa com Mauricio Guetta, consultor jurídico do Instituto Socioambiental, e com Beto Mesquita, integrante do grupo Coalizão Brasil Clima, Floresta e Agricultura. Mauricio detalha os projetos em tramitação no Congresso, e Beto explica como proteção ambiental e avanço do agronegócio podem andar juntos.
5/17/202432 minutes, 15 seconds
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Petrobras: troca no comando e disputa de poder

Em três anos, a empresa mais valiosa do Brasil conta 6 presidentes. Na troca mais recente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu demitir Jean Paul Prates – uma saída selada há meses, desde a disputa sobre os pagamentos de dividendos da empresa. Para o lugar de Prates, Lula escolheu Magda Chambriard, funcionária de longa data da estatal. O momento da troca, no entanto, foi considerado surpreendente – como reação do mercado, as ações da empresa despencaram mais de 6%, fazendo a estatal de capital aberto perder R$ 34 bilhões em valor de mercado. Para entender as disputas em torno do comando da Petrobras e porque governos dos mais diferentes campos políticos têm interesse em intervir na empresa, Natuza Nery conversa com Manoel Ventura, coordenador de economia do jornal O Globo. Manoel explica as intrigas entre Jean Paul Prates e a equipe do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e detalha os elementos que levaram a troca a ser feita agora – quando a discussão sobre o pagamento de dividendos já era considerada superada.
5/16/202428 minutes, 15 seconds
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O socorro financeiro ao Rio Grande do Sul

Os pedidos de ajuda em meio à devastação partem da população, dos municípios e do governo estadual. Diante de uma tragédia sem precedentes, e cujo prejuízo total ainda não pode ser calculado, o governo federal socorre financeiramente o Rio Grande do Sul. Nesta quarta-feira, o presidente Lula deve ir ao Estado anunciar um pacote de ajuda às pessoas físicas - entre as medidas está a ampliação do Bolsa Família e um voucher de R$ 5 mil aos atingidos. No início desta semana, o governo federal anunciou a suspensão do pagamento da dívida do RS com a União por três anos - medida que dará um alívio de cerca de R$ 11 bilhões às contas gaúchas. Para avaliar a atuação do governo federal diante da tragédia, Natuza Nery conversa com o economista Bruno Carazza. Comentarista do Jornal da Globo e colunista do jornal Valor Econômico, Carazza analisa os impactos do socorro federal, a reação do governador Eduardo Leite e o grau de efetividade dos auxílios anunciados às vítimas da catástrofe climática no Estado.
5/15/202429 minutes, 35 seconds
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Cidades-esponja e a adaptação à crise climática

Levantamento da Casa Civil e do Ministério das Cidades divulgado no início deste ano aponta que mais de 1.900 municípios estão em zonas de risco quanto aos eventos extremos do clima. Além disso, quase 9 milhões de brasileiros vivem em áreas expostas a desastres. Daí a necessidade, cada vez mais urgente, de cidades se adaptarem para lidar com eventos climáticos extremos e suas consequências - cada vez mais intensas e frequentes. Novos arranjos urbanísticos aparecem como possível solução, entre eles, as chamadas cidades-esponja. Para discutir a adaptação do espaço urbano, Natuza Nery recebe a arquiteta e urbanista Taneha Bacchin, professora em projeto urbano da Universidade Técnica de Delft, na Holanda. Tahena é especialista em gestão sustentável de águas urbanas e em risco ambiental, e detalha como funcionam as cidades-esponja e outras medidas de adaptação consideradas modelo e já adotadas em outros países.
5/14/202426 minutes, 5 seconds
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A onda de fake news em tragédias

Em meio aos esforços para enfrentar a catástrofe climática que devastou o Rio Grande do Sul, notícias falsas e desinformação se espalharam e atrapalharam os trabalhos de autoridades e de voluntários. Vídeos, fotos e outras postagens fraudulentas sugerem a inação de todas as esferas de governo para mitigar os efeitos da catástrofe, e, também, a ação deliberada para dificultar a ajuda aos gaúchos. O governo federal pediu que a PF investigue os responsáveis por fabricar e espalhar notícias falsas. Cerca de 33% do que circula sobre a catástrofe no X (antigo Twitter) é conteúdo com ataques aos governos federal, estadual e municipais, mostra o monitor do Debate Político Digital, iniciativa que monitora as principais plataformas digitais. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o coordenador do projeto, Pablo Ortellado, de que forma os criadores desses conteúdos operam e sobre como é possível lucrar com a disseminação de fake news. Participa também Ricardo Gallo, coordenador do Fato ou Fake do g1, projeto que aponta a veracidade de conteúdos virais nas redes.
5/13/202429 minutes, 40 seconds
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A crise climática vista de perto

“O que aconteceu no Rio Grande do Sul pode acontecer com qualquer um de nós, em qualquer lugar”, sentencia a jornalista Ana Paula Araújo, em conversa com Natuza Nery neste episódio. Apresentadora do Bom dia Brasil, da TV Globo, Ana Paula relata as semelhanças da tragédia no Estado com a testemunhada por ela em 2011, na região serrana do Rio de Janeiro. “Ver de perto dá outra dimensão do tamanho da tragédia”, relata Ana Paula, ao falar sobre como é testemunhar com os próprios olhos os efeitos dos eventos extremos provocados pelas mudanças climáticas no planeta. “É um cenário de guerra, com tudo alagado para todos os lados”, descreve. Participa também deste episódio o jornalista Ernesto Paglia, autor do documentário “3xÁrtico: o alerta do gelo”, que, em um intervalo de 30 anos, observou as mudanças na paisagem e na vida da Groenlândia que evidenciam o derretimento das camadas de gelo na região. Ao listar países e cidades afetadas pelo aumento do nível dos oceanos, Paglia fala da instabilidade climática espalhada pelo planeta e como a natureza “joga na nossa cara” que todos estamos expostos a eventos extremos.
5/10/202435 minutes, 14 seconds
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As crianças na catástrofe do Rio Grande do Sul

Em meio a uma tentativa de resgate no último sábado (4), na cidade gaúcha de Canoas, uma família com quatro crianças foi resgatada em um bote. Cheia, a embarcação virou, as pessoas foram socorridas, mas Agnes, de apenas 7 meses de vida, acabou separada da família, segundo relato da mãe, Gabrielli. A história foi contada ao Assunto pela própria Gabrielli, no quarto dia sem notícias da filha. Um depoimento que joga luz em um dos tantos dramas da tragédia do Rio Grande do Sul: as dezenas de crianças separadas de suas famílias. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Daniela Mombach, psicóloga que trabalha como voluntária em abrigos de Porto Alegre e desenvolveu um projeto para tentar reconectar crianças e suas famílias. E também Jeferson Leon Machado da Silva, presidente da Associação dos Conselheiros Tutelares do Rio Grande do Sul.
5/9/202432 minutes, 9 seconds
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A vida na Porto Alegre colapsada

Sem luz, sem água, sem abastecimento: “é um cenário desesperador”, relata a jornalista Kelly Matos em conversa com Natuza Nery neste episódio. Moradora de Porto Alegre, a apresentadora e repórter da Rádio Gaúcha descreve a vida na capital em meio à tragédia histórica que devastou o Rio Grande do Sul. Kelly descreve a situação na cidade, e compara o cenário ao da pandemia: “supermercados começaram a limitar a quantidade de produtos por pessoa, porque não tem para todo mundo”. A jornalista fala do medo de saques e violência em meio ao resgate de atingidos. “Está todo mundo devastado”, conta, ao lembrar dos pedidos de ajuda que tem recebido. Mais de uma semana depois do início dos temporais, Kelly fala como a população está “no epicentro da tragédia” e como muitas ruas da capital só podem ser acessadas de barco. Ela relata ainda o medo de ouvir o barulho da chuva: “o barulho da chuva é gatilho para mais um evento que vai nos causar dor”.
5/8/202431 minutes, 13 seconds
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O descaso da política com a crise climática

O cenário é devastador: cidades inteiras debaixo d’água, mais de 80 mortos, mais de uma centena de desaparecidos e milhares de desabrigados. A tragédia sem precedentes no Rio Grande do Sul é exemplo de como mudanças na legislação ambiental e a falta de repasses para prevenção potencializam os danos provocados pelos eventos climáticos extremos. Para entender o que mudou na legislação e contribuiu para o maior desastre ambiental da história do Estado, Natuza Nery conversa com Suely Araújo, urbanista e coordenadora de políticas públicas no Observatório do Clima. Suely relembra como a bancada parlamentar do RS tem histórico de votação para reduzir a proteção ambiental. Ela pontua como “regras ambientais ajudam a produção [agrícola] a se manter mais sustentável”, e ressalta como planos de prevenção precisam “sair da gaveta”. Participa também Gil Castello Branco, diretor-presidente da associação Contas Abertas. A pedido de O Assunto, Gil apresenta um estudo sobre como as emendas de parlamentares gaúchos foram usadas em 2024 para prevenir desastres climáticos. “A parte relativa à prevenção e recuperação de desastres é muito pequena”, afirma. Gil analisa a necessidade de integração permanente entre governo federal, estadual e municípios para além de momentos de urgência.
5/7/202441 minutes, 34 seconds
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Almirante Negro: o debate sobre o heroísmo de João Cândido

Em 1910, João Cândido Felisberto liderou a Revolta da Chibata, um levante contra a aplicação de castigos físicos aos marinheiros, em sua maioria negros, e virou referência para o movimento negro. Mais de 100 anos depois, um projeto de lei tenta incluir o marinheiro, conhecido como Almirante Negro, no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria – ao lado de nomes como Zumbi dos Palmares, Zilda Arns e Chico Mendes. O texto já foi aprovado no Senado, mas enfrenta resistências na Câmara dos Deputados. Em abril, o comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, enviou carta à Comissão de Cultura da Câmara com críticas ao projeto. O documento diz que "além do justo pleito de revogação da prática repulsiva do açoite", os marinheiros que participaram da revolta "buscavam, deliberadamente, vantagens corporativas e ilegítimas", e que "[...] resta notável diferença entre reconhecer um erro e enaltecer um heroísmo infundado". Neste episódio, Natuza Nery conversa com o jornalista Bernardo Mello Franco, colunista do jornal "O Globo" e comentarista da rádio CBN, sobre o debate no Congresso em torno do heroísmo de João Cândido e os significados da carta assinada por Olsen. Também participa o historiador Álvaro Pereira do Nascimento, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, que explica o papel da Revolta da Chibata para a modernização da Marinha e fala sobre a importância da figura de João Cândido.
5/6/202426 minutes, 14 seconds
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A catástrofe climática no Rio Grande do Sul

Oito meses atrás, as cidades do Vale do Taquari, no interior do estado, foram destruídas por temporais e enchentes: mais de 50 pessoas morreram e mais de 2 mil seguem esperando a construção de moradias. Agora, as chuvas intensas estão ainda mais fortes, atingem a mais cidades gaúchas e causam uma tragédia que caminha para ser ainda pior. Até a noite de quinta-feira (2), a Defesa Civil já registrava mais de 30 mortes e mais de 15 mil pessoas fora de suas casas, em abrigos ou totalmente desalojadas; pelo menos 134 municípios foram afetados e muitos deles estão isolados, sem acesso pelo céu (devido às chuvas) ou pelo chão (rodovias estão intransitáveis). Na Serra Gaúcha, uma barragem foi rompida pela força da água. Na capital, Porto Alegre, há alerta para o risco de o rio Guaíba transbordar. O estado decretou calamidade pública. Neste episódio, o Vítor Rosa, repórter da RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul, conversa com Natuza Nery diretamente de Candelária, uma das cidades mais afetadas – ele conta o drama vivido pelos moradores e relata a história de um resgate emocionante. Participa também Cesar Soares, meteorologista da Climatempo, que explica por que a região Sul do país corre mais risco de sofrer com novos eventos climáticos extremos.
5/3/202425 minutes, 54 seconds
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Madonna, a rainha do pop e da reinvenção

São 40 anos de hits, barreiras quebradas e influência na música, na moda, no comportamento e na cultura. Em 4 décadas de carreira, Madonna se reinventou em muitas: foi símbolo sexual, rebelde, dançarina, atriz, espiritualizada... Com uma história de números superlativos, a cantora está no Brasil para fazer o maior show de sua história. Para entender como Madonna se tornou a maior estrela do pop de todos os tempos, Natuza Nery conversa com Braulio Lorentz, editor de Pop&Arte do g1, e com Dudu Bertholini, estilista e comunicador de moda. Braulio explica como Madonna é “completa”, e foi pioneira ao fazer “shows performance”, com trocas de figurino, dezenas de dançarinos e coreografias – movimento depois copiado por nomes como Beyoncé e Taylor Swift. Braulio fala também como a cantora também foi das primeiras artistas a levantar discussões sobre a liberdade sexual feminina e a comunidade LGBT: “além de ser música para dançar, é música para pensar”, diz. Fã de Madonna desde criança, Dudu Bertholini fala da influência da cantora na moda e no comportamento, principalmente como símbolo da comunidade LGBT. “Madonna foi revolucionária e tem papel crucial” ao defender a liberdade sexual e diferentes identidades de gênero. Dudu destaca como a trajetória da cantora atravessa fatos históricos e agora cruza com a discussão sobre o etarismo: “Madonna é um exemplo de como ser a melhor versão de você em cada idade”. Ele conta ainda como foram as duas vezes em que esteve lado a lado com a diva pop.
5/2/202432 minutes, 4 seconds
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Senna: os 30 anos da morte, com Galvão Bueno

Há 30 anos, o Brasil vivia a morte de um de seus maiores ídolos. Ayrton Senna morreu no dia 1° de maio de 1994, quando entrou na pista pela última vez — o piloto bateu a mais de 200 km/h na curva Tamburello, no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália. Um fim de semana marcado por acidentes — no dia anterior, o austríaco Ratzenberger morreu, o que deveria ter cancelado o GP; dois dias antes, foi Rubinho Barrichello quem precisou ser socorrido, como rememora Galvão Bueno em conversa com Natuza Nery. Galvão relembra a trajetória gloriosa de Senna: três títulos mundiais, dezenas de provas vencidas e uma legião de admiradores por onde passou. Voz das grandes vitórias de Senna, Galvão tornou-se amigo do piloto e comandava a transmissão do dia do acidente. Ele narra os acontecimentos de 30 anos atrás e fala sobre o grande legado do maior piloto do automobilismo brasileiro.
5/1/202435 minutes, 44 seconds
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A turbulência nas universidades dos EUA

Os protestos começaram em Columbia (Nova York) e se espalharam por todo o país. Estudantes universitários dos Estados Unidos acampam nos campi em atos pró-Palestina e contra a ação de Israel em Gaza, e pedem o rompimento das relações com governos e empresas que apoiem a ação do governo israelense em território Palestino. Em resposta, os comandos das universidades chamaram a polícia, mas os agentes de segurança reagiram com violência desproporcional. Só no último fim de semana, mais de 200 alunos foram detidos – desde o início das manifestações, o número passa de 800. Para explicar como os atos nas universidades americanas afetam a disputa presidencial entre Joe Biden e Donald Trump, Natuza Nery recebe Marcelo Lins, comentarista da GloboNews, e Mauricio Moura, professor da Universidade George Washington. Lins relembra como nasceram e cresceram os protestos - e as possíveis consequências na campanha de Biden, já em situação complicada na corrida pela reeleição. Mauricio contextualiza de que modo a liberdade de expressão - um valor considerado fundamental no país e garantido pela Constituição - vira peça central no debate político do país.
4/30/202428 minutes, 8 seconds
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Psicodélicos: as pesquisas para uso terapêutico

Nas décadas de 1950 e 1960, os estudos envolvendo substâncias psicodélicas para o tratamento de transtornos mentais eram promissores. Ao mesmo tempo, muitos jovens passaram a consumi-las de forma recreativa e houve reação: nos EUA, o então presidente Richard Nixon proibiu completamente o uso dos psicodélicos - inclusive para fins científicos. O veto atrasou por décadas o desenvolvimento de pesquisas a respeito, mas, do início dos anos 2000 para cá, o mundo vive o que é chamado de “Renascença Psicodélica”: substâncias como a psilocibina, o DMT e o MDMA estão sendo estudadas para enfrentar a pandemia de problemas de saúde mental. Os resultados são tão promissores que a FDA (a Anvisa americana) avalia aprovar o uso delas para tratamentos até agosto deste ano. Para explicar o status atual das pesquisas no mundo e as barreiras impostas pela regulamentação no Brasil, Natuza Nery entrevista o físico e neurocientista Dráulio Araújo, professor e pesquisador do Instituto do Cérebro, da UFRN, e o neurocientista Eduardo Schenberg, pesquisador na University College London e fundador do Instituto Phaneros.
4/29/202430 minutes, 11 seconds
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Reforma tributária – a cara e o corpo das mudanças

Em 2023, uma PEC aprovada no Congresso apresentou os contornos da mais esperada das reformas. Nesta semana, o governo começou a dar mais nitidez ao que será o novo sistema de tributação do país. Nesta fase da reforma tributária, o Ministério da Fazenda apresentou ao Congresso um calhamaço de 360 páginas, 500 artigos e vários anexos que dá forma ao Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) Dual - coração desse novo sistema. O imposto unificado dual, que substituirá cinco tributos, será composto pelo CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços; federal) e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços; estadual e municipal) e prevê alíquota média de 26,5%. Para apresentar todos os detalhes do texto defendido pelo governo, Natuza Nery conversa com Victoria Abel, repórter do jornal O Globo, em Brasília. Participa deste episódio também a economista Melina Rocha, especialista em IVA e consultora para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
4/26/202435 minutes, 56 seconds
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O TikTok em apuros nos EUA

Nascida em 2017 e alimentada por vídeos curtos e verticais, a rede social da empresa chinesa ByteDance hoje soma 1 bilhão de usuários ao redor do planeta. Dono de um algoritmo poderoso, o TikTok se tornou a sétima marca mais valiosa do mundo, à frente de todas as concorrentes do setor. Enquanto bomba entre usuários, a rede social levanta o alerta de governos – chegou a ser proibida na Índia, na Indonésia e no Afeganistão. Nos Estados Unidos, onde 170 milhões de pessoas têm contas na rede social, a desconfiança uniu democratas e republicanos. O projeto que pode banir o TikTok nasceu ainda durante a gestão Donald Trump, foi aprovada de forma bipartidária no Congresso, se tornou lei sob a sanção do presidente Joe Biden. Para entender por que o TikTok gera desconfiança de governos e de que forma a China usa o app como meio de soft power, Natuza Nery conversa com Ronaldo Lemos, advogado e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), do Rio de Janeiro.
4/25/202421 minutes, 12 seconds
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Carla Zambelli: a denúncia e o isolamento político

A voz dela ecoou durante as manifestações de rua que pediam o impeachment de Dilma Rousseff. Depois, embarcou na onda do bolsonarismo, que a elegeu deputada federal em 2018. Durante seu primeiro mandato, colecionou indisposições com a lei – o caso mais escandaloso foi a perseguição armada a um homem com quem discutiu na véspera da eleição de 2022. Com a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro, as investigações trouxeram à tona as articulações da deputada para comprometer o sistema eleitoral brasileiro. Nesta terça-feira (23), a PGR denunciou Zambelli (PL-SP) como mandante do ataque promovido pelo hacker Walter Delgatti Neto ao sistema do Conselho Nacional de Justiça. A própria deputada já assumiu ter levado Delgatti para encontrar o então presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, que buscava deslegitimar as urnas eletrônicas. Para explicar quem é esta personagem da política brasileira, as denúncias contra ela e o atual estágio de isolamento dela dentro do bolsonarismo, Natuza Nery conversa com o jornalista Paulo Celso Pereira, editor executivo dos jornais O Globo e Extra.
4/24/202426 minutes, 12 seconds
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O peso do Judiciário no funcionalismo

Uma pesquisa feita pelo Tesouro Nacional identificou que o gasto da União para custear este poder da República gira em torno de R$ 160 bilhões por ano – 83% desse dinheiro todo apenas para a remuneração de servidores. De acordo com a mesma pesquisa, isso representa cerca de 1,6% do PIB brasileiro. Muito mais do que a média mundial: entre os países ricos, o gasto médio é de 0,3%; entre os emergentes, é de 0,5%. Não é pouco, e pode aumentar. Isso porque uma das chamadas “pautas-bomba” que podem explodir ainda este ano no colo do governo é a PEC do Quinquênio, em tramitação avançada no Senado. Caso aprovada, os salários da magistratura e do Ministério Público sobem automaticamente 5% a cada 5 anos, com impacto anual de pelo menos R$ 42 bilhões a mais para os cofres públicos. Para explicar as disfuncionalidades e os privilégios impostos pelo Judiciário no arranjo do funcionalismo público, Natuza Nery entrevista Gabriela Lotta, professora de Administração Pública da FGV-SP.
4/23/202423 minutes, 23 seconds
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O combate ao crime organizado na Terra Yanomami

Em janeiro de 2023 foi exposta a gravíssima crise humanitária a qual a etnia Yanomami estava submetida. Dentro daquela que é a maior Terra Indígena do país, parte dos 30 mil integrantes deste povo sofriam com a fome, a malária e o garimpo ilegal. E ainda sofrem. O governo decretou emergência na região, e uma série de ações, de fato, reduziu a presença do crime; mas nem de longe foi o suficiente para garantir vida digna aos indígenas. Em março desse ano, o jornalista André Neves Sampaio, do Profissão Repórter, da TV Globo, voou até a base de Surucucu da Terra Indígena – uma experiência que ele relata neste episódio. Participa também o General Costa Neves, comandante militar da Amazônia. Em entrevista a Natuza Nery, ele descreve os desafios do combate ao crime organizado na Amazônia e explica a estratégia de enfrentamento imposta pelas Forças Armadas.
4/22/202431 minutes, 13 seconds
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Rogério Andrade: a decisão que beneficiou o bicheiro

Herdeiro das atividades de contravenção do clã Andrade e uma das figuras mais temidas do Rio de Janeiro há décadas, Rogério tem em sua ficha corrida vários atentados contra si – um deles, em 2010, matou seu filho de 17 anos – e também denúncias de crimes diversos, entre eles assassinatos, organização criminosa e pagamento de propina a agentes públicos. Uma dessas acusações o levou à cadeia, mas por apenas quatro meses: Jorge Mussi, ministro do Superior Tribunal de Justiça, hoje aposentado, soltou o bicheiro em 2022, após o nome dele constar até na lista dos mais procurados da Interpol. Na mais alta esfera do Judiciário, o ministro Nunes Marques, do STF, decidiu a favor de Rogério Andrade por três vezes. A mais recente dela foi um despacho sigiloso que libera o contraventor de usar a tornozeleira eletrônica e de atender o recolhimento domiciliar noturno. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Octavio Guedes, colunista do g1 e comentarista da GloboNews, para explicar quem é este personagem, a quais crimes ele responde na Justiça e por que ele consegue sempre escapar do alcance das leis.
4/19/202422 minutes, 36 seconds
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A guerra de Arthur Lira contra o Planalto

As críticas do presidente da Câmara ao ministro Alexandre Padilha (PT) – responsável pela articulação política do governo com o Congresso – datam de meses. Mas, na última semana, Arthur Lira (PP) subiu o tom e chamou o ministro de “incompetente”: disparo dado depois de ser questionado sobre uma possível fragilidade de sua liderança à frente da Casa. Ao saber do bombardeio sofrido por seu ministro, o presidente Lula (PT) entrou em cena e dobrou a aposta: defendeu Padilha abertamente, e o governo exonerou um primo de Lira da superintendência regional do Incra em Alagoas. Do outro lado, Lira abriu sua caixa de ferramentas: ele ameaça com uma série de “pautas-problema” para o Executivo, entre elas a instalação de CPIs – um incômodo às vésperas das eleições municipais. “É o pior momento, sem dúvida alguma”, afirma o cientista político Fernando Abrucio, professor da FGV-SP, sobre a relação entre o comando da Câmara e o Planalto. Em entrevista a Natuza Nery, Abrucio analisa a guerra deflagrada e avalia o que cada lado tem a ganhar e a perder: “Há uma dissonância cognitiva entre os dois. Lira não será o primeiro-ministro que foi com Bolsonaro, e Lula 3 não será como foi Lula 1 e Lula 2”, resume.
4/18/202432 minutes, 57 seconds
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PCC: a máfia entranhada em São Paulo

No intervalo de uma semana, duas operações lideradas pelo Ministério Público revelaram diferentes frentes de atuação do crime organizado no Estado de São Paulo. Na operação Fim da Linha, foram alvo duas empresas de ônibus que operam para a Prefeitura da capital paulista, com o intuito de lavar dinheiro do tráfico e de outros crimes - só no ano passado, as duas faturaram, juntas, mais de R$ 800 milhões. Nesta terça-feira, a operação Munditia relacionou pelo menos 3 vereadores de cidades da Região Metropolitana e Baixada Santista a licitações fraudadas – que somam mais de R$ 200 milhões nos últimos anos. Em comum: a relação promíscua entre agentes do Estado com a maior facção criminosa do Brasil. Neste episódio, Bruno Tavares, repórter da TV Globo, descreve as descobertas do MP paulista nas duas frentes de atuação e quais os próximos passos. Natuza Nery entrevista também Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP e autor do livro “A guerra: a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil”. Bruno Paes Manso explica como o PCC, desde sua fundação, se organizou para estender seus tentáculos nos cofres públicos e até posições de destaque na política.
4/17/202434 minutes, 51 seconds
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Irã x Israel: os riscos da escalada do conflito

A ofensiva iraniana do último sábado (13) sobre o território israelense ocorreu depois de duas semanas de ameaças. No dia 1° de abril, Israel havia bombardeado um posto diplomático do Irã na Síria - sob alegação de que o regime iraniano financia os grupos armados Hezbollah e Hamas. A relação de conflito entre os dois país remete a décadas de “guerra silenciosa”, como explica João Koatz Miragaya a Natuza Nery neste episódio. Diretamente de Israel, onde mora, Miragaya, que é mestre em história pela Universidade de Tel-Aviv e colaborador do Instituto Brasil Israel, analisa o grau de ineditismo do ataque de drones e mísseis do Irã sobre Israel e os interesses internos e externos que orientam os dois países. Ele também avalia as consequências desta crise para o futuro da guerra em Gaza e os riscos de escalada para uma guerra generalizada no Oriente Médio.
4/16/202429 minutes, 29 seconds
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Brasil: os extremos da desigualdade

Ainda na década de 1970, o economista Edmar Bacha criou o termo Belíndia, uma fábula que descreve um país cujas condições socioeconômicas seriam um mix entre a riqueza da Bélgica e a pobreza da Índia. Meio século depois, esse país continua se equilibrando nas mesmas contradições - seu 1% mais rico ganha 32 vezes mais que a metade mais pobre; e na base dessa pirâmide, tentam sobreviver mais de 20 milhões de pessoas que não têm sequer o que comer todos os dias. “Se um marciano viesse à Terra e tivesse que conhecer um país para entender a realidade do planeta, o Brasil seria a melhor opção”, afirma Pedro Fernando Nery, consultor de economia no Congresso e professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). Entrevistado por Julia Duailibi, o economista explica por que o país é “um caso emblemático” que resume as desigualdades globais. Ele também relata o que viu durante o período de pesquisa de seu recém-lançado livro “Extremos: um mapa para entender as desigualdades no Brasil”, quando foi presencialmente a oito lugares que exemplificam as diferenças de renda, de oportunidades e de expectativa de vida no país.
4/15/202425 minutes, 12 seconds
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Saidinha de presos: o que muda e seus efeitos

A lei que autoriza presos em regime semiaberto à saída temporária data de 1984, quando o país ainda vivia sob a ditadura militar. O benefício é concedido como parte do processo de ressocialização de detentos e é motivo de intenso debate: por um lado registra, em média, uma taxa de retorno ao sistema prisional acima de 95%; por outro, é fonte de uma série de eventos criminosos cometidos por presidiários libertos. No Congresso, as duas Casas acordaram num Projeto de Lei que restringe a elegibilidade dos detentos para acessar o benefício e limita as condições para a saidinha – texto que o presidente Lula (PT) sancionou com veto apenas à proibição de que presos possam visitar suas famílias. Neste episódio, Julia Duailibi entrevista Pierpaolo Bottini, advogado e professor de direito penal da Faculdade de Direito da USP. Ele explica o que muda com a nova lei e seu impacto no sistema prisional brasileiro.
4/12/202420 minutes, 41 seconds
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A oferta de remédios com cannabis pelo SUS

A partir de maio, a rede pública de saúde do Estado de São Paulo vai fornecer gratuitamente medicamentos à base de canabidiol (CBD) para pacientes das síndromes de Dravet e Lennox-Gasteau, e de esclerose tuberosa. Será a primeira vez que o Sistema Único de Saúde inclui a substância no seu rol de tratamentos – o ato mais recente de um movimento que tomou impulso em 2015 e em 2019, quando, respectivamente, a Anvisa liberou a importação e a comercialização em farmácia de produtos feitos a partir do CBD. Neste episódio, Julia Duailibi entrevista o psiquiatra e neurocientista José Alexandre Crippa, professor da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão Preto e um dos principais pesquisadores em canabidiol do país. Ele diferencia o CBD do THC - substância com ação psicoativa que “dá barato” - e explica por que ele, o canabidiol, é tão importante para o tratamento de algumas condições neurológicas.
4/11/202423 minutes, 32 seconds
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A prisão de Chiquinho Brazão em análise na Câmara

Seis anos depois do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, a Polícia Federal concluiu sua investigação e apontou como mandantes do crime o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa e os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, respectivamente, conselheiro do Tribunal de Contas do RJ e deputado federal. A presença do parlamentar entre os suspeitos levou o caso ao Supremo Tribunal Federal, onde o ministro Alexandre de Moraes decidiu pela prisão de Chiquinho - não pelo assassinato, mas pelo que definiu como “flagrante delito pela prática do crime de obstrução de justiça em organização criminosa”. Como determina a Constituição, a detenção de um parlamentar precisa ser referendada no Congresso, o que está previsto para acontecer nesta quarta-feira (10): a Comissão de Constituição de Justiça retoma a sessão sobre o caso. Em seguida, o Plenário deve analisar a manutenção da prisão. Além disso, o Conselho de Ética deve instaurar o processo que pode cassar o deputado. Convidado de Julia Duailibi neste episódio, Pedro Figueiredo, repórter da Globonews no Congresso, revela o clima nos bastidores de Brasília para a manutenção ou não da prisão de Chiquinho. Participa também Gustavo Sampaio, professor de Direito Constituição da UFF, que analisa a pertinência jurídica das decisões de Moraes em relação ao foro privilegiado.
4/10/202429 minutes, 38 seconds
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O embate Elon Musk x Alexandre de Moraes

A provocação do bilionário começou no último sábado, quando comentou em um post de janeiro do ministro do Supremo Tribunal Federal. Depois de atacar Moraes, o dono da plataforma X (antigo Twitter), ameaçou reativar contas suspensas bloqueadas pela Justiça brasileira por desrespeito à Legislação. Em resposta, uma canetada do ministro do STF incluiu Musk no inquérito das milícias digitais e determinou a abertura de uma nova investigação. A ação do bilionário é orquestrada com a divulgação de supostas conversas entre funcionários do antigo Twitter com críticas ao Judiciário brasileiro, inflando o discurso da extrema-direita. Um roteiro já visto em países como os Estados Unidos e o Reino Unido. Para entender como o dono do X atua para desacreditar informações confiáveis e instituições de Estado, Julia Duailibi conversa com a advogada Estela Aranha. Ex-assessora especial e secretária nacional para direitos digitais do Ministério da Justiça, Estela explica quem são os envolvidos nesta disputa, analisa as possíveis implicações legais contra Elon Musk e a urgência da regulação de redes sociais.
4/9/202423 minutes, 5 seconds
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Ailton Krenak, primeiro indígena na ABL

Desde a sessão inaugural da Academia Brasileira de Letras, apresentada por Machado de Assis em 20 de julho de 1897, mais de 250 escritores, poetas e intelectuais já ocuparam as 40 cadeiras mais célebres da cultura brasileira. Entre tantos gênios que se tornaram imortais, nenhum indígena até a última sexta-feira. Em uma cerimônia histórica, Aílton Krenak assumiu a cadeira número 5 da ABL – que já foi ocupada por Oswaldo Cruz e Rachel de Queiróz. “É uma esperança de que a nossa sociedade esteja melhorando a percepção sobre sua própria diversidade”, diz o novo imortal. Como liderança indígena, ele foi um dos protagonistas da luta dos povos tradicionais por direitos na Assembleia Constituinte. Como poeta e filósofo, Krenak assina mais de uma dezena de obras que versam sobre a relação da humanidade com os elementos da natureza, com a ancestralidade perdida e com a necessidade de – como diz em um de seus livros – buscar formas de adiar o fim do mundo: “Compreender o organismo da Terra, com sua magnifica potência de vida, é pacificar nossa fúria por consumo”.
4/8/202433 minutes, 17 seconds
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A recaptura dos fugitivos de Mossoró

Foram 50 dias desde a fuga do presídio de segurança máxima de Mossoró (RN). Rogério Mendonça Deibson Nascimeto percorreram 1,6 mil km e foram capturados em Marabá (PA). Além da dupla, foram detidas outras quatro pessoas que ajudavam os criminosos na fuga. O bando estava no que o ministro da Justiça chamou de “comboio do crime”, em três carros, com um fuzil, e oito aparelhos celulares. Para entender como foram os últimos dias de buscas e como os investigadores interceptaram os criminosos, Natuza Nery conversa com o repórter da GloboNews Bruno Fontes. É ele quem relata como a dupla ligada ao Comando Vermelho recebeu ajuda desde a fuga no dia 14 de fevereiro. Bruno detalha como Rogério e Deibson viajaram durante 6 dias, de barco, do Ceará até o Pará: “eles iam cortar o estado do Pará para conseguir sair do país”, diz. Bruno afirma ainda como a polícia usou o monitoramento de celulares para conseguir informações de criminosos em outros Estados, inclusive no Rio de Janeiro, de onde saíram ordens e ajuda para que a dupla conseguisse escapar do cerco policial.
4/5/202427 minutes, 17 seconds
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Netanyahu sob pressão de novo em Israel

O ataque contra um comboio na Faixa de Gaza matou 7 agentes humanitários de uma ONG internacional e aumentou a pressão sob o primeiro-ministro israelense. “Acontece em uma guerra”, disse Benjamin Netanyahu, ao falar sobre a ação. Agora até os Estados Unidos, um aliado histórico de Israel, questiona a condução da ofensiva israelense na Faixa de Gaza. Internamente, os protestos contra o governo crescem depois de um período de apoio ao premiê - antes dos ataques do Hamas, a figura de Netanyahu foi alvo de protestos por tentar uma reforma no Judiciário. Seis meses depois do início da guerra e sem a libertação total dos reféns sob poder do Hamas, a população israelense voltou às ruas para pedir novas eleições. Para entender as pressões contra o primeiro-ministro de Israel, e como a turbulência política afeta o futuro do conflito na Faixa de Gaza, Natuza Nery conversa com João Koatz Miragaya, mestre em história pela Universidade de Tel Aviv e colaborador do Instituto Brasil-Israel. Direto de Yiad, comunidade ao norte de Israel, João relata como o premiê está em situação crítica internamente – com sua coalizão de governo em risco. Para ele, a situação de Netanyahu é “desconfortável”, sem poder atender as demandas tanto de sua base governista quanto da oposição. E externamente, com a comunidade internacional pressionando por um cessar-fogo.
4/4/202427 minutes, 13 seconds
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O caso Enel e o futuro das concessões

Na segunda quinzena de março, uma série de apagões atingiu a maior cidade do Brasil. Foram dias e dias de falhas no fornecimento de energia – sob responsabilidade da Enel, concessionária com contrato até 2028. Os casos se somaram ao apagão registrado meses antes, em novembro do ano passado, quando 2 milhões de clientes ficaram no breu depois de um temporal. Para além dos apagões, a Enel registrou 340 mil quedas de energia não programadas em 2023, uma alta de 37% em relação à média dos anos anteriores. Com a sucessão de casos, o ministro de Minas e Energia ameaça um processo para tirar a concessão da empresa, cujo contrato vai até 2028. Para entender a série de apagões em São Paulo, qual o papel da agência reguladora na fiscalização e as possíveis consequências do fim da concessão, Natuza Nery conversa com Rodrigo Bocardi, apresentador da TV Globo e da rádio CBN, e com Joísa Dutra, ex-diretora da Aneel e diretora do Centro de Regulação em Infraestrutura da FGV.
4/3/202431 minutes, 54 seconds
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Sergio Moro na mira da Justiça Eleitoral

Começou nesta segunda-feira (1°) o julgamento no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que pode levar à cassação do senador Sergio Moro (União Brasil). No primeiro dia de análise na Justiça Eleitoral, o relator do caso entendeu que as acusações contra o senador por abuso de poder econômico na eleição de 2022 não procedem. A partir da quarta-feira (3), outros seis desembargadores vão votar – num julgamento cujo desfecho é considerado imprevisível. As ações foram propostas pelo PT – partido do presidente Lula, alvo de Moro durante a Lava Jato – e pelo PL de Bolsonaro, de quem Moro foi aliado e ministro. Para entender o que pesa contra o ex-juiz, eleito para um mandato até 2030, Natuza Nery conversa com Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN. Malu explica o ineditismo das ações contra o senador e como o momento político no Congresso pode complicá-lo: “ele é um político isolado no Senado e localmente”, diz. “Não há alianças que podem segurá-lo no cargo”, avalia. Malu analisa ainda o possível desfecho do caso, cuja tendência é ser levado para votação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E conclui como a futura composição do TSE – com a saída de Alexandre de Moraes e a entrada de André Mendonça - pode ajudar o senador.
4/2/202427 minutes, 15 seconds
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60 anos do golpe militar e a nova tentativa de conciliação

Iniciou-se no dia 1º de abril de 1964 a sessão do Congresso Nacional na qual o então presidente do Senado Auro de Moura Andrade declarou vaga a Presidência da República. João Goulart foi deposto, e a eleição prometida para o ano seguinte nunca aconteceu. O Brasil, então, viu nascer um de seus momentos mais sombrios assim que o general Humberto Castelo Branco deu início ao período de 21 anos de governos militares. A retomada democrática instituída a partir de 1985 nunca afastou os fantasmas de um novo golpe – e as investigações da Polícia Federal indicam que, ao fim do mandato de Jair Bolsonaro (PL), o governo civil com a maior quantidade de militares da história recente, houve risco real de outra ruptura. Agora, sob ordens de Lula (PT), o governo federal vetou todos os eventos sobre a memória dos crimes cometidos pela ditadura militar. Ao colocar panos quente sobre o passado, ele tenta buscar uma harmonia entre os poderes de Estado e a cúpula das Forças Armadas. “Lula concedeu até o mínimo do mínimo, mas nós não sabemos as contrapartidas que ele está esperando”, alerta Conrado Hübner Mendes, professor de Direito da USP, em entrevista à Natuza Nery. Para ele, o país vive “mais uma oportunidade perdida se de proteger dessa ameaça permanente”. Neste episódio participa também Rafael Schincariol, coordenador de relações institucionais do Instituto Herzog. Ele explica a importância da votação iniciada no STF para definir os limites da atuação das Forças Armadas, regulamentados pelo Artigo 142 da Constituição Federal – o relator, o ministro Luiz Fux, já votou para extinguir a tese de que sejam o “poder moderador” da República.
4/1/202434 minutes, 6 seconds
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A operação dos EUA contra o golpe no Brasil

A invasão ao Capitólio de 6 de janeiro de 2021 estremeceu a democracia americana. Em jogo, estava a certificação de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos – ele que havia vencido a eleição contra o então presidente Donald Trump, que alegou fraude nas urnas, sem apresentar provas. Em Brasília, o discurso trumpista encontrou eco em Jair Bolsonaro e acendeu um alerta na Casa Branca. Já sob a gestão Biden, altos oficiais do governo americano agiram no Brasil para mitigar as ações golpistas de Bolsonaro, acuar os comandantes militares que aderiram ao projeto antidemocrático e garantir eleições livres no país. Em entrevista a Natuza Nery, quem descreve o passo a passo dessa operação - que garantiu até que chips chegassem às urnas eletrônicas a tempo para as eleições - é Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da FGV-SP.
3/28/202428 minutes, 24 seconds
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Bolsonaro e a visita misteriosa a embaixada

“Algum crime nisso?”, respondeu Jair Bolsonaro ao ser questionado por jornalistas sobre a revelação de que havia passado duas noites de fevereiro na embaixada da Hungria em Brasília. A estadia inusitada foi revelada pelo jornal americano The New York Times e levantou suspeitas, já que dias antes o ex-presidente havia sido alvo de uma operação da Polícia Federal em que teve o passaporte apreendido. A PF resolveu apurar se Bolsonaro desrespeitou medidas cautelares impostas pelo STF – investigado por uma tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente está proibido de deixar o Brasil. Para entender se o ex-presidente descumpriu ou não a ordem do Supremo e as possíveis implicações deste ato, Natuza Nery conversa com o advogado criminalista Augusto de Arruda Botelho e com a professora da Faculdade de Direito da USP Maristela Basso. Com visões diferentes sobre o tema, Augusto de Arruda Botelho e Maristela Basso discorrem sobre as implicações da estadia do ex-presidente na embaixada e analisam as consequências políticas de uma possível prisão preventiva.
3/27/202428 minutes, 38 seconds
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Caso Marielle – o Estado dentro do crime

A relação íntima entre milícias, policiais e políticos foi desnudada com a prisão dos três suspeitos da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Domingos Brazão (conselheiro do TCU-RJ) e Chiquinho Brazão (deputado federal) são apontados pela Polícia Federal como mentores do assassinato da vereadora. E Rivaldo Barbosa (ex-chefe da Polícia Civil do RJ), foi quem planejou o crime, segundo os investigadores. O trio evidencia a presença enraizada de agentes públicos no crime organizado, em um Estado “loteado”, como aponta César Tralli em conversa com Natuza Nery neste episódio. “Rivaldo Barbosa agora é um fio de novelo que vai se desdobrar em outros inquéritos”, diz Tralli, jornalista e apresentador da TV Globo e da GloboNews. Tralli revela que novas investigações devem ser abertas para apurar a promiscuidade entre criminosos e agentes públicos. Participa também Bruno Paes Manso, jornalista e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP. Autor do livro “República das Milícias”, Bruno indica como um depoimento de Orlando Curicica em 2018 – mesmo ano da morte de Marielle – evidenciou o poder de influência das milícias dentro da polícia do RJ. Bruno desenha também o histórico da relação entre milícia e política, e avalia como o esclarecimento do assassinato da vereadora pode ser uma oportunidade para reorganizar o Rio de Janeiro.
3/26/202445 minutes, 34 seconds
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A prisão dos suspeitos de mandar matar Marielle

Domingos Brazão, Chiquinho Brazão e Rivaldo Barbosa foram presos no início da manhã do domingo (24) suspeitos do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Segundo a investigação da Polícia Federal, o crime foi encomendado por Domingos, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, e pelo irmão Chiquinho, deputado federal (ex-União Brasil-RJ). Ainda segundo a PF, o delegado Rivaldo Barbosa foi o responsável por arquitetar o assassinato. À época, Rivaldo era chefe da Polícia Civil do RJ, nomeado um dia antes do crime. Para entender as suspeitas que recaem sobre cada um deles, Natuza Nery conversa com Bruno Tavares, jornalista da TV Globo que primeiro informou sobre a prisão dos três. Bruno detalha como foi a operação para prender o trio e quais as motivações para o assassinato, segundo a investigação da Polícia Federal.
3/25/202432 minutes, 27 seconds
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Robinho preso e a queda de ídolos do futebol

Condenado a 9 anos de prisão pela Justiça da Itália, Robinho foi preso nesta quinta-feira (21) em Santos para cumprir a pena por estupro coletivo contra uma albanesa. A prisão aconteceu após o STF negar um pedido de habeas corpus feito pela defesa do ex-jogador, um dia depois de o STJ decidir que Robinho deve cumprir a sentença no Brasil, já que o país não extradita brasileiros. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o jornalista André Rizek para entender como o caso de Robinho mudou a forma de lidar com violência de gênero no futebol. Apresentador do sportv, Rizek relata como era a vida do jogador à espera da decisão do STJ e a maneira com que clubes lidam com ídolos envolvidos em caso de estupro e abuso sexual. E conclui como a declaração da presidente do Palmeiras, Leila Pereira – hoje à frente da delegação brasileira da CBF – vai na contramão do “silêncio ensurdecedor” recorrente de dirigentes e jogadores sobre episódios de violência de gênero.
3/22/202421 minutes, 15 seconds
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Caso Marielle: a reta final da investigação

Desde o dia 14 de março de 2018, ecoa a pergunta “quem mandou matar Marielle?”. Preso um ano depois do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o ex-PM Ronnie Lessa é considerado peça-chave para a resposta. Seis anos após o crime, Ronnie Lessa teve o acordo de delação premiada homologado no Supremo Tribunal Federal – o caso corre no STF sob segredo de Justiça por suspeita de envolvimento de pessoas com foro privilegiado. Para entender o que levou à delação de Ronnie, o status da investigação e as perguntas ainda em aberto, Natuza Nery recebe neste episódio Cesar Tralli. O jornalista detalha os passos que levaram à delação de Ronnie Lessa e por que investigadores acreditam estar perto da elucidação de ordenou o assassinato da vereadora. Tralli revela ainda que o mês de abril é considerado crucial para a conclusão do caso.
3/21/202434 minutes, 8 seconds
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Bolsonaro - 'o fio' que levou ao indiciamento

A fraude em carteiras de vacinação rendeu a Jair Bolsonaro seu primeiro indiciamento – feito nesta terça-feira (19) pela Polícia Federal. É nesta investigação que Mauro Cid foi preso e teve o celular apreendido. O aparelho se mostrou uma espécie de “caixa-preta” e levou às investigações sobre a tentativa de um golpe de Estado, e a da venda de joias recebidas por Bolsonaro de autoridades estrangeiras. Para entender como a investigação sobre a fraude na carteira de vacinação, Natuza Nery conversa com o ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho. Ele detalha como e quando começou a investigação que agora funciona como espinha-dorsal de todas as outras. Participa também a jornalista Bela Megale, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN. Bela relata o que muda a partir do indiciamento, os próximos passos deste caso e de outros em que Bolsonaro pode ser condenado.
3/20/202433 minutes, 36 seconds
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Putin reeleito e o avanço do autoritarismo no mundo

Para surpresa de ninguém, Vladimir Putin foi reeleito presidente da Rússia e se manterá à frente do Kremlin até 2030. No poder desde 1999 (alternando entre os cargos de primeiro-ministro e presidente), Putin conquistou 87% dos votos apurados na eleição realizada neste último domingo (17) - da qual nenhum de seus rivais políticos pode participar. A vitória dele rapidamente recebeu os cumprimentos de outros chefes de Estados, como o chinês Xi Jinping, o venezuelano Nicolás Maduro e o indiano Narendra Modi – os dois últimos, inclusive, disputarão reeleições este ano e são considerados favoritíssimos. Em comum, Putin e seus aliados tentam, com a chancela das urnas, dar verniz democrático a suas autocracias. É o que explica neste episódio Marina Slhessarenko Barreto, pesquisadora do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo e do núcleo Direito e Democracia do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), em entrevista a Natuza Nery.
3/19/202420 minutes, 58 seconds
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Educação: os alunos que ficam para trás

A jornada escolar ideal começa aos 4 anos e termina aos 17, com a conclusão do Ensino Médio. Mas uma pesquisa inédita mostra que, na realidade brasileira, apenas metade dos estudantes conclui o Ensino Fundamental no tempo certo. No Ensino Médio, esse número cai ainda mais: só 41% dos alunos terminam com a idade prevista. Divulgada em primeira mão neste episódio, pesquisa da fundação Itaú Social revela os fatores que dificultam a permanência de crianças e adolescentes na escola. Para entender as causas e consequências deste resultado, Natuza Nery conversa com Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social. Patricia detalha como as taxas de evasão aumentam a partir do 6° ano do Ensino Fundamental, período considerado “esquecido” pelas políticas públicas. Ela aponta também as medidas mais urgentes para reter crianças e adolescentes no ensino, como medidas voltadas para etapas de transição do aluno, revertendo um movimento que acentua as desigualdades.
3/18/202417 minutes, 39 seconds
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EXTRA - Bolsonaro no comando do golpe

O sigilo de depoimentos dos ex-comandantes das Forças Armadas foi retirado nesta sexta-feira (15). Com isso, surgiram novas peças do quebra-cabeças que coloca Jair Bolsonaro à frente da trama de um golpe de Estado. Neste episódio extra de O Assunto, Natuza Nery conversa com Bernardo Mello Franco para entender como os depoimentos do general Marco Antonio Freire Gomes (Exército) e do comandante Baptista Jr. (Aeronáutica) apontam para o ex-presidente como figura central na tentativa de impedir que Lula assumisse a presidência. Colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN, Bernardo avalia que a estratégia de defesa de Bolsonaro caiu por terra. Juntos, Natuza e Bernardo traçam quais devem ser os próximos passos do inquérito contra o ex-presidente, e como militares e ex-ministros de Bolsonaro se complicam cada vez mais nas investigações sobre a tentativa de rompimento com a democracia.
3/16/202425 minutes, 36 seconds
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O alerta amarelo aceso no governo Lula

Pesquisas divulgadas nas últimas semanas revelaram uma queda na popularidade e na avaliação positiva do presidente, principalmente entre seu eleitorado mais fiel. Para entender os motivos que levam à queda e como o Planalto reagiu, Natuza Nery conversa com o cientista político Antonio Lavareda e com Ana Flor, colunista do g1 e comentarista da GloboNews. Neste Assunto a 3, o cientista político aponta como é preciso olhar o histórico das sondagens desde o início do governo Lula 3. Ele aponta ainda fatores conjunturais, como a alta no preço dos alimentos. Ana Flor revela as reações dentro do Planalto e analisa como a falta de agilidade na comunicação em redes sociais atrapalha a administração federal.
3/15/202430 minutes, 31 seconds
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O fantasma da intervenção em estatais

No fim da semana passada, o Conselho da Petrobras decidiu não pagar aos acionistas os chamados dividendos extraordinários - fatia extra do lucro da empresa. Junto com a desvalorização das ações, surgiram críticas sobre o intervencionismo político na Petrobras – uma história já vivida no passado recente. Para discutir os limites da atuação do governo nas empresas em que é acionista, Natuza Nery conversa com Miriam Leitão, jornalista da TV Globo, da GloboNews, do jornal O Globo, e da rádio CBN. Juntas, elas analisam como os últimos movimentos do governo Lula em relação às estatais revelam sobre disputas internas e a condução da pauta econômica. Miriam explica por que movimentos intervencionistas deram errado no passado – e darão no futuro – e como essa crise afeta as metas do ministro Fernando Haddad à frente da Fazenda.
3/14/202429 minutes, 4 seconds
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O país esquecido mergulhado no caos

Gangues armadas, instabilidade política, metade de população assolada pela fome, terremotos... O Haiti tem em sua história recente uma série de tragédias que levaram o país de 11,5 milhões de habitantes ao caos social. Na mais recente crise, gangues armadas ameaçaram uma guerra civil caso o primeiro-ministro Ariel Henry continuasse no poder. Depois de semanas de escalada de violência, Henry renunciou ao cargo e, agora, em uma história que se repete, o Haiti se vê à espera de ajuda internacional. Para entender como a primeira nação a conquistar a independência por meio de uma revolta virou um país onde as crises se acumulam, Natuza Nery conversa com João Finazzi, pesquisador da história haitiana e doutor em relações internacionais. Ele explica o legado da Minustah, missão de paz que teve a participação brasileira, e os riscos de grupos paramilitares tomarem o poder. Participa também o brasileiro Neno Garbers; vivendo no país há 12 anos, ele relata, direto da capital Porto Príncipe, a rotina de áreas dominadas por gangues.
3/13/202429 minutes, 28 seconds
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Portugal: o avanço da extrema direita e a xenofobia

Mesmo sem ter conquistado a maioria dos votos entre os eleitores portugueses, o Chega é considerado o grande vencedor das eleições do último domingo. Com 18% dos votos, o partido pulou de 12 para 48 cadeiras no Parlamento. O êxito foi conquistado com um discurso de extrema direita que ecoa entre outras nações europeias, como Itália, Holanda e Hungria. Para entender como esta onda chegou a Portugal, Natuza Nery conversa com David Magalhães, professor de Relações Internacionais da PUC e coordenador do observatório da extrema direita. David explica o que acontece após uma eleição em que nenhum dos dois tradicionais partidos que dominam a política há cinco décadas conseguiram maioria dos votos. Natuza ouve também a brasileira Thais Brito. Mestranda em Políticas Públicas no Instituto Universitário de Lisboa, ela vive no país há 5 anos e relata episódios em que foi vítima de discriminação por ser brasileira, inclusive dentro da universidade.
3/12/202427 minutes, 19 seconds
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A nova cesta básica e o cerco aos ultraprocessados

“Uma grande vitória”. É assim que a chef de cozinha Rita Lobo resume o decreto do governo que atualiza os itens da cesta básica da alimentação dos brasileiros. A novidade é o veto total aos produtos ultraprocessados. Agora, a lista passa a priorizar os alimentos in natura. Na conversa com Julia Duailibi, Rita Lobo, que é autora de 11 livros sobre comida e criadora Panelinha e do programa Cozinha Prática, no GNT, explica como a nova cesta básica se inspira no “Guia alimentar para a população brasileira” e avalia os potenciais impactos na saúde geral da população - e também dá dicas de como se alimentar de forma saudável. Participa também deste episódio a pesquisadora Ana Paula Bortoletto, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP e integrante do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde. Ela relata como foi a longa negociação para que a Anvisa aprovasse a nova regra de rotulagem dos alimentos, que levou à obrigatoriedade dos alertas para alto teor de açúcar, sódio e gordura saturada nas embalagens.
3/11/202438 minutes, 13 seconds
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A mulher fora do mercado formal de trabalho

Do contingente de 98 milhões de pessoas economicamente ativas no Brasil, 52% são mulheres. Mas, quando se observa a taxa de ocupação, a discrepância entre gêneros se escancara: estão trabalhando 66% dos homens e apenas 46% das mulheres. E grande parte desse percentual está alocada no mercado informal de trabalho – um total de 16 milhões de trabalhadoras sem carteira assinada e direitos laborais assegurados. Convidada de Julia Duailibi neste episódio, a economista Janaína Feijó, pesquisadora da FGV-IBRE, analisa alguns dos fatores para este fenômeno, como o impacto da maternidade (e o déficit de vagas em creches públicas) e da formação educacional na carreira das mulheres. Ela também avalia o potencial do programa apresentado pelo governo federal para absorver a força de trabalho feminina no mercado formal.
3/8/202419 minutes, 49 seconds
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Imigração no centro da disputa Biden x Trump

O tema aparece no topo da lista de preocupações dos norte-americanos: para 28% dos eleitores, questões relacionadas à fronteira são o principal problema do país. Durante a gestão do democrata Joe Biden, o número de imigrantes bateu recorde – em um período de 12 meses, mais de 2,5 milhões de pessoas foram presas ao tentar fazer a travessia ilegal. E este foi justamente um dos temas citados por Trump ao comemorar sua vitória entre os pré-candidatos republicanos na superterça. Para entender como esta virou uma questão central na disputa pela Casa Branca, Julia Duailibi conversa com Felipe Santana, correspondente da Globo que flagrou a tentativa de imigrantes entrarem nos EUA ao cruzar um rio na fronteira com o México, e com Carlos Gustavo Poggio, professor de Ciência Política do Berea College, no Kentucky.
3/7/202426 minutes, 26 seconds
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A avaliação racial de alunos cotistas

Adotadas nas universidades públicas para evitar fraudes no sistema de cotas raciais, as chamadas bancas de heteroidentificação julgam se a cor de um candidato corresponde à autodeclaração. Mas, em um país onde quase metade da população se identifica como parda, esses grupos de classificação têm levantado questionamentos. Nos casos mais recentes, alunos autodeclarados pardos recém-admitidos na USP tiveram suas matrículas canceladas depois da avaliação da banca julgadora – parte deles recorreu à Justiça para ter o direito de cursar a universidade. Para entender como as bancas nasceram e quais os desafios para aprimorá-las, Julia Duailibi conversa com o antropólogo Jocélio Teles dos Santos, um dos responsáveis pela criação do programa de cotas da Universidade Federal da Bahia, e com Paulo César Ramos, sociólogo e pesquisador do núcleo Afro do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento).
3/6/202421 minutes, 33 seconds
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Dengue: o que falta para o Brasil ter sua própria vacina?

A primeira campanha nacional de imunização contra a dengue começou em fevereiro. A expectativa era imunizar crianças entre 10 e 11 anos até o fim de março - mas o que se vê até aqui é uma baixa adesão: menos de 15% do público-alvo está vacinado. As doses usadas no SUS são da QDenga, produzidas pelo laboratório japonês Takeda - é com esta fabricante que a Fiocruz negocia para iniciar a produção nacional, único meio de o país ter uma campanha de imunização em massa. Para falar da campanha de vacinação em curso e explicar a estratégia do Ministério da Saúde, Julia Duailibi conversa com Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, e com Gonzalo Vecina, um dos fundadores da Anvisa e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP. Ethel diz que a estratégia do ministério com a atual campanha é de “médio prazo” e detalha a previsão de chegada de novas doses da QDenga. Gonzalo explica os processos envolvidos na transferência de tecnologia para a produção de doses no Brasil e as lacunas que fizeram o imunizante desenvolvido pelo Butantan atrasar.
3/5/202426 minutes, 56 seconds
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O fim da reeleição na mira do Senado

Em 1997, terceiro ano do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso como presidente da República, a proposta para que ocupantes de cargos executivos tentassem um novo termo foi aprovada. No ano seguinte, FHC se reelegeu, assim como seus sucessores Lula e Dilma Rousseff – em 2022 pela primeira vez um presidente não conseguiu um segundo mandato. Entre prefeitos e governadores a taxa de sucesso também é alta. Para o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), chegou a hora de avaliar se os efeitos da reeleição foram positivos ou negativos para o país. No Senado, Pacheco pretende levar a plenário a proposta de acabar com o mecanismo e, consequentemente, mudar a extensão dos mandatos de 4 para 5 anos – no caso dos senadores, de 8 para 10 anos. Para avaliar o timing político da pauta e analisar os prós e contras da reeleição nestas últimas três décadas, Julia Duailibi conversa com o cientista político Fernando Abrucio, professor da FGV-SP.
3/4/202423 minutes, 6 seconds
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A taxação de super-ricos

Fernando Haddad colocou à mesa no G20 a proposta brasileira para combater a fome, a desigualdade e a pobreza: uma tributação mínima global sobre grandes fortunas. Uma ideia que não é nova, e na qual o Brasil aposta para ter o apoio das 20 maiores economias do planeta. O tema, no entanto, desperta dúvidas. Para entender quais os desafios para discutir um imposto global e o que experiências de outros países podem ensinar ao Brasil, Julia Duailibi conversa com Lorreine Messias, pesquisadora do Insper, e com André Roncaglia, professor de economia da Unifesp.
3/1/202424 minutes
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Alta nos transplantes e a fila de doação do SUS

Em 2023 o Brasil registrou mais de 9 mil transplantes de órgãos, o maior número da última década. É o maior sistema público de transplantes do mundo, mas a fila de pessoas que seguem esperando por um órgão tem mais de 42 mil registros.
2/29/202426 minutes, 43 seconds
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O uso da inteligência artificial nas eleições

A Justiça Eleitoral começou a discutir nesta terça-feira (27) novas regras para serem aplicadas já nas eleições municipais deste ano - entre as medidas aprovadas estão o banimento de deep fakes e a cassação de candidatos por uso irregular de inteligência artificial. Para entender como este tipo de ferramenta é usado por campanhas políticas e qual o impacto do material entre eleitores, Natuza Nery conversa com Bruno Hoffmann, estrategista político, e com Nara Pavão, cientista política e professora da Universidade Federal de Pernambuco. Bruno, que é presidente do Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político, participou das audiências públicas no Tribunal Superior Eleitoral para discutir as normas e dá exemplos de como deep fakes podem ser usadas para prejudicar candidatos. Nara revela o que pesquisas indicam sobre o real impacto de conteúdo falso entre eleitores.
2/28/202424 minutes, 49 seconds
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Bolsonaro: o ato na Av. Paulista e o pedido de anistia

Quando as investigações da Polícia Federal fecharam o cerco sobre a participação do ex-presidente em uma suposta trama golpista, nomes proeminentes do bolsonarismo se engajaram para organizar uma manifestação em sua defesa. Neste domingo (25), o ato ocupou sete quadras da Avenida Paulista e reuniu pelo menos 185 mil pessoas, de acordo com um levantamento da USP – entre elas, os governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo), Romeu Zema (Minas Gerais), Ronaldo Caiado (Goiás) e Jorginho Mello (Santa Catarina). “Ele conseguiu a foto”, resume Gerson Camarotti, comentarista da TV Globo e da GloboNews e colunista do g1, em conversa com Natuza Nery. Mesmo assim, a situação de Bolsonaro perante a Justiça se complicou. “Ele admite crimes”, completa Camarotti. Sobre o palanque, o ex-presidente ajustou sua versão sobre minutas golpistas encontradas com seu ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, e citadas por seu ex-ajudante de ordens, Mauro Cid.
2/27/202432 minutes, 6 seconds
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Covid: alta em meio ao surto de dengue

Há exatos quatro anos – em 26 de fevereiro de 2020 -, o primeiro caso de Covid era confirmado no Brasil. De lá para cá, foram mais de 38 milhões de casos e quase 710 mil mortos. No auge da pandemia, mais de 4 mil vidas eram perdidas por dia. Agora, as vítimas chegam a 200 por semana, número “inaceitável” para uma doença com vacina, define a infectologista Rosana Richtmann. E as confirmações da doença estão em alta - resultado de dias de aglomeração, por causa do carnaval. Tudo isso enquanto o país vive o aumento exponencial de outra doença: a dengue. Para entender as diferenças de sintomas entre Covid e dengue, os riscos de uma nova variante de Covid e a importância da vacinação hoje em dia, Natuza Nery conversa com Rosana Richtmann, do Instituto Emilio Ribas e diretora do comitê de imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia.
2/26/202421 minutes, 46 seconds
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A condenação de Daniel Alves na Espanha

Preso preventivamente desde janeiro de 2023, o ex-jogador brasileiro ouviu nesta quinta-feira (22) a sentença por abuso sexual. A vítima alega que Daniel Alves a penetrou sem consentimento no banheiro de uma boate de Barcelona em dezembro de 2022. Daniel mudou de versão cinco vezes e pagou o equivalente a R$ 800 mil à vítima - o que atenuou sua sentença. O ex-jogador terá que ficar na cadeia por 4 anos e 6 meses, e anunciou que vai recorrer da decisão da justiça espanhola. Para entender por que a sentença foi menor do que a pedida pela promotoria e pela defesa da vítima, Natuza Nery conversa com o correspondente da TV Globo Guilherme Pereira. Ele, que acompanhou os depoimentos, o julgamento e o anúncio da sentença direto de Barcelona, explica o que o resultado do julgamento representa para a Espanha e para a proteção de vítimas de violência sexual.
2/23/202424 minutes, 57 seconds
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Racismo: quando o agredido é tratado como agressor

O motoboy Everton Goandete da Silva foi ferido de raspão por um homem no último sábado em Porto Alegre (RS). No meio da confusão, a polícia foi chamada e, ao chegar, deteve Everton, um homem negro de 40 anos – a alegação é que ele estava agressivo e desacatou os policiais. O agressor, um homem branco de 72 anos, também foi levado à delegacia e, depois, foi liberado. Para Everton, o fato de ter sido detido tem outro motivo: racismo. Para entender as condições que permitem que casos como este ocorram, Natuza Nery conversa com Luiz Augusto Campos, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ.
2/22/202417 minutes, 4 seconds
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Fuga de Mossoró - as brechas de segurança

Nascido em 2006, o sistema de presídios federais nasceu com a meta de isolar líderes de facções criminosas e presos de alta periculosidade. Nas cinco unidades federais de segurança máxima estão criminosos como Fernandinho Beira-Mar, Marcola, Marcinho VP e Nem da Rocinha. Em quase duas décadas, nenhuma fuga havia sido registrada. A história mudou no último dia 14, quando dois detentos do Regime Disciplinar Diferenciado conseguiram escapar da unidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Enquanto centenas de policiais e a Força Nacional estão mobilizados nas buscas, as brechas que permitiram a fuga começam a ser expostas: protocolos abandonados, falhas no projeto da prisão, estrutura desgastada e câmeras de monitoramento precárias. Para entender como é a rotina do Presídio de Mossoró e os fatores que permitiram este fato inédito, Julia Duailibi conversa com o jornalista Mahomed Saigg, que entrou no presídio de segurança máxima após a fuga, e também com Francisco Augusto Cruz de Araújo, professor e pesquisador que por dois anos deu aulas em Mossoró.
2/21/202435 minutes, 47 seconds
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A fala de Lula sobre Israel

Em viagem à Etiópia, o presidente Lula comparou os ataques de Israel em Gaza ao holocausto promovido pelos nazistas contra os judeus – período em que mais de 6 milhões de pessoas foram exterminadas. A reação foi rápida e duríssima: Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, classificou as palavras de Lula como vergonhosas e graves; em seguida, o premiê deu uma reprimenda pública no embaixador brasileiro em Tel-Aviv e declarou Lula como “persona non grata” em Israel. O Itamaraty, por sua vez, convocou o embaixador israelense para dar explicações e trouxe de volta a Brasília seu representante no país. Para explicar por que a comparação feita por Lula é tão grave para os judeus e analisar as repercussões diplomáticas do entrevero entre Brasil e Israel, Natuza Nery conversa com Daniel Sousa, comentarista da GloboNews, criador do podcast Petit Journal e professor de economia do Ibmec, e com Guilherme Casarões, cientista político e professor de relações internacionais da FGV-SP.
2/20/202430 minutes, 29 seconds
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O assassinato da oposição na Rússia

Nome mais forte dentre os poucos opositores que Vladimir Putin tem na política nacional, Alexey Navalny morreu na última sexta-feira (16). De acordo com a informação oficial do Kremlin, o ativista teria sofrido um mal súbito durante uma caminhada, sob custódia de um presídio localizado no Ártico. A explicação não convenceu a comunidade internacional – o presidente americano, Joe Biden, afirmou que Putin “é o responsável pela morte”. O caso de Navalny entra para a lista de acidentes suspeitos que, ao longo de quase três décadas, vitimaram todos aqueles que entraram em conflito com o líder russo. A morte do opositor acontece ainda um mês antes das eleições presidenciais marcadas para março, nas quais Putin tem o caminho aberto para ser mantido no comando do país - naquele que será seu quinto mandato. Para analisar os efeitos da morte suspeita de Navalny e o futuro da Rússia, Natuza Nery entrevista Vicente Ferraro, professor da FGV-SP e pesquisador do Laboratório de Estudos da Ásia da USP.
2/19/202420 minutes, 22 seconds
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A enrascada jurídica do plano golpista

O vídeo da reunião entre Jair Bolsonaro, ministros e integrantes da alta cúpula das Forças Armadas foi citado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes como parte das condutas criminosas do ex-presidente para atentar contra a democracia e tentar dar um golpe. Neste Assunto a 3, Natuza Nery recebe os advogados criminalistas e professores Davi Tangerino (UERJ) e Frederico Horta (UFMG). Juntos, eles debatem quais as implicações jurídicas da reunião - analisando se o encontro se classifica como “conspiração” e “ato preparatório”, se ali já havia materialidade de crime, e quando as práticas criminosas começam. E discutem possíveis mudanças na lei para aprimorar medidas de controle e proteção do Estado Democrático de Direito.
2/16/202436 minutes, 30 seconds
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Reconhecimento facial - o uso na segurança pública

Recife, Olinda, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador estão entre as cidades que usaram a tecnologia que alia câmeras, inteligência artificial e um enorme banco de imagens para identificar e capturar foragidos da Justiça durante o Carnaval. A capital baiana adotou o reconhecimento facial nos dias de folia pela primeira vez em 2019, quando a polícia conseguiu identificar e capturar um foragido - fantasiado com roupa de mulher - em meio à multidão com o auxílio da tecnologia. Em 2024, o resultado nas cidades não foi promissor: além do baixo índice de capturas, os sistemas cometem erros e levam à prisão de inocentes. No centro da crítica ao uso do reconhecimento facial pelas polícias estão a invasão da privacidade de cidadãos livres e o risco de abordagem racista das imagens. Para descrever como a tecnologia funciona, Natuza Nery ouve João Paulo Papa, professor do departamento de computação da Unesp e pesquisador do Recogna, laboratório de pesquisas sobre inteligência artificial. Ainda neste episódio, Daniel Edler, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP e um dos organizadores do livro “Tecnologia, segurança e direitos: os usos e riscos de sistemas de reconhecimento facial no brasil”, debate as aplicações e os desafios éticos e aplicados da ferramenta.
2/15/202424 minutes, 36 seconds
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Dengue e seus riscos neurológicos

O Ministério da Saúde já conta mais de 500 mil casos da doença nas primeiras semanas desse de 2024 – desse total, são pelo menos 75 mortes confirmadas. O ano caminha para ser o pior de todos os tempos: o governo federal estima 4,2 milhões de registros, um salto de 2,5 vezes em relação a 2015, ano que detém o recorde de quase 1,7 milhão de casos. A doença tem como sintomas febre, dor nas articulações e dor de cabeça. Quando evolui para dengue hemorrágica há riscos de lesão no fígado e no cérebro. Os perigos da doença, contudo, podem aparecer no longo prazo e se manifestar em efeitos neurológicos: a neurologista Mariza Puccioni alerta que entre 1% e 20% dos pacientes da dengue podem desenvolver encefalite (inflamação no cérebro), mielite (inflamação na medula), meningite (inflamação na meninge) e até síndrome de Guillain-Barré (quando o sistema imunológico ataca parte do sistema nervoso). Para explicar todos esses riscos, Mariza Puccioni, que também é professor da Escola de Medicina da Unirio e da pós-graduação em doenças infeccionais e parasitárias da UFRJ, é a convidada de Natuza Nery neste episódio.
2/14/202422 minutes, 23 seconds
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EDIÇÃO EXTRA - A reunião golpista de Bolsonaro

Um festival de palavrões, ofensas, ameaças, conspirações e confissões de ilegalidades. A íntegra do encontro do então presidente da República Jair Bolsonaro com seus ministros no dia 5 de julho de 2022 chegou ao conhecimento público nesta sexta-feira (9), com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de suspender o sigilo da íntegra da reunião. As imagens escancaram os objetivos e as estratégias do bolsonarismo para ignorar o processo eleitoral e passar por cima do resultado das urnas. Na organização para o golpe, Bolsonaro assumia o comando da operação: o então presidente reconheceu que perderia a eleição e convocou ministros a “agirem” antes de 2 de outubro. Os desvios de funções apareceram também nas falas dos então ministros da Defesa (Paulo Sérgio Nogueira, que se referiu ao TSE como “inimigo”), da Justiça (Anderson Torres, que alertou aos presentes que iriam “se f...”) e do Gabinete de Segurança Institucional (Augusto Heleno, que admitiu que pedira à Abin para “montar um esquema” para monitorar as campanhas adversárias à de Bolsonaro). Para analisar ponto a ponto o que foi dito na reunião, Natuza Nery conversa com Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo, âncora na rádio CBN e apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura.
2/10/202429 minutes, 34 seconds
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O cerco a Bolsonaro e a prisão de militares na trama golpista

Novos detalhes do plano golpista de Jair Bolsonaro foram revelados na quinta-feira (8), na operação Tempus Veritatis (Hora da Verdade) da PF. O ex-presidente teve o passaporte apreendido e agora está impedido de sair do Brasil. No mesmo dia, militares foram presos e a investigação chegou a militares de alta patente, aliados de primeira ordem do ex-presidente na tentativa de golpe contra a democracia. Para entender como a operação se aproxima do núcleo duro do governo passado e o ineditismo da prisão de militares, Natuza Nery recebe a jornalista Daniela Lima, apresentadora e comentarista da GloboNews e colunista do g1. Participa também Adriana Marques, professora e coordenadora do Laboratório de Estudos de Segurança e Defesa da UFRJ.
2/9/202441 minutes, 57 seconds
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A nova cara dos concursos públicos

Um número recorde de candidatos no que já é considerado o maior concurso da história do país. O Concurso Nacional Unificado – cujas inscrições terminam nesta sexta-feira (9) - vai selecionar candidatos para mais de 6,6 mil vagas em instituições federais. A prova única, aos moldes do Enem, foi o caminho encontrado pelo governo federal para, segundo a ministra da Gestão e Inovação dos Serviços Públicos, democratizar o acesso ao funcionalismo público. Para entender o novo modelo do processo seletivo e analisar a situação do funcionalismo, Natuza Nery recebe Marco Antônio Araújo Jr., presidente da Associação de Apoio aos Concursos Públicos e Exames (Aconexa), e Félix Lopez, coordenador do Atlas do Estado Brasileiro, do Ipea. Neste episódio: - Marco aponta duas mudanças importantes no processo de seleção para o funcionalismo. A primeira se refere à estrutura da prova, e a segunda em relação ao conteúdo. Para ele, a tendência é “tirar o concurso da linha tradicional de decorar regras, trechos de lei e outros temas, e trazê-lo para uma linha de análise interpretativa crítica”; - Para ele, as mudanças trazidas pelo “Enem dos concursos” causam uma concorrência mais equilibrada, permitindo um processo de "democratização no acesso aos órgãos públicos”; - Félix avalia como equivocada a ideia de que funcionalismo brasileiro é inchado: “do ponto de vista comparativo, o Brasil tem 12% da população no serviço público, enquanto, em média, países da OCDE tem em torno de 20%”. Ele pontua ainda que o gasto com servidores públicos se manteve “praticamente estável no período de 2002 a 2020”; - Apesar da expectativa de que o concurso permita maior igualdade no acesso a cargos públicos, por ampliar o número de cidades que vão aplicar as provas e pelas políticas de cotas, Félix aponta que “as desigualdades estruturais na qualidade de ensino e de preparo para concursos públicos vão continuar”.
2/8/202427 minutes, 10 seconds
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Chile – os incêndios mortais

O fogo que assola a costa chilena provocou a maior tragédia do país desde 2010. Mais de 130 pessoas morreram, centenas estão desaparecidas e outras milhares ficaram desabrigadas. No auge do verão, com temperaturas acima dos 40°C, os incêndios atingiram as cidades de Valparaíso e Viña del Mar, deixando um rastro de cinzas e destruição. Cerca de 43 focos já foram controlados, mas outras dezenas persistem. O presidente chileno, Gabriel Boric, decretou situação de emergência e convocou o Conselho de Segurança Nacional para solucionar as sequelas da tragédia, e também para investigar a causa dos incêndios avassaladores. Morador de Viña del Mar, o brasileiro Cleo Menezes Júnior descreve a Natuza Nery o horror pelo qual ele e família passaram para fugir do incêndio. Participa também Nilton Cesar Fiedler, coordenador do Núcleo de Pesquisas sobre Incêndios Florestais na Universidade Federal do Espírito Santo. Neste episódio: - Cleo detalha o momento em que percebeu a gravidade dos incêndios. Num primeiro momento, não estava preocupado, já que os incêndios acontecem anualmente no país, mas ao sair de casa, viu o céu alaranjado e uma forte fumaça: “entrei em modo de sobrevivência”; - O brasileiro relata que, conforme caminhava por áreas mais próximas dos focos de incêndio, viu o que parecia cena de filme, com pessoas desesperadas nas ruas, carros amontoados e abandonados, botijões explodindo nas casas já vazias, tomadas pelo fogo: “um cenário apocalíptico”; - Nilton Cesar Fiedler explica que incêndios "na grande maioria das vezes, começam pela ação humana”, mas que os chilenos foram potencializados por questões meteorológicas da região, como a vegetação local, altamente inflamável em tempos de seca elevada, principalmente em decorrência do El Niño; - O pesquisador conta que, em incêndios dessa magnitude, nas copas das árvores, “as temperaturas passam de 1000°C, e o vento leva esse material incandescente, como se fossem nuvens de fumaça, para regiões muito distantes”, aumentando o risco até em regiões distantes dos focos do fogo.
2/7/202427 minutes
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Lira x Planalto: o novo round da luta

Em seu discurso de abertura do ano parlamentar, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), mandou duros recados ao governo Lula. A tensa relação entre Executivo e a Câmara ganha um novo capítulo, com Lira na expectativa de receber apoio na construção de seu sucessor, além da pressão para liberar R$ 6 bilhões em emendas. Do outro lado, o governo busca cumprir a meta fiscal e aprovar as medidas que abrem espaço para investir em políticas públicas - tudo em um ano marcado pelas eleições municipais. Para analisar o atual status da relação entre Lira e o Planalto e o que esperar da relação do governo federal com o Congresso, Natuza Nery recebe Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da CBN. Neste episódio: - Maria Cristina analisa o discurso de Lira na abertura do ano parlamentar. Para ela, o presidente da Câmara “entregou as razões pelas quais não tem mais tanta força”. A jornalista pontua como, “na política, o tom elevado não é sinal de força”, ao citar o discurso de alguém que está “com menos tinta na caneta”; - Ela avalia que, neste ano eleitoral, a relação entre Executivo e Legislativo será mais difícil, não apenas por causa de Lira, mas por três fatores de estresse: as eleições municipais, a disputa pelas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, e também o futuro político de Arthur Lira e de Rodrigo Pacheco, atuais presidentes das duas Casas; - Maria Cristina diz que, ao não ceder a cabeça de Alexandre Padilha à pressão de Lira, Lula “quer mostrar ao Congresso que quem governa é ele [Lula]”, depois de anos de fortalecimento dos parlamentares; - A jornalista conclui sinalizando mudanças determinantes na relação de Lula com o Congresso em seu terceiro mandato. “Lula cede menos, aceita menos”, diz, em um momento em que o o Parlamento está com força redobrada. “O Congresso nos dois primeiros governos Lula não tinha a força que têm agora”, lembra.
2/6/202428 minutes, 2 seconds
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O primeiro grande teste de Milei

Durante a campanha eleitoral, Javier Milei apareceu diante de seus apoiadores empunhando motosserras e bradando contra todo o sistema político e econômico da Argentina. Assim, foi eleito presidente e prometeu a “reconstrução” e uma “nova era” para o país. A primeira ação foi a apresentação de um pacotaço com 664 artigos ao Congresso argentino – na lista de medidas, cortes totais em subsídios setoriais, privatizações das mais importantes empresas estatais e poderes especiais para o Executivo. Apelidado de “Lei Ônibus”, o texto-base foi desidratado para menos de 360 artigos, mas manteve o tom ultraliberal característico de Milei e conseguiu a aprovação na Câmara dos Deputados na última sexta (2) – agora, os parlamentares vão analisar item a item e, depois, enviarão a versão final ao Senado, casa mais hostil às pautas do presidente argentino. Para explicar o que caiu e o que ficou do megapacote, e as possíveis consequências políticas e econômicas para os hermanos, Natuza Nery entrevista o jornalista Raphael Sibilla, correspondente da Globo em Buenos Aires, e a economista Carla Beni, professora da FGV. Neste episódio: Sibilla descreve os principais pontos do projeto de lei apresentado pelo Executivo. Na economia, evidencia-se a “obsessão de Milei pelo fim do déficit fiscal”. No âmbito da política, busca sobrepor seus poderes ao Legislativo “para fazer com que leis sejam decretadas sem que os parlamentares possam barrá-las”; O repórter descreve o clima das ruas da capital argentina, onde manifestantes protestam em frente ao Congresso e são reprimidos com violência pelas forças policiais: “Há tempos não se via uma Buenos Aires tão militarizada”. Mas reforça que, embora a oposição esteja nas ruas, o presidente eleito “mantém seu núcleo duro de apoiadores”; Carla comenta como o pacotaço apresentado por Milei virou “um embrulhinho”: “É o que dá para ele no momento”. E, na política externa, ela avalia que o presidente argentino “perdeu uma grande oportunidade” de apresentar seu plano econômico no Fórum Econômico Mundial em Davos, em janeiro. “O plano estratégico ainda não existe. É cedo para falar se a economia vai para o caminho certo ou não”, resume.
2/5/202423 minutes, 24 seconds
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Big techs sob pressão por mais segurança nas redes sociais

Uma audiência realizada pelo Congresso americano nesta semana escancarou alguns dos crimes aos quais crianças e adolescentes estão expostos nas redes sociais. Vítimas relataram abusos sexuais, cyberbullying e até indução ao suicídio frente a frente com representantes das principais plataformas do mundo – caso da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp), Tiktok, Snap, Discord e X (antigo Twitter). No Brasil, durante a abertura do ano de trabalho do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Alexandre de Moraes discursou duramente em prol da responsabilização das big tech nas redes sociais. Para entender o que está em jogo nas casas legislativas e judiciárias de EUA e Brasil e os riscos da internet como terra sem lei para crianças e adolescentes, Natuza Nery entrevista Kelli Angelini, advogada especialista em educação digital e autora do livro “Segredos da internet que crianças e adolescentes ainda são sabem”. Neste episódio: Kelli comenta o pedido de desculpas de Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta, às famílias de vítimas de crimes em redes sociais: “Não sabemos a intenção, mas não muda o que está por vir. Nada tem sido eficaz o suficiente até aqui”; (3:05) Ela justifica que, ainda que não haja legislação específica para redes sociais no Brasil, as empresas precisam levar em consideração o que diz a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente em seus modelos de negócio. “A omissão também gera responsabilização”, resume; (6:00) A advogada cobra a aprovação de uma lei específica para a proteção de crianças e adolescentes na internet. “Agora, empresas estão lucrando com o uso delas nas redes sociais. Sem a responsabilização efetiva das big techs, nada as motivará”, afirma; (12:10) Kelli alerta para como os pais e responsáveis devem agir para garantir a segurança de menores de idade nas redes. (23:15)
2/2/202424 minutes, 56 seconds
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Terra Yanomami - a guerra sem fim contra o garimpo

Em janeiro de 2023, as imagens de crianças e idosos yanomamis subnutridos e enfraquecidos por doenças infecciosas, parasitárias e respiratórias expuseram ao mundo o tamanho da crise humanitária dentro da maior terra indígena brasileira. O governo federal decretou estado de emergência no território para oferecer melhores condições de saúde pública aos indígenas e para expulsar de vez os cerca de 40 mil garimpeiros ilegalmente instalados lá. No começo, deu certo: 80% deles saíram da Terra Indígena. Mas desde o segundo semestre do ano passado o retorno dos criminosos se acelerou, e o governo não consegue deter o avanço do garimpo ilegal – enquanto Executivo e Forças Armadas vivem sob tensão velada a respeito das responsabilidades no enfrentamento do crime. Para entender o que acontece dentro do território do povo Yanomami, e as crises políticas decorrentes disso, Natuza Nery entrevista Rubens Valente, escritor e jornalista da Agência Pública. Neste episódio: Rubens relata como a presença dos garimpeiros ilegais voltou a crescer na Terra Indígena, sobretudo a partir do segundo semestre do ano passado. “O movimento de retorno coincide com a redução de fiscalização e controle, atividades que dependem muito das Forças Armadas”, afirma. “A grande crítica é de que o papel delas não tem sido eficaz”; Ele informa que até dezembro de 2023 havia cerca de 40 mil cestas básicas destinadas aos indígenas que não haviam sido entregues pelas Forças Armadas – o que motivou uma representação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) no Supremo sugerindo “sabotagem” dos militares. “Enquanto isso, 29 yanomamis morreram de desnutrição. Ou seja, havia comida, mas não chegou à boca dos indígenas”, lamenta; Rubens também fala sobre o clima no Palácio do Planalto em relação à crise dos Yanomami. Ele menciona a falta de firmeza de Lula (PT) ao cobrar o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, sobre a atuação dos militares. “O presidente tenta medir o solo onde pisa, mas isso é irrelevante para os indígenas. O que eles precisam é de ações duras, rápidas e imediatas para evitar que morram de fome”, conclui; O jornalista, por fim, comenta a “contaminação ideológica nas fileiras militares a respeito da Amazônia e das terras indígenas”.
2/1/202426 minutes, 35 seconds
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A pá de cal no acordo entre Mercosul e União Europeia

Centenas de tratores estão ocupando as mais importantes rodovias da França. Os agricultores protestam contra impostos, contra preço dos combustíveis e, principalmente, contra o que chamam de crescente competição com o mercado externo – em outras palavras, eles pressionam o presidente francês, Emmanuel Macron, a fazer força para que o bloco econômico desista de vez de concluir o acordo com o Mercosul. As negociações para a assinatura final entre europeus e sul-americanos se arrastam desde 1999, ainda que um contrato tenha sido celebrado em 2019 e as partes tenham criado expectativa para que as últimas arestas fossem eliminadas até o fim do ano passado. Agora, para o presidente da segunda maior potência econômica do bloco europeu, isso teria se tornado “impossível”. Para analisar as remotas chances de sobrevivência do acordo e os impactos para a agricultura e indústria brasileiras, Natuza Nery entrevista Oliver Stuenkel, professor de relações internacional da FGV-SP, e Marcos Jank, coordenador do Centro Insper Agro Global e conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Neste episódio: Oliver avalia que o acordo entre os dois blocos econômicos subiu no telhado pois “a última janela de oportunidade foi no fim do ano passado”. Agora, diz, que Macron quer encerrar “de uma vez por todas” o assunto para agradar ao eleitorado francês, que é refratário à pauta; (3:00) O professor recorda que Lula travou a evolução das negociações pelo acordo durante seus dois primeiros mandatos, mas, agora, “os tempos são outros e ele mudou de opinião”. “Sem o acerto, Lula precisa definir quais são os próximos passos do Mercosul. Antes, ele precisa saber se os membros do bloco têm visão de mundo semelhante”, afirma; (9:30) Marcos avalia os eventuais benefícios do livre comércio entre Mercosul e União Europeia e lamenta que “o bloco perdeu essa oportunidade lá atrás”. “Agora, a Europa colocou novas restrições, especialmente na área ambiental, e não vejo mais nenhuma chance desse acordo avançar”, afirma; (16:00) Ele explica que a legislação ambiental da Europa ficou, de fato, mais rígida e que as exigências para os produtos do Mercosul agora impõem taxas de desmatamento zero. “Ficou rígido demais e o próprio governo brasileiro não quis ir à frente”, resume. (20:30)
1/31/202424 minutes, 29 seconds
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Carlos Bolsonaro e a espionagem da Abin

Agentes da Polícia Federal cumpriram nesta segunda-feira (29) mandados de busca e apreensão na residência oficial, na casa de praia em Angra dos Reis e no gabinete da Câmara Municipal do Rio de Janeiro do filho Zero Dois do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL). Os autos da operação registram que foram apreendidos 11 computadores, 3 notebooks, 4 celulares e uma série de dispositivos de memória eletrônica dos endereços relacionados ao vereador (que exerce seu mandato pelo Republicanos). Desde 2020, o nome de Carlos é relacionado ao que seria uma ‘Abin paralela’. Agora, a investigação da PF vai além e sugere que há ligação direta entre possíveis ilegalidades cometidas dentro da Agência Brasileira de Inteligência durante a gestão de Alexandre Ramagem (PL) e ordens que viriam de dentro da família Bolsonaro. Para explicar o que busca a operação contra Carlos Bolsonaro, as hipóteses da investigação e os potenciais crimes relacionados, Natuza Nery conversa com os jornalistas Andréia Sadi, apresentadora da GloboNews e colunista do g1, e Breno Pires, repórter da revista Piauí. Neste episódio: Sadi afirma que o atual momento, no qual a PF avança sobre as possíveis ilegalidades cometidas dentro da agência de inteligência a serviço da Presidência, “é o de maior risco para a família Bolsonaro”. E que Carlos ocuparia a posição de “grande entusiasta da Abin paralela”: “assessores dele obtinham informações que abasteciam e municiavam a família Bolsonaro contra inimigos políticos e investigações judiciais”; Sadi e Natuza comentam que a suposta organização criminosa não era paralela à Abin, mas, durante o governo Bolsonaro, “integrava a Abin oficial”: “Nesse caso, a instituição estava a serviço de um projeto de poder”. E alertam para o fato de que ainda há agentes “que abastassem os bolsonaristas e agem em conluio para proteger os investigados”; A jornalista informa que existe uma “guerra de bastidores” entre Abin e PF – e que a atual cúpula da agência de inteligência está por um fio. “O Lula mandou fazer uma limpa, e o que foi feito nesse meio tempo? Fica uma gestão muito desgastada desse jeito”, conclui; Breno explica a hipótese da PF e da PGR de que “a tal da Abin paralela era uma das fontes de informações que alimentava o gabinete do ódio” - supostamente uma milícia digital chefiada pelo filho Zero Dois de dentro do Palácio do Planalto durante o governo de Bolsonaro; Ele descreve também como se organizava “o ecossistema da desinformação” e a função de Carlos Bolsonaro de “dar coesão e união a um conjunto de fake news”.
1/30/202436 minutes, 28 seconds
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Clima árido, pela primeira vez no Brasil

A Caatinga, bioma que se espalha predominantemente pelo Nordeste brasileiro e que ocupa aproximadamente 10% do território nacional, é bem adaptada a altas temperaturas e à escassez de água - um clima que é classificado pelos cientistas como semiárido. Nas últimas décadas, no entanto, a falta de chuvas por períodos ainda mais prolongados, somada ao impacto do aquecimento global, tem alterado de forma acelerada a paisagem. O impacto foi tanto que uma área de 5 mil quilômetros – equivalente ao Distrito Federal – foi classificada, pela primeira vez na história, como árida. Um alerta de risco para o clima de todo planeta e de urgência para que o poder público atenda aos milhões de brasileiros que vivem na região. Para contar o que está acontecendo por lá, Natuza Nery entrevista Fábio dos Santos Paiva, presidente da Associação de Agricultores do Frade, do município de Curaçá, norte da Bahia, e Humberto Barbosa, professor e pesquisador especialista em desertificação da Universidade Federal de Alagoas. Neste episódio: Fabio relata as muitas alterações que ele observou no clima e na vegetação ao longo das últimas décadas: “A chuva era mais frequente, e não conseguimos mais colher os cultivos que a gente estava acostumado a plantar”. E se emociona ao contar suas lembranças da juventude. “A gente tinha pé de umbuzeiro e, agora, vou lá e o encontro seco e morto. Chega a cortar o coração”, diz; Ele conta o desafio de alguns colegas que moram em fazendas para conseguir água potável ou irrigação adequada para plantar ou criar animais. “Os jovens veem que não é viável viver em um ambiente que não tem como crescer”, lamenta. “E quando piora para nós, do semiárido, todo mundo também é afetado”, resume; Humberto explica como nas últimas três décadas a região Nordeste sofreu com fortes secas, degradação da paisagem e desmatamento – e de que modo isso se reflete nas alterações do ecossistema. “É como se fosse um vulcão adormecido. Houve transições e o nosso semiárido se tornou mais árido”, esclarece; O pesquisador afirma que há dois motivos para o processo de desertificação na Caatinga: as mudanças climáticas e a ação humana. “A degradação do solo e rios aumenta a pressão e, no futuro, vai trazer desafios para as populações ribeirinhas e para a produção de alimentos pela agricultura familiar”, alerta.
1/29/202428 minutes, 55 seconds
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A Abin e a república da espionagem

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência acordou com agentes da Polícia Federal na porta de casa nesta quinta-feira (25). Alexandre Ramagem, hoje deputado federal (PL-RJ), foi um dos alvos da operação Vigilância Aproximada, que investiga o suposto uso criminoso da ferramenta FirstMile. A extensa lista de ilegalidades apontadas na decisão judicial assinada pelo ministro Alexandre de Moraes destaca o possível monitoramento de autoridades públicas (caso de ministros do Supremo, parlamentares e governadores) e cidadãos comuns (como advogados, jornalistas e até a promotora do caso Marielle Franco), e também a obtenção de informações sigilosas que ajudassem a proteger os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em diferentes imbróglios judiciais. Para explicar o que diz a investigação da PF sobre o uso político da Abin e os alvos ilegalmente monitorados, Natuza Nery conversa com Daniela Lima, apresentadora da GloboNews e colunista do g1. Neste episódio: Daniela recorda como as descobertas da operação Última Milha, de outubro do ano passado, avançaram para a atual ação da PF: “São indícios claríssimos de que a agência de inteligência, ligada à Presidência da República, foi utilizada para espionar ilegalmente ministros do STF, governadores, deputados e senadores”; Ela apresenta aquilo que a investigação da PF aponta como “motivações” para as ordens de Ramagem aos agentes da Abin: blindagem e abastecimento de informações para Flavio Bolsonaro e Jair Renan; monitoramento de adversários políticos; e fabricação de fake news. “Bolsonaro não mentia quando disse que tinha dados de inteligência”, afirma; Daniela e Natuza informam que a decisão judicial fala em mais de 60 mil registros coletados pela ferramenta FirstMile, relativos a aproximadamente 1.500 números de telefone que teriam sido ilegalmente observados pela Abin – cujos agentes impuseram dificuldades para a investigação em curso; A jornalista relaciona o atual escândalo da Abin aos inquéritos das milícias digitais e do 8 de janeiro: “O uso de equipamento público para arapongagem se insere no contexto de ataque à democracia e às instituições”.
1/26/202431 minutes, 23 seconds
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O Orçamento da União sequestrado pelo Congresso

De 2019 até agora, o total da verba público destinada a emendas parlamentares praticamente triplicou. O Orçamento de 2024 prevê o montante inédito de R$ 47,5 bilhões para bancar essas emendas. E esse valor só não é maior porque, nesta segunda-feira (23), o presidente Lula (PT) vetou um total de R$ 5,6 bilhões - veto que gerou reações contrárias no Congresso e que já sofre ameaça de ser derrubado. Diante da pressão de senadores e deputados por nacos do Orçamento, o governo precisa se equilibrar entre a meta de déficit fiscal zero e a promessa de gastos destinados ao novo PAC. Para analisar o impacto das emendas na organização dos recursos da União e o resultado político dos conflitos orçamentários, Natuza Nery entrevista Ursula Dias Peres, professora de finanças públicas da USP e pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole, e Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN. Neste episódio: Ursula descreve todos os tipos de emendas parlamentares e pondera que elas são um instrumento legítimo para a composição do Orçamento da União, mas que a atual escalada de valores, que engole até 40% dos recursos discricionários, evidencia um conflito. “O investimento sem a análise dos indicadores é abrir mão do uso da técnica em prol da política”, diz; A pesquisadora celebra a melhora na transparência na tramitação das emendas com o fim do orçamento secreto, mas diz que segue impossível fazer a avaliação qualitativa sobre o bom uso desse dinheiro. “Emendas pulverizadas não resolvem os problemas de política pública. Essa distorção pode piorar o problema da desigualdade, ao invés de melhorar”, avalia; Bernardo recorda o contexto no qual o orçamento secreto foi criado, durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL), e como os parlamentares “reciclaram” o modelo após sua proibição, imposta pelo Supremo Tribunal Federal. “Houve ganho de transparência, mas do ponto de vista da economia não houve mudança nenhuma. E sem controle do Orçamento, o presidente vira uma rainha da Inglaterra”, afirma; O jornalista analisa também a “engenharia política” tentada por Lula para conquistar apoio no Congresso – e a “chantagem parlamentar” imposta pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), ao poder Executivo. “A situação é delicada, e a negociação está cada vez mais cara”, conclui.
1/25/202434 minutes, 28 seconds
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Dengue – explosão de casos e vacina no SUS

Os números da doença em 2023 não têm precedentes: mais de 1,6 milhão de pessoas foram contaminadas e 1.094 morreram em decorrência de complicações. E agora, em janeiro deste ano, a situação é ainda pior. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a quantidade de casos de dengue mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano passado. A novidade no combate à doença é a vacina Qdenga, desenvolvida por um laboratório japonês, aprovada pela Anvisa e que será oferecida a um público-alvo específico no SUS. Para analisar o boom de casos e a entrada do imunizante no Brasil, Natuza Nery entrevista os médicos infectologistas Stefan Cunha Ujvari, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e autor do livro “A história das epidemias”, e Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações. Neste episódio: Stefan explica por que a epidemia de dengue foi tão forte no início deste ano: “Depende de vários fatores, mas alguns principais são o aumento de temperatura e um período de chuvas intensas”. E alerta que o número de casos deve aumentar. “O pico deve ser no fim de março ou início de abril”, afirma; (2:20) Ele fala sobre a importância da força-tarefa governamental para reduzir focos de multiplicação do aedes aegypti. “É unânime a compreensão de que nenhum país vai erradicar o mosquito de seu território, será preciso lugar para controlar sua proliferação”, afirma; (10:20) Kfouri comenta a chegada da vacina contra a dengue no Brasil: “No primeiro momento, não terá nenhum impacto, mas à medida que tivermos mais imunizados, aí sim”. Isso porque o SUS recebeu apenas 750 mil doses até o momento - de um total de 50 milhões de doses que serão entregues em 5 anos; (15:15) O médico esclarece por que a faixa etária elegível para a imunização é a de crianças e adolescentes: “É onde a vacina encontrou melhor eficácia”. E apresenta quais são os sintomas mais comuns para a doença - e aqueles que mais representam riscos para a saúde do paciente. (23:00)
1/24/202427 minutes, 7 seconds
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O caminho aberto para Trump na eleição americana

Desde que deixou a Casa Branca, em janeiro de 2021, Donald Trump enfrenta uma via crucis judicial, na qual responde a mais de 90 acusações em quatro processos criminais – como aquele no qual é réu por conspirar contra os Estados Unidos e incentivar a invasão do Capitólio. E nada disso reduziu seu capital político entre os correligionários de Partido Republicano. Nas primeiras prévias do partido para decidir o candidato que irá concorrer contra Joe Biden pela presidência americana, em Iowa, Trump venceu com mais de 50% dos votos. Na sequência, recebeu o apoio formal do governador da Flórida, Ron DeSantis, que desistiu da candidatura – agora, precisa vencer apenas Nikki Haley, ex-governadora da Carolina do Sul, para ter sua revanche contra Biden. Para analisar a força política do ex-presidente e quais desafios eleitorais e judiciais que ele deve enfrentar este ano, Natuza Nery conversa com Fernanda Magnotta, coordenadora do curso de relações internacionais da FAAP e comentarista da rádio CBN. Neste episódio: Magnotta explica por que os votos de DeSantis devem migrar quase na totalidade para Trump dentro do partido: “Há compatibilidade de agenda entre o que os dois defendem”. Ela informa ainda que as pesquisas indicam 70% de apoio à agenda trumpista entre os eleitores republicanos. “Ainda é cedo para dizer que a disputa acabou, mas ele é evidentemente favorito”, afirma; (2:00) A especialista em relações internacionais comenta as disputas pelo protagonismo do campo conservador nos Estados Unidos e descreve em que posições estão Trump e Nikki Haley. “Ela é considerada moderada entre os republicanos, mas pode ser vista também como alguém da direita radical”, diz; (6:50) Ela descreve o atual status jurídico de Donald Trump, que deve enfrentar condenações e restrições eleitorais em alguns dos estados americanos – no Colorado e no Maine a candidatura dele chegou a ser barrada. “Essa será a marca das eleições, que serão decididas mais na Justiça do que nas urnas”, sentencia; (15:50) Magnotta afirma que nos corredores de Washington DC, o “cenário base” imaginado por todos é de uma reedição da disputa entre Biden e Trump. “São dois candidatos que beiram os 80 anos e não têm figuras alternativas. A pergunta mais importante é o que vem depois”, conclui. (21:15)
1/23/202424 minutes, 26 seconds
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As cidades escondidas da Amazônia

Estima-se que pelo menos 8 milhões de pessoas vivessem na Amazônia quando o continente americano recebeu as expedições europeias. Essa população nativa amazônida trazia consigo uma história de ocupação de pelo menos 14 mil anos – tempo nos quais diversos tipos de organizações sociais e econômicas nasceram e morreram, assim como tecnologias e expressões culturais e artísticas. Aos poucos, a ciência moderna encontra vestígios desses povos. O caso mais recente foi a descoberta de cidades com 2,5 mil anos de história na Amazônia equatoriana, encontrada graças ao equipamento óptico Lidar, o mesmo que mapeou dezenas de estruturas milenares na região do Alto Xingu, no Brasil – um trabalho liderado pelo geógrafo Vinícius Peripato, sob a orientação de Luiz Aragão, biólogo chefe da divisão de observação da terra e geoinformática do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Luiz Aragão é o convidado de Natuza Nery para explicar essas descobertas e o impacto delas para o futuro do planeta e da própria humanidade. Neste episódio: Luiz relata como os pesquisadores utilizaram os lasers da tecnologia Lidar para identificar as construções de 2,5 mil anos no Brasil e no Equador. “Havia uma complexidade muito grande com estradas e conexão entre cidades e produção agrícola. É mais uma evidência de que a Amazônia foi extensamente ocupada”, afirma; O biólogo descreve o que as pesquisas encontraram nas cidades amazônicas - e como elas foram “recolonizadas” pela floresta. “Grande parte dessas estruturas foram utilizadas para rituais e outras áreas foram construídas para defesa de aldeias ou para produção agrícola”, detalha; Ele informa que os estudos mais recentes avaliam que pode ainda existir, “embaixo da floresta amazônica mais de 10 mil áreas com essas estruturas”; Luiz explica a relação entre os resquícios de civilizações antepassadas e a biodiversidade de espécies já domesticadas pela humanidade. “Isso pode ser aprendido e utilizado para um desenvolvimento bioeconômico”, afirma. “É uma porta para o futuro do planeta”, resume.
1/22/202421 minutes
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O vaivém da relação de Lula com os evangélicos

Durante a campanha eleitoral de 2022, o contingente de 30% de brasileiros que seguem religiões cristãs protestantes foi um dos polos de disputa dos então candidatos Lula (PT) e Bolsonaro (PL) - a quem as principais lideranças evangélicas tinham como aliado. O petista sofreu com a forte resistência das principais entidades religiosas neopentecostais e, agora como presidente da República, tenta uma aproximação tanto com parlamentares da Bancada Evangélica, quanto com a massa de 60 milhões de brasileiros filiados a essas igrejas. Para analisar os movimentos de altos e baixos da relação do presidente com os evangélicos, Natuza Nery conversa com a cientista política Ana Carolina Evangelista, diretora executiva do Instituto de Estudos da Religião, e com Ronilso Pacheco, pastor auxiliar da Comunidade Batista e teólogo com mestrado pela Universidade Columbia (EUA). Neste episódio: Ana Carolina e Ronilso questionam a eficiência da estratégia de Lula em dialogar apenas com as lideranças religiosas que estão no Congresso. “A estratégia desses líderes é fazer estardalhaço e colocar o governo contra a parede. É uma relação sensível”, afirma o pastor; (1:30) A cientista política destaca que o diálogo com as cúpulas está contaminado porque elas “se radicalizaram ainda mais e defendem seus princípios como uma agenda para o país”. E Ronilso reforça que a abordagem da população evangélica exclusivamente a partir da pauta religiosa é um erro; (5:50) Ana Carolina avalia os impactos da proximidade que os líderes religiosos tiveram com o poder durante os anos de governo Bolsonaro. “É uma bancada que sabe que pode conseguir mais”, resume; (14:50) Ronilso fala sobre como a maioria das igrejas e dos pastores se organizam economicamente – e de que modo a decisão recente da Receita Federal de acabar com a isenção de impostos sobre líderes religiosos foi recebida. “Segue a vida normal como a de qualquer outro brasileiro”, diz; (17:00) Os dois comentam como os fiéis ponderam suas escolhas eleitorais, que passa por fatores de organização comunitária e efetividade de políticas públicas. (20:45)
1/19/202423 minutes, 47 seconds
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A influência do Irã nos conflitos do Oriente Médio

O ataque terrorista do Hamas a Israel em 7 de outubro desencadeou a mais sangrenta guerra já promovida em território palestino e abriu uma caixa de Pandora para mais violência no Oriente Médio. Frentes de combate se abriram na fronteira entre Israel e Líbano, onde atua o grupo terrorista Hezbollah, e no Mar Vermelho, onde rebeldes houthis atacam navios e são bombardeados pelos EUA. Ataques a grupos militantes também foram registrados no Iraque, na Síria e no Paquistão. E a ligação entre todos os conflitos é o Irã, país controlado por aiatolás xiitas que investe muito dinheiro em sua máquina de guerra e patrocina grupos armados em sua área de influência. Para explicar como o governo iraniano impõe seus tentáculos por toda a região e os riscos de que esses conflitos ganhem escala global, Natuza Nery entrevista Vitelio Brustolin, professor de relações internacional da UFF e professor adjunto na Universidade de Columbia (EUA), e também pesquisador da faculdade de Direito de Harvard. Neste episódio: Vitelio afirma que a guerra entre Israel e Hamas já se espalhou pela região e repercute até na Europa e nos Estados Unidos, onde foram ativados alertas máximos contra atos terroristas. “A estratégia do Hamas se mostra eficiente se a tática terrorista se espalhar pelo mundo”, avalia; Ele comenta a agenda geopolítica do Irã, que financia partidos e milícias xiitas em países vizinhos – e enfrenta agrupamentos também armados sunitas, como é o caso do Talebã e do Estado Islâmico. E descreve o poder militar das forças armadas iranianas – que está perto de ter tecnologia suficiente para construir uma ogiva nuclear; Vitelo explica como agem os rebeldes houthis, sediados no Iêmen: “Eles controlam a entrada do Mar Vermelho, por onde passa 12% do comércio mundial”. E como os ataques do grupo a navios são usados como moeda de troca pelo Irã. “Mostra o uso de terrorismo internacional como ferramenta de política externa”, sentencia; O professor fala sobre sua preocupação em relação à multiplicação de conflitos, que poderiam “desembocar em uma guerra maior, que daria início a uma 3ª Guerra Mundial”.
1/18/202424 minutes, 21 seconds
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A ameaça de Bolsonaro ao PL de Valdemar

Em uma entrevista recente, o presidente do partido que abriga os principais nomes da direita brasileira rasgou elogios a Lula (PT). As declarações de Valdemar Costa Neto pegaram mal entre os apoiadores de Jair Bolsonaro, e o próprio ex-presidente entrou em cena: ele as classificou como “absurdas” e sinalizou que esse tipo de fala tem potencial para “implodir” o partido – o mesmo pelo qual ele disputara a eleição de 2022. Em disputa, mais do que um racha ideológico estão os capitais político e financeiro do PL: é a maior bancada na Câmara e no Senado e recebe a maior fatia dos fundos partidário e eleitoral (que, em 2024, será de R$ 4,9 bilhões). Para explicar as rusgas entre Bolsonaro e Valdemar e os riscos para ambos em caso de racha partidário, Natuza Nery conversa com Flávia Oliveira, comentarista da GloboNews e colunista do jornal O Globo e da rádio CBN. Neste episódio: Flávia recorda a aliança do PL com o PT em 2002, que culminou numa então improvável chapa encabeçada por Lula, candidato à Presidência, com o empresário de direita José Alencar: “Essa articulação se deve a Valdemar”. E relaciona a situação com o atual status da relação de Valdemar e Bolsonaro. “É como se estivessem algemados um no outro, e para saírem do lugar precisam combinar o compasso”, afirma; (3:45) A jornalista compara as personalidades de Valdemar - “um político de acomodação, que faz acenos e é a cara do PL” - e de Bolsonaro - “um outsider que tem desprezo pela lealdade partidária”. E aponta o que um tem a ganhar com o outro: uma robusta estrutura partidária, de um lado; e muitos votos puxados por um valioso cabo eleitoral, de outro; (9:30) Ela comenta o perfil “combatido e autoritário” do ex-presidente e como essa característica colaborou para implodir o partido pelo qual foi candidato à Presidência pela primeira vez, o PSL. “E o Lula é o oposto disso. E também por isso é elogiado por Valdemar”, afirma; (15:00) Flávia avalia que, em caso de uma guerra deflagrada entre Bolsonaro e o líder do PL, Valdemar deve levar a melhor. “Bolsonaro pode sair e levar com ele parlamentares fiéis e capital político, mas com muito menos recursos”, conclui. (24:00)
1/17/202428 minutes, 19 seconds
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Lei do Cyberbullying: proteção para crianças e adolescentes

O presidente Lula (PT) sancionou nesta segunda-feira (15) a lei que inclui os crimes de bullying e cyberbullying no Código Penal. O texto apresenta a definição dos crimes (que, agora, são considerados hediondos) e impõe pena de até 4 anos de reclusão e multa – no caso de crime de indução ou auxílio ao suicídio, a punição pode até dobrar. Para explicar o impacto do bullying em crianças e adolescentes e como a nova lei pode preservar a saúde mental de milhões deles, Natuza Nery entrevista Patrícia Peck, advogada especialista em direito digital e presidente do Instituto iStart, e Gustavo Estanislau, especialista em psiquiatria da infância e da adolescência e coautor do livro “Saúde mental nas escolas: o que os educadores devem saber”. Neste episódio: Patrícia descreve quais são os formatos mais recorrentes de bullying nas redes sociais: ofensas discriminatórias em grupos e uso indevido ou manipulação de fotos. "Se um ato isolado já poderia causar tanto estrago, imagina em ambiente digital?”, alerta; Ela celebra a nova lei como uma demonstração “de que estamos tratando o tema com seriedade”. E destaca como o texto atualiza a legislação criminal brasileira e constrói uma política nacional de prevenção ao abuso e exploração da criança e do adolescente; Gustavo comenta o impacto do bullying, virtual ou não, na formação da personalidade de crianças e adolescentes: “Os mais novos têm dificuldade em identificar parâmetros de até onde as pessoas podem ir”. E explica por que muitas vezes eles não levam a violência para pais, professores e responsáveis. “Em casos mais graves, afeta a autoestima e a criança passa a acreditar que merece aquilo”, afirma; O psiquiatra fala sobre a urgência de um debate amplo para a prevenção contra o bullying. “Temos dificuldade em detectar, principalmente com as redes sociais”, diz. Ele também lista sintomas que podem sinalizar uma vítima desse tipo de violência: a criança pode ficar mais assustada e menos atenta que o normal, apresentar alteração no padrão de sono e na dieta e falar em medo de ir à escola.
1/16/202428 minutes, 38 seconds
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CBF e Seleção - o futebol brasileiro em crise

Único pentacampeão mundial de futebol, o Brasil chegará à Copa do Mundo de 2026 em jejum de 24 anos sem levantar a taça. Em campo, a Seleção coleciona fracassos e ocupa a 6ª posição nas Eliminatórias para o próximo Mundial. Na administração, a Confederação Brasileira de Futebol vai ainda pior: denúncia de irregularidade nas eleições internas, afastamento (e recondução) do presidente Ednaldo Rodrigues e um “perdido” do treinador italiano Carlo Ancelotti – que recusou o convite para dirigir a Seleção, que, agora, tem Dorival Júnior como técnico. Para explicar como a entidade deixou a credibilidade do futebol brasileiro em ruínas, Julia Duailibi entrevista Martín Fernandes, colunista do jornal O Globo e do ge.com e comentarista do SporTV. Neste episódio: - Martín descreve como as alterações no processo eleitoral da CBF culminou no imbróglio judicial que invalidou os resultados do pleito, e como Ednaldo foi escolhido para assumir um vácuo de poder na entidade: “Ele teve muito apoio para chegar ao poder, mas fez uma gestão centralizadora e criou adversários internos”; - Ele comenta como esse estilo “centralizador” de Ednaldo se relaciona aos péssimos resultados da Seleção em campo. É o caso da negociação entre CBF e Ancelotti: enquanto a entidade esperava o sim do treinador, manteve dois técnicos interinos (Ramon Menezes e, depois, Fernando Diniz); ainda assim, o italiano assinou sua renovação com o Real Madrid; - Martín também alerta para o risco de uma punição esportiva à Seleção, imposta pela Fifa e pela Conmebol por uma suposta interferência externa da Justiça na CBF. “A imagem do futebol brasileiro já estava arranhada, mas essa situação toda gera uma percepção de bagunça”, conclui.
1/15/202421 minutes, 25 seconds
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O desafio de Lewandowski à frente da Justiça

Escolhido pelo presidente Lula para comandar um dos ministérios mais políticos da Esplanada, Ricardo Lewandowski vai assumir a Justiça em fevereiro. À frente da pasta, o ex-ministro do STF herda o desafio de lidar com um tema sensível ao governo: a violência, que está no topo de preocupações dos brasileiros. Ao definir quem comandará o ministério, Lula também decidiu não desmembrar a pasta, mantendo Justiça e Segurança Pública sob o mesmo guarda-chuva. Para entender os principais desafios de Lewandowski no cargo e quais os entraves para combater o crime organizado, Julia Duailibi recebe o ex-ministro da Segurança Pública Raul Jungmann. Neste episódio: - Jungmann defende que Justiça e Segurança Pública sejam ministérios distintos de forma permanente e justifica que o país “não tem um sistema centralizado de segurança pública”. “A responsabilidade é dos Estados e, portanto, não há uma política nacional para o tema”, afirma; - Ele crava que o “desafio número 1” de Lewandowski é superar a lacuna de poder do governo central no controle da segurança pública. E destaca o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) como principal ferramenta para articular entes estaduais contra o crime organizado; - Jungmann destaca também a urgência de se reformar o sistema prisional brasileiro: “Ele amplia e amplifica a violência e criminalidade no Brasil”. Isso porque, afirma, as mais de 70 facções que atuam nos presídios brasileiros cooptam jovens para atuarem como “soldados do crime organizado”; - O ex-ministro elogia a escolha de Lewandowski para o comando do Ministério, um cargo que define como “evidentemente político”: “Ele tem autoridade, conhecimento e articulação, além de ótima relação com o governo e o respeito da oposição”, conclui.
1/12/202419 minutes, 57 seconds
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O Equador mergulhado no caos

"Vivemos um estado de guerra”, assim o presidente Daniel Noboa classificou a situação do país depois da escalada de violência e mortes. A crise se agravou depois da fuga de um dos chefes do narcotráfico, e é a primeira prova de fogo do atual governo. Noboa assumiu em novembro para um “mandato tampão”, depois de um processo eleitoral marcado pela violência e pelo assassinato de um candidato à presidência. Para entender a situação no Equador e os fatores que levaram o país ao domínio do narcotráfico, Julia Duailibi recebe Maria Teresa Escobar, jornalista baseada em Quito, e Thiago Rodrigues, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF). Neste episódio: - Direto de Quito, Maria Teresa narra a situação na capital depois da “madrugada de terror”, quando policiais foram sequestrados e a população entrou em pânico. “Quito amanheceu vazia, com as pessoas trancadas em casa”, relata; - A jornalista classifica como positiva a medida do presidente de admitir a existência de um conflito armado contra o narcotráfico. “Existe um conflito interno. É bom que não falemos mais em crise de segurança”, diz, ao lembrar a explosão do número de mortes no país desde 2019. “Não é uma coisa pequena”, afirma; - Thiago explica como, ao ser eleito com a promessa de “repressão total” ao narcotráfico e de “outsider” da política, Noboa adotou medidas que desencadearam resposta violenta de grupos criminosos no país; - O professor conclui como a crise e a “declaração de guerra” pode ajudar Noboa em uma eventual tentativa de reeleição, em 2025. Para ele, se o atual presidente conseguir transmitir uma imagem de diminuição da violência, “vai ser visto pela opinião pública como alguém que resolveu o problema, sem resolver”, afirma.
1/11/202435 minutes, 4 seconds
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Redes sociais: a regulação urgente

A cerimônia para celebrar a democracia no dia em que os atos golpistas completaram 1 ano foi também usada para cobrar a regulamentação das redes sociais. O presidente Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes sinalizaram a necessidade de regular plataformas, hoje solo fértil para o espalhamento de fake news e de desinformação. O tema deve ser uma das prioridades do Congresso na volta do recesso parlamentar – o chamado PL das Fake News está parado na Câmara, depois de ser aprovado no Senado. Para entender em que pé está a discussão sobre o tema e a importância de uma legislação clara sobre conteúdo em redes sociais, Natuza Nery recebe Pablo Ortellado, professor da USP, coordenador do Monitor do Debate Político Digital e colunista do jornal O Globo, e Iná Jost, coordenadora do InternetLab. Neste episódio: - Pablo explica como o texto original do projeto de lei foi transformado até sua versão final, que deve ser aprovada na Câmara. “É bastante abrangente e o coração dele é a mudança na regulação de conteúdo na internet”, resume. Agora, a moderação desse conteúdo deixa de ser feita exclusivamente pelas empresas e “passa a ter diretrizes e regras que estão acima das regras da plataforma”; - Ele aponta quais eram os principais “pontos de tensão” da versão original do PL: a compreensão “maximalista” do que é liberdade de expressão pela direita conservadora e a remuneração de conteúdo que circula nas redes sociais para artistas e produtores de conteúdo. “O debate sobre direitos autorais virou um projeto a parte”, esclarece; - Iná comenta a importância da clareza de regras de cada plataforma de redes sociais para os usuários. “As empresas têm o direito de ter essas regras, desde que sejam claras sobre como estão operando”, afirma; - A coordenadora do InternetLab fala sobre o “poder político enorme” das empresas de tecnologia que controlam as plataformas. “É por isso que é importante haver regulação. E acredito na capacidade do Congresso em encontrar um texto aprovável”, conclui.
1/10/202422 minutes, 20 seconds
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2024, uma odisseia no espaço

A primeira de muitas missões espaciais previstas para este ano foi lançada nesta segunda-feira. O foguete Vulcan partiu com a meta de ser a primeira espaçonave de uma empresa particular a conseguir pousar na Lua. Problemas no sistema de propulsão da sonda, no entanto, podem adiar o objetivo da missão, que faz parte do projeto da Nasa de mandar uma mulher ao satélite da Terra. Para entender por que a exploração lunar continua sendo um desafio, 55 anos depois de o primeiro homem pousar no satélite, e explicar quem são os países - e as empresas – que fazem parte da atual corrida espacial, Natuza Nery recebe Salvador Nogueira. Jornalista científico, Salvador é autor de livros sobre astronomia e astronáutica, e sócio fundador da Associação Aeroespacial Brasileira. Neste episódio: - Salvador explica a importância do lançamento do foguete Vulcan - feito pela Nasa em parceria com uma empresa privada –, no que ele classifica como um momento de “transição para a exploração comercial da Lua”; - Ele lista os interesses de nações e de empresas na corrida pela exploração da Lua: disputa de influência para mostrar “tecnologia superior”. O aspecto militar, com o espaço visto como “área de conflito” no futuro. E o interesse comercial, com a construção de empreendimentos em solo lunar e até o serviço de transporte até a Lua; - O jornalista pontua como passamos por um momento de “revolução”, com a construção de foguetes de custo mais baixo. Ele cita a Space X, empresa do bilionário Elon Musk, e como a produção financiada por Musk revolucionou a indústria espacial, ao fazer concorrentes e até países “correrem atrás”. O resultado, segundo Salvador, é a redução do custo de acesso ao espaço, num processo “bom para todo o mundo”; - Salvador fala sobre a expectativa para a Artemis 2, quando a Nasa quer mandar astronautas para a órbita lunar pela primeira vez desde a década de 1970. “Na prática, a Nasa está reaprendendo as coisas que aprendeu no século passado”, diz. E conclui como a missão serve como “um teste drive” para saber se a agência espacial consegue mandar astronautas para a Lua e trazê-los de volta.
1/9/202422 minutes, 17 seconds
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8/01 - A Democracia 1 ano depois

"O ato de vandalismo mais forte que já aconteceu nesse país”, assim o presidente Lula classifica as invasões de apoiadores de Bolsonaro em entrevista exclusiva à Julia Duailibi, diretora de ‘8/01 - A Democracia Resiste”. Com imagens e depoimentos exclusivos, o documentário narra a tensão do momento dos ataques e a forma como o governo respondeu ao golpismo que destruía a Praça dos Três Poderes. Para abordar todos os detalhes da produção, Natuza Nery recebe Julia Duailibi. Depois, sobre as consequências do 8 de janeiro neste primeiro ano de mandato de Lula, conversa com Oscar Vilhena, professor de Direito Constitucional da FGV. Neste episódio: - Julia relata como, ao fazer o documentário, concretizou o grau de tensão entre civis e militares para desmobilizar o acampamento golpista na noite do 8 de janeiro de 2023. E destaca como a democracia sobreviveu “ao grande solavanco” da tentativa golpista. “As ordens funcionaram. Todas as Instituições da República deram uma resposta, a resposta que a gente precisava para a manutenção da democracia”, lembra; - "O objetivo do filme é mostrar o que ninguém viu”, diz Julia. Ela relata o momento em que o presidente Lula é informado das invasões e a reação do alto comando da República à tentativa de golpe. E como Lula reagiu à inação das forças de segurança para conter os invasores; - Julia descreve os momentos decisivos em que Lula e seus ministros descartaram a GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e decidiram adotar uma intervenção federal na Segurança do Distrito Federal. E o clímax do conflito entre o poder civil e o militar para a desmobilizar o acampamento golpista na frente do QG do Exército; - Oscar Vilhena afirma que, um ano depois, o Brasil deve comemorar o fato de a democracia estar de pé. “Se o 8 de janeiro tivesse triunfado, nós não estaríamos aqui”, sentencia. Mas sinaliza haver uma preocupação grande com “setores que foram desleais com a democracia”, ao lembrar a regra básica da democracia: “Quem perde, a eleição vai para casa”.
1/8/202444 minutes, 59 seconds
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Padre Júlio Lancellotti e o pedido de CPI em SP

O nome do padre Júlio Lancellotti foi colocado no meio de uma disputa política depois que um vereador do União Brasil pediu a abertura de uma CPI para investigar a ação de ONGs que trabalham com a população de rua na cidade de São Paulo. Por trás dessa disputa, um problema de mais de três décadas: a Cracolândia, região da capital paulista onde dependentes químicos alimentam o vício a céu aberto. Para entender o trabalho de assistência feito com a população em situação de rua, Natuza Nery conversa com o padre Júlio Lancelotti, e com Aluízio Marino, coordenador do LabCidade da USP e doutor em Planejamento e Gestão de Território pela Universidade Federal do ABC. Neste episódio: - O padre Júlio Lancellotti reflete porque o nome dele foi parar na boca de quem pede a abertura de uma CPI na Câmara Municipal de SP. “Talvez porque identifiquem em mim as pessoas com quem eu convivo. Pessoas que incomodam a sociedade, em situação de rua, dependentes químicos”, diz, ao citar uma população que “ninguém quer ver”; - Atuante há quatro décadas, padre Júlio faz uma retrospectiva do que viu e testemunhou sobre o crescimento da Cracolândia. E aponta como a política para lidar com a população de rua muda a cada quatro anos, com a mudança nos governos locais: “a questão da população de rua não é tratada como política de estado, mas como política de governo, por isso sofre com a questão de continuidade”, resume; - Padre Júlio classifica como “simplista” o raciocínio de que o auxílio à população de rua e a dependentes químicos estimula o crescimento do problema. “Até na guerra os prisioneiros não são privados de água e de alimento. Por que que nós queremos penalizar e criminalizar o dependente químico, proibindo dar comida a eles?”, questiona; - Aluízio Marino relembra como a Cracolândia nasceu e cresceu, em uma área da cidade onde o território sempre foi marcado pela “imoralidade” de diversas naturezas. “É importante pensar que o nome serve para delimitar um lugar marcado para morrer”, expõe.
1/5/202428 minutes, 41 seconds
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Juros do cartão de crédito: a solução tampão

As dívidas complicam a vida das famílias que têm pendências financeiras e travam a roda da economia. E o vilão desse problema é um conhecido de muita gente: o cartão de crédito. Com juros acima dos 400% ao ano, os cartões apareciam como principal problema de 60% das pessoas com contas atrasadas, segundo dados do Instituto Locomotiva de dezembro. A partir de agora, uma regra limitou o teto para os juros dessa modalidade. Para entender o que muda na prática e o que precisa ser feito como solução definitiva para a tensão entre juros altos e inadimplência, Natuza Nery conversa com Otto Nogami, professor de Economia e Finanças do Insper. Neste episódio: - Otto sinaliza a necessidade de “conscientizar o consumidor a adequar seu consumo à renda”. E aponta a recomendação de primeiro reservar dinheiro para, só depois, comprar produtos de alto valor agregado; - O professor destaca a importância da educação financeira das famílias, algo que, para ele, deveria começar ainda “no berço”. Mas afirma que, no Brasil, há herança do período inflacionário, quando havia a ideia de que não vale a pena guardar dinheiro, por causa da desvalorização da moeda; - Ele fala como o consumo das famílias - responsável por mais de 60% do PIB - é o principal afetado quando não há crédito no mercado. “Qualquer ação de limitar o acesso ao crédito impacta no consumo do cidadão. E impactando na vida do cidadão, pode afetar a performance da atividade econômica”, diz; - E dá uma “dica de ouro” para quem gastou muito no fim do ano: “o segredo é procurar equacionar o problema o mais rápido possível”, diz. E continua: “separar o que é consumo indispensável e deixar de lado o supérfluo”.
1/4/202421 minutes, 23 seconds
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Trump x Biden (de novo) na eleição dos EUA

Em 2024, os eleitores da maior economia do planeta vão escolher quem vai comandar a Casa Branca. A disputa deverá repetir as eleições de 2020, com o democrata Joe Biden em busca da reeleição enfrentando o ex-presidente republicano Donald Trump. Ambos enfrentam problemas para consolidar suas candidaturas. De um lado, Trump lida com processos jurídicos e sua permanência na disputa foi parar na Suprema Corte. Do outro, Biden enfrenta resistências e um processo de impeachment. Para entender os principais desafios de cada um deles e o que vai pesar na eleição de novembro, Natuza Nery conversa com Guga Chacra, comentarista da TV Globo e da GloboNews, e colunista do jornal O Globo. Neste episódio: - Guga explica por que o caucus de Iowa (15/01) e as primárias de New Hampshire (23/01) são datas importantes para a disputa de quem vai ser escolhido candidato Republicano. “Trump é o franco favorito”, diz. Mas ele lista os motivos que fazem Nikky Haley despontar como uma ameaça ao ex-presidente. Do outro lado, diz, nenhum pré-candidato democrata parece ameaçar Joe Biden; - O jornalista detalha as implicações da decisão do Colorado, onde o nome de Trump foi barrado nas primárias republicanas. "A campanha vai para a Suprema Corte nacional”, o que, segundo Guga, teria “impacto muito grande” para a campanha do ex-presidente. No entanto, ele pondera que, sem ter sido condenado por incentivar os atos de 6 de janeiro de 2021, é pouco provável que Trump tenha a candidatura barrada nacionalmente; - Guga avalia os motivos que fazem Joe Biden estar em “situação vergonhosa”, ao aparecer atrás de Trump nas pesquisas de intenção de voto, apesar de os EUA estarem com PIB em tendência de alta e com taxa de desemprego em baixa; - E conclui apontando os temas que vão pesar na eleição de 5 de novembro: fronteira com o México, gastos com as guerras da Ucrânia e de Israel contra Gaza, e a idade dos candidatos. “A imagem que Biden passa é de fragilidade”, diz, ao relatar que muitos norte-americanos o veem como alguém “sem energia” para aguentar mais quatro anos de mandato.
1/3/202431 minutes
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A disputa Lula x Bolsonaro na eleição municipal

Em outubro os brasileiros vão voltar às urnas para escolher prefeitos e vereadores dos 5.570 municípios. Uma eleição regada a muito dinheiro público: o fundo eleitoral terá R$ 5 bilhões, o dobro das eleições municipais em 2020. Historicamente, a eleição municipal é marcada por problemas e questões locais, mas a polarização ainda presente entre o presidente Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro pode mudar o quadro. E ambos já atuam para eleger aliados. Para entender como vão atuar os dois cabos eleitorais mais influentes do país e o que esperar da eleição deste ano, Natuza Nery conversa com o cientista político Felipe Nunes, professor da UFMG e diretor da Quaest, autor do livro recém-lançado ‘Biografia do Abismo’. Neste episódio: - Felipe detalha os temas que devem pautar a campanha nas pequenas, médias e grandes cidades. Para ele, a polarização entre Lula e Bolsonaro deve se fazer mais presente em cidades de grande porte, principalmente da região Sudeste, onde "há um debate ideológico importante que não acabou em 2022”; - Ele analisa como o PL – partido do ex-presidente Bolsonaro - tem o desafio de crescer nos municípios. “É a primeira eleição com Bolsonaro fora do poder. É um teste para o bolsonarismo”, afirma. E lembra: “o PT teve o seu pior desempenho em 2020”, e agora tenta recuperar protagonismo nas cidades, tendo nas mãos a máquina pública federal e uma agenda econômica positiva; - Para ele, “a eleição de 2024 é crucial para entender a correlação de forças no Congresso”. E chama atenção para a mudança no “jogo legislativo”, com parlamentares tendo nas mãos o valor recorde de R$ 53 bilhões em emendas. “O que determina quem vai ganhar o Congresso são os prefeitos. A eleição de 2024 é o termômetro para saber quem vai mandar na agenda legislativa brasileira em 2026”, sentencia; - E aponta a tendência de uma alta taxa de reeleição de prefeitos, resultado de um “círculo virtuoso e vicioso”, com bases eleitorais irrigadas com dinheiro de emendas parlamentares. “Deputados passaram a ter mais poder para ajudar prefeitos que no futuro vão poder ajudá-los a vencer as eleições de novo”, explica.
1/2/202433 minutes, 57 seconds
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REPRISE - Recordes de calor e a ameaça à vida humana

2023 chega ao fim com uma marca histórica: foi o mais quente dos últimos 125 anos. Nesta sexta-feira, 20 de dezembro, O Assunto reprisa um episódio para explicar os recordes de calor e a ameaça dos eventos extremos à vida humana. Ameaças que podem ficar ainda mais intensas em 2024. Para comentar o risco do calor em excesso para a saúde humana e explicar até onde a temperatura pode chegar, Natuza Nery conversa com Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima e integrante do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, e com o biomédico fisiologista Daniel Mendes Filho, um dos autores do livro “Condições extremas: como sobrevivemos?”. Neste episódio: - Marcio lembra que as ondas de calor estão cada vez mais intensas, mas que os recordes de temperatura vêm sendo registrados há pelo menos duas décadas: “São gritos de alerta do planeta”. E a situação deve piorar. “A gente não vai mais recuperar os gases emitidos para a atmosfera. O planeta tem um problema já contratado”, afirma; - Ele avalia que as soluções para mitigação e adaptação dos impactos do clima são de responsabilidade de governos e estão, principalmente, nas mãos dos líderes dos países desenvolvidos: “As pessoas mais pobres vão pagar a conta”. “Quanto menos a gente fizer agora, maior será a conta para as próximas gerações”, conclui; - Daniel explica como o organismo humano reage às mudanças de temperatura, e quais são os riscos associados aos episódios de calor extremo – que afetam mais as crianças e os idosos: “Os mecanismos de adaptação do corpo são insuficientes para manter a temperatura em níveis fisiológicos. Pode haver quadros de hipertermia e insolação”; - Ele também comenta sobre o que as cidades podem fazer para enfrentar as mudanças climáticas, com ações dedicadas a aumentar a arborização e os ambientes com circulação de ar. Daniel orienta sobre como cada um pode se proteger: roupas leves, alimentação saudável, plantas domésticas e até papel alumínio na janela.
12/28/202329 minutes, 58 seconds
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REPRISE - Israel x Palestina - a história do conflito

O dia 7 de outubro de 2023 marcou o maior ataque terrorista do Hamas sobre o território israelense. Começava ali mais um capítulo de uma disputa milenar pelo controle da região que é berço das três maiores religiões ocidentais. Nesta quinta-feira, 28 de dezembro, O Assunto reprisa o episódio que explicar essa história de expulsões, perseguições, conflitos militares e terrorismo. Julia Duailibi entrevista Guilherme Casarões, professor da FGV-SP, doutor em ciência política, mestre em relações internacionais com especialização em nacionalismo judaico e pesquisador convidado da Universidade de Tel Aviv. Neste episódio: - Casarões recupera a história de milênios de ocupação de Jerusalém e seus arredores. Ele lembra que a tradição judaica reivindica mais de 5 mil anos no local que hoje compreende o Estado de Israel; mas que também os palestinos argumentam que já estavam lá desde os cananeus, há 10 mil anos; - Ele aponta que o início do conflito moderno se deu na virada do século 19 para o século 20, num momento em que despontam o sionismo e o nacionalismo árabe: “É quando começam aparecer os projetos nacionais como projetos políticos”. E completa que a disputa escala de nível com o plano de partilha proposto pela ONU para a criação dos Estados israelense e palestino - o que nunca aconteceu; - O professor descreve os efeitos das guerras dos Seis Dias (1967) e do Yom Kippur (1973) na formulação “da dinâmica que rege até hoje esse conflito” - com a primazia do domínio israelense sobre o território -, e como elas repercutiram para o crescimento da Organização para a Libertação Palestina; - Casarões explica as duas principais tentativas de acordo de paz entre Israel e os Estados árabes. O primeiro no Camp David (EUA) ao fim da década de 1970 entre Israel e Egito. E o segundo assinado em 1993: o Acordo de Oslo, entre as autoridades israelenses e palestina, definiria a divisão definitiva dos territórios entre os dois Estados. Nos dois casos, o processo de entendimento foi interrompido pelo assassinato de lideranças políticas por extremistas; - Por fim, ele comenta o aumento das tensões resultante da eleição do grupo terrorista Hamas como representante do povo palestino da Faixa de Gaza – resultado da única eleição realizada por lá, em 2006: “Vira uma guerra interna entre o Hamas e o Fatah” - organização palestina moderada.
12/28/202338 minutes, 17 seconds
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REPRISE - Como acabar com o garimpo na Terra Yanomami

Há quase 1 ano, o governo federal agiu para expulsar garimpeiros da maior Terra Indígena do país. A atividade foi reduzida em 80%, mas, meses depois, garimpeiros estão de volta à Terra Yanomami, colocando em risco a vida do povo originário. Nesta quarta-feira (27), O Assunto reprisa um episódio sobre a emergência sanitária que afetou os Yanomami. Datam da década de 1980 os primeiros sinais da presença de garimpeiros ilegais na região onde historicamente vive a etnia. Quando o então presidente Fernando Collor assinou a demarcação da Terra Indígena, em novembro de 1991, estima-se que o garimpo tivesse cerca de 40 mil pessoas em atividade. Aquele foi o início de um bem-sucedido processo de desintrução: liderada pela Funai e pela Polícia Federal, a operação Selva Livre expulsou os garimpeiros e desobstruiu os rios que abastecem as aldeias com água e peixes. O presidente da Funai à época era Sydney Possuelo, um dos principais indigenistas do país - ele relata a Natuza Nery as ações que liberaram o território da atividade criminosa. Natuza conversa também com a jornalista Sônia Bridi, que acompanhou in loco a comitiva do governo que decretou estado de emergência para levar comida e resgatar indígenas doentes. Neste episódio: - Sônia recorda o que viu ao ir à região do garimpo em terras Yanomami: cenário de destruição, pessoas com fome, crianças muito abaixo do peso, muitos contaminados com malária. “E os relatos mais horríveis que você pode imaginar”, reforça; - Ela também conta a história por trás da imagem na qual está segurando um bebê no colo – uma ação de emergência para evitar que as crianças morressem; - Sydney compara a situação do garimpo ilegal de 1992 e a de agora. E conta como agiu a operação Selva Livre: fechamento do espaço aéreo e dos rios, ação de tropa em campo e corte no abastecimento de alimentação e combustível dos garimpeiros. “Não vejo maiores problemas em fazer isso”; - O indigenista pondera que, embora o contingente atual de garimpeiros seja metade daquele enfrentado em 92, eles são “mais eficazes na destruição ambiental”. Ele também questiona sobre a presença do crime organizado e do narcotráfico na região; - E conclui, sobre a urgência da interferência das Forças Armadas em prol dos yanomamis: “Se a gente fala em guerra, uma guerra não avisa quando chega. Basta uma ação rápida”.
12/27/202337 minutes, 48 seconds
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REPRISE - Adeus a Zé Celso, o revolucionário do teatro

A dramaturgia brasileira perdeu um de seus mais importantes nomes. José Celso Martinez Corrêa morreu depois de um incêndio em seu apartamento em São Paulo, onde vivia com o marido, o ator Marcelo Drummond – com quem mantinha um relacionamento de quase 40 anos, cujo último ato foi a cerimônia de casamento um mês atrás. No Teatro Oficina, fundado em 1958, Zé Celso escreveu, adaptou e dirigiu peças que entraram para a história da cultura brasileira e que formaram artistas ao longo de seis décadas. Para dimensionar o tamanho da história e da contribuição do artista ao Brasil, Natuza Nery ouve Pascoal da Conceição, ator, diretor e produtor cultural que começou a carreira no Teatro Oficina e que era amigo íntimo de Zé Celso. Neste episódio: - Pascoal conta quais eram os planos profissionais do dramaturgo: a adaptação do livro "A Queda do Céu", com pensamentos do xamã yanomami Davi Kopenawa, para uma peça que seria exibida em comunhão com a natureza no parque do Teatro Oficina. “Ele anunciou que este seria o trabalho mais importante da vida dele”, relata; - O ator comenta as qualidades de Zé Celso como diretor de teatro: “Ele faz trabalhos coletivos e tem a capacidade de catalisar o trabalho de muita gente”. E recorda como as atuações que fez na TV como Dr. Abobrinha, do Castelo Ra-Tim-Bum, e no teatro com Hamlet tiveram influência de sua direção. “Ele falava que não existe atuação no particular, ela é sempre pública”, lembra; - Ele também detalha a história do Teatro Oficina, alvo de censura e perseguições pela repressão da ditadura militar: atores e atrizes foram agredidos e houve até um incêndio criminoso. E, mais recentemente, a tentativa do dramaturgo em comprar o terreno – que está em disputa judicial com o Grupo Silvio Santos. “Ele foi até o Banco Central e disse: que economia você quer pro Brasil, a dos que fazem teatro ou carnê?”, conta; - Por fim, Pascoal recupera a ideia de Zé Celso que “não somos drama, somos tragédia” para explicar sua morte. E justifica porque ele tinha o apelido de ‘fênix’. “É obrigado a levantar e sair à luta, sair pra vida”, conclui.
12/26/202338 minutes, 8 seconds
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REPRISE - Rita Lee, a majestade do rock, por Ney Matogrosso

Morreu aos 75 anos a voz mais importante do rock ‘n roll brasileiro – mas que não se limitava ao gênero e experimentou diversos ritmos ao longo de 5 décadas de carreira e 40 álbuns publicados, que renderam a ela mais de 55 milhões de exemplares vendidos. Rita Lee nasceu em São Paulo e explodiu para a cena musical na década de 1960, durante o movimento tropicalista, quando integrava os Mutantes. Depois, em carreira solo – mas sempre em parceria com seu companheiro de vida, Roberto de Carvalho, com quem teve três filhos – colecionou hits e sucessos. Além do talento, deixa um legado de autenticidade e liberdade. Para dar conta de contemplar diversos aspectos desta rica personalidade, Natuza Nery conversa com Ney Matogrosso, uma das maiores vozes da música brasileira e amigo de Rita. Neste episódio: - Ney conta que observa a Rita Lee desde antes de ser artista e o quanto a imagem dela de “noiva grávida” na década de 1960 imprimiu nele uma marca da revolução e da transgressão. “Me fez sentir como sua alma gêmea”, afirma; - Ele recorda as características da cantora que a faziam “diferente” e algumas das canções que a parceira escreveu para que ele cantasse: “Ela me sacava. Eu via a letra e pensava que era eu. Mas era ela também”; - Ney também fala sobre a forma como Rita Lee fazia questão de se mostrar uma representante de São Paulo: “Ela era uma representação dessa cidade desvairada”; - Ele explica como a artista venceu a resistência de um cenário “careta” na música brasileira e “reforçou a visão de que a música brasileira é antropófaga”.
12/25/202331 minutes, 36 seconds
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A reforma tributária, enfim, na Constituição

Pela primeira vez na história democrática do Brasil foi aprovado um novo sistema tributário. Depois de décadas de discussões e tentativas para viabilizar uma proposta de reforma, Congresso e Executivo chegaram a um termo comum e promulgaram a PEC que revoluciona a cobrança de impostos sobre produção e consumo no país. Para explicar o impacto da reforma tributária e esclarecer o que ainda falta, Natuza Nery entrevista o principal formulador técnico da proposta, o economista Bernard Appy, secretário extraordinário da reforma no Ministério da Fazenda. Neste episódio: Appy justifica a urgência em alterar a forma como os impostos são cobrados sobre a produção e o consumo no Brasil: "Disfuncionais e têm efeito negativo na economia”. A lista de motivos apresentada por ele elenca a alta complexidade do sistema, as falhas nos mecanismos de não-cumulatividade e as distorções na organização da produção. “O efeito da reforma pode ser maior que 10% no PIB e na renda das famílias”, afirma; Ele afirma que o texto final, “embora não seja o ideal [devido às exceções impostas pelo Congresso], é muito melhor do que o que temos hoje”. E explica as três etapas de implementação do novo sistema, que tem duas datas mais importantes: uma simplificação de impostos em 2027 e a reforma completa em 2033; O economista comenta o apelido que recebera décadas atrás: o de ‘Dom Quixote’ em busca de viabilizar a reforma tributária. “Me sinto realizado”, celebra. “Deu certo agora porque aprendemos com os erros do passado e porque a reforma passou a ser prioridade para o Executivo e para o Parlamento”, conclui.
12/22/202319 minutes, 16 seconds
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O ano de Haddad na economia

A gestão de Fernando Haddad (PT) à frente do Ministério da Fazenda começou com um ponto de interrogação sobre qual seria a política econômica do governo Lula 3. Um ano depois, o ministro celebra vitórias no seu esforço de equilibrar gastos públicos e controle do déficit público - seu currículo na pasta já soma as aprovações de um novo marco fiscal, de medidas para aumentar a arrecadação e da tão desejada reforma tributária. Nesta semana, ele comemorou a elevação da nota de crédito do Brasil de BB- para BB na agência de classificação de risco Standard & Poor's. Para avaliar o desempenho de Haddad em 2023 nas batalhas com o PT e com o Congresso e nos índices econômicos, Natuza Nery recebe a jornalista Vera Magalhães, apresentadora do Roda Viva, da TV Cultura, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN, e o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES. Neste episódio: - Vera descreve o “arco de reposicionamento” de Haddad, que precisou enfrentar fogo cruzado entre o apetite de parte do governo por mais fatias do orçamento e a desconfiança do mercado em relação à responsabilidade fiscal da Fazenda. “Agora é um Haddad mais humilde, ele entendeu que precisa negociar das teses dele”, avalia; - Ela avalia o desafio que o ministro impôs ao orçamento do ano que vem de atingir a meta de déficit zero nas contas públicas e a estratégia dele para chegar a esse resultado por meio de aumento de receitas. “Ele não vai conseguir a lista inteira do que pediu ao Papai Noel. Será uma meta impossível de cumprir em 2024”, afirma; - Luiz Carlos explica por que acredita que a elevação da nota de crédito do Brasil é a coisa mais importante dos últimos meses: “Quando agência muda a nota é coisa séria, e o mercado aqui é ‘Maria vai com as outras’. Isso abre espaço de trabalho para o Haddad ano que vem”; - O economista prevê que o “ciclo natural da economia começa a cair” e mostra apreensão em como Lula vai reagir quando os índices caírem, às vésperas das eleições municipais. E o principal motivo para a queda do desempenho é o recuo do agronegócio - que pode registrar PIB negativo em 2024. “É da vida, não é culpa de ninguém”, conclui.
12/21/202334 minutes, 21 seconds
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A guerra esquecida entre Rússia e Ucrânia

Iniciada em fevereiro de 2022 com a invasão do exército russo à região leste da Ucrânia, a guerra na região está perto de completar dois anos sem avanços de lado a lado. As tropas de Vladimir Putin avançaram cerca de 20% do território ucraniano. Já Volodymyr Zelensky arrecadou mais de US$ 200 bilhões em ajuda estrangeira para evitar mais perdas. Para explicar o atual contexto dessa guerra, Natuza Nery entrevista Tanguy Baghdadi, professor de Política Internacional na Universidade Veiga de Almeida e fundador do podcast Petit Journal. Neste episódio: Tanguy faz uma análise dos quase 2 anos da guerra. Para ele, ao longo de 2023 houve “poucas mudanças estruturais no conflito e estagnação”. Agora, os russos tentam consolidar seu domínio sobre as regiões anexadas e os ucranianos buscam recursos para poder reconquistar esses territórios; Ele avalia a “difícil situação” de Zelensky, que logo após a invasão russa conseguiu traduzir a grande onda de solidariedade dos países ocidentais em ajuda financeira e militar, mas agora vê um “cansaço” de seus pares; Tanguy também comenta o possível ingresso da Ucrânia na União Europeia depois do anúncio da negociação para que o país seja aceito no bloco. “É uma demonstração simbólica de que há apoio à Ucrânia, mas é improvável que aconteça num futuro breve”, afirma; Por fim, ele explica o impasse sobre um possível acordo no qual a Ucrânia abrisse mão de 20% de seu território para a Rússia. “Faz sentido que o governo ucraniano não aceite isso. E Putin quer fazer essa ocupação uma situação definida”, resume.
12/20/202320 minutes, 15 seconds
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CACs e a coleção de mortes violentas no Brasil

À luz do dia, em um bairro nobre de São Paulo, um homem com registro de CAC (caçador, atirador esportivo e colecionador) iniciou um tiroteio que culminou na morte de três pessoas: dele mesmo, de uma policial civil e de um vigilante. E a arma do crime, uma .45, estava legalizada. A tragédia é mais uma para a lista de incidentes provocados por armas de fogo depois da flexibilização dos critérios para porte e posse dos itens. Para analisar o quadro atual do país, Natuza Nery conversa com Natália Pollachi, gerente de projetos do Insituto Sou da Paz. Neste episódio: Natália questiona a eficácia da fiscalização sobre as armas de fogo depois de quatro anos de liberou-geral, durante o governo Bolsonaro: “Já era precária antes de 2019, quando começou a flexibilização. E não acompanhou o crescimento”. E critica o sistema Sigma, utilizado pelo Exército para o registro das armas e que já foi descrito duas vezes pelo Tribunal de Contas da União (TCU) como “antigo e deficiente”; (3:40) Ela alerta para a fragilidade do processo de concessão de registro de armas de fogo: “Não pode ser apenas um check list de documentos”. E relata casos nos quais CACs são suspeitos de fornecer armas legalizadas para o crime organizado. “Existe conexão entre os mercados legal e ilegal”, afirma; (13:25) Por fim, Natália elogia as atuais restrições à quantidade (até janeiro de 2023, CACs podiam ter até 60 itens; agora são 4) e ao poder letal das armas (caso dos fuzis, agora liberados apenas para atiradores experientes). “Vamos sentir os danos por muito tempo, mas voltamos a uma regra responsável”, conclui. (18:10)
12/19/202320 minutes, 50 seconds
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Dezembrite - a angústia de fim de ano

O mês é de confraternizações entre familiares, amigos e colegas, de reflexões sobre os meses que passaram e de planos para o futuro. Tudo isso junto é fonte de ansiedade e angústia para quem tem que lidar com excesso de atividades ou com perdas e frustrações que tenham ocorrido ao longo do ano. No momento em que o Brasil tem quase 10% da população com ansiedade - é o país mais ansioso do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) - O Assunto trata do fenômeno que aflige a saúde mental de muita gente, a “dezembrite”. Para isso, Natuza Nery conversa com o psiquiatra Arthur Danila, coordenador do programa de mudança de hábito e estilo de vida do Instituto de Psiquiatria da USP. Neste episódio: - Arthur descreve a dezembrite: “Não é um diagnóstico em si”. Ele também relata os principais sintomas desse fenômeno, e como ele aparece nos consultórios de psicólogos e psiquiatras. “A procura por assistência aumenta, e é um desafio porque é preciso entender que há questões que precisam de tempo para serem resolvidas”, afirma; - O psiquiatra teoriza sobre a busca pela felicidade: “Há dificuldade em entender a felicidade em seu contexto mais amplo. Não é uma coisa estanque, é um processo”. E explica como a solidão - classificada como uma ameaça global urgente à saúde pela OMS – impacta biologicamente o ser humano. “Estar em solidão deixa o corpo mais vulnerável e reduz a expectativa de vida”, diz; - Ele alerta para a importância de procurar ou oferecer ajuda e apoio em casos de mudança de padrões de comportamento que se acentuem no fim do ano. E recomenda a introdução de hábitos saudáveis, como a prática de atividades físicas, o consumo de alimentos integrais e não-industrializados e a regularização do sono.
12/18/202322 minutes, 46 seconds
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Plano motosserra de Milei: o futuro da Argentina

Eleito com ampla maioria dos votos, Javier Milei prometeu um choque de gestão radical para resolver os profundos problemas da economia argentina – cuja inflação deve encerrar 2023 acima de 200%. Mas depois de assumir a Casa Rosada, o discurso se moderou. Pautas como a dolarização total da economia e o fim do Banco Central desapareceram, mas medidas duras já afetam a população. Para explicar o clima das ruas da Argentina e o que se espera para os índices econômicos do país, Natuza Nery conversa com Ariel Palacios, correspondente da Globonews em Buenos Aires e comentarista da TV Globo e da rádio CBN, e com Carla Beni, economista e professora da FGV-SP. Neste episódio: - Ariel relata como a população argentina reagiu às primeiras medidas de austeridade promovidas pelo novo governo, que já impactaram preços de produtos e tarifas de serviços básicos, como transporte e eletricidade. “Há filas em supermercados e postos de gasolina. E o clima é de muitas pessoas assustadas”, conta; - Carla explica como Milei conseguiu a adesão de parcela grande do eleitorado com “a capa de candidato” e que agora, depois de ser eleito, ele “precisa pensar em que roupa vai ter que vestir”. “A gente começa a ver a nova roupagem”, diz sobre a indicação da irmã a um cargo importante na Casa Rosada; - A dupla questiona a demora da gestão Milei em definir e anunciar qual é, de fato, a política econômica argentina a partir de agora. “Ainda não há um plano econômico fechado, a estratégia não foi definida”, afirma Carla. “A sensação que dá é que ele está colocando band-aids para tapar hemorragias”, completa Ariel; - O jornalista conta a curiosa história do bastão presidencial de Milei, que tem gravado as imagens de seus cachorros: Conan, o falecido mastim inglês com quem o presidente argentino diz conversar, e os quatro clones feitos a partir do DNA dele. "A segunda economia da América do Sul será comandada por cartas de tarô e conselhos de um cachorro defunto”, resume; - Por fim, a economista comenta a “personalidade egocentrada” do presidente argentino e como isso irá refletir na relação com o Brasil: “Haverá momento de agressividade e discursos inflamados”.
12/15/202324 minutes, 47 seconds
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COP 28: o início do fim dos combustíveis fósseis

A Conferência do Clima deste ano durou um dia a mais do que o previsto, mas por um bom motivo: para combater as mudanças climáticas, todos os países participantes conseguiram chegar a um acordo para o texto final, que selou a necessidade de o planeta acelerar a transição energética para matrizes renováveis. Mas o acordo foi brando em relação ao que fazer em relação ao petróleo. Para analisar os avanços e as omissões desta edição da COP, Natuza Nery recebe Daniela Chiaretti, repórter especial de meio ambiente do jornal Valor Econômico, que fala diretamente de Dubai, e Carlo Pereira, CEO do Pacto Global da ONU no Brasil. Neste episódio: - Daniela apresenta o que considera “as três pontas” que o planeta precisa trabalhar para que o aumento da temperatura global não passe de 1,5°C em relação à média do período pré-Revolução Industrial. São elas: a “discussão do dinheiro”, a ser realizada na COP 29, no Azerbaijão; os “novos compromissos climáticos”, que serão apresentadas na COP 30, em Belém, no Brasil; e a “transição energética”, principal pauta da Conferência deste ano; - Ela comenta o texto que deu forma final aos debates realizados em Dubai, que nasceu de recomendações “desesperadas” de cientistas e teve aprovação de 198 países. “O grande artigo, o elefante na mesa, apresenta um cardápio de oito soluções para a transição energética e pede ações profundas, rápidas e sustentadas”, resume; - Carlo justifica a escolha dos Emirados Árabes Unidos – 7º maior produtor de petróleo do mundo – como sede da COP deste ano, justamente na edição que debateria o futuro dos combustíveis fósseis. “Trata-se de uma boa provocação”, afirma; - O CEO do Pacto Global da ONU destaca o protagonismo brasileiro nesta pauta, afinal “não existe um mundo neutro em carbono se o Brasil falhar”. Ele justifica que temos uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta e, somados ao Congo e à Indonésia, 80% das florestas tropicais do mundo. “Isso traz várias vantagens comparativas para o Brasil”, conclui.
12/14/202325 minutes
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Licença-paternidade: regulamentação urgente

A Constituição de 1988 ampliou de 1 para 5 dias o tempo de afastamento de homens depois do nascimento de filhos. O texto estabeleceu também que o Congresso precisaria regulamentar a licença, algo que segue em aberto 35 anos depois. Nesta quarta-feira (13), o STF retoma um julgamento para decidir se há ou não omissão do parlamento sobre o tema. Para entender a importância da licença-paternidade ampliada e quais os modelos adotados por outros países - e que podem servir de exemplo para o Brasil -, Natuza Nery conversa com Marcos Piangers, jornalista e autor de “O papai é pop”, e com Odilon Schwerz Burtet, mestre em Direito e Políticas Públicas e autor de “Dá licença: sou pai!”. Neste episódio: - Piangers revela como a paternidade funciona como uma ferramenta de autoconhecimento e pode ser libertadora. "Quando eu descubro na paternidade essa realização, descubro que também tenho uma espécie de chave de prisão. Uma espécie de abertura para não viver mais preso” no que ele chama de “comportamento autodestrutivo”; - Ele pontua como homens que cuidam da família têm vidas mais saudáveis e maior longevidade. Além de contribuir para que mulheres tenham um puerpério mais confortável, sem tanta sobrecarga. “Temos pesquisas que mostram que pais que tiram licença-paternidade estendida se mantêm conectados com os filhos até a adolescência”, diz; - Odilon cita modelos adotados em outros países, como a licença de gênero neutro, num período depois da licença-maternidade. Mas pondera que “independente do modelo que o Brasil vier adotar, tem que desenhar uma política pública para induzir o homem a participar dos cuidados dos filhos”; - E conclui como, além de impactar a vida de famílias inteiras, a licença-paternidade ajuda a diminuir a desigualdade de gênero no mercado de trabalho. “[A licença estendida] é capaz de diminuir a penalidade da mulher tanto no ambiente de trabalho quanto no ambiente doméstico, nas horas de trabalho não-remunerado”.
12/13/202325 minutes, 17 seconds
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A corrida de bilhões do ministro Haddad

A menos de dez dias do encerramento do ano legislativo, o titular da Fazenda corre contra o tempo para salvar seu projeto de déficit fiscal zero em 2024. Fernando Haddad (PT) precisa aprovar três medidas para aumentar as receitas da União em busca do equilíbrio fiscal - somadas, podem acrescentar até R$ 47 bilhões na arrecadação anual. O ministro ainda vive a expectativa de ver carimbadas pelo Congresso sua reforma tributária e sua proposta orçamentária para o próximo ano. Para explicar o que está em jogo até o recesso parlamentar, que começa em 22 de dezembro, Natuza Nery conversa com Manoel Ventura, jornalista de O Globo, em Brasília. Neste episódio: - Manoel descreve as três medidas fundamentais para Haddad. A mais importante é a MP da subvenção do ICMS, cuja aprovação pode aumentar a arrecadação em R$ 35 bilhões, diz o governo. “Esses números podem mudar porque o Congresso, como sempre, deve desidratar o texto”, afirma. “E no cenário de hoje, mesmo com a aprovação desses projetos, é pouco factível o déficit zero”; - O jornalista comenta as falas de lideranças do PT em um evento do partido durante o fim de semana e as possíveis reverberações delas nas negociações com o Congresso: o tom foi de críticas a um suposto “austericídio fiscal” proposto por Haddad. “Parlamentares dizem que se o PT não apoia, eles não têm por que apoiar. Cria constrangimento ao ministro”, revela; - Ele fala também sobre como o governo está sendo cobrado pela liberação de verbas destinadas a emendas – algumas delas prometidas desde 2019 – por setores do Congresso para obter vitórias nas casas. “É difícil, os parlamentares hoje têm o valor muito alto”, conclui.
12/12/202322 minutes, 44 seconds
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Venezuela: a entrada da Rússia na América Latina

O alinhamento de interesses russos e venezuelanos se dá desde a era Hugo Chávez, mas chegou a seu estágio mais avançado nos últimos dias. As ameaças de Nicolás Maduro para anexar a região de Essequibo, território da Guiana, seguem o mesmo roteiro da anexação russa da Crimeia. Ameaças que podem colaborar como forma de diversionismo em relação ao apoio dos Estados Unidos aos ucranianos diante da invasão russa. Ainda este ano, o autocrata venezuelano vai a Moscou visitar Vladimir Putin. Para explicar os interesses russos na região, tradicional zona de influência americana, Natuza Nery entrevista Vicente Ferraro, cientista político e pesquisador do Laboratório de Estudos da Ásia da USP, com foco em Rússia e Eurásia. Neste episódio: - Vicente faz a retrospectiva da relação entre os dois países e explica por que a partir dos anos 2010 houve uma aproximação ainda maior: “A Rússia começa aquilo que é chamado de projeção para um exterior distante”. Desde então, Putin faz da Venezuela seu “principal instrumento geopolítico na América Latina”; - Ele aponta que o objetivo maior da Rússia é criar “uma divisão mais forte na política externa dos EUA” com o surgimento de um novo foco de tensão - o que beneficiaria os russos na guerra da Ucrânia; - O cientista político analisa como Putin e Maduro usam o “nacionalismo” e a presença de “inimigos externos” para conquistar apoio popular – o venezuelano deve enfrentar eleições presidenciais em 2024, e o russo anunciou recentemente que deve tentar mais um mandato à frente do Kremlin; - Vicente avalia o pedido de ajuda da Guiana aos americanos – que já realizaram exercícios militares dentro do território guianense – e afirma que o Brasil deve apresentar uma “posição mais enfática, pelas vias diplomáticas, mas nenhuma pressão militar”.
12/11/202319 minutes, 38 seconds
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Mussum

No aniversário de 20 anos de "Os Trapalhões", em 1994, Mussum, Renato Aragão e Dedé Santana foram chamados para apresentar o Criança Esperança, campanha beneficente da TV Globo, mas o que era para ser uma data festiva, acabou sendo triste. No dia anterior, o Brasil acordou com a notícia da morte de Mussum. Após sofrer complicações causadas por um transplante de coração, o humorista morreu, aos 53 anos, deixando uma legião de fãs e um legado para a TV, o cinema e a música do país. Desde então, Antônio Carlos é consagrado no imaginário popular como Mussum, o trapalhão, e se tornou um símbolo do reco-reco de metal, do banjo brasileiro e de bordões como "tranquilis", "cacildis" e "como de fatis". Mesmo quase 30 anos após sua morte, o artista continua a inspirar desde obras como a cinebiografia "Mussum, o Filmis" até lugares como o Bar do Mussum, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
12/10/202320 minutes, 5 seconds
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O acelera e breca da economia brasileira

O crescimento de 0,1% do PIB no 3º trimestre de 2023 foi recebido como um copo pela metade. O lado meio vazio indica uma desaceleração brusca em relação ao trimestre anterior, que cresceu 0,9%. O lado meio cheio é o desempenho acima do esperado pelo mercado, que projetava resultado negativo. Entre os destaques está o setor de serviço, puxado pelo consumo das famílias, que subiu 0,6%. E o principal sinal de alerta é a taxa de investimento, em queda desde o ano passado, que ficou abaixo de 17%. Para olhar esses dados afundo e avaliar o desempenho da economia brasileira em 2023, Natuza Nery conversa com a economista Juliana Inhasz, professora do Insper, e com o jornalista Vinicius Torres Freire, colunista do jornal Folha de S.Paulo e mestre em administração pública pela Universidade Harvard. - Juliana e Vinicius analisam os resultados do 3º trimestre da economia brasileira - e classificam como “bom” o crescimento de 3% previsto para o PIB deste ano. “O difícil é manter este ritmo, e eu acho que não vai manter”, avisa Vinicius. “O problema é a qualidade do crescimento”, diz Juliana. “Ainda não conseguimos melhorar capacidade produtiva e o lado fiscal”; - A economista elenca os motivos pelos quais acredita que o mercado mudou as expectativas em relação ao governo: a atuação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o controle inflacionário feito pelo Banco Central. Já Vinicius chama atenção para a surpresa dos analistas em relação ao consumo das famílias - que veio mais alto que o previsto. “Ainda falta um impulso, a taxa de investimento é uma das menores do século”, alerta; - Vinicius prevê que, para 2024, a taxa de empregabilidade e a renda média do trabalhador devem se manter estáveis ou até subir timidamente, mas reforça que o investimento só crescerá com juros menores: “E não adianta só dar pontapé no BC”. Juliana acrescenta a necessidade do governo de “captar poupanças privadas e externas” para isso; - A dupla também avalia os primeiros 12 meses do trabalho de Haddad à frente da pasta mais importante da economia. Juliana destaca entre os acertos a reforma tributária; entre os erros, a falta de uma política clara para controle de gastos. O jornalista pondera as limitações enfrentadas pelo ministro – “de um lado, Lula e o PT, e de outro, o Congresso” – e dá nota 8 para ele.
12/8/202335 minutes, 25 seconds
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A nota vermelha do Brasil em matemática

No primeiro ranking do Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) depois da pandemia, a educação brasileira ocupa os últimos lugares. Em matemática, o desempenho foi especialmente ruim: 73% dos alunos de 15 anos não conseguem resolver problemas simples, como converter moedas ou comparar distâncias; o que rendeu ao país a fraca pontuação de 379 (de até 600) e a 52ª posição entre 81 países - atrás, por exemplo, de Costa Rica e Peru. Para explicar as causas e apresentar possíveis soluções para o problema, Natuza Nery fala com Luiza Tenente, repórter de Educação do g1, e com Katia Smole, ex-secretária de educação básica do MEC, diretora-executivo do Instituto Reúna e especialista em formação de professores de matemática. Neste episódio: - Luiza descreve o desempenho brasileiro no Pisa, que se mantém estável nos últimos 10 anos, mas é “bem pior do que a média”. E explica por que o resultado em matemática é tão ruim: “Os alunos dependem mais da escola. E há defasagem cumulativa, pela baixa qualidade das escolas e da formação dos professores”; - Ela comenta o posicionamento do Ministério da Educação em relação aos dados do Pisa. Na lista de ações anunciadas está o foco na formação de professores e a redução dos cursos de licenciatura em formato EAD. “Tem professores que pisam pela primeira vez numa sala de aula depois de formados”, afirma; - Katia avalia que parte do mau desempenho dos alunos brasileiros em matemática se justifica pela “falta de proposta clara para a educação básica no país”. E fala sobre como novos elementos da pedagogia poderiam ser utilizados para tornar o estudo da disciplina mais atraente: “As faculdades deveriam trazer isso para dentro da formação de novos professores”.
12/7/202325 minutes, 33 seconds
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O inacreditável caso da Braskem em Maceió

Na década de 1970, teve início o processo de mineração para extrair, do subsolo da capital alagoana, o sal-gema, minério utilizado na fabricação de soda cáustica e PVC. Na época, a empresa do ramo de indústrias químicas Salgema – que pouco mais de 20 anos depois seria uma das operações da gigante Braskem – teve autorização do poder público para tal. A operação motivou alertas de risco durante quatro décadas – todos ignorados pelas autoridades públicas. Até que em 2018 evidenciou-se o risco de uma tragédia: tremores de terra abriram crateras no solo e rachaduras em prédios, causando danos irreversíveis a pelo menos 14 mil imóveis. Hoje, cerca de 60 mil pessoas vivem fora de suas casas e o solo de uma área enorme, que engloba pelo menos cinco bairros maceioenses, está afundando, com risco de um colapso total. Para explicar essa história, Natuza Nery entrevista Lenilda Luna, jornalista da UFAL que cobre a atuação da Braskem em Maceió há 27 anos, e Cau Rodrigues, coordenador de conteúdo do g1 Alagoas. Neste episódio: Lenilda recorda a atuação da Salgema (e da Braskem) desde o começo da mineração, quando alertava-se para um possível risco de vazamento de cloro no ar: “A gente não tinha ideia de que Maceió estava sendo transformada em um queijo suíço”. Ela também critica a “acomodação” da sociedade alagoana e da imprensa diante de um “monstro adormecido”; A jornalista descreve o processo de subsidência, no qual o subsolo é inundado a cerca de 800 metros de profundidade para se obter o sal-gema, e conta o choque de ver pessoas tendo que abandonar suas casas às pressas, devido ao risco de desabamento, em 2019. “Não parecia lógico que um dia ia desmoronar, não? Tinha uma cidade em cima”, lamenta; Cau relata a situação das mais de 60 mil pessoas que perderam suas casas e, ainda que tenham recebido indenizações, não conseguem manter o padrão de vida pré-colapso, e o clima de tensão que toma a capital alagoana. “Essa área abandonada hoje é uma espécie de cidade fantasma”, afirma.
12/6/202333 minutes, 48 seconds
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Venezuela x Guiana: a liderança do Brasil em xeque

No domingo (3), o presidente venezuelano Nicolás Maduro confirmou em referendo uma das poucas pautas que une o país: a anexação de Essequibo. Com a aprovação de 95% dos votantes, Maduro subiu o tom na reivindicação do território que atualmente pertence à Guiana e guarda mais de 11 bilhões de barris em reservas de petróleo. Com o aumento das tensões na área de influência do Brasil, o Ministério da Defesa já enviou mais homens e veículos para a fronteira norte - enquanto o presidente Lula tenta contornar o conflito pelas vias diplomáticas. Para explicar o contexto interno e externo da política venezuelana, e apontar qual missão cabe ao Brasil nesse quadro, Natuza Nery conversa com Oliver Stuenkel, professor da FGV-SP. Neste episódio: • Oliver detalha os principais momentos dos quase dois séculos de disputa por Essequibo, um território que já foi colônia holandesa, inglesa e espanhola e que ainda aguarda uma decisão final da Corte Internacional de Justiça da ONU (Organização das Nações Unidas). “É um assunto que realmente une a população”, afirma; • Ele conta como Maduro tenta se apropriar de uma reivindicação muito popular entre os venezuelanos para garantir votos na eleição presidencial prevista para 2024 – e cuja principal opositora, María Colina Machado, está com a candidatura travada na Justiça; • O professor de relações internacionais diz que “o risco de guerra é bastante baixo”. E revela que a Guiana já tem conversas com os Estados Unidos para a instalação de uma base americana no país. “O impacto sobre a reputação da América do Sul é significativo”, explica. “Em função dessas ameaças, pode ser prejudicada a percepção de que a região não tem tensões geopolíticas”; • Oliver comenta o que classifica de “incapacidade brasileira de parar a Venezuela”, um país que não depende política ou economicamente do Brasil. “A crise já produziu algo negativo para o Brasil, e sua liderança regional já é questionada por um país vizinho”, conclui.
12/5/202327 minutes, 28 seconds
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Violência patrimonial contra mulheres

Ana Hickmann (modelo e apresentadora) e Nayara Azevedo (cantora), duas mulheres famosas e bem-sucedidas, denunciaram episódios de violência doméstica. A Lei Maria da Penha define pelo menos cinco modalidades violência: além da física, ela pode ser psicológica, moral, sexual e patrimonial – quando um companheiro, o pai ou mesmo um filho danifica, subtrai ou controla dinheiro e bens da mulher, à revelia de sua vontade. Para contextualizar esse tipo de crime na sociedade, Natuza Nery entrevista Vanessa Almeida, promotora de enfrentamento à violência doméstica na cidade de São Paulo e assessora do Núcleo de Gênero do Ministério Público. Neste episódio: - Vanessa esclarece o que é violência patrimonial e lista as práticas mais comuns desse tipo de crime: dano ao patrimônio, apropriação de rendimentos ou benefícios, e furto ou apropriação de dinheiro, bens e objetos de valor. “A violência é uma escalada. Começa danificando um celular, com uma ofensa e passa para a agressão”, explica; - Ela diz por que muitas mulheres têm dificuldade em sair de uma relação violenta, ainda que vivam situações de terror psicológico por todo o período do relacionamento: “O rompimento é um fator de risco”. E, no caso das vítimas de menor poder financeiro, é ainda mais difícil. “Por isso que, hoje em dia, há medidas protetivas com benefícios assistenciais”, afirma; - A procuradora, por fim, comenta o alto índice de subnotificação de ocorrências de violência de gênero - ainda que o Brasil registre uma média de 1.200 medidas protetivas por dia. “A mulher, quando se vê nessa posição, ela se culpa ou tem medo de ser culpabilizada pela sociedade”, conclui.
12/4/202320 minutes, 53 seconds
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Negão

Seja nos filmes, ou nas esquetes de "Os Trapalhões", Mussum protagonizou várias cenas de humor em que ele era zombado devido à cor retinta de sua pele. Piadas como essas dividiam os espectadores. Algumas pessoas rolavam de rir. Outras acusavam o programa de racismo. Mussum chegou a dizer que o Brasil não era um país de preconceitos raciais, mas, contraditoriamente, afirmou que a TV brasileira era racista. Apesar das críticas de que foi alvo em "Os Trapalhões", o artista tinha orgulho de enaltecer sua negritude e era fã de José do Patrocínio, um dos maiores nomes do abolicionismo do país.
12/3/202324 minutes, 36 seconds
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Lula: erros e acertos da política externa

Em um giro pelo Oriente Médio, o presidente Lula visitou Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, país que sedia a 28ª edição da Conferência do Clima, nessa que é a décima-quinta viagem internacional dele desde que tomou posse em janeiro desse ano – ao todo, foram mais de 2 meses fora do país; estratégia para tentar recuperar o prestígio diplomático brasileiro. Para analisar onde Lula errou e acertou, e projetar os próximos passos das relações internacionais do Brasil, Natuza Nery conversa com o economista Daniel Souza, comentarista da Globonews, professor do Ibmec e criador do podcast Petit Journal, e com o cientista político Guilherme Casarões, professor de relações internacional da FGV-SP. Neste episódio: - Daniel e Guilherme comentam a rodada de encontros do presidente brasileiro com líderes de países árabes. “O mundo árabe nos oferece hoje um cardápio completo de comércio, investimentos potenciais e protagonismo político”, diz Casarões. “Eu fico preocupado com a certa ambiguidade do Brasil em relação a energias renováveis”, diz o economista, ao falar do convite feito ao país para integrar a Opep+. “Acredito que não deveria aceitar”, completa; - Casarões descreve a relação do governo com líderes autoritários como parte de uma estratégia pragmática da diplomacia brasileira: “A crítica a Bolsonaro era sobre personalização excessiva das relações. Lula preserva uma impessoalidade institucional”. Daniel sinaliza incômodos com a visita de Lula ao príncipe saudita. “Quando Lula vai a Riad, ele assume um fardo excessivo”; - O cientista político avalia que a visita de Lula à Alemanha – marcada para depois da COP28 – é o contrapeso da agenda árabe na geopolítica global. “É um momento importante para sinalizar compromisso com os valores ocidentais”, afirma. E Daniel chama a atenção para o potencial estratégico do encontro com o primeiro-ministro alemão pouco antes da data prevista para a celebração do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul (7 de dezembro); - Daniel alerta para a crescente tensão entre Venezuela e Guiana, na fronteira norte do país: “O Brasil é o grande mediador de conflitos na América do Sul e vai ter que transitar nele com muito cuidado”. Casarões concorda e acrescente que, caso a tensão escale para um enfrentamento militar, todos os outros problemas diplomáticos “vão parecer fichinha para o Brasil”. “Será o grande teste do governo Lula”, resume.
12/1/202335 minutes, 21 seconds
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A Conferência do Clima no berço produtor de petróleo

Começa nesta quinta-feira (30) a 28ª edição da COP, encontro anual dos líderes globais para debater e tomar medidas para evitar a catástrofe climática. Neste ano, o encontro será realizado em Dubai, capital dos Emirados Árabes Unidos – sétimo maior produtor de petróleo do planeta – exatamente quando o consumo de combustíveis fósseis está no centro do debate. Para analisar o que se espera da COP deste ano, Natuza Nery entrevista Stela Herschmann, especialista em política climática do Observatório do Clima. Neste episódio: - Stela esclarece a pauta principal da agenda de negociações desta COP: o balanço global. “É uma avaliação periódica sobre os objetivos do Acordo de Paris”, afirma. “O que a gente já sabe é que existe uma lacuna entre o que os países propõem e o que precisa ser feito”; - Ela comenta também a expectativa sobre a construção de um fundo para financiar os países que mais sofrem com as mudanças climáticas. “A boa notícia é que parece que vai sair. Mas, para ser operacional, ele precisa de dinheiro”, avisa; - Stela critica o que chama de “conflito claro de interesses”: os Emirados Árabes Unidos sediam a Conferência do Clima. E alerta para as “cascas de banana” que podem aparecer nos acordos firmados para redução do consumo de combustíveis fósseis; - Ela acredita que há uma grande expectativa para um possível protagonismo do Brasil na COP – e destaca a redução no desmatamento da Amazônia como um aspecto positivo para o país. “O Brasil chega com muitos resultados, mas dentro de casa temos lambanças no Congresso Nacional”, conclui.
11/30/202324 minutes, 28 seconds
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Tarcísio, as greves e as privatizações em SP

Os paulistanos acordaram nesta terça-feira (28) com a greve de serviços públicos: metroviários, ferroviários e professores pararam. A mobilização se deu para exigir do governo do Estado mais debates antes da votação, na Assembleia Legislativa de São Paulo, da privatização da Sabesp, empresa de saneamento público paulista. O tema está previsto para entrar na agenda da Alesp na próxima semana – e a perspectiva é de que a empresa vá a leilão. Para analisar a atuação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao capitanear a pauta das privatizações, e a relação dele com o Legislativo e com a população, Natuza Nery conversa com Fabio Zambeli, jornalista e vice-presidente da Ágora Assuntos Públicos. Neste episódio: • Zambelli afirma que o conjunto de greves em São Paulo “funciona como um palanque para a pauta de privatizações” e são uma oportunidade para que o governador “defenda e acelere o processo de privatizações”, em especial a joia da coroa, a Sabesp. “Seria um troféu pra ele, inclusive para novos voos políticos”, resume; • Ele avalia que o maior desafio de Tarcísio é “manter alinhamento e lealdade ao grupo de Bolsonaro e, ao mesmo tempo, conversar com a política tradicional”. Para esta função, ele depende do secretário de Governo e Relações Institucionais, Gilberto Kassab (PSD), que embora tenha seu poder fragilizado, é o articulador político da gestão; • Zambelli comenta o racha “superficial” de parte do bolsonarismo paulista com o candidato de Bolsonaro ao governo do Estado, na esteira da crise da energia elétrica e da Enel: “É um recado para o governo, mas não vai causar dificuldade no plano de leiloar a Sabesp ano que vem”; • O analista político também avalia a “tênue linha da relação de Tarcísio com Bolsonaro” - e cita o episódio da reforma tributária para exemplificar as resistências que o governador de SP enfrenta ao discordar do ex-presidente. “Não precisa muito para Bolsonaro se insurgir contra seu pupilo”, conclui.
11/29/202324 minutes, 32 seconds
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STF e PGR: os escolhidos de Lula

Foram quase dois meses de espera, até que nesta segunda-feira (27) o presidente Lula anunciou a indicação de Flávio Dino para uma vaga no Supremo, e de Paulo Gonet para a Procuradoria-Geral da República. Agora, Dino e Gonet devem ser sabatinados pelos senadores e ter os nomes avaliados em Plenário. Para explicar as decisões de Lula, analisar o estado das relações entre os Três Poderes e discutir o que esperar de Dino e de Gonet caso sejam aprovados, Natuza Nery recebe Andréia Sadi, apresentadora da Globonews, e colunista do g1. Neste episódio: - Sadi aponta que a data das indicações revela um presidente em busca de pacificar as relações entre os Três Poderes, dias depois de o Senado aprovar a PEC que limita a atuação do STF: "A gente veio de uma semana em que uma crise estava se desenhando"; - A jornalista sinaliza como, com Dino e Gonet, Lula agradou o Senado, o Supremo e “deixa na chuva o PT”, partido que tinha outros nomes na lista de preferências. “Lula, no jogo de agradar as várias alas, só desagradou o partido”, resume; - Ao comentar a escolha para o STF e como a diversidade fica prejudicada na Corte, Sadi fala que o nome da ministra Simone Tebet é apontado como opção para comandar a Justiça, na vaga aberta por Dino; - Sadi e Natuza concluem a conversa analisando a indicação de Paulo Gonet à PGR, um nome mais conservador, e o que a escolha diz sobre o governo Lula 3. “Lula não se apaixonou por Gonet”, resume. “O nome está na cota dos ministros do Supremo, apoiado por Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes”, afirma. “Lula ouviu que se quisesse previsibilidade, indicaria Gonet”, finaliza.
11/28/202337 minutes, 42 seconds
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Inteligência Artificial - avanço x controle

Sam Altman foi um dos fundadores da empresa de inteligência artificial Open AI e uma das mentes por trás da criação do celebrado ChatGPT. Duas semanas atrás, ele foi demitido do cargo de CEO da Open AI, mas a demissão foi rapidamente revertida: três dias depois, a Microsoft, principal investidora da empresa, o contratou - agora, ele tem um acordo para voltar à posição de CEO da Open AI. O vai-e-vem de Altman simboliza a crescente preocupação com o futuro da inteligência artificial e seus mecanismos de controle e proteção. Para explicar tudo isso, Natuza Nery entrevista Carlos Affonso Souza, professor da UERJ e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade. Neste episódio: - Carlos Affonso comenta como o caso da demissão de Sam Altman da Open AI explicita um “cabo-de-guerra" entre dois modelos de desenvolvimento de inteligência artificial: o conselho da empresa defendia um processo mais cauteloso, já Altman queria liberar produtos e serviços ao público. “De um lado fica a segurança, de outro a inovação”, resume; - Ele afirma que a regulação sobre a inteligência artificial precisa ser “feita pelas leis do direito e pela ação governamental, mas também por medidas como incentivos econômicos e aspectos sociais”. Um exemplo seria o uso de marcas de identificação da origem de um conteúdo, “um caminho de regulação que misturaria tudo isso”; - Carlos Affonso analisa as propostas de regulamentação de inteligência artificial debatidas na Europa e nos Estados Unidos. “A proposta europeia é abrangente e avança pelo caminho da segurança. Nos EUA, estão dando o primeiro passo para criar uma estrutura administrativa”, afirma. “O risco é que governos criem regulações incapazes de lidar com a inovação”, conclui.
11/27/202326 minutes, 34 seconds
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O Trapalhão

Conhecido por colocar "is" no final das palavras, Mussum foi um dos protagonistas de "Os Trapalhões". Foi com esse papel que Antônio Carlos cravou de vez sua fama de humorista, embora negasse ter talento para a profissão. Ao lado de Renato Aragão, Dedé Santana e Mauro Gonçalves, o carioca gravou 25 filmes e incontáveis esquetes de humor. Tudo isso sob o nome do maior quarteto da história da comédia nacional. Mas, assim como na carreira de músico, nos Originais do Samba, Antônio ganhou, nos "Trapalhões", não só uma legião de fãs, como também algumas dores de cabeça, com o impacto de sua fama e brigas por dinheiro entre o elenco.
11/26/202334 minutes, 3 seconds
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O voto-bomba que abalou os Três Poderes

Na votação da Proposta de Emenda Constitucional que limita os poderes dos ministros do STF, um voto foi especialmente decisivo para a vitória do texto por 52 a 18: o do líder governista, o senador Jaques Wagner (PT-BA). Descrito como “surpresa” e como “traição”, o “sim” do petista estremece a relação do governo Lula com a Suprema Corte e aumenta o risco de combustão em Brasília: os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso subiram o tom contra o Senado; e o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) retrucou. Para analisar a tensão entre os Três Poderes, Natuza Nery conversa com os jornalistas Gerson Camarotti, comentarista da Globonews e da TV Globo e colunista do g1, e Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da rádio CBN. Neste episódio: - Camarotti relata a conversa que teve com Jaques Wagner logo após o voto dele no plenário. “Nunca havia visto o senador tão abatido. Ele justificou que a negociação tornou o texto mais palatável”, conta. “Ele vai conseguir ajuda para pauta econômica do governo, mas arrumou um problemão com o Supremo”. E Maria Cristina pondera que “o governo não pode ser acusado de ter feito corpo mole”, afinal votou majoritariamente contra a PEC; - Maria Cristina avalia que o voto do senador petista pode sinalizar “uma ponte com a oposição”. “Mas, do ponto de vista prático, o que houve foi o fortalecimento da direita bolsonarista”, acrescenta Camarotti, que aponta também os interesses pessoais do presidente do Senado em meio à votação. “Eu conversei com Pacheco, e ele disse: ‘não vou parar por aí’”, conta; - Os dois jornalistas concordam que, com a aprovação do texto no Senado, o governo Lula sai perdendo e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) é quem ganha. E, para Maria Cristina, os votos conferidos ao Congresso dão à instituição a legitimidade “de representar politicamente o Brasil” - que, afirma, é majoritariamente conservador e “não se identifica” com o Supremo; - Camarotti revela como as ameaças veladas de Pacheco para abrir processos de impeachment contra ministros do STF “incomodam, e muito, a Corte”. “E, para o governo, é horrível acontecer esse tipo de enfrentamento”, conclui.
11/24/202336 minutes, 35 seconds
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O cessar-fogo entre Israel e Hamas

Em quase 50 dias de guerra, israelenses e palestinos na Faixa de Gaza vivem sob a tensão de ataques aéreos e lamentam a morte de aproximadamente 15 mil pessoas – cerca de 14 mil do lado palestino e 1.200 em Israel. Neste período, diversas tentativas de mediação não tiveram sucesso e mesmo uma resolução no Conselho de Segurança da ONU não surtiu efeito prático. Agora, pela primeira vez, Israel e Hamas anunciam um acordo de trégua e de troca de prisioneiros palestinos por reféns israelenses – numa lógica de 3 para 1, com início previsto para sexta-feira. Para explicar o atual estágio do conflito e o que se espera para as próximas semanas, Natuza Nery conversa com Guga Chacra, comentarista da TV Globo, da GloboNews e da rádio CBN e colunista do jornal O Globo. Neste episódio: - Guga esclarece o importante papel desempenhado pelo Catar nas negociações entre Israel e Hamas: “Há muito tempo, os EUA usam o Catar para dialogar com atores hostis”. E recorda que o país sempre funcionou como canal de comunicação entre os americanos e até os israelenses com o Hamas; - Ele aponta como a pressão externa (inclusive de países parceiros, como os EUA) e a pressão interna (de famílias de reféns do Hamas) influenciaram o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a aceitar o acordo de cessar-fogo; - Guga descreve quem são os prisioneiros palestinos em Israel – muitos deles mulheres e adolescentes sem acusações formais – e quais são as regras combinadas entre as lideranças do país e do Hamas para as trocas. “Essa primeira troca vai permitir pelo menos que crianças e mulheres sejam libertadas”, afirma; - O jornalista faz o balanço dos avanços do exército israelense sobre as cidades do norte da Faixa de Gaza e da crise humanitária que se abriu na região, onde mais de 2 milhões de pessoas não têm para onde ir. “E não está muito claro o que vem pela frente”, resume.
11/23/202322 minutes, 8 seconds
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Congresso e Supremo: a queda de braço

Depois de quatro anos de ataque aberto do Executivo contra o Supremo Tribunal Federal, a Corte agora lida com uma artilharia mais sutil por parte do Senado. Está marcada para esta quarta-feira (22) a votação da Proposta de Emenda à Constituição, protocolada em 2021, que limita os poderes do Tribunal – reduz o alcance de decisões monocráticas e o tempo para pedido de vista. Para explicar o que o texto propõe e as consequências dele para o futuro do Judiciário, Natuza Nery conversa com o jornalista Felipe Recondo, sócio-fundador da plataforma Jota e autor de três livros sobre o Supremo. Neste episódio: - Recondo defende que, de fato, cabe ao Supremo intervir em atos e ações do Congresso e do Executivo – e avisa que invariavelmente as decisões da Corte vão gerar desagrado nas partes derrotadas. “Me parece que o Congresso está reclamando do mérito das decisões, e não dos procedimentos”; - Ele questiona se a PEC será uma medida benéfica ao bom funcionamento da Corte porque, com o texto, o Senado “quer colocar limites rígidos na Constituição”. E pondera que o STF já “vem fazendo sua autocrítica e propondo mudanças”; - O jornalista comenta também a proposta que visa limitar os mandatos dos ministros do Supremo: “Isso pode fazer com que presidentes mudem o cálculo para as indicações”. E lembra que há defesas de fórmulas que reduzam o tempo de Corte para evitar mandatos de até 30 anos; - Recondo lista as críticas legítimas ao STF – como excesso de decisões monocráticas e falta de transparência nas decisões – e lamenta que “o processo necessário de aperfeiçoamento da Corte pelo Congresso se misture com interesses que parecem revanchismo”.
11/22/202327 minutes, 54 seconds
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Milei eleito e a relação Brasil-Argentina

O economista ultraliberal derrotou Sergio Massa com uma vantagem larga. Agora eleito, manteve suas promessas de dolarizar a economia, acabar com o Banco Central e prometeu visitar Donald Trump nos EUA antes da posse, marcada para o dia 10 de dezembro. A vitória de Milei inaugura uma nova fase na política argentina, e pode abrir também uma nova era na relação com o Brasil, com o Mercosul e com importantes parceiros comerciais. Para entender as consequências da vitória de Milei e os desafios do novo governo, Natuza Nery conversa com Marcos Azambuja, que foi embaixador na Argentina entre 1992 e 1997, serviu na França e hoje é conselheiro emérito do Cebri, o Centro Brasileiro de Relações Internacionais. Neste episódio: - Azambuja classifica Milei como “intensamente ideológico” e interpreta os primeiros sinais dados pelo presidente eleito, como a ideia de privatizar estatais e acabar com o Banco Central: “uma coisa é a campanha, outra coisa é governar, o exercício com os limites do poder, do que é possível e adequado”, diz; - O embaixador avalia como ficam as relações entre Brasília e Buenos Aires. Ele lembra que “nem o Brasil nem a Argentina foram inventados ontem”, ao sinalizar a tradição de diálogo entre os dois países. “Cabe ao Brasil ter a preocupação de ser sensato”, afirma, ao analisar o fato de o presidente Lula não ter citado nominalmente Milei na mensagem que reconheceu o resultado da eleição; - Azambuja aponta os entraves que o presidente eleito terá para colocar em prática suas promessas. “O grande desafio é operar dentro do peronismo”, diz. Para ele, Milei terá o desafio de conviver com o Congresso, sem maioria política. Mas pondera como “a vitória [eleitoral] tem poder de atração” de apoio; - Ele conclui que o Brasil deve dar o exemplo da moderação em relação às declarações de Milei sobre o Mercosul: "O Brasil não deve cair em nenhuma armadilha de responder”. Para ele é importante não destruir o acordo entre países do bloco já que “o Mercosul fracassou como projeto de união alfandegária, mas teve grande sucesso como criador de confiança recíproca".
11/21/202328 minutes, 55 seconds
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Desafios da Bancada Negra no Congresso

A luta pela participação de negros na política brasileira começou ainda no início do século 19. Em 1828, o advogado Antônio Pereira Rebouças foi eleito deputado e se tornou o primeiro negro a integrar a elite política. Um século depois, Antonieta de Barros foi eleita deputada em Santa Catarina. Hoje, pretos e pardos são 56% da população, mas a representatividade no Congresso não chega a 30%. E no início deste mês, a Câmara aprovou a criação da Bancada Negra, da qual faz parte a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), representante histórica da causa pela igualdade racial no país. Benedita é a entrevistada de Natuza Nery no Dia da Consciência Negra. Neste episódio: - Benedita relata sua emoção ao ver oficializada a criação da Bancada Negra na Câmara. “Na Constituinte, nós tivemos uma primeira bancada e conseguimos direitos fundamentais”, recorda, ao mencionar os então deputados Paulo Paim (PT-RS), Edmilson Valentim (PC do B-RJ) e Carlos Alberto Caó Oliveira dos Santos (PDT-RJ). “Agora, 35 anos depois, conseguimos uma bancada definitiva”, celebra; - A deputada conta os desafios enfrentados dentro da Câmara para que a bancada fosse reconhecida e defende que “não há lugar melhor” do que o Congresso para o debate sobre políticas de inclusão. “Nós cobramos do Estado que ele seja um Estado antirracista”, afirma; - Benedita critica a chamada “PEC da Anistia”, que será votada na Câmara e perdoa partidos que não cumpriram cotas de candidaturas de mulheres e pessoas negras – o total das multas poderia alcançar quase R$ 23 bilhões. “Nós queremos o financiamento de campanha e espaço nos programas”, explica; - Ela também justifica por que defende a nacionalização do feriado para o Dia da Consciência Negra: “Zumbi dos Palmares não foi só um herói da causa negra, mas um herói da pátria brasileira”.
11/20/202328 minutes, 50 seconds
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Lula e a escolha do novo procurador-geral

Desde que acabou o mandato de Augusto Aras na PGR, em 26 de setembro, o mais alto cargo do Ministério Público Federal ficou sob o comando interino da subprocuradora Elizeta Ramos. Cabe ao presidente da República a indicação do novo procurador-geral (nome que precisa ser aprovado em sabatina no Senado), que tem 2 anos de mandato e função determinante na investigação de crimes e malfeitos no Executivo e Legislativo. No momento, três subprocuradores despontam como favoritos pela preferência de Lula (PT): Paulo Gonet, Antonio Bigonha e Aurélio Rios. Para analisar a indicação à PGR e a responsabilidade do cargo, Natuza Nery conversa com o cientista político Fernando Luiz Abrucio, professor da FGV-SP, e com o jurista Conrado Hubner Mendes, professor de direito constitucional da USP e autor do livro “O discreto charme da magistocracia: vícios e disfarces do judiciário brasileiro”, que será lançado na próxima terça-feira (21). Neste episódio: - Abrucio e Conrado elencam os motivos pelos quais Lula deixou a decisão pelo nome do PGR em segundo plano durante semanas – e também porque ele teve que dar prioridade a esta indicação nos últimos dias. “Está em jogo que tipo de maioria política Lula vai ter no Congresso”, afirma Abrucio. “Pela primeira vez na história, as indicações jurídicas passaram a entrar na conta política”, completa Conrado; - Os dois analisam qual o perfil desejado por Lula para a PGR. Para o cientista político, o presidente procura um “meio termo entre [Rodrigo] Janot e [Augusto] Aras”, que se dedique ao episódio dos atos golpistas de 8 de janeiro. Já Conrado comenta o tamanho da influência de grupos anti-lavajatistas nesse processo e justifica sua expectativa por um “PGR pouco autônomo”; - O jurista lamenta que Lula tenha ignorado os nomes apontados na lista tríplice do MPF e avalia o nome dos três favoritos à indicação para a PGR; - Abrucio avalia o papel do Ministério Público no sistema de Justiça brasileiro e no tabuleiro de poder: “Um conjunto de atores imaginou que poderia substituir os políticos. Um projeto autoritário”. Nesse contexto, afirma, o novo PGR não deverá bater de frente com o sistema político.
11/17/202335 minutes, 34 seconds
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Calor extremo - o risco à população de rua

Todo o país vive uma sequência de temperaturas recordes – que podem definir, inclusive, o ano mais quente entre os últimos 125 mil. E quando os termômetros registram mais de 40°C (com sensação térmica muitas vezes superior a 50°C), aqueles que estão em situação de vulnerabilidade sofrem mais. Estima-se que, hoje, o Brasil tenha mais de 280 mil pessoas vivendo nas ruas, com dificuldade em acessar condições básicas de higiene e até água potável. Para saber o que pode ser feito, Natuza Nery entrevista Priscila Cursi, médica intensivista que atende a população de rua há 3 anos com o projeto Médico nas Ruas, e Denise Duarte, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e pesquisadora do Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência Energética da mesma instituição. Neste episódio: - Priscila fala sobre o aumento da população de rua em São Paulo desde o início da pandemia: “Hoje vemos um maior número de famílias com crianças”. Ela também relata as principais queixas médicas dos moradores, e fala como as altas temperaturas vulnerabilizam ainda mais a saúde deles. “Acima de 40°C é suficiente para que tenham desidratação, insolação e queimaduras de pele. E pode levar à morte”, afirma; - Denise comenta as medidas emergenciais tomadas por cidades como São Paulo para lidar com o calor excessivo: “São medidas necessárias, mas é preciso avançar para mudanças estruturais”. E destaca a importância da criação de “oásis urbanos” e do fornecimento de água potável a toda população; - Ela também apresenta os desafios para a criação de políticas públicas voltadas ao conforto térmico e informa como cidades de Estados Unidos, França e Espanha vêm trabalhando para a instalação de “cooling places” (centros de resfriamento). “São ações de adaptação, não de mitigação climática”, conclui.
11/16/202321 minutes, 11 seconds
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Cotas: o desafio de manter alunos nas universidades

O presidente Lula (PT) sancionou nesta segunda-feira (13) a atualização da Lei de Cotas, vigente desde 2012. O novo texto amplia o número de ministérios responsáveis pelo acompanhamento da política de cotas, altera o recorte econômico para alunos de baixa renda e permite ao cotista concorrer também nas vagas destinadas à ampla concorrência. Mas os especialistas em educação apontam que ainda faltam políticas permanentes para a manutenção desses alunos dentro das universidades. Para apontar os desafios e as possíveis soluções, Natuza Nery conversa com o sociólogo Luiz Augusto Campos, professor da UERF e coordenador do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa na mesma instituição, e Ludhmila Hajjar, professora titular da Faculdade de Medicina da USP, onde também coordena o programa de pós-graduação em cardiologia. Neste episódio: - Luiz elogia a atualização na Lei de Cotas, agora mais bem focalizada para alunos de baixa renda, e comenta as taxas de evasão dos estudantes cotistas nas universidades – que, atualmente, são menores que a de não-cotistas. “As políticas de permanência ajudam a reduzir ainda mais essa evasão”, afirma; - Ele aponta 3 razões para a não permanência de alunos de baixa renda no ensino superior: falta de recursos, complexidade burocrática e ausência de um programa unificado nacional; - Ludmila afirma que a Lei de Cotas tornou a “universidade mais plural e a aproximou muito mais da sociedade”, e avalia como positivos os novos dispositivos da lei, que acrescenta quilombolas entre os beneficiários e amplia as cotas para os cursos de pós-graduação; - A médica comenta a expectativa que tem sobre como a ampliação das cotas para o desenvolvimento de pesquisas nas universidades “pode trazer respostas imediatas a problemas crônicos da sociedade”. E alerta para a necessidade de ampliar o acesso também ao mercado de trabalho.
11/14/202326 minutes, 49 seconds
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Nova lei das PMs – controle e transparência em xeque

A lei que organiza e unifica, em nível nacional, as Polícias e Bombeiros Militares – foi aprovada pelo Congresso e agora depe de sanção presidencial. O texto, apresentado pela primeira vez em 2001 e que atualiza a legislação nacional sobre as corporações após mais de 5 décadas, teve ampla aprovação na Câmara e no Senado, mas enfrenta críticas de especialistas em segurança pública. Um deles é o entrevistado de Natuza Nery, Adílson Paes de Souza. Ele foi policial militar por 30 anos em São Paulo, onde se aposentou como Tenente-Coronel, e é mestre em direitos humanos e doutor em psicologia pela USP. Neste episódio: - Adílson justifica por que a lei aprovada no Congresso pode ser considerada “antidemocrática”: “Ela só revoga alguns artigos e dispositivos do decreto-lei nº 667, de 1969 – um texto que tem o AI-5 como fundamento”. Para ele, trata-se da manutenção de uma política de “hipermilitarização da Polícia Militar”; - O PM aposentado avalia que a nova lei, caso não sofra vetos, pode incentivar outros estados a repetirem a experiência do Rio de Janeiro na gestão da segurança pública - sem uma secretaria dedicada, os comandantes das polícias Civil e Militar deliberam diretamente com o governador. “Seria uma instância a menos de controle e coordenação das atividades das polícias”, afirma; - Doutor em psicologia social, ele comenta pesquisas que demonstram “o fator organizacional das polícias como o maior fator de risco para suicídio entre policiais” - fator mais determinante, inclusive, que os danos na saúde mental decorrentes de situações de estresse e perigo; - Adílson aponta a unificação das polícias Civil e Militar em uma só corporação como uma das soluções para a crise de segurança pública. “E a lei é a sedimentação de duas polícias a nível estadual”, afirma. “Ou seja, não é militarizando a polícia que vamos resolver o problema da criminalidade. Esse erro, estamos cometendo há 40 anos”, conclui.
11/13/202326 minutes, 40 seconds
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Carlinhos do Reco-Reco

Aos 23 anos, Carlinhos do Reco-Reco não sabia se deveria largar a vida no Brasil para embarcar numa turnê no México, sua primeira grande oportunidade como músico. Apesar da incerteza, topou o convite e, ao contrário de suas expectativas, teve uma turnê desastrosa. Depois de explorar terras mexicanas, Mussum faria outros shows internacionais, com os Originais do Samba, grupo que integrou por 14 anos. Numa dessas turnês, o artista assistiu a um show da banda de rock britânica Mungo Jerry e ficou fascinado pelo chamado banjo americano, instrumento que, tempos depois, ele e o cantor Almir Guineto, adaptariam. Fazendo uma engenhoca, os músicos criaram o banjo brasileiro, que, mais tarde, ficaria bem famoso no pagode dos anos 1980 e 1990.
11/12/202325 minutes, 10 seconds
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O governo Lula depois da Reforma Tributária

O placar do Senado registrou 53 votos a favor – apenas 4 a mais do que o mínimo necessário – e o texto que muda o sistema de tributos e impostos brasileiros foi aprovado na Casa. Ainda que o resultado tenha sido apertado e a versão final da proposta tenha mais exceções do que o desejado, trata-se de um feito do governo. Mas, internamente, cresce o atrito entre duas alas petistas: uma, liderada por Fernando Haddad, que busca uma política econômica mais austera; e outra, representada por Rui Costa, que quer mais recursos para gastos e investimentos. Para explicar o que tudo isso representa para o futuro do terceiro mandato de Lula, Natuza Nery conversa com Miriam Leitão, jornalista da TV Globo, GloboNews, jornal O Globo e rádio CBN, e Celso Rocha de Barros, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, colunista do jornal Folha de S.Paulo e autor do livro “PT, uma história”. Neste episódio: - Miriam e Celso concordam sobre a importância histórica da reforma. “Vários governos, de várias orientações ideológicas, já tentaram fazer. Então é uma grande realização”, lembra Celso. “O governo Lula tem o simbolismo de enterrar o sistema tributário imposto na ditadura”, afirma Miriam; - A jornalista também avalia que a aprovação é “uma grande derrota” para a oposição bolsonarista. “O ex-presidente foi a campo, falou com as bases e até o Ciro Nogueira (PP), ex-chefe da Casa Civil, votou a favor e elogiou a reforma”, lembra Miriam; - Celso relaciona a reforma a uma possível “tomada de consciência do establishment brasileiro” em prol de um modelo mais eficiente de capitalismo para o país. E Miriam alerta para a necessidade de incluir as mudanças climáticas e as pautas verdes na agenda econômica; - A dupla comenta ainda a rixa entre os ministros da Casa Civil e da Fazenda. Celso recorda que se trata de uma “coreografia previsível” - o mesmo acontecera entre José Dirceu e Antonio Palocci no governo Lula 1. Para Miriam, pior do que as intrigas de bastidores, foi a fala de Lula sobre o não cumprimento da meta fiscal em 2024. “Um ministro fraco não aprova as medidas dele, que são boas e vão acabar com privilégios na economia”, conclui.
11/10/202331 minutes, 25 seconds
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A cultura da busca pelo corpo perfeito

Aos 29 anos, a influenciadora digital Luana Andrade foi vítima de uma parada cardiorrespiratória, consequência de uma cirurgia de lipoaspiração nos joelhos. A morte de Luana trouxe à tona mais uma vez o risco ao qual milhares de pessoas se submetem em procedimentos de finalidade estética - uma realidade bastante brasileira; o país é o segundo no mundo no ranking de cirurgias plásticas. Para analisar essa cultura, Natuza Nery entrevista a psicanalista Joana Novaes, professora da Universidade Veiga de Almeida e coordenadora do núcleo de doenças da beleza na PUC-RJ. Neste episódio: - Joana sentencia que o corpo define nossa posição de “ganhador ou perdedor” na sociedade: “Nossa aparência traduz a boa gestão que fazemos do tempo, do dinheiro e da produtividade”; - Ela comenta dois fenômenos: a onda de casos de quem arrisca a vida em cirurgias de fins estéticos e o crescimento dos movimentos a favor da diversidade dos corpos. “As redes sociais têm a dupla função de disseminar padrões estéticos e de servir como resistência e militância”, resume; - Joana também explica por que a busca por um corpo supostamente perfeito é uma questão de saúde pública e um “problema de classe e econômico”. “Não há transtorno dismorfo-corporal e alimentar que não seja dentro de um quadro compulsivo e depressivo”, afirma; - A psicanalista avalia que há uma sobreposição do “valor de mercado” dos corpos em relação ao “valor da vida”: “Nesse sentido, a banalização do risco das operações é sedutora”.
11/9/202322 minutes, 51 seconds
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Falsos nudes: a Inteligência Artificial em deepfakes

O caso das meninas de uma escola tradicional do Rio de Janeiro expõe um crime que tem se tornado comum: o uso de aplicativos para manipular fotos e produzir imagens íntimas falsas. Celebridades também já foram vítimas - no caso mais recente, o alvo foi a atriz Isis Valverde. Deepfakes produzidas a partir de Inteligência Artificial, cujo acesso está mais fácil e barato, abrindo portas para toda sorte de crimes. Para entender como o mal-uso da IA pode ser danoso, Natuza Nery conversa com Bruno Sartori, pioneiro na produção de material com uso de Inteligência Artificial, e com Patrícia Peck, advogada especialista em Direito Digital. Neste episódio: - Bruno explica como ferramentas simples e acessíveis permitem a criação de diferentes tipos de conteúdo “em apenas um clique”, usando Inteligência Artificial. “Tem os prós e os contras, depende de quem está usando”, exemplifica, ao citar a possibilidade de criar desde músicas e vozes até conteúdo pornográfico e notícias falsas; - Ele aponta a necessidade de conscientizar a população sobre a possibilidade de conteúdos serem alterados. “Quando a pessoa vê um conteúdo realístico, porém falso, ela acredita”, diz, ao sinalizar a necessidade de redes sociais marcarem imagens e vídeos produzidos via Inteligência Artificial; - Patrícia detalha como o uso não autorizado de imagens é um ato ilícito. “Ao produzir uma imagem não autorizada, o primeiro crime relacionado é contra honra”, diz, ao citar difamação e injúria da vítima; - A especialista em Direito Digital analisa como o Brasil “perdeu uma janela de protagonismo” na legislação sobre o tema. “Você pode ter uma geração que queira fazer justiça com o próprio mouse”, diz, ao apontar a necessidade de atualizar as leis sobre esse tipo de crime no país.
11/8/202333 minutes, 31 seconds
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Amazônia sufocada pela fumaça

Uma onda densa de fumaça cobre Manaus e deixa o ar praticamente irrespirável. Uma crise ambiental provocada pelas queimadas – cuja temporada começa em agosto – e agravada pela seca histórica que atingiu o Rio Negro nos últimos meses. Tudo somado ao calor intenso provocado pelo El Niño. A situação só não é pior porque os níveis de desmatamento estão em queda. Para entender as causas do problema, e como as queimadas e os incêndios florestais aceleram as mudanças climáticas, Natuza Nery conversa com Alexandre Hisayasu, repórter da Globo em Manaus, e com Ane Alencar, diretora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Neste episódio: - Alexandre descreve o que mudou na paisagem manauara, região onde o número de focos de queimadas mais que dobrou em 2023 em relação ao ano passado: “Nós conseguíamos visualizar o Rio Negro e cidades da região metropolitana. Hoje, só vemos uma nuvem cinza”; - Ane explica por que, embora o desmatamento na Amazônia tenha caído mais de 40% em 2023, o número de focos de incêndios subiu. “Depende de três fatores: clima favorável, material combustível e fonte de ignição”, resume. “Agora, imagine se casássemos as condições climáticas desse ano com o desmatamento do ano passado. Seria muito mais catastrófico”; - Ela aponta dois caminhos para reduzir o fogo na Amazônia: o combate ao desmatamento ilegal e os incentivos para o não uso do fogo na pecuária. “Principalmente nas áreas que já foram desmatadas”, conclui.
11/7/202326 minutes, 3 seconds
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O drama das crianças no conflito do Oriente Médio

O dia 7 de outubro ficou marcado pelo mais violento ataque terrorista já sofrido por Israel. Membros do Hamas invadiram o país, executaram cerca de 1.400 pessoas e sequestraram mais de 200 – entre as vítimas, dezenas de crianças, cujo paradeiro é desconhecido até hoje. A reação do governo israelense sobre a Faixa de Gaza teve interrupção no fornecimento de água, comida e eletricidade e bombardeiros em áreas civis, que resultaram na morte de milhares de pessoas, boa parte delas, segundo organizações internacionais, menores de 17 anos. Para falar da situação das crianças na guerra e seus traumas para a posteridade, Natuza Nery entrevista Ricardo Pires, porta-voz do Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, em Nova York (EUA).
11/6/202319 minutes, 34 seconds
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O futuro do embate entre Lula e Bolsonaro

Nesta quarta-feira (1), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou o Jair Bolsonaro (PL) à inelegibilidade mais uma vez, agora por abuso de poder político nos eventos oficiais de 7 de setembro – ele e o candidato a vice, Braga Netto (PL), ficam sem poder disputar eleições até 2030. Em Brasília, o presidente Lula (PT) vem enfrentando um Congresso mais resistente a seu programa de governo do que em seus mandatos anteriores. Em comum, os dois olham para 2024 com as eleições municipais na mira. Numa conversa a três sobre política, Natuza Nery recebe Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo, comentarista da rádio CBN e âncora do Roda Viva, da TV Cultura, e Thomas Traumann, colunista da revista Veja e do Poder 360. Neste episódio: - Vera fala sobre a mais recente condenação do ex-presidente que, agora, já deve enfrentar como “favas contadas” o fato de não ser candidato em 2026 – para ela, o objetivo de Bolsonaro passa a ser “manter a tropa unida”. E, para Thomas, o que resta a ele é “imitar Lula e tentar construir a imagem de que o bolsonarismo é alvo de perseguição”; - A dupla comenta os potenciais impactos da atuação tanto de Lula quanto de Bolsonaro nas eleições municipais do ano que vem – e destaca o papel da corrida eleitoral no Rio de Janeiro neste contexto, sobretudo depois da inelegibilidade de Braga Netto (PL). “Bolsonaro perdeu uma eleição e teve a liderança enfraquecida”, avalia Vera; - Os dois comparam os primeiros meses do mandato de Lula com os seus governos anteriores. “Ele não esperava essa resiliência do bolsonarismo e nem um Congresso tão empoderado como esse”, afirma Vera. “O governo Lula, para cada problema novo tem uma ideia velha”, resume Thomas; - Thomas comenta o hábito de Lula de observar de perto as pesquisas de aprovação - e como isso vai definir agendas para 2024. “Quando ele diz que no ano que vem não vai viajar e só ficará no Brasil, é resultado de pesquisa eleitoral”, relata.
11/3/202329 minutes, 38 seconds
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Antônio Carlos

Nascido na favela Morro da Cachoeirinha, na zona norte do Rio de Janeiro, um dos maiores nomes da TV, do cinema e da música brasileira se tornou ator quase que por acidente. Mesmo no auge da carreira de humorista, nos "Trapalhões", ele dizia não ter talento para atuação. O carioca foi parar na TV graças a sua paixão pelo samba, paixão esta que ele escondeu de muitos ao seu redor por um bom tempo, com medo de perder o cargo na Aeronáutica, onde trabalhou durante anos. O que Mussum não esperava, no entanto, é que sua aparição na telinha lhe levasse ao estrelato.
11/2/202320 minutes, 36 seconds
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O estica e puxa em torno da meta fiscal

Desde que o arcabouço fiscal foi apresentado pelo Ministério da Fazenda, a proposta de zerar o déficit primário já em 2024 foi recebida com ceticismo pelo mercado. Há meses, Fernando Haddad emprega esforços para aumentar receitas e equilibrar as contas da União, que esse ano vão ficar mais de R$ 100 bilhões no negativo. Até que na sexta-feira passada (27), o presidente Lula (PT) afirmou que será muito difícil cumprir a meta – o que abriu um descompasso com as falas de Haddad e gerou barulho no mercado financeiro. Para explicar as consequências da declaração do presidente na política fiscal do governo, Natuza Nery entrevista a economista Juliana Inhasz, professora do Insper. Neste episódio: Juliana avalia que a meta “não é factível”: e que embora o governo busque novas fontes de arrecadação, ele também propõe mais gastos públicos. “É um governo mais caro diante de uma arrecadação que não cresce tanto assim”, resume; Ela afirma que uma mudança na meta fiscal a essa altura faria com que o governo perdesse a credibilidade com os agentes do mercado e investidores. “Difícil desenhar cenário de Suíça para o Brasil. Ou seja, o mercado esperava um cenário mais realista”; Juliana critica a “bateção de cabeça” entre ministro e presidente, sobretudo às vésperas da reunião do Copom que decidirá, nesta quarta-feira (1º), a taxa básica de juros: “Esse descompasso faz com que o mercado fique resistente e ruídos podem gerar pressões inflacionárias”; A professora também comenta o papel do Congresso na busca por equilíbrio fiscal: “É muito perigoso. Pode haver um cenário de cada vez mais déficit”, conclui.
11/1/202326 minutes, 26 seconds
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Israel x Hamas – crimes de guerra

Desde o ataque terrorista do Hamas contra Israel no dia 7 de outubro, somam-se episódios de abuso contra o direito humanitário internacional. A começar pelo assassinato de civis e captura de reféns pelo grupo terrorista até a mais recente ofensiva israelense sobre a Faixa de Gaza – que vem sendo bombardeada e sofreu com o corte de água e energia elétrica. Para contar os últimos eventos da guerra e explicar os principais preceitos do direito humanitário, Natuza Nery conversa com a jornalista Paola de Orte, correspondente no Oriente Médio para a TV Globo e Globonews, e com Thiago Amparo, advogado, doutor, professor de direito internacional na FGV-SP e colunista do jornal Folha de S.Paulo. Neste episódio: - De Tel Aviv, em Israel, Paola relata os acontecimentos dos últimos dias no conflito: a ofensiva terrestre do exército de Israel sobre Gaza e o corte na comunicação dos palestinos, os desgastes políticos de Benjamin Netanyahu e a troca de ataque que viu in loco na cidade de Sderot. “Vemos fumaça cinza no céu e ouvimos o tempo todo o barulho das explosões”, resume; - Thiago justifica por que, para o direito humanitário internacional, independentemente da motivação da guerra é necessário que os dois lados respeitem as regras: “É para garantir regras básicas diante dessa realidade brutal e proteger civis e não-combatentes”; - Ele afirma que a regra da distinção é a “regra de ouro” do direito humanitário - ou seja, a diferenciação entre pessoas e coisas militares e civis. Thiago também comenta as regras da proporcionalidade e da precaução; - O professor opina sobre as violações humanitárias cometidas por Hamas e pelo Estado de Israel, como a captura e manutenção e reféns e a interrupção do acesso a água e energia. “O ataque indiscriminado a civis impõe sofrimento sistemático à população”, conclui.
10/31/202327 minutes, 25 seconds
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Lavagem de dinheiro: como asfixiar o crime

Chave para o funcionamento de esquemas criminosos como o tráfico de drogas e as milícias, a lavagem de dinheiro transforma o dinheiro ilegal em legal. A conhecida fórmula de “seguir o dinheiro” é uma das formas mais eficazes de sufocar o crime organizado. Mas para que haja investigação, é preciso acesso a órgãos de controle e fiscalização, a informações das 27 secretarias de segurança e uma boa relação com sistemas de inteligência. Para entender os desafios para desmontar a prática financeira que dá lucro ao crime, Natuza Nery conversa com o Pierpaolo Bottini, professor da Faculdade de Direito da USP. Neste episódio: - Pierpaolo justifica por que a “tática da prisão e repressão” não funciona para o combate ao crime organizado, mas, sim, “identificar, congelar e confiscar os recursos financeiros”. E lista as atividades favoritas para a prática de esquentar o dinheiro: negócios que giram dinheiro em espécie e setores que operam produtos de valor subjetivo; - Ele também argumenta que “o Coaf talvez seja o ponto mais relevante do combate ao crime organizado” - no ano passado, recebeu mais de 7 milhões de comunicações suspeitas: “Tem o papel de organizar as informações sobre lavagem de dinheiro”; - O criminalista fala sobre a importância de se identificar as atividades ilegais financiadas pelo tráfico de drogas e pelas milícias para “construir políticas públicas de mais qualidade”. “Mais importante que comprar milhares de viaturas é colocar servidores a mais no Coaf”, conclui.
10/30/202322 minutes, 37 seconds
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Teaser - Mussum, o Podcastis

Da carreira de músico com os Originais do Samba ao sucesso estrondoso em “Os Trapalhões”, Antônio Carlos Bernardes Gomes foi uma estrela múltipla. Brilhou na TV, cinema, teatro, passarelas de carnaval, estúdios de música e palcos Brasil afora e adentro. Mas você sabe como tudo começou? Como um jovem negro nascido em uma favela na zona norte carioca se tornou Mussum, um ídolo de várias gerações? Quais foram as intrigas e os problemas que ele enfrentou? Que legado ele deixou? “Mussum, o podcastis” é uma parceria entre g1 e Globo Filmes que, em cinco episódios, aprofunda detalhes da vida e da carreira de Mussum, retratado na cinebiografia “Mussum, o filmis”. Um artista que, como raríssimos outros, estabeleceu uma marca inigualável no imaginário e na cultura do Brasil.
10/29/20232 minutes, 40 seconds
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Rio Negro: a seca histórica e as vidas que dependem dele

Desde que se mede o volume do rio, há mais de 120 anos, ele nunca esteve tão baixo. Resultado de uma longa e intensa escassez de chuvas em uma das regiões mais úmidas da floresta amazônica. Assim, desde o Alto Rio Negro até ele se somar ao Rio Solimões e formar o Amazonas, mais de 600 mil pessoas sofrem as consequências desta seca - além do impacto ainda imensurável na fauna e flora. Entre as comunidades afetadas, está a aldeia Açaí-Paraná, em São Gabriel da Cachoeira, onde vivem cerca de 50 indígenas da etnia Piratapuya, às margens do Rio Uaupés. Um desses indígenas é Rosivaldo Miranda, que foi agente de manejo ambiental e, durante quase 10 anos, registrou as mudanças no clima da região. Diretamente de sua comunidade, ele relatou ao Assunto como tem sido a vida daqueles que dependem do rio: “A gente fica com medo de perder o rio. E sofrer as consequências”. Natuza Nery entrevista Jochen Schongert, pesquisador da coordenação de pesquisas em dinâmica ambiental do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e integrante do grupo de pesquisa Maua (Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas). Neste episódio: • Rosivaldo descreve como foram os últimos 3 meses para sua comunidade diante da estiagem. Ele relata a impossibilidade de navegar nos trechos mais secos dos rios, a queda na oferta de peixes para a pesca e até a ocorrência de queimadas no roçado de parentes. “A seca foi tão rápida que não deu para planejar nada”, conta. “A água ficou quente, parecia estar fervendo. E a gente depende muito do rio e da água pra sobreviver”; • Jochen explica como a elevação da temperatura da água, que chegou a superar os 39°C, resultou na morte de peixes e mamíferos aquáticos, caso dos botos – pelo menos 150 deles perderam a vida desde agosto. “É um enorme impacto para o ecossistema e para as comunidades ribeirinhas”, afirma; • Ele fala sobre as consequências da “anomalia climática” em toda a Amazônia e alerta para o risco de que a temporada de chuvas, que se inicia entre outubro e novembro, seja fraca: “E, com isso, vamos enfrentar nova seca severa no ano que vem”.
10/27/202325 minutes, 55 seconds
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Israel x Hamas: diplomacia paralisada na guerra

Mais uma vez, propostas para pacificar o conflito foram frustradas no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Os textos apresentados por EUA e Rússia foram vetados, assim como aconteceu com a tentativa brasileira de apresentar um cessar fogo – o Itamaraty deve apresentar nova proposta nos próximos dias, com o apoio de países que não são membros permanentes do Conselho. E enquanto as lideranças falham em encontrar resoluções racionais para o conflito, quase 8 mil pessoas já perderam a vida. Para explicar o tabuleiro da diplomacia, Natuza Nery entrevista Tanguy Baghdadi, professor de relações internacionais na Universidade Veiga de Almeida e fundador do podcast Petit Journal, e Christopher Mendonça, professor de relações internacionais do Ibmec-MG. Neste episódio: Tanguy analisa o atual cenário do conflito e a expectativa internacional sobre a força que Israel irá empregar para invadir por terra a Faixa de Gaza – e como isso irá impor mais terror à população civil de lá. “A pergunta é para onde essas pessoas vão. Qual é a alternativa delas?”, questiona; Ele aponta duas dimensões para se observar neste momento: o discurso oficial das autoridades e aquilo que é dito “a portas fechadas”. Para ele, os votos no Conselho de Segurança são "um campo de disputa daqueles que os olhos veem” e o Brasil é um dos atores que tentam “destravar esse cenário”; Christopher comenta as críticas ao Conselho de Segurança, uma estrutura criada há 80 anos e que tem 5 países com direito ao veto: “Essa forma de decisão tem prejudicado que as resoluções de paz cheguem a sua formação”; Ele também fala sobre a "dilapidação do processo de tomadas de decisão da ONU” e o recente atrito entre o Secretário-Geral da organização e o chanceler israelense. “A ONU, a despeito de suas falhas, ainda é o principal órgão de mediação entre os Estados”, afirma.
10/26/202327 minutes, 35 seconds
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Milícias no Rio – a origem e a associação ao tráfico

Nesta semana, os moradores da Zona Oeste da capital fluminense viveram o terror daquele que foi o maior ataque ao transporte público da história da cidade – foram queimados 35 ônibus e 1 trem. Tratou-se de uma vingança do grupo mais poderoso da milícia, a Liga da Justiça, pela morte do miliciano apontado como número 2 da hierarquia na região e irmão do chefe maior do grupo criminoso. Ele foi morto em confronto com a Polícia Civil. Para explicar a atuação da milícia no Rio de Janeiro, sua relação com o narcotráfico e com as forças de segurança do Estado, Natuza Nery ouve Rafael Soares, repórter especial dos jornais O Globo e Extra, apresentador do podcast Pistoleiros e autor do livro Milicianos, que será lançado em novembro. Neste episódio: - Rafael define as milícias como “domínio territorial armado atrelado à exploração econômica” e detalha as diferenças entre seu modo de funcionamento e o do tráfico, que é “varejo de drogas”: “Apesar da aproximação dessas organizações, ainda vejo dois modelos diferentes coexistindo”; - Ele recupera a história de mais de quatro décadas das milícias na Zona Oeste do Rio de Janeiro, desde a estruturação de uma rede de transporte alternativo e de um suposto serviço de segurança para os moradores. “A situação atual de fragmentação da milícia é nova e há acordos com facções do tráfico”, afirma; - O jornalista descreve as três fases da história da Liga da Justiça, maior milícia do Rio, e como a política interna da organização criminosa resultou na expansão dos crimes e na aproximação com o tráfico. E informa como a morte recente de lideranças inaugura a terceira fase da milícia: “Há uma situação de guerra interna já há mais de um ano. E o Comando Vermelho vê a oportunidade de retomar territórios”; - Rafael também comenta as ineficazes estratégias de combate aos grupos criminosos organizados no Rio de Janeiro. Para ele, a “federalização pode ser uma medida interessante”, mas, antes, a gestão da segurança pública fluminense “precisa fazer o básico”: “Melhorar investigação de homicídio, equipar a estrutura de combate à milícia e investir em correção policial”, resume.
10/25/202333 minutes, 50 seconds
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Massa x Milei – a surpresa na eleição argentina

Ao contrário do que apontava a maioria das pesquisas, o 2º turno da eleição para presidente na Argentina inicia com vantagem para o candidato peronista Sergio Massa: ele registrou 36% dos votos neste domingo (22), superando o populista radical de direita Javier Milei, com 30%. Até o dia 19 de novembro, os dois disputam os votos da terceira colocada, a conservadora Patricia Bullrich (23%), e de candidaturas menores para conquistar a passagem para a Casa Rosada pelos próximos 4 anos. Para explicar os números do primeiro turno e projetar as próximas semanas de campanha, Natuza Nery entrevista Brian Winter, editor-chefe da revista Americas Quartely e analista de política latino-americana há 20 anos, e Maurício Moura, economista e professor da Universidade George Washington (EUA). Neste episódio: • Brian justifica a surpresa com um segundo turno entre “o ministro da Fazenda do país com inflação de 140%” e “um economista outsider meio bolsonarista”. Ele avalia que Milei ainda irá crescer e ganhar votos de eleitores de Patrícia Bullrich, mas que parte do eleitorado de centro-direita considera “loucas as ideias dele”; • O jornalista comenta que, embora o peronismo siga muito forte, o movimento político “teve seu pior desempenho em nível nacional na história moderna” e destaca o incentivo fiscal promovido pelo governo como “compra de votos” em prol de Massa; • Maurício pondera as fraquezas e as qualidades de Massa e Milei aos olhos dos eleitores argentinos: Massa integra um governo com 2/3 de rejeição, e Milei investe em pautas conservadoras, sem aderência na maioria da população. "É uma batalha de rejeições”, resume; • Ele fala sobre as dificuldades do vencedor, seja Massa ou Milei, em negociar com o Congresso argentino, que não tem nenhuma maioria formada na atual composição - embora a chapa de oposição tenha crescido muito nesta eleição. “A governabilidade será muito frágil”, conclui.
10/24/202328 minutes, 24 seconds
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A Abin e o rastreamento de celulares

Na sexta-feira (20), a Polícia Federal cumpriu 25 mandados de busca e apreensão e mais 2 mandados de prisão preventiva de dois servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na operação que investiga o rastreamento de celulares sem autorização judicial. De acordo com a investigação, o software usado durante 2 anos e 4 meses durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) monitorou os passos de pelo menos 10 mil pessoas, entre elas servidores públicos, policiais, advogados, jornalistas, políticos e até ministros do Supremo Tribunal Federal. Para explicar o que aconteceu, Natuza Nery entrevista Joanisval Britto Gonçalves, especialista em inteligência de Estado e consultor legislativo do Senado para defesa nacional, e Christian Perrone, coordenador geral de direito e tecnologia do Instituto de Tecnologia e Sociedade, do Rio de Janeiro. Neste episódio: - Joanisval recupera a história da criação da Abin, em 1999. “A ideia era criar uma agência de inteligência adequada ao sistema democrático”, conta. “Porque não existe democracia no mundo que prescinda de estrutura de inteligência”; - Ele explica quais são os órgãos responsáveis pela fiscalização da agência e quais suas funções institucionais. “Há uma série de mecanismos de controle para sua atuação”, afirma; - Christian descreve como os dados de localização podem levar a inferência de dados sensíveis das pessoas investigadas; e cobra as agências de inteligência a justificarem o uso desse tipo de tecnologia: “Precisa ter uma justificativa muito clara e um interesse público muito importante pra acessar uma compreensão tão vasta da intimidade dessas pessoas”; - Ele aponta o risco de que esse tipo de abuso no acesso de informações privadas pode causar às instituições democráticas. “Até questões fundamentais das instituições do Estado democrático de direito estão tratadas aqui”, conclui.
10/23/202317 minutes, 42 seconds
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Israel x Hamas – a guerra da desinformação

A disputa de versões sobre quem causou a explosão em um hospital de Gaza expôs uma guerra dentro da guerra. Primeiro, o Ministério da Saúde de Gaza – comandado pelo Hamas – falou em 500 vítimas e culpou Israel. Logo depois, Israel disse que o local foi atingido por um foguete lançado pela Jihad Islâmica. O caso expõe como os dois lados disputam versões e até usam mentiras para controlar a narrativa do conflito – algo que se repete há séculos. Tudo potencializado pelas redes sociais, onde uma enxurrada de notícias falsas e deep fakes se espalha 6 vezes mais rápido do que notícias checadas e verificadas, como explica David Nemer em conversa com Natuza Nery. Professor da Universidade da Virgínia (EUA), Nemer reflete como a desinformação prospera mais facilmente em situações de raiva e de medo. Neste episódio: - David aponta alguns dos motivos pelos quais a guerra no Oriente Médio é solo fértil para a disseminação de tantas notícias falsas: trata-se de uma região de acesso restrito e as informações são controladas por agentes oficiais de ambos os lados. “A guerra é emocional e a desinformação prospera ainda mais em emoções negativas, como a raiva e o medo”, afirma; - Ele descreve como os algoritmos das redes sociais – e como seus modelos de negócio – favorecem a circulação de notícias que “geram emoções negativas”, uma vez que elas têm maior potencial de engajamento entre os usuários: “Elas levam o campo de batalha para o campo virtual”; - O pesquisador comenta também a pesquisa sobre a velocidade das mentiras nas redes sociais e o estrago causado por elas no corpo da sociedade. Ele cita os casos da suposta degola de 40 bebês em Israel e a de mensagens antissemitas em massa pelo Hamas como exemplos de conteúdos que fomentaram crimes de ódio contra israelenses e palestino ao redor do mundo; - David aconselha o uso de ferramentas para a checagem de informações, assim como a verificação da fonte destas informações. “E sempre lutar contra nosso viés pessoal de confirmação", conclui.
10/20/202326 minutes, 52 seconds
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Gaza: catástrofe e falta de ajuda humanitária

Sem água, sem comida, sem remédios... A Faixa de Gaza é alvo de bombardeios do Exército israelense há mais de 10 dias, e a população civil sofre com a falta de ajuda humanitária em meio a disparos de mísseis e foguetes. Nesta quarta-feira (18), os EUA barraram uma resolução da ONU que previa a instalação de um corredor humanitário - mas o governo liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, pressionado pela visita do presidente americano Joe Biden, autorizou a entrada de ajuda humanitária. Diretamente de Khan Yunis, o palestino Hasan Rabee relata a situação de quem aguarda para cruzar a fronteira com o Egito - ele que desde o início da guerra tenta deixar Gaza com a mulher e as duas filhas brasileiras. Natuza Nery também conversa com Tarciso Dal Maso, advogado e professor de Direito Internacional no Centro Universitário de Brasília. Neste episódio: - Tarciso descreve como funciona um corredor humanitário: "De um lado, chega ajuda humanitária; e do outro, pessoas precisam sair em segurança”. E justifica porque, no caso específico de Gaza, sua realização é tão complexa. “Há a necessidade de dialogar com diversos atores e a logística não é pequena”; - Ele explica as “duas linhas de atuação” do direito internacional humanitário: a proteção de pessoas civis e seus bens e a proibição de determinados métodos de combate – como uso de escudos humanos e de restrição de acesso a água e comida; - O advogado também comenta o “fortíssimo impacto psicológico” da guerra para as crianças e aponta outras consequências: difícil reinserção social, recrutamento como crianças-soldados e exploração laboral e sexual. “É também cenário propício para futuros radicalismos”, conclui.
10/19/202322 minutes, 45 seconds
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O misterioso sumiço de armas do Exército

No último dia 10, o quartel do Exército em Barueri, cidade da região metropolitana de São Paulo, confirmou o desaparecimento de um arsenal de guerra que estava sob seu domínio. Sumiram nada menos que 8 metralhadoras de calibre 7,62 e 13 metralhadoras de calibre .50 - são fuzis capazes de efetuar mais de 500 disparos por minuto e até derrubar aeronaves. Até agora, não há suspeitos, mas 480 militares seguem aquartelados, sob investigação do Exército. Para explicar o caso, Natuza Nery fala com Kleber Tomaz, repórter do g1 em São Paulo, e Bruno Langeani, gerente da área de sistema de justiça e segurança do Instituto Sou da Paz. Neste episódio: - Kleber informa a justificativa do Exército para não registrar Boletim de Ocorrência - embora a responsabilidade de encontrar as armas esteja com as polícias Civil e Militar do Estado de São Paulo. “O Exército demonstrou autossuficiência para esclarecer o desaparecimento, mas, uma semana depois, nada foi encontrado”, afirma; - O jornalista descreve as características e poder de destruição dos dois tipos de armas desaparecidas. E comenta a principal linha de investigação assumida pelo Exército: “A maior suspeita é de que haja envolvimento de militares”; - Bruno detalha o quão difícil é sumir com quase meia tonelada de armamentos – algumas dessas metralhadoras têm até 1,70 metro. “Com certeza houve planejamento, participação de gente de dentro e foi uma encomenda do crime organizado”, afirma. “São armas raras na mão do crime, e uma única arma dessa desestabiliza a segurança pública do país inteiro”; - Ele critica os erros do Exército na investigação do crime: são falhas na segurança física e falta de investimento no rastreamento das armas e no sistema de registro das armas.
10/18/202326 minutes, 3 seconds
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Guerra no Oriente Médio – o potencial destrutivo

Desde o ataque terrorista do Hamas, Israel não mede esforços em colocar em operação todo o seu poder militar – um arsenal com mais de 2 mil tanques e mais de 300 aeronaves de combate. E conforme o exército israelense ataca e acumula corpos na Faixa de Gaza, atores internacionais se posicionam no xadrez da geopolítica: sejam eles grupos armados como o Hezbollah, sejam países vizinhos como Arábia Saudita e Irã, ou ainda grandes potências globais, caso de EUA e Rússia. E novamente acende-se o alerta sobre o risco de uma escalada do conflito para patamares inéditos. Para avaliar esse risco e descrever a força militar dos envolvidos na guerra, Natuza Nery recebe Vitelio Brustolin, professor de relações internacional da UFF e professor adjunto na Universidade de Columbia (EUA), e também pesquisador da faculdade de Direito de Harvard. Neste episódio: - Vitelio compara o poder bélico de Israel e do Hamas. Ele lembra que Israel é um dos países que mais investe em força militar e conta com um exército com mais de 600 mil integrantes, entre militares ativos e reservistas - além de ser ambíguo sobre a posse de armas nucleares. “Do lado do Hamas, a estimativa é que sejam 30 mil terroristas no meio de uma população de 2 milhões de pessoas na Faixa de Gaza”, afirma; - Ele explica por que os escombros das construções em Gaza e os cerca de 500 quilômetros de túneis subterrâneos podem ser o maior desafio para a incursão terrestre do exército israelense: “É uma guerra 360 graus, e as forças armadas podem sofrer todo tipo de emboscada”; - Vitelio também fala sobre o aumento das tensões na fronteira norte de Israel com o Líbano, onde o grupo armado Hezbollah ameaça entrar na guerra em favor do Hamas – ambos financiados pelo regime iraniano. “Não é do interesse do Irã entrar nessa guerra, mas não interessa ao país a aproximação de nações árabes com Israel”, analisa; - O professor sentencia que “não é do interesse de ninguém que a guerra escale”. Isso porque a região é rica em petróleo, é rota de 90% do comércio mundial em via marítima e já há uma grande guerra (a da Ucrânia) que põe a Europa em risco: “A erosão da diplomacia poderia levar a humanidade a uma 3ª guerra mundial”.
10/17/202327 minutes, 7 seconds
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A Argentina às vésperas da eleição

No próximo domingo (22), os argentinos vão às urnas para escolher um novo presidente. Com a economia deteriorada – a inflação supera 100% ao ano – e depois de ver fracassar governos de direita (com Mauricio Macri) e de esquerda (com Alberto Fernandez), o eleitorado argentino flerta com um candidato que se posiciona contra tudo e contra todos: a grande estrela da campanha presidencial é Javier Milei, economista ultraliberal de extrema-direita. Milei aparece à frente nas pesquisas antes do primeiro turno. Em segundo lugar está Sérgio Massa, ministro da Economia do presidente Alberto Fernandez que, por brigas internas, sequer disputa a reeleição. Para entender os favoritos no domingo e os rumos políticos e econômicos da Argentina, Julia Duailibi conversa com Ariel Palacios, correspondente da Globo em Buenos Aires. Neste episódio: - Ariel aponta o que faz desta eleição diferente e explica que o fato de o candidato governista Sergio Massa ter ficado em terceiro lugar nas prévias representou “um choque para o peronismo”, algo que nunca aconteceu antes. “Para o peronismo é um trauma fora do normal”, diz; - O correspondente lista as peculiaridades de Javier Milei, candidato que chegou à política “pelas vias mais absurdas”; - Ariel explica como, apesar da catástrofe econômica, o ministro da Economia Sergio Massa se viabilizou como candidato do peronismo; - E conclui que, independentemente de quem for eleito, “a Argentina vai afundar mais na crise, não há saída a curto ou médio prazo”.
10/16/202325 minutes, 30 seconds
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Israel x Palestina: a história do conflito

O ataque terrorista do Hamas sobre o território israelense deu início a mais um capítulo de uma disputa milenar pelo controle da região que é berço das três maiores religiões ocidentais. Para abordar e explicar essa história de expulsões, perseguições, conflitos militares e terrorismo, Julia Duailibi entrevista Guilherme Casarões, professor da FGV-SP, doutor em ciência política, mestre em relações internacionais com especialização em nacionalismo judaico e pesquisador convidado da Universidade de Tel Aviv. Neste episódio: - Casarões recupera a história de milênios de ocupação de Jerusalém e seus arredores. Ele lembra que a tradição judaica reivindica mais de 5 mil anos no local que hoje compreende o Estado de Israel; mas que também os palestinos argumentam que já estavam lá desde os cananeus, há 10 mil anos; - Ele aponta que o início do conflito moderno se deu na virada do século 19 para o século 20, num momento em que despontam o sionismo e o nacionalismo árabe: “É quando começam aparecer os projetos nacionais como projetos políticos”. E completa que a disputa escala de nível com o plano de partilha proposto pela ONU para a criação dos Estados israelense e palestino - o que nunca aconteceu; - O professor descreve os efeitos das guerras dos Seis Dias (1967) e do Yom Kippur (1973) na formulação “da dinâmica que rege até hoje esse conflito” - com a primazia do domínio israelense sobre o território -, e como elas repercutiram para o crescimento da Organização para a Libertação Palestina; - Casarões explica as duas principais tentativas de acordo de paz entre Israel e os Estados árabes. O primeiro no Camp David (EUA) ao fim da década de 1970 entre Israel e Egito. E o segundo assinado em 1993: o Acordo de Oslo, entre as autoridades israelenses e palestina, definiria a divisão definitiva dos territórios entre os dois Estados. Nos dois casos, o processo de entendimento foi interrompido pelo assassinato de lideranças políticas por extremistas; - Por fim, ele comenta o aumento das tensões resultante da eleição do grupo terrorista Hamas como representante do povo palestino da Faixa de Gaza – resultado da única eleição realizada por lá, em 2006: “Vira uma guerra interna entre o Hamas e o Fatah” - organização palestina moderada.
10/13/202337 minutes, 18 seconds
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A vida em Gaza durante a guerra

Imediatamente depois de o Hamas cometer os atentados terroristas contra a população de Israel no último sábado, forças israelenses responderam com ataques à Faixa de Gaza. O território de 365 km² abriga 2 milhões de pessoas e tem um dos maiores adensamentos populacionais do mundo. A região, comandada pelo Hamas, é alvo de embargos de Israel. E desde segunda-feira está sob o que o premiê israelense chama de “cerco completo”: há cortes de luz, de água e até de comida. Para entender a situação da região que lida há anos com uma grave questão humanitária, O Assunto reuniu o depoimento de dois palestinos que vivem as consequências diretas da guerra entre Hamas e Israel. Hasan Rabee mora em São Paulo e foi até Gaza visitar a mãe. Abud Zaki viveu no Brasil por 9 anos e resolveu voltar a Gaza em junho do ano passado. Além deles, Julia Duailibi conversa com Adriana Carranca, jornalista brasileira que esteve em Gaza em 2010. Neste episódio: - Hasan e Abud relatam como suas famílias reagiram aos primeiros bombardeios. Abud lembra que em outros conflitos, havia aviso prévio de que haveria um ataque em determinada região, mas que agora “eles não avisam e só jogam a bomba”. Hasan conta que tenta acalmar as filhas de 3 e 5 anos “mentindo que o barulho das bombas são barulhos de festa”; - Os dois também descrevem a dificuldade em ter acesso a água potável, energia elétrica, internet e até comida. “Está tudo fechado, e quem anda na rua pode ser morto porque cai bomba em todo o lado”, afirma Hasan. “O povo vai morrer de fome e de sede, aqui não tem nada”, resume Abud; - Adriana detalha as diferenças entre os dois lados do muro que divide Israel e a Faixa de Gaza – e informa como funcionam os túneis subterrâneos usados pelos palestinos para promover mercados informais. Ela também explica por que os palestinos vivem “em situação de prisão a céu aberto”, sem autorização para deixar a região; - Ela afirma que “a maioria da população em Gaza não apoia o Hamas” e destaca que também em Israel houve uma série de protestos contra o atual governo de extrema-direita “responsável pela política de negar aos palestinos o seu Estado”.
10/11/202333 minutes, 17 seconds
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O Brasil no topo da ginástica artística mundial

O Mundial de Ginástica Artística da Antuérpia, na Bélgica, colocou de vez a equipe brasileira na elite do esporte. Rebeca Andrade liderou as conquistas com 5 medalhas – um recorde para o Brasil. Ela subiu ao topo do pódio no salto sobre a mesa, vencendo a multicampeã Simone Biles (EUA), e levou para casa mais uma de bronze (na trave) e três de prata: no individual geral, no solo e na competição por equipes – medalha inédita para o esporte brasileiro. O time completo teve participação de Flávia Saraiva (que também obteve bronze no solo), Lorrane Oliveira, Jade Barbosa, Júlia Soares e Carolyne Pedro. Para entender o ineditismo das marcas conquistadas pelas ginastas brasileiras, Julia Duailibi conversa com Daiane dos Santos, primeira brasileira a conquistar o ouro na competição em 2003. Neste episódio: - Daiane descreve como Rebeca Andrade é a “representatividade de todo esforço e garra do esporte”, o que faz dela uma atleta excepcional. “A Rebeca é tão enaltecida hoje quanto a Simone Biles”, afirma; - Ela fala ainda sobre o papel de Flávia Saraiva e Jade Barbosa, duas ginastas fundamentais para a prata inédita no Mundial. Para Daiane, “Jade tem um olhar de liderança” e Flávia é dona de uma “ginástica linda, com personalidade carismática, que alegra a contagia”; - A comentarista analisa em quais condições o Brasil vai chegar aos Jogos Olímpicos de Paris, no ano que vem: será vista como a segunda melhor equipe do mundo. “Com certeza a seleção vai buscar mais resultados e quebras de recordes”, afirma; - Daiane, uma das responsáveis pela popularização do esporte no país, comenta também os desafios para a ginástica brasileira. “A gente precisa das portas do esporte abertas com projetos sociais e espaços públicos”, afirma. E conclui: “é difícil você saber que tem talento sem você ter o direito de fazer parte do esporte”.
10/10/202320 minutes, 38 seconds
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Israel x Hamas – guerra no Oriente Médio

Eram 6h30 de sábado - um dia sagrado para os israelenses – quando os ataques aéreos do Hamas começaram. Milhares de mísseis foram lançados a partir da Faixa de Gaza. Uma hora depois, homens armados do grupo invadiram Israel por terra e pelo ar. Centenas de israelenses foram mortos e dezenas foram feitos reféns. Em resposta, o governo de Israel declarou estar em guerra contra o grupo, um conflito que será “longo e difícil”, como declarou o premiê Benjamin Netanyahu. Até a noite de domingo, mais de 1.000 mortes tinham sido confirmadas. Para entender o ineditismo da ofensiva do Hamas e as possíveis consequências da guerra em curso no Oriente Médio, Julia Duailibi conversa com Guga Chacra, comentarista da Globo, da GloboNews e colunista do jornal O Globo. Neste episódio: - Guga aponta como o avanço do Hamas expõe uma “falha gigantesca” dos serviços de inteligência de Israel: “Nunca vi nada parecido ou próximo do que aconteceu no sábado”, diz. Para Guga, os ataques são o segundo maior atentado terrorista do século 21, “uma mistura de 11 de setembro com Bataclan”, citando atentados nos EUA e na França; - Ele analisa como esta é “a maior derrota militar para Israel em 50 anos”. E diz que, depois de passado o conflito, o governo Netanyahu vai pagar “um preço muito caro” pelas falhas que possibilitaram a ofensiva do Hamas, grupo que sai mais forte depois deste fim de semana; - Guga aponta o que chama mais atenção na ofensiva do Hamas: “é importante ter a dimensão do que está acontecendo”, diz, ao citar a megaoperação terrorista levada a cabo pelo grupo extremista armado. “Pessoas foram mortas com crueldade”; - Ele conclui como em Netanyahu deve se fortalecer em um primeiro momento após os ataques, mas que inevitavelmente o governo do premiê ficará “impraticável. Uma hora vai chegar a conta”, afirma.
10/9/202328 minutes, 26 seconds
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Médicos executados: crime bárbaro no Rio

30 segundos, mais de 30 tiros. Uma execução a queima roupa durante a madrugada. As vítimas: três médicos, além de um sobrevivente que ficou ferido, que estavam em um quiosque à beira-mar. O grupo estava na cidade para participar de um congresso e foi assassinado a na orla da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, reduto de milícias. Investigadores apontam que o grupo foi morto por traficantes por engano - uma das vítimas teria sido confundida com um miliciano jurado de morte. Para entender as motivações do crime, as linhas de investigação e o significado das execuções para a segurança do Rio, Julia Duailibi conversa com os jornalistas Cesar Tralli e Octavio Guedes. Neste episódio: - Tralli lista detalhes do crime, as linhas de investigação e como logo nas primeiras horas após as mortes foi levantada a hipótese de que as vítimas foram confundidas. Ele relata que, para os investigadores, os criminosos atacaram “de forma atabalhoada, sem planejamento”; - Tralli explica como será a cooperação entre as polícias do Rio, de São Paulo e a Polícia Federal para esclarecer o crime. “É uma divisão de tarefas que é um trabalho de formiguinha fundamental para esclarecer” o crime, diz. Segundo ele, investigadores acreditam que por trás das mortes está o confronto entre milicianos; - Octavio fala como a Barra da Tijuca, região onde as milícias nasceram e cresceram, é “o local preferido para as execuções do escritório do crime”. E ponta que, “estranhamente, ou coincidentemente, a ausência de policiamento ostensivo ajuda” na existência deste tipo de crime; - Octavio conclui analisando como toda engrenagem da segurança pública do Rio “é feita para não funcionar”. Para ele, cada vez mais “o crime se infiltra nos poderes políticos” do Estado e a ideia do governador Claudio Castro sobre segurança pública é errada. “Não existe a ideia de criar bolhas de segurança numa cidade degradada pelo crime”.
10/6/202328 minutes, 3 seconds
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O caos no Congresso dos EUA

Em medida inédita, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos destituiu seu presidente. O republicano Kevin McCarthy enfrentou uma rebelião de colegas de extrema direita do partido, e 8 votos foram decisivos. O cargo deve ficar vago até 11 de outubro. Mas, até lá, os trabalhos na Casa ficam congelados, pressionando ainda mais o já instável governo do presidente Joe Biden. Para entender as causas da deposição inédita do presidente da Câmara e o que isso representa para a eminente disputa presidencial no país, Julia Duailibi recebe Carlos Poggio, professor do Departamento de Ciência Política do Berea College, no estado americano do Kentucky. Neste episódio: - Carlos expõe como a situação de McCarthy à frente da Câmara sempre foi complicada. O republicano demorou 15 rodadas para ser eleito presidente da Casa, com seu partido tendo “maioria magra” no parlamento. “De alguma forma estava destinado a ser uma presidência bastante fragilizada”, afirma, com o Partido Republicano em estado de “completa desordem”; - O professor fala do papel do deputado trumpista Matt Gaetz e de outros 7 republicanos na queda do colega de partido. Para ele, os deputados de extrema direita que votaram pela destituição de McCarthy buscam “se posicionar dentro do partido para se consolidar” em seus distritos eleitorais, copiando a estratégia do ex-presidente Donald Trump. “O importante é conseguir a atenção e que se fale deles”, diz; - Carlos comenta o “vácuo de poder” no Congresso e como fica a governabilidade: sem um presidente, a Câmara fica paralisada, no momento em que há “pressão do relógio” por decisões importantes, como ajuste no orçamento para manter o governo funcionando. “Fica claro como o processo de polarização política extrema é prejudicial”; - Ele conclui falando das consequências na disputa presidencial de 2024, quando Joe Biden e Donald Trump podem voltar a se enfrentar. Para ele, as consequências de um Congresso parado podem ser uma má notícia para Biden, presidente que vive um momento de turbulência também na área econômica. Mas pondera que eleitores independentes podem ver no Partido Republicano “uma completa desordem provocada pelo trumpismo”, afastando votos decisivos na disputa eleitoral.
10/5/202324 minutes, 30 seconds
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Constelação familiar - o uso no Judiciário

Criada pelo alemão Bert Hellinger, a prática considera que cada pessoa precisa se manter em uma posição determinada dentro de uma família para que as relações sejam harmoniosas. A teoria leva em consideração 3 leis: do pertencimento, da hierarquia e do equilíbrio. Sem comprovação científica, a terapia é usada há mais de dez anos pelo Judiciário para resolver conflitos em Varas da Família. Na prática, a constelação familiar tem gerado controvérsias, com projetos em discussão no Congresso e em assembleias estaduais. Nesta semana, o ministro Silvio Almeida enviou um pedido ao Conselho Nacional dos Direitos Humanos para debater possíveis abusos da prática. Para entender o que é esse tipo de terapia, como ela vem sendo usada pela Justiça e possíveis consequências, Julia Duailibi conversa com Silvia Haidar, repórter do jornal Folha de S. Paulo, e com Mateus França, mestre em Direito, que estuda o uso das constelações no campo jurídico brasileiro. Neste episódio: - Silvia explica o que é a técnica terapêutica que mistura psicodrama, o autoconhecimento e autoconsciência, e referências de zulus que viviam na África do Sul. “O criador se baseou em três leis do amor”, sem as quais criam-se conflitos familiares. E cita que o Conselho Federal de Psicologia destaca “incongruências éticas” na prática; - Mateus detalha como funciona a técnica: “o constelado, a pessoa cujo sistema familiar está sendo analisado”, o constelador, responsável por analisar a realidade do constelado, e os representantes, que cumprem o papel de dar vida até a pessoas mortas, sentimentos e objetos do paciente em análise. “Existem constelações em que o representante é uma pessoa, um boneco ou até animais”, relata; - Ele fala como a constelação é usada no Judiciário e o papel do juiz na mediação de conflitos. “Não existe um padrão de como é aplicado, o que é um problema”, diz. E analisa como o uso da técnica na mediação de conflitos "vai na contramão de vários avanços em matérias de direito da família”; - O pesquisador conclui sobre a necessidade de se debater o uso da constelação familiar em decisões judiciais. Para ele, em muitos casos o discurso da constelação reforça violências, “em vários casos ele coloca parte da responsabilidade no comportamento da vítima”, afirma.
10/4/202329 minutes, 37 seconds
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Fraude na Amazônia em créditos de carbono

Reportagem exclusiva do g1 revelou que empresas particulares estão usando terras públicas na Amazônia para emitir créditos de carbono. A fraude acontece no município de Portel, na Ilha do Marajó (Pará), região visitada pelos repórteres Isabel Seta, Taymã Carneiro e Giaccomo Voccio. É lá onde ribeirinhos disseram não ter sido beneficiados pela venda de créditos de carbono a empresas multinacionais. Para entender o que são os créditos de carbono, em que pé estão as propostas de regulação deste mercado no Brasil e o que dizem os envolvidos, Julia Duailibi conversa com Isabel Seta, repórter do g1. Neste episódio: - Isabel explica as irregularidades envolvidas na fraude cometida por três empresas que são alvo de ação da Defensoria Pública do Pará por “prática ilícita de grilagem”. Ela afirma que este é “um problema fundiário, mas também de violação territorial”, já que comunidades tradicionais têm direito à terra e deveriam ter sido consultadas sobre os projetos; - Ela descreve como é Portel, um dos maiores municípios do Pará, cuja área equivale quase ao tamanho de Alagoas. A cidade é cortada por muitos rios: “é tanta água que parece mar, não parece rio”, diz. Com a população rural vivendo na beira de igarapés e de rios, em casas de palafita e percorrendo grandes distâncias de barco; - Isabel detalha como funciona o mercado de carbono no Brasil e qual o status da discussão no Congresso para que haja uma regulamentação. Há um projeto de lei na Comissão de Meio Ambiente do Senado e, segundo declarações do presidente da Casa, o texto deve ser enviado para votação em Plenário; - A jornalista conta bastidores da apuração e da viagem ao Pará, onde ela e outros dois repórteres sofreram “abordagens estranhas”, de uma pessoa que sabia o tema da apuração, mesmo sem ter sido contatada pelo grupo. “É a Amazônia, com olhos e ouvidos em todos os lugares. Nos sentimos vigiados”.
10/3/202329 minutes, 2 seconds
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Escravidão e reparação histórica

Cerca de 5 milhões de africanos desembarcaram no Brasil na condição de escravizados entre os séculos 16 e 19. Por mais de 300 anos, o desenvolvimento do país se deu à base de mão-de-obra forçada, num negócio altamente lucrativo, sobre o qual instituições brasileiras centenárias construíram o sucesso que mantém suas reputações até hoje. Uma ação inédita do Ministério Público Federal notificou o Banco do Brasil sobre a abertura de um inquérito para investigar o envolvimento do banco no mercado escravagista. A existência da ação foi revelada com exclusividade por reportagem da BBC News Brasil. Para discutir o processo de reparação histórica de instituições que fomentaram ou participaram ativamente deste crime contra a humanidade, Natuza Nery conversa com Leandro Machado, repórter que primeiro revelou a ação do MPF, e com o historiador Clemente Penna, da Universidade Federal de Santa Catarina e da Fapesc, Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina. Neste episódio: - Clemente explica que o sistema financeiro brasileiro se sustentou no século 19, em grande parte, por meio de ativos vindos do mercado de escravizados, e que o chamado “segundo Banco do Brasil”, criado na década de 1850, “surgiu para alocar dinheiro antes investido no tráfico [de escravos] de volta para o mercado”; - O historiador lista acionistas e diretores do banco à época e que tinham ligação com o processo de escravidão e tráfico de escravos. “Pela maneira que a economia funcionava, eles tinham liquidez, tinham dinheiro”, o que era importante para os traficantes ganharem títulos de nobreza e ocupar cargos. Tudo com o Estado fazendo vistas grossas; - Leandro diz que o MPF procura entender a atuação do Banco do Brasil no processo de escravização no século 19. Ele relata que o banco tem 20 dias para responder se reconhece a ligação com traficantes de escravizados, se financiou esses traficantes e o que pretende fazer daqui em diante sobre o tema; - O jornalista ainda explica como este caso dialoga com o debate sobre reparação histórica ligada à escravidão, “que vem acontecendo em outros países, principalmente nos Estados Unidos e na Inglaterra”, e como este movimento tem gerado investimentos em pesquisas e criação de políticas públicas de reparação financeiras a famílias de escravizados.
10/2/202326 minutes, 26 seconds
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Enem: apostas e preparação na reta final

Porta de entrada para o Ensino Superior, o Enem está marcado para os dias 5 e 12 de novembro. São 90 questões e uma redação. Nos últimos três anos, o tema da redação tinha aparecido em episódios de O Assunto: desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil, invisibilidade e registro civil – garantia de acesso à cidadania no Brasil, e o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira. Para entender o que a prova de 2023 pode exigir dos candidatos e quais temas são apostas para a prova, Natuza Nery conversa com Thiago Braga, professor e autor de materiais de redação do sistema de ensino PH. Neste episódio: - O professor explica como o conhecimento sobre atualidades é imprescindível: “a redação do Enem quer medir o repertório sociocultural que o aluno adquiriu ao longo de toda sua formação”, diz; - Thiago aponta temas possíveis para a redação e alerta que os assuntos sempre aparecem com enfoque nos problemas relacionados à realidade brasileira. “A prova ganhou status de muito cidadã, voltada para questões sociopolíticas e comportamentais da nação brasileira”, afirma; - Ele detalha a formação da nota da redação, dividida em 5 competências que valem 200 pontos cada. “O aluno só alcança a nota máxima se conseguir incluir repertório sociocultural”, daí a importância de citar referências como filmes, livros, materiais jornalísticos e até músicas; - Thiago conclui dando dicas de como se preparar na reta final antes do exame. “Ainda dá para fazer revisões específicas”, afirma. Mas, nos dias imediatamente anteriores, segundo ele, é hora de relaxar: “descanso também é treino”, afinal o Enem é uma prova de resistência.
9/29/202331 minutes, 4 seconds
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O risco de um novo genocídio armênio

Desde o fim da União Soviética, em 1991, Azerbaijão e Armênia disputam o controle de Nagorno-Karabakh — região internacionalmente reconhecida como território azeri, mas de população de maioria etnicamente armênia. Armênios que consideram a área como sua pátria ancestral. Em 1994, separatistas tomaram o poder, dando início a uma série de conflitos armados que se arrastam há mais de 30 anos. No capítulo mais recente, uma operação relâmpago das forças azerbaijanas retomou Nagorno-Karabakh, forçando o êxodo de mais de 50 mil armênios, quase metade da população local. À Armênia, o conflito não representa apenas uma disputa internacional, mas o resgate de uma memória traumática de seu povo, vítima do genocídio conduzido pelo império Turco-Otomano, no começo do século 20, responsável pela morte de cerca de 1,5 milhão de pessoas. O temor é de que uma nova limpeza étnica se avizinhe. Para entender a disputa em Nagorno-Karabakh e a tensão permanente na região do Cáucaso, Natuza Nery conversa com Filipe Figueiredo, graduado em história pela Universidade de São Paulo e autor do podcast Xadrez Verbal. Neste episódio: - Filipe, que esteve na Armênia em abril, relata como a ofensiva atual do Azerbaijão é vista pelos armênios como “uma retomada do genocídio de 1915, um trauma nacional coletivo”; - Ele conta que a operação das forças do Azerbaijão durou 24h, até que houvesse “uma intervenção diplomática, conduzida especialmente pelos Estados Unidos, que orientou a rendição das forças de autodefesa armênias na região”; - Filipe explica a principal reinvindicação dos armênios de Nagorno-Karabakh: eles “não tiveram direito à autodeterminação” no processo de elaboração das fronteiras após o fim da União Soviética, já que foram ignorados dois referendos em que a população local escolheu ser parte da Armênia; - O historiador também aponta o risco de que o conflito ganhe um novo capítulo, relacionado a Nakhchivan, enclave do Azerbaijão separado do resto do país pela Armênia, que liga a região a outras de influência turca.
9/28/202324 minutes, 18 seconds
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Punição de militares por atos contra democracia

O envolvimento de militares nos atos golpistas de 8 de janeiro foi pauta de reunião entre o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e os comandantes do Exército e da Aeronáutica. Desde janeiro o chefe do Exército prometeu punir militares por participação no atentado à democracia. Mas até agora nenhum oficial de alta patente foi responsabilizado. Para entender os caminhos e a importância de punir militares – tanto na Justiça comum quanto na militar, Natuza Nery conversa com o advogado constitucionalista Jorge Folena, e com o historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, professor da UFRJ que foi assessor do Ministério da Defesa por quase 20 anos. Neste episódio: • Jorge explica os crimes envolvidos nos ataques e os mecanismos para punir os oficiais de alta patente: “não é um delito militar, é um delito de natureza comum”, diz, portanto cabe à Justiça comum julgá-los criminalmente. Ele explica, no entanto, que a Justiça Militar pode analisar os casos e caçar as funções dos envolvidos; • Franciso Carlos analisa o atual ambiente político para uma eventual punição: “nunca foi tão favorável e oportuno prender pessoas que tenham atentado ao estado democrático de direito”, afirma; • O historiador conclui sobre a importância de punir militares que atentam contra a democracia, algo que não aconteceu no pós-ditadura. “[Punir] tem um papel pedagógico. Estão dizendo que daqui em diante atentados contra o estado de direito não serão mais tolerados”, conclui.
9/27/202329 minutes, 32 seconds
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Perdão a partidos políticos: a boiada eleitoral

Uma proposta de emenda à Constituição que livra partidos de punição por irregularidades na prestação de contas deve ser votada nesta terça-feira na Câmara. Se aprovada, será impossível rastrear R$ 23 bilhões em dinheiro público gastos por legendas, segundo cálculo de entidades da sociedade civil. Mas não só: o texto coloca em risco a diversidade no poder Legislativo. Especialistas criticam a PEC, que, somada ao projeto de lei chamado de ‘minirreforma eleitoral’, pode significar “a maior anistia da história dos partidos”. Para entender o que está em jogo, Natuza Nery conversa com Marcelo Issa, diretor-executivo do movimento Transparência Partidária. Neste episódio: - Marcelo classifica a construção do texto da PEC como “bastante engenhoso”, com a existência de um dispositivo que “passa a borracha” em irregularidades identificadas em contas dos partidos. "Estamos falando de uma soma bilionária de dinheiro público que poderia ficar sem fiscalização”, diz; - Ele aponta as diferenças e semelhanças entre a PEC e o que vem sendo chamado de “minirreforma eleitoral”, um projeto de lei já aprovado na Câmara e que agora está no Senado. “O espírito dos dois textos é bastante semelhante, lotado de retrocessos”, afirma, ao citar como prejudicam o repasse de recursos para candidaturas de negros e abrem brecha para que legendas lancem apenas homens como candidatos; - Marcelo analisa como parlamentares de todos os espectros ideológicos partidários, da direita à esquerda, apoiam a proposta, em um raro consenso. “Enquanto não percebermos que os partidos são centrais para o aprimoramento da democracia”, diz, “dificilmente vamos avançar” em mecanismos de inclusão e diversidade na política e na sociedade; - Ele conclui como o momento atual é “confortável para os partidos”, com o crescimento exponencial de dinheiro público destinado às legendas, vindo dos fundos Partidário e Eleitoral, enquanto os mecanismos de controle e transparência sofrem um processo de esvaziamento.
9/26/202327 minutes, 43 seconds
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Fentanil e a crise dos opioides nos EUA

São cerca de 300 mortes por dia provocadas por overdose da substância - o que soma mais de 100 mil óbitos em apenas um ano. O fentanil está entre as 10 principais causas de morte nos EUA e na semana passada matou por intoxicação um bebê de 1 ano. Uma espécie de epidemia que já dá sinais de que pode chegar ao Brasil, que neste ano registrou em fevereiro a primeira apreensão da substância nas mãos de traficantes. Para explicar os usos do fentanil e seus riscos para a saúde, Natuza Nery entrevista o médico Francisco Inácio Bastos, pesquisador titular do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocruz. Neste episódio: - Francisco aponta as funções médicas do fentanil, originalmente desenvolvido para medicina intensiva, medicina paliativa e oncologia. No uso ilegal feito nas ruas, conta, a substância é “macerada, transformada em pó e misturada com as coisas mais variadas possíveis” - muitas vezes, em drogas como heroína e cocaína para aumentar seu poder de vício; - O médico detalha de que modo o fentanil atua no corpo humano: funciona como um depressor respiratório e, caso administrado em excesso, pode afetar o fornecimento de oxigênio ao cérebro e até resultar em parada respiratória. “O efeito pode ser letal em tempo muito curto”; - Ele alerta para os riscos de um surto de consumo de fentanil no Brasil, uma droga de difícil detecção e que está sendo misturada com outras, mas avalia que o país está reagindo melhor ao problema do que os EUA: “O Brasil tem sistema de regulação nacional centralizado e mais eficiente”; - Francisco também comenta a epidemia de fentanil nos EUA, principalmente na região de São Francisco, cidade que tem uma “cracolândia de 4 a 5 vezes maior que a de São Paulo”.
9/25/202324 minutes, 44 seconds
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Epidemia invisível: abusos contra PCDs

Em entrevista recente, a ex-ginasta brasileira Laís Souza, que representou o país nos Jogos Olímpicos de 2004 e 2008, revelou viver uma realidade de medo e violência desde que sofreu um grave acidente em 2013 e ficou tetraplégica. Laís relatou que já sofreu violência sexual por cuidadores – nos últimos 3 anos, as denúncias desse tipo de crime contra PCDs aumentaram mais de 5 vezes no Disque 100. Para dar seu depoimento pessoal e analisar a fragilidade da sociedade brasileira na proteção dos PCDs, Natuza Nery entrevista Ana Rita de Paula, psicóloga e doutora pela USP, autora do livro “Sexualidade e deficiência - rompendo o silêncio” - ela nasceu com atrofia muscular espinhal e é tetraplégica. Neste episódio: - Ana Rita afirma que os casos de crimes de abuso contra PCDs são muito mais recorrentes do que registram os dados oficiais. E isso acontece, explica, ainda que muitas mulheres PCDs sejam vistas pela sociedade como pessoas “assexuadas”. “Os abusadores não são motivados pelo desejo sexual, mas pela submissão do outro”, afirma; - Ela comenta os dados da violência que incide sobre a população de pessoas com deficiência: a maioria dos crimes é cometida por membros da família e cuidadores. E justifica porque a escola e as forças de segurança precisam estar bem treinadas para atender a estes casos; - Ana Rita analisa como o preconceito em relação à sexualidade de PCDs se impõe como “opressão e violência psicológica”. “E isso ainda responsabiliza a vítima por sua própria situação de violência”, afirma; - A psicóloga explica o conceito de capacitismo: “É sinônimo de desvalorização”, resume. “Mas não é só isso, significa a expectativa da sociedade que PCDs vençam barreiras sociais sozinhas. É, ao mesmo tempo, ideia que a pessoa seja menos capacitada ou vê-la super responsável por resolver essas questões”, conclui.
9/22/202319 minutes, 27 seconds
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Violência e abusos em faculdades de medicina

As imagens de estudantes de medicina com órgãos genitais à mostra e em gestos obscenos durante jogos universitários geraram revolta e resultaram na expulsão de 7 alunos da Universidade de Santo Amaro (Unisa). Não é a primeira vez que atos violentos acontecem em eventos do tipo: há registro de brigas generalizadas, casos de abuso sexual e um histórico de décadas de agressões e humilhação em trotes – até com registro de morte. Para analisar o ambiente tóxico das faculdades de medicina e propor o que pode mudar, Natuza Nery ouve o médico Drauzio Varella. Neste episódio: - Drauzio reclama da falta de punição para os recorrentes casos de abusos em cursos de medicina, nos quais “crianças mimadas que estão na faculdade se acham os reis do mundo”. Para ele, a publicidade que eventos de violência sexual que envolvem médicos se justifica: “A medicina serve para aliviar o sofrimento humano, e ela não pode impor sofrimento moral e físico nas pessoas”; - Ele cobra os dirigentes de faculdades para que proíbam a realização dos trotes, uma manifestação que classifica como “absurda e antiga, que não tem mais motivo para acontecer”. A avaliação dele é de que as instituições de ensino não podem mais se eximir da culpa de condenar comportamentos violentos e devem assumir sua responsabilidade de “formar cidadãos”; - O médico também critica a quantidade superlativa de cursos de medicina no país - no mundo, somente a Índia tem mais que o Brasil – e a baixa qualidade dos profissionais formados nessas instituições. “Os professores deveriam ensinar ética para seus alunos, mas como vão ensinar aquilo que eles não sabem?”, questiona; - Drauzio, por fim, propõe a criação de filtro similar ao da OAB (Ordem dos Advogados Brasileiros) para os médicos recém-formados. Ele defende que haja um exame a cada dois anos para evitar que profissionais mal preparados atendam em prontos-socorros e para servir de parâmetro para fechar faculdades de baixo nível.
9/21/202327 minutes, 43 seconds
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Lula na ONU – o discurso e o impacto internacional

Como determina a tradição, coube ao presidente brasileiro a abertura da Assembleia Geral da ONU. Nesta terça-feira (19), Lula subiu pela sétima vez à tribuna da sede das Nações Unidas, em Nova York - em 2005 e 2010, o então chanceler Celso Amorim representou o país. Lula concentrou suas falas em quatro eixos: o enfrentamento da fome, a necessidade de uma revisão da governança global, as ameaças à democracia e a urgência em combater as mudanças climáticas. Para entender o que mudou no discurso de Lula nestas duas décadas e como o mundo recebeu as falas do presidente, Natuza Nery entrevista Carlos Milani, professor de relações internacionais da UERJ, sênior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais e coordenador do Labmundo e do Observatório Interdisciplinar das Mudanças Climáticas, e Brian Winter, editor-chefe da revista Americas Quartely, brasilianista e analista de política latino-americana há 20 anos. Neste episódio: - Carlos chama a atenção para a insistência de Lula em temas que acompanham os discursos do brasileiro desde sua estreia na Assembleia Geral da ONU, em 2003: casos do combate à desigualdade e da reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas. “E, agora, a questão ambiental e, com muito mais força, a questão climática, que está vinculada com o tema do desenvolvimento econômico”, afirma; - Ele avalia que o presidente “cumpriu duas funções” ao destacar o combate ao extremismo e a defesa da democracia: mandar um recado para dentro do Brasil e outro contra “a onda conservadora” em todo o mundo; - Para Carlos, Lula acerta ao dizer “o Brasil voltou”, mas acrescenta que “voltou menor”, com menos relevância na economia global e após 4 anos de testes contra suas instituições democráticas. “Hoje o Brasil ocupa uma posição intermediária. O lugar que o país pode ocupar é o de criar pontes entre o mundo desenvolvido e o mundo em desenvolvimento”, resume; - Brian afirma que, ao se posicionar de forma equilibrada sobre temas espinhosos – caso da Guerra da Ucrânia – e se apresentar como um líder do Sul global, Lula fez um discurso que “agradou muito em Nova York, inclusive a seus críticos”. Ele comenta também sobre os encontros que o brasileiro terá com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e com Joe Biden, presidente dos EUA: “Há uma certa decepção, mas eles vêm a necessidade de trabalhar temas comuns com o Brasil”.
9/20/202330 minutes, 26 seconds
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Calor extremo – como evitar o colapso do corpo

Os termômetros registraram seguidos recordes nos meses de julho e agosto, especialmente nos países do Hemisfério Norte, onde ondas de calor causaram tragédias climáticas com centenas de mortes. E agora que o inverno no hemisfério sul chega a sua reta final, as previsões são alarmantes também para o Brasil: essa semana, diversas cidades devem registrar temperaturas superiores a 40°C. Para orientar os brasileiros a se proteger dos riscos do calorão, Natuza Nery entrevista Mayara Floss, médica integrante da Organização Internacional de Médicos da Família e do Instituto de Estudos Avançados da USP, e Rafael Rodrigues da Franca, climatologista e professor e coordenador do Laboratório de Climatologia Geográfica da UnB. Neste episódio: - Mayara descreve como as altas temperaturas podem levar a condições como insolação, convulsões, insuficiência renal e até “ao coma e à morte”. “O nosso corpo vai até o limite e não consegue mais regular a temperatura, colapsa completamente”, resume; - A médica aponta os perfis de pessoas que estão mais suscetíveis às ondas de calor extremo. A lista tem moradores de casas precárias e de regiões com baixa arborização, crianças e idosos, pessoas com problemas de saúde mental e profissionais que atuam em ambientes externos, como agricultores, policiais, operários da construção civil e atletas; - Rafael explica o que são as ondas de calor e por que elas se apresentam de formas distintas nas diferentes regiões do país: “Depende de outras condições atmosféricas, como a umidade relativa do ar e os ventos”. Interferem também as condições urbanas, completa o climatologista; - Ele fala sobre o prognóstico de que os eventos climáticos extremos se tornarão mais frequentes: além de calor, haverá ondas de frio e de seca e períodos de chuvas intensas. “Os sistemas climáticos estão mais explosivos”, conclui.
9/19/202325 minutes, 44 seconds
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Burnout materno - o colapso da maternidade ideal

Ao longo dos séculos, as mulheres foram as principais responsáveis pelos cuidados das próximas gerações, bem como pelas demandas da casa e da família. Mais recentemente, é cada vez maior o número de mulheres que se tornaram provedoras do lar – quando não as únicas a manter a casa financeiramente. Além disso, enfrentam inúmeras cobranças, como ser a melhor profissional, criar futuros CEOs, deixar a casa impecável, cuidar da aparência e da vida social... O resultado da identificação com metas inatingíveis tem sido o burnout. Para entender como chegamos a esse ponto e quais as possíveis saídas, Natuza Nery conversa com a psicanalista Vera Iaconelli, doutora pela USP e diretora do Instituto Gerar de Psicanálise. Ela é autora do livro recém-lançado “Manifesto Antimaternalista - Psicanálise e Políticas da Reprodução”. Neste episódio: - Vera explica que, ao longo da história, as mulheres foram acumulando papéis sem nenhuma contrapartida da sociedade: "as mulheres estão adoecendo, ou simplesmente desistindo de ter filhos"; - A psicanalista explica a ideologia maternalista: muitas mulheres incorporam a crença de que elas estão falhando, não que o modelo atual de maternidade é o problema. "Burnout é o quanto você se identifica com essa demanda insana", diz ela; - Segundo Vera, o sofrimento psíquico acontece em todas as classes sociais, embora as brancas e mais ricas tenham mais apoio. As mais pobres ainda lutam pelo direito de cuidar dos filhos em condições mínimas; - As possíveis saídas, para ela, passam por mudanças na mentalidade das próprias mulheres e por mudanças sociais e econômicas.
9/18/202325 minutes, 2 seconds
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A relação do Brasil com o Tribunal Penal Internacional

Em 2003, quando estava em seu primeiro mandato, Lula atuou para Sylvia Steiner ser eleita a primeira brasileira juíza no Tribunal Penal Internacional (TPI). Agora, 20 anos depois, o presidente deu recentes declarações desmerecendo a Corte, ao afirmar que o presidente russo Vladimir Putin poderia vir ao Brasil sem risco de ser preso – mesmo tendo contra ele um pedido de prisão por deportação ilegal de crianças ucranianas. Depois, Lula questionou o fato de o Brasil ser signatário do Tribunal - presença prevista na Constituição Brasileira. Para discutir a mudança de posição do presidente brasileiro e do próprio governo em relação à Corte, e entender as funções e desafios do Tribunal Penal Internacional, Natuza Nery conversa com Sylvia Steiner, única brasileira a atuar no TPI, entre 2003 e 2016. Neste episódio: - Sylvia explica como o Tribunal funciona: “a Corte Internacional de Justiça é o órgão judicial da ONU e julga as disputas entre estados”, diz, diferente do Penal Internacional que arbitra sobre "indivíduos que cometeram crimes”. Ela diz que o TPI julga os chamados crimes contra a paz: genocídio, contra a humanidade, crimes de guerra e de agressão; - A jurista entende que as falas de Lula e, principalmente, do ministro da Justiça, Flávio Dino, são preocupantes, já que considera o Tribunal “uma conquista da humanidade”, um “instrumento a mais na luta contra a impunidade das violações massivas de direitos fundamentais”; - “Todo o procedimento do Tribunal depende de cooperação internacional. Qualquer estado que ratifique o Estatuto de Roma assume a obrigação de cooperar com o Tribunal sempre que for solicitado. É uma obrigação internacional”, explica sobre a forma como as prisões determinadas pelo TPI são feitas, uma vez que a Corte não tem polícia própria, nem pode invadir um país para prender condenados; - Sylvia relembra que, por vezes, ordens do TPI foram ignoradas por signatários do Tratado de Roma, “como as relacionadas aos mandados de prisão contra o presidente Al Bashir, do Sudão, pelo genocídio de Darfur”. E que, contra esses países, é expedida uma decisão de caráter declaratório de descumprimento de obrigação internacional, remetendo essa decisão para a assembleia dos países signatários, que “estuda possíveis sanções a serem aplicadas”.
9/15/202323 minutes, 29 seconds
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Danilo Cavalcante – a captura cinematográfica

14 dias, 500 policiais, cães farejadores, helicópteros, drones e até cavalo... Nesta quarta-feira (13), a caçada de duas semanas chegou ao fim, com o uso de câmeras térmicas que ajudaram a localizar Danilo Cavalcante no meio de restos de madeira, em uma área perto da mata. A fuga do brasileiro condenado à prisão perpétua por assassinar a ex-namorada em 2021 causou pânico a moradores da Pensilvânia. Para entender como Danilo conseguiu se esquivar da polícia por tanto tempo, num vai e vem em que ele percorreu ao menos 170 km, Natuza Nery conversa com Felippe Coaglio, correspondente da Globo nos EUA. E fala também com Ana Paula Rebhein, repórter da TV Globo e da TV Anhanguera Tocantins, que descreve como este caso está relacionado a outro crime cometido por Danilo em 2017. Neste episódio: - Felippe Coaglio explica por que o brasileiro vai ficar em solo norte-americano: “os EUA só extraditam depois do cumprimento da pena”. Ele diz que a irmã de Danilo, presa por não cooperar com as investigações, vai ser deportada por estar em situação ilegal no país; - Ana Paula relembra o crime cometido por Danilo em 2017 no Tocantins, quando ele matou o amigo Walter Júnior depois de desavenças, “entrou num carro e desapareceu”. O caso aconteceu dois meses antes de o brasileiro viajar para os EUA; - “Danilo conseguiu sair do Brasil mesmo com uma ordem de prisão decretada”, diz, ao apontar que a Justiça do Tocantins não incluiu o nome dele no Banco Nacional de Mandados de Prisão. A jornalista relata ainda como o inquérito sobre o crime de 2017 só caminhou na justiça depois de Danilo cometer o crime de 2021, em solo norte-americano.
9/14/202328 minutes, 15 seconds
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Atos golpistas – os primeiros julgados no STF

Nove meses depois do 8 de janeiro, quatro homens vão ser os primeiros réus a ser julgados pelo Supremo por invadir a sede dos Três Poderes em Brasília. Aécio Lucio Costa Pereira, Thiago de Assis Mathar, Moacir José dos Santos e Matheus Lima Lazaro são acusados de cinco crimes previstos no Código Penal: associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado, com penas que, somadas, podem chegar a 30 anos. Para entender as provas e acusações contra eles e o significado do julgamento para a democracia brasileira, Natuza Nery conversa com Márcio Falcão, jornalista da Globo em Brasília, e com Eloísa Machado, professora de Direito da FGV-SP. Neste episódio: - Márcio detalha as provas colhidas contra os 4 réus, que fazem parte do grupo de “executores” dos Atos Golpistas, presos e denunciados por associação criminosa armada e golpe de Estado; - O jornalista relata o que levou a presidente do Supremo, ministra Rosa Weber, a marcar o julgamento para uma sessão extra, a ser feita de maneira presencial, algo “simbólico”, já que o Plenário do STF foi uma das áreas mais destruídas pelos vândalos no dia 8 de janeiro; - Eloísa Machado analisa como o julgamento em Plenário faz parte de uma opção da Corte de mandar um “recado público e consistente em relação à prática dos crimes contra a democracia e como a Justiça vai enfrentá-los"; - A professora de Direito explica o debate em torno do fato de os réus estarem sendo julgados pelo STF e não por instâncias inferiores da Justiça. “Podemos esperar um tribunal dividido”, diz, ao lembrar que os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques já se posicionaram contra denúncias feitas pela PGR no caso dos Atos Golpistas.
9/13/202326 minutes, 37 seconds
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Alerta de desastres – como prevenir tragédias

O primeiro alerta do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) para o potencial devastador de chuvas no Rio Grande do Sul foi dado no dia 31 de agosto, quatro dias antes do temporal que atingiu o Estado, deixando mais de 40 mortos e 25 mil pessoas fora de casa. No começo de 2023, a tragédia de São Sebastião (quando 65 pessoas morreram no litoral de São Paulo) foi marcada pela falha no sistema de alertas. Para entender a importância dos alertas e como o sistema pode ser usado na prevenção de catástrofes em um momento em que eventos extremos são cada vez mais frequentes, Natuza Nery conversa com Pedro Luiz Cortês, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, pesquisador em políticas públicas de combate às mudanças climáticas e revisor de relatórios do IPCC. Neste episódio: - Pedro aponta protocolos para a redução de danos causados por eventos extremos, como a obrigatoriedade do envio de mensagens de celular, com orientações práticas para a população não ficar exposta ao risco; - O professor cita a ausência de planos de prevenção no Rio Grande do Sul, onde estado e municípios deixaram de avisar a população sobre rotas de fuga e cita a necessidade de indicar locais para se abrigar e o que fazer em situações de emergência, “apesar do histórico recente de eventos extremos” no Estado; - Pedro destaca a importância da educação ambiental no ensino fundamental: “alertar crianças para eventos extremos e o que fazer tem poder de disseminação nas famílias”, diz; - Ele conclui sobre a necessidade de a população ser alertada sobre como agir em dias de calor extremo, com foco em crianças e idosos, grupos mais suscetíveis a óbito em ondas de altas temperaturas.
9/12/202325 minutes, 19 seconds
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Mulheres no degrau de baixo do funcionalismo

As mulheres são 51% da população brasileira e também são maioria entre os servidores públicos civis (61%), segundo dados da República.org, mas a proporção se inverte nos cargos de poder – neles, os homens ocupam 61% das posições. O cenário de desigualdade está disseminado pelo serviço público. Das 213 unidades diplomáticas do Brasil pelo mundo, as mulheres ocupam cargos de chefia em apenas 34, de acordo com o Itamaraty. Para entender por que a disparidade ainda persiste e discutir possíveis soluções, Natuza Nery recebe Irene Vida Gala, subchefe do escritório de representação do Itamaraty em São Paulo e presidente da associação das mulheres diplomatas brasileiras, e Gabriela Lotta, doutora em ciência política, professora da FGV, vice-presidente do conselho da República.org, uma organização que trabalha com a valorização do serviço público. Neste episódio: - Irene diz que a carreira diplomática tem histórico de ser mais masculina e que, aqui no Brasil, isso tem mudado a passos lentos. Por isso, ela e outras diplomatas decidiram criar uma associação para aumentar a representatividade; - Para Irene, o Brasil precisa incluir no serviço diplomático mais mulheres, negros, indígenas e todos os grupos não privilegiados, para que a política externa brasileira atenda aos anseios desta população, e não apenas aos anseios de uma elite branca e masculina; - Gabriela fala sobre os fatores que explicam a desigualdade vertical nas carreiras de estado. Segundo ela, a discriminação de gênero faz com que as nomeações para cargos comissionados continuem privilegiando homens: "A rede do poder é muito masculina. Homens indicam homens, e isso vai descendo escada abaixo dentro setor público". A mulheres que são mães também são mais penalizadas e preteridas nas indicações; - A cientista política também explica por que a desigualdade salarial entre homens e mulheres no serviço público é ainda maior do que no setor privado. "As mulheres estão majoritariamente nas profissões do cuidado, que são as profissões que pagam menos durante toda a carreira."
9/11/202329 minutes, 36 seconds
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Lula e os votos sigilosos do STF

Nesta terça (5), em uma de suas lives semanais, o presidente Lula (PT) trouxe à tona um tópico que estava fora do radar. No que chamou de conselho à sociedade e ao Judiciário, sugeriu que os votos de cada ministro nas decisões do Supremo Tribunal Federal fossem sigilosos, e que fossem divulgados, apenas, os placares finais dos julgamentos. Segundo o presidente, isso evitaria que fossem estimuladas hostilidades contra os ministros da Corte. Mas deste conselho decorreu uma enxurrada de críticas. Muitas delas atentam à possível perda de transparência da mais alta instância jurídica do país perante a opinião pública. Outras pontuam que a declaração foi uma reação de Lula, questionado pela recente indicação de seu advogado criminalista Cristiano Zanin ao STF — bem como pela atuação do ministro em seus primeiros votos no cargo — e pelas especulações acerca da nova indicação, frente à iminente aposentadoria da ministra Rosa Weber. Para discutir a declaração do presidente e os possíveis impactos da medida sugerida por ele, Natuza Nery recebe Carlos Ayres Britto, ministro aposentado do STF, e Conrado Hubner Mendes, doutor em direito e ciência política, professor de Direito Constitucional da USP e autor do livro ‘Constitutional Courts and Deliberative Democracy’. Neste episódio: - Conrado Hubner Mendes afirma que o presidente reagiu a um incômodo à pressão que sofre da sociedade civil sobre a diversidade na escolha do próximo nome para a Suprema Corte; - O cientista político também conta sobre a experiência de outros países em despersonalizar os votos das altas cortes jurídicas, com votos coletivos, identificados, mas que sintetizam a opinião dos ministros e tornam a comunicação das decisões menos prolixas; - O ministro aposentado do Supremo Ayres Britto ressalta que a Constituição Federal garante a publicidade das decisões jurídicas em todas as instâncias; - Ayres Britto afirma que cada juiz não consegue se desvencilhar de si mesmo, mas precisa se “salvar de si mesmo” para julgar, já que não pode interpretar o Direito de acordo com suas vontades subjetivas.
9/6/202325 minutes, 37 seconds
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Augusto Aras: a iminente saída da principal peça no xadrez de Bolsonaro

Em setembro de 2019, Jair Bolsonaro alçaria a um dos cargos mais importantes da República alguém que buscou se mostrar afeito às ideais do então presidente. E durante quatro anos à frente do Ministério Público Federal, Augusto Aras fez jus às expectativas. Protegeu o então presidente frente a denúncias de toda sorte que se amontoavam: as suspeitas de corrupção, a gestão desastrosa da pandemia e os ataques constantes à democracia. Contudo, a menos de um mês da nova indicação à PGR, agora de responsabilidade do presidente Lula, Aras resolveu mudar a rota. Neste episódio, Natuza Nery e Bela Megale, colunista do jornal O Globo e comentarista da CBN, perpassam os quatros anos de Aras na procuradoria e a tentativa do antigo fiel-escudeiro de Bolsonaro de se afeiçoar a Lula e ao PT para continuar por mais dois anos no cargo. Neste episódio: .Bela Megale conta a trajetória de Aras na PGR, onde entrou em 1987, mantendo sua atuação como advogado com grande trânsito entre políticos, mas sem conseguir ser uma liderança dentro do Ministério Público. .A colunista conta que Aras viu uma oportunidade para se alçar ao cargo de PGR quando Bolsonaro acenou à possibilidade de não respeitar a lista tríplice para a escolha do novo procurador, começando uma campanha entre empresários e membros do Centrão. . Mostra como Aras trabalhou para desmontar a operação Lava-Jato, especialmente a força-tarefa da operação em Curitiba; e como isso agradou diferentes espectros políticos: do Bolsonarismo ao Lulismo. .Bela Magale afirma que ”Vai acabar a última barreira de contenção que Bolsonaro ainda tem no Judiciário” com a saída de Aras do cargo no fim de setembro.
9/5/202332 minutes, 58 seconds
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África - golpe atrás de golpe e a influência russa

O golpe mais recente foi consumado na última quarta-feira (30), quando os militares do Gabão alegaram fraude na eleição presidencial e tomaram o poder no país. Um roteiro parecido com o que foi visto no Níger, 35 dias antes: um grupo militar destituiu o presidente Mohamed Bazoum, aliado dos líderes ocidentais contra o avanço de grupos radicais islâmicos na África Ocidental. Ao todo, nos últimos três anos somaram-se 8 golpes de Estado no continente africano: dois no Mali, dois em Burkina Faso, um no Sudão e mais outro na Guiné. Para descrever e analisar o atual cenário na instabilidade política no continente, Natuza Nery conversa com Luísa Belchior, jornalista da editoria de Mundo no g1, e com Tanguy Baghdadi, professor de política internacional da Universidade Veiga de Almeida e fundador do podcast Petit Journal.
9/4/202324 minutes, 2 seconds
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A batalha em torno do déficit zero

O Orçamento enviado pelo Executivo ao Congresso nesta quinta-feira (31) mantém a promessa feita pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad: zerar o déficit das contas públicas. Haddad convenceu o presidente Lula, contrariando lideranças do PT que defendiam o aumento dos gastos para impulsionar a economia, aumentando a arrecadação. A meta é considerada ambiciosa pois, para ser cumprida, precisa que o governo levante R$ 168 bilhões a mais em receitas. E também porque depende da aprovação, no Congresso, de medidas como a tributação dos chamados fundos offshore e de grandes investidores. Para explicar o que levou à queda de braço em torno da meta de déficit zero e entender se ela é real ou utópica, Natuza Nery conversa com Adriana Fernandes, repórter especial e colunista do jornal O Estado de S.Paulo. Neste episódio: - Adriana resume como “’por trás da discussão da meta está a decisão de gastar mais em 2024”. E explica que o governo terá que fazer contingenciamentos caso não consiga aumentar a arrecadação; - Ela detalha os motivos que fazem a meta de déficit zero ser considerada ambiciosa: “é uma caça ao tesouro”, ilustra, ao citar a necessidade de R$ 168 bilhões a mais em receitas. E lembra como o Congresso precisa aprovar projetos como a tributação de fundos de investimentos fora do país e de fundos dos chamados “super-ricos” no Brasil para ajudar a fechar a conta; - A jornalista aponta dois personagens que se colocaram, por motivos diferentes, contra a meta de déficit zero: Arthur Lira (presidente da Câmara) e Gleisi Hoffmann (presidente do PT). De um lado, Lira pressiona o governo por uma reforma ministerial: “aqui em Brasília cria-se dificuldades para obter vantagem”, diz, mas lembra que Lira tem a ambição de deixar sua marca na pauta econômica. Sobre a presidente do PT, Adriana lembra como ela e o partido têm “convicção ideológica de que o aumento do gasto impulsiona a economia”, ao puxar a arrecadação; - E conclui como um eventual recuo de Haddad sobre esta que é uma de suas promessas seria “um tiro no pé”. Ela explica que o esforço do ministro da Fazenda para chegar ao déficit zero tem papel simbólico: "começar sem nem tentar seria dar margem para novas flexibilizações e mais gastos”, diz.
9/1/202327 minutes, 32 seconds
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Caso das joias: o que a PF quer ouvir de Bolsonaro

Nesta quinta-feira (31), a Polícia Federal espera ouvir simultaneamente 8 pessoas ligadas à investigação de venda ilegal de joias – entre elas, Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle e parte do grupo que era o “coração” do Planalto no governo do ex-presidente. A PF quer ouvir também o coronel Mauro Cid (ex-faz-tudo de Bolsonaro), o pai de Cid (amigo íntimo de Bolsonaro), Frederick Wassef (advogado da família do ex-presidente) e assessores de Bolsonaro. A suspeita é a de que o grupo atuou para desviar presentes recebidos por autoridades brasileiras e vende-los no exterior. Para relembrar as várias versões dadas pelos envolvidos na investigação e entender a trama desta história, Natuza Nery conversa com Daniela Lima, apresentadora da GloboNews e colunista do g1. Neste episódio: - Daniela relembra as versões já apresentadas por Bolsonaro desde que o escândalo das joias foi revelado; e avalia a mais recente linha de defesa assumida pelo ex-presidente – reivindicar que os itens devem ser reconhecidos como personalíssimos. “Não é uma defesa fácil e não será aceita com leveza nos tribunais que, inclusive, firmaram o entendimento sobre o que é item personalíssimo”, afirma; - Ela recorda também como “as versões parecidas” de Jair e Michele à notícia sobre as joias passaram a “entrar em choque” - o que teria, especula-se em Brasília, culminado numa “crise conjugal”. “Michelle crava que não sabia. Depois, as investigações deixam claro que, se ela não sabia, foi porque o marido não contou”, diz; - A jornalista informa que Bolsonaro usava o telefone de Mauro Cid para tratar de assuntos delicados e identifica o ex-ajudante de ordens como peça-chave para os cinco eixos de investigação apontados pela PF – ela também comenta o possível interesse de Cid em fechar um acordo de delação premiada: “Ele conhecia tudo e vai ter que entregar tudo se quiser virar delator. E decidiu falar”; - Daniela relata o momento em que o advogado Frederick Wassef entra no caso das joias como um “supertrunfo da treta”, diante de um quadro de nervosismo geral no entorno do ex-presidente: é ele quem compra de volta o Rolex para entregá-lo ao TCU. “Ele é acionado nos casos de extrema necessidade para apagar os vestígios de um crime, como nos filmes de máfia”, sentencia.
8/31/202349 minutes, 55 seconds
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Bahia – a violência toma conta do estado

À chacina que matou 9 pessoas nesta semana se somam outros casos de violência extrema, como o assassinato da líder quilombola mãe Bernardete. De acordo com o anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2022, as quatro cidades mais violentas do país estão em território baiano – estado que abriga 12 dos 50 municípios do topo da lista. Os dados apontam também que as polícias da Bahia mataram 1.464 pessoas em intervenções oficiais; com isso, o conjunto de forças de segurança do estado pela primeira vez se consolida como a mais letal do Brasil. Para explicar a tsunami de violência que assombra a Bahia, Natuza Nery entrevista Itana Alencar, repórter do g1 em Salvador, e Eduardo Ribeiro, coordenador da Rede de Observatórios de Segurança Pública na Bahia e diretor-executivo da organização Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas. Neste episódio: - Itana descreve os crimes recentes que abalaram o estado: a chacina em São João da Mata e a execução de Mãe Bernadete Pacífico dentro do quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. “A gente pode afirmar, sem dúvidas, que essa violência é causada pela predominância de facções de drogas e armas na Bahia”, afirma; - A jornalista comenta a “péssima sensação da segurança pública”: em Salvador, ela relata que é comum noticiar assaltos a ônibus e tiroteios em diferentes bairros. “A sensação de insegurança se dá pelos dois lados, seja pelo lado da criminalidade, seja pelo lado da polícia”, relata; - Eduardo analisa o “histórico de truculência” da polícia baiana e o recente incremento de uma lógica de ações que incentivam o confronto e levam ao aumento da letalidade: “Não é só uma crise de governo, é uma crise de modelo de segurança pública”. E identifica que 98% das vítimas dessa polícia em Salvador são pessoas negras. “É a polícia que mais mata negros no Brasil”, resume; - Ele critica a falta de propostas progressistas alternativas para a segurança pública: “Ainda que o PT esteja há 16 anos no governo da Bahia, não consegue apresentar diferença aos gestores de direita”. E defende que haja uma política de segurança pública federal para combater as facções do crime organizado, que atuam nacionalmente.
8/30/202337 minutes, 33 seconds
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Educação infantil: arma contra desigualdades

Um levantamento inédito - e publicado em primeira mão neste episódio de O Assunto - realizado pela organização Todos pela Educação denuncia as condições das escolas públicas de educação infantil em todo o Brasil. Na lista de descobertas, identificou-se que a maioria das escolas não têm banheiros ou refeitórios adequados; 60% não têm rede de esgoto; 64% estão sem parques infantis; 70% sofrem da falta de bibliotecas. Para apresentar os dados e as conclusões do documento, Natuza Nery recebe Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos pela Educação. Ela conversa também sobre o desenvolvimento das crianças com Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, instituição que trabalha pela causa da primeira infância. Neste episódio: - Priscila justifica os motivos para escolas de educação infantil não serem “escolas quaisquer” e precisarem de “infraestrutura adequada para esta faixa etária”: “É o período no qual há explosão no desenvolvimento da criança”; - Ela justifica como a desigualdade na educação pode “solucionar o maior problema do país, que é a desigualdade socioeconômica alta e injusta”. Ela avalia que parte do problema está na diferença com a qual as crianças são tratadas na primeira infância. “Quanto mais vulnerável a criança, maior deve ser a atenção e o investimento dedicados”, afirma; - Mariana descreve a importância da escola nesta faixa etária para além dos aspectos educacionais: é onde a criança garante sua segurança alimentar e são protegidas de eventuais situações de violência doméstica. “Para as populações vulneráveis, uma creche de qualidade pode gerar benefícios ainda maiores”, avalia; - Ela explica o que a neurociência já descobriu sobre o desenvolvimento cerebral das crianças de 0 a 6 anos: são 1 milhão de conexões por segundo, o que forma até “90% do nosso cérebro” e compõe o tripé de desenvolvimento infantil – cognitivo, físico-motor e socioemocional. “Todas as competências que a gente busca no dia a dia, na escola e no mercado de trabalho estão ancoradas nisso”, conclui.
8/29/202331 minutes, 23 seconds
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Ministro Zanin e a crise aberta para Lula

Quando Lula (PT) teve todas suas condenações na Lava Jato anuladas na Justiça, seu então advogado Cristiano Zanin foi alçado à condição de quase herói entre os apoiadores do líder petista. Desde então, era citado pelo agora presidente como um potencial candidato a uma vaga no STF caso vencesse a eleição do ano passado. Assim o fez. E Zanin se apresentou à sabatina no Senado com um bem-sucedido currículo na advocacia, mas pouco a dizer em relação ao que pensa sobre temas sensíveis. Menos de um mês após sua posse no Supremo, suas posições já abriram rachaduras no entorno de Lula. Para explicar o que está em jogo, Natuza Nery conversa com a jornalista Flávia Oliveira, comentarista da Globonews e colunista do jornal O Globo e da rádio CBN. Neste episódio: - Flávia aponta o paradoxo de, embora Lula tenha sido eleito com discurso e plataforma de esquerda, sua primeira indicação ao STF não apresente características progressistas – como apontam os primeiros votos de Zanin na Corte. “Havia a expectativa do eleitorado de Lula de que a indicação fosse nessa direção”, afirma; - Ela comenta os votos já apresentados pelo ministro, em especial aquele que foi contra a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal – e como isso irritou a base política social do governo. “Zanin tem demonstrado até aqui apego grande à letra fria e falta de sensibilidade”, avalia; - Flávia lista os nomes que circulam como principais candidatos à indicação de Lula para substituir a ministra Rosa Weber, que se aposenta do Supremo em setembro. Ela relata que “a já existente pressão” para que o presidente indicasse mulheres, em especial uma mulher negra, "será ainda maior” depois dos primeiros atos de Zanin na Corte; - A jornalista pondera que, embora a base social de Lula esteja incomodada, “há grupos do campo conservador satisfeitos com Zanin e, portanto, menos críticos ao presidente”. “A tendência de Lula a formatação de consenso pode fazer entender que é isso que ele quer mesmo”, suspeita.
8/28/202337 minutes, 51 seconds
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Jair Renan e as encrencas dos filhos de Bolsonaro

A quinta-feira começou com a polícia do DF batendo à porta de endereços do filho 04 do ex-presidente, em uma investigação sobre estelionato e lavagem de dinheiro. À tarde, o nome de Jair Renan Bolsonaro apareceu de novo, numa das frentes de investigação que se acumulam contra o pai Jair. O filho adulto mais novo do ex-presidente já havia sido alvo de operações antes. E ele não está sozinho: Flávio (01), Eduardo (02) e Carlos (03) já foram ligados a casos como viagens secretas e rachadinhas. Para entender as suspeitas contra Jair Renan e em que pé estão os casos de outros filhos do ex-presidente, Natuza Nery conversa com Thais Bilenky, repórter da revista Piauí e apresentadora do podcast ‘Alexandre’. Neste episódio: • Thais explica como a investigação da polícia do DF foi parar em Santa Catarina, onde o 04 trabalha no gabinete de um senador aliado de Jair. “Demonstra como a política se tornou um cabide de empregos para a família”, diz; • Ela relembra outra apuração contra Jair Renan, sobre tráfico de influência, num caso “que mostra o uso da máquina pública para obter vantagens”, modus operandi da família Bolsonaro, aponta; • Thais atualiza a situação do senador Flávio Bolsonaro, investigado pela prática de rachadinhas, processo que foi praticamente anulado pelo STJ em 2021. “Essa acusação é muito similar ao que já se acusou Bolsonaro pai e Carlos Bolsonaro”, afirma, sobre a prática de servidores de repassar parte dos salários para um operador que, geralmente, ajuda a pagar contas pessoais de parlamentares; • A jornalista conclui citando Carlos Bolsonaro, filho 03, sob quem também pesam suspeitas de rachadinha e de participação no chamado “gabinete do ódio”, espécie de central de desinteligência e disseminação de fake news.
8/25/202323 minutes, 55 seconds
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Regra fiscal aprovada: o que vem agora?

Foram mais de 120 dias de tramitação entre Câmara e Senado para que a proposta do governo para a nova regra de gastos fosse aprovada. O texto passou em votação final na Câmara com maioria esmagadora, mas barrou alguns pontos desejados pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). Para o Planalto, fica o alívio pela aprovação e, também, o recado de que Arthur Lira (PP-AL) segue com o controle do parlamento – ele deve cobrar caro para que novos projetos governistas sejam votados. Para explicar os acordos e as tensões entre o Executivo e o Legislativo, Natuza Nery conversa com a jornalista Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da rádio CBN. Neste episódio: - Maria Cristina avalia as dificuldades da equipe econômica para cumprir a meta estabelecida pela nova regra fiscal já em 2024: “O mercado dá como improvável que Haddad zere o déficit no próximo ano”. O que ficou ainda mais difícil com a negativa dos deputados ao pedido do governo para mudar a base de cálculo da inflação. “Esses R$ 40 bilhões são o preço que Lula pagou por demorar para definir o ministério”, afirma; - Ela avalia por que a ala não-bolsonarista do PL mudou de ideia e passou a apoiar o projeto favorável ao governo: cita o “índice-Rolex” e a execução de emendas parlamentares e cargos nos estados. “Isso revela que o governo está minando a oposição bolsonarista”. E menciona também o que motivou os votos pró-regra fiscal de todos os deputados do PSOL; - Maria Cristina detalha também as bombas fiscais engatilhadas pela Câmara: isenção de impostos da cesta básica e a renovação até 2027 da desoneração da folha de pagamento. E como o presidente da Casa, Arthur Lira, embarreira a votação da taxação dos fundos offshore, embora haja “boa vontade de deputados com o governo” - e cita os votos do PL e do Republicanos; - A jornalista analisa o processo de sucessão da presidência das duas casas do Congresso. No Senado, aponta que Davi Alcolumbre (União-AP) será o principal articulador. Na Câmara, Lira quer fazer um sucessor que “o encaminhe para algum ministério”.
8/24/202329 minutes, 43 seconds
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Rotativo do cartão: a bomba-relógio

Deixar de pagar a fatura completa de cartão de crédito tem um custo altíssimo. Quem empurra a dívida para o mês seguinte paga o juro mais caro do mercado – 437% ao ano. A taxa é tão alta que, para muitos, vira uma bola de neve que se reflete em uma inadimplência de 50%, um total que supera os R$ 77 bilhões. O problema que está endereçado: o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, debatem até a extinção do modelo de financiamento. Para analisar as consequências do rotativo na economia brasileira, Natuza Nery fala com o economista Lauro Gonzalez, professor e coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV-SP: - Lauro descreve o funcionamento do rotativo e por que seus “juros são tão escorchantes”: a taxa de inadimplência é “extremamente elevada”. “É um produto insustentável, uma máquina de produzir superendividados”, analisa; - Ele avalia que o modelo de uso do cartão de crédito - mais como uma contratação de crédito imediato do que forma de pagamento - é um problema que cresceu devido à combinação de três fatores: macroeconomia indo mal, as decisões individuais e os modelos das empresas para fornecer crédito. “Os bancos bombardeiam os mais pobres com crédito predatório”, afirma; - Lauro diz que acha provável que, de fato, o rotativo acabe, mas teme que “uma troca de embalagem e que o produto lá dentro continue o mesmo”. Ele comenta também sobre o eventual fim do “parcelado sem juros, uma prática arraigada no nosso costume”; - O economista explica como a queda na taxa de juros pode resultar em menos inadimplência - e como isso pode ser benéfico para os próprios bancos. “As instituições entendem que o produto, como é hoje, não é sustentável. O cano pode estourar”, conclui.
8/23/202326 minutes, 15 seconds
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O fim da regra que impede juízes de julgar clientes de parentes

Por 7 votos a 4, o Supremo Tribunal Federal decidiu pela invalidação de um trecho do Código de Processo Civil que estabelece uma das regras para o impedimento de juízes e ministros em ações. Na prática, agora está liberado que eles decidam em casos em que uma das partes da ação seja cliente de um escritório do parente do juiz, mesmo que na causa o cliente esteja sendo defendido por outro advogado. Para explicar as implicações dessa decisão no Judiciário, Natuza Nery entrevista o advogado Guilherme France, gerente do Centro de Conhecimento Anticorrupção da Transparência Internacional Brasil. Neste episódio: - Guilherme justifica que as limitações impostas às relações de juízes e ministros com advogados são importantes para “a imparcialidade de fato e para a aparência de imparcialidade” das decisões. “Se a sociedade não percebe que o Judiciário atua de forma isonômica, o Judiciário se fragiliza e se abre para mais ataques”, afirma; - Ele comenta a posição da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que entende ser impossível para os juízes identificar se há nas partes algum advogado que se enquadrasse na norma, e menciona o voto do ministro Edson Fachin: “Ele reforça o dever de boa-fé também dos advogados”; - O advogado afirma que a mensagem enviada à sociedade com a decisão do Supremo é a de que “não são necessárias as cautelas para garantir a independência do Judiciário como um todo”. Ele também critica a “mensagem negativa” da advocacia em geral, que defendeu a derrubada da medida; - Ele lembra que a decisão alcança ainda comarcas pequenas, onde há poucos escritórios de advocacia e um só juiz para toda região. “Nesses casos, serão necessários rearranjos”, conclui.
8/22/202321 minutes, 2 seconds
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A avalanche contra Bolsonaro e os riscos de prisão

Nos últimos dias, o ex-presidente foi bombardeado por más notícias em pelo menos três investigações. Primeiro, no caso da atuação da Polícia Rodoviária Federal para atrapalhar o voto de eleitores do Nordeste no dia do 2° turno de 2022. Na quinta-feira passada, Bolsonaro foi ligado a crimes diversos no depoimento-bomba do hacker Walter Delgatti Neto na CPI dos Atos Golpistas. E, por fim, na explosiva investigação sobre o Rolex vendido e recuperado ilegalmente nos EUA, Bolsonaro viu Frederick Wassef fazer uma desastrada confissão e o advogado de Mauro Cid afirmar que fora ele, o ex-presidente, que mandou seu ex-ajudante de ordens vender o relógio. Para fazer a análise jurídica e política da situação de Bolsonaro, Natuza Nery conversa com o advogado Rafael Mafei, professor da Faculdade de Direito da USP e da ESPM, e com o jornalista e consultor Thomas Traumann, pesquisador da FGV-RJ. Neste episódio: - Maffei descreve os dois casos nos quais é cabível prisão em investigações penais: a condenação criminal transitada em julgado (no momento, “distante de Bolsonaro”) e uma medida de natureza cautelar. “Nos casos que ameaçam Bolsonaro, há três possibilidades de prisão cautelar: possibilidade de fuga, adulteração ou destruição de provas, ou coação de testemunhas”, afirma; - Ele declara que Bolsonaro está “à mercê de coisas que podem surgir” nas investigações, sejam elas relacionadas ao caso das joias ou às denúncias do hacker Walter Delgatti. Sobre o que já está nas mãos da PF, “estamos falando de suspeitas de delito compatíveis com a eventual decretação de prisão cautelar, caso de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crime contra o Estado democrático de direito”; - Thomas avalia que embora o ex-presidente tenha desmobilizado apoiadores nos últimos meses e “esteja numa posição acuada”, segue como “uma força política muito grande”. Em relação ao bolsonarismo, ele afirma, “não podemos supor que fatos sejam suficientes para mudar convicções” e compara a situação dele a de Trump nos EUA, onde o republicano cresceu nas pesquisas de opinião pública; - O jornalista compara o episódio da condenação de Lula - no qual houve um hiato de 2 anos entre a prisão coercitiva e a definitiva, em 2018 - com a situação atual de Bolsonaro: “Acho que a tática é um pouco essa”. Ou seja, uma eventual decisão para prendê-lo só deve acontecer após a exposição pública de depoimentos e evidências, caso contrário “haverá comoção popular”.
8/21/202329 minutes, 50 seconds
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Delgatti: o hacker-bomba na CPI

Conhecido como ‘hacker da Vaza Jato’, Walter Delgatti chegou à CPI dos Atos Golpistas com autorização para ficar em silêncio. No entanto, por mais de 7 horas ele deu o que até aqui tem sido considerado um dos depoimentos mais reveladores na comissão. Citou uma promessa de indulto feita por Jair Bolsonaro caso fosse punido por tentar invadir o sistema da Justiça Eleitoral, um plano do ex-presidente para forjar fraude nas urnas eletrônicas, e a existência de um grampo contra Alexandre de Moraes. Para entender os paralelos entre o depoimento de Delgatti à CPI e as investigações sobre a trama golpista de Bolsonaro, Natuza Nery conversa com Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN. Neste episódio: - Bernardo relembra como foi a aproximação entre o bolsonarismo e o hacker preso em 2019 por invadir celulares de autoridades e integrantes da Lava Jato: “por ter sido o hacker da Lava Jato, ele foi procurado pela deputada Carla Zambelli para ajudar em uma trama criminosa”, diz, ao citar o plano para deslegitimar as urnas eletrônicas; - O jornalista sinaliza a acusação mais grave feita por Delgatti à CPI: “ele diz que Bolsonaro relatou ser o autor de um grampo a um ministro do STF”. Para Bernardo, esta acusação é verossímil, pois se soma "a uma série de ataques de Bolsonaro a Alexandre de Moraes”. No entanto, pondera a dificuldade de comprovar a veracidade da existência de um grampo contra o ministro do Supremo; - “Bolsonaro estender o tapete vermelho a alguém com a ficha policial do Walter Delgatti é grave em si”, aponta Bernardo, ao lembrar que o hacker já havia sido preso pelo menos três vezes e mesmo assim foi recebido no Palácio da Alvorada a menos de dois meses da eleição; - E aponta como a semana termina “muito mal” para o ex-presidente. “O depoimento foi uma espécie de delação premiada”, diz, ao apontar como a fala do hacker foi a que mais expôs Bolsonaro na CPI. “O cerco contra [Bolsonaro] está se fechando”, conclui.
8/18/202324 minutes
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Wassef, o ‘anjo’ da família Bolsonaro

Depois de negar e de despistar, o advogado assumiu a compra do Rolex que fora presente da família real saudita ao então presidente Jair Bolsonaro (PL) em viagem oficial ao país em 2019. O relógio de ouro branco cravejado de diamantes é avaliado em R$ 300 mil e foi vendido ilegalmente a uma loja nos EUA, onde Frederick Wassef o recuperou por US$ 49 mil, em dinheiro vivo – de volta ao Brasil, o objeto foi entregue ao Tribunal de Contas da União. Para explicar como ‘Fred’ entrou nessa história e como ele há quase uma década intervém em prol do clã Bolsonaro em diversos contextos, Natuza Nery conversa com os jornalistas Bruno Abbud, autor da newsletter Fagulha, e Andréia Sadi, apresentadora e comentarista da TV Globo e da GloboNews e colunista do g1. Neste episódio: - Bruno recorda como Jair e Fred se conheceram, como a amizade entre os dois se estreitou durante a campanha eleitoral de 2018 e se manteve durante os 4 anos do mandato de Bolsonaro – e como o caso da rachadinha foi o teste de fogo da relação. “Wassef assume a defesa de Flavio Bolsonaro e conquista uma vitória no STF”, conta. “Ficou claro que ele assumia uma posição de alpinista social, sempre no entorno do presidente”; - Sadi relaciona os casos do esconderijo de Fabricio Queiroz (que estava na casa de Wassef em Atibaia, no interior paulista) com o do Rolex: “Ele tenta se apresentar como o salvador da pátria para a família Bolsonaro. Desde o caso Queiroz, ele passa a se chamar de ‘anjo’”; - Ela informa que Wassef “tinha acesso livre” a Bolsonaro e também “o influenciava em decisões sobre autoridades com prerrogativas de investigações”: o advogado participou da indicação de Augusto Aras à PGR e das escolhas para o Ministério da Justiça e para a Polícia Federal. “Quando tem confusão, você não precisa nem ter dúvidas: o Wassef está metido”, afirma; - A jornalista comenta as três versões apresentadas pelo advogado para o caso do Rolex: “Ele me disse que nunca viu o relógio, e que nunca teve contato com os militares”. No dia seguinte, a PF apresentou provas de que ele mentira. “Por isso a defesa técnica de Bolsonaro está tão irritada”, informa.
8/17/202331 minutes, 53 seconds
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Combustíveis – alta nos preços e a Petrobras

Pela primeira vez desde que a estatal anunciou sua nova política de preços, a estatal anunciou reajuste para cima. A partir desta quarta-feira (16), o litro da gasolina sobe R$ 0,41 e do diesel, R$ 0,78. Havia pressão sobre a direção da empresa para reduzir a defasagem entre o valor que chega às bombas e o preço do barril de petróleo, que está em alta. Para explicar as causas e os efeitos do reajuste, Natuza Nery entrevista o economista especializado em petróleo Breno Roos, professor da UFRN. Neste episódio: - Breno conclui que a estratégia atual de preços da estatal tem “alterações menos frequentes” em relação ao período da PPI. “A estratégia comercial é de flexibilizar mais seus preços, mas sem deixar a referência do preço internacional”, afirma; - Ele afirma que “não acredita” no risco de desabastecimento com a manutenção da atual política de preços: “O mercado é aberto, e fornece os sinais de preço para que a operação aconteça de maneira lucrativa”; - O economista pondera que a estratégia atual tem regras “um pouco vagas”, mas que observa os seguintes aspectos: segurança do abastecimento, lucratividade e preços que considere justos. “Não é política pública, mas com preços compatíveis ao custo de produção em território nacional”; - Breno compara as políticas de preço empregadas durante os mandatos presidenciais de Dilma Rousseff, Michel Temer e, agora de Lula. Para ele, em 2014, “o governo errou na mão”; e depois houve uma “mudança radical para reajustes diários”. “Agora, caminhamos para um meio termo disso”, conclui.
8/16/202327 minutes, 57 seconds
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Arábia Saudita: fortuna no futebol pode limpar imagem da ditadura?

A liga saudita já havia levado para seus campos algumas das maiores estrelas do esporte, como o 5 vezes Bola de Ouro Cristiano Ronaldo e o atual melhor do mundo, Karim Benzema. Agora, foi a vez de Neymar fechar com um dos principais clubes do país, num contrato estimado em R$ 1,7 bilhão por dois anos. A ditadura saudita despeja dinheiro no futebol e em esportes como boxe, golfe e Fórmula-1 para ocupar o noticiário com pautas positivas em detrimento das denúncias de crimes contra os direitos humanos. Para analisar o potencial de sucesso da estratégia, Natuza Nery recebe Rodrigo Capelo, jornalista especializado em negócios do esporte, colunista do jornal O Globo e repórter na Sportv, e Guga Chacra, comentarista da TV Globo, Globonews e rádio CBN, e também colunista do jornal O Globo. Neste episódio: - Capelo avalia o impacto esportivo da ofensiva saudita sobre as estrelas do futebol mundial, em especial agora que foi confirmada a contratação do craque brasileiro: “Engrandece a liga local, e apequena a carreira de Neymar”. O jornalista também descreve os "riscos esportivos e financeiros” que os clubes brasileiros irão sofrer com este movimento; - Ele destaca que o projeto saudita de investimento em esportes é “maior e sem precedentes” em relação a outros episódios em que ditaduras se apropriaram da pauta: o país é candidato a sediar Copa do Mundo e comprou o tradicional clube inglês Newcastle. “É um fundo soberano da Arábia Saudita que faz esses investimentos, com um grande retorno de imagem”, informa; - Guga descreve o príncipe Mohammad bin Salman, ditador saudita e mentor do projeto esportivo do país: “Ele tenta melhorar a imagem dele falando que é um modernizador”. Trata-se de um expediente já utilizado por ditadores como Adolf Hitler e Benito Mussolini. “E, infelizmente, pode funcionar”, afirma Guga; - Ele explica de que modo o investimento pesado saudita no esporte é um braço de um modelo de diversificação da economia do país, com ativos de entretenimento e infraestrutura - que tenta replicar o sucesso da história recente de Dubai. “É, também, uma política de pão e circo para agradar a população mais jovem”, conclui.
8/15/202329 minutes, 29 seconds
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O retorno dos bens culturais ao Brasil

No fim de 2022, a Nigéria assinou a devolução de muitas peças do acervo histórico dos Bronzes de Benin que estavam na Alemanha. Em julho, Indonésia e Sri Lanka receberam de volta artefatos mantidos há décadas na Holanda. Está em curso um movimento em todo o mundo para que itens culturais, históricos e científicos sejam retornados de museus de países ricos a seus lugares de origem. O Brasil entra nessa história com duas peças simbólicas: o manto Tupinambá confeccionado no século 16 e há mais 300 anos na Dinamarca, e o valioso fóssil do dinossauro Ubirajara jubatus, que viveu há 110 milhões de anos. Sobre tudo isso, Natuza Nery conversa com Letícia Machado Heartel, especialista em direito internacional do patrimônio cultural pela Universidade de Genebra, e Isabel Seta, repórter do g1 e autora de reportagens sobre o tema. Neste episódio: - Letícia explica por que o principal acordo global sobre a posse de artefatos, estabelecido em 1970, “não resolve a grande maioria dos casos”. E como a nova agenda de diálogo entre França e Burkina Faso deu início a atual onda de restituições pelo mundo; - Ela diz que os “museus universais precisarão se adaptar” aos novos tempos de “combate ativo ao legado colonial que ainda existe nas instituições e países europeus” - ainda assim, afirma, eles estão longe de serem esvaziados, a exemplo do Museu Britânico, cujo acervo tem 8 milhões de objetos; - Isabel relata que nem governo, nem instituições “sabem o que de origem brasileira tem espalhado pelo mundo”, mas que a partir da mobilização da comunidade científica brasileira objetos vêm sendo identificados. É o caso do fóssil do Ubirajara jubatus, que retornou à região cearense do Cariri depois de décadas na Alemanha; - A jornalista conta também a história da devolução do manto Tupinambá - um dos 11 que existem no mundo, e o primeiro a retornar da Europa para seu local de origem. Neste caso, representantes da etnia Tupinambá se envolveram e foram fundamentais para que o objeto fosse devolvido ao Brasil: “São as comunidades que originalmente detinham essas peças que conhecem seu significado e história”.
8/14/202327 minutes, 9 seconds
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Equador: o que acontece quando o narcotráfico toma o país

Na noite de quarta-feira (9), o candidato à presidência do Equador Fernando Villavicencio foi assassinado a tiros ao fim de um comício em Quito, 11 dias antes da data da eleição. A execução, que foi reivindicada pela facção Los Lobos, pode mexer na corrida eleitoral, liderada por Luisa González (candidata do ex-presidente Rafael Correa). E, principalmente, evidencia como o narcotráfico ganhou poder, se infiltrou no Estado e provocou uma crise na segurança pública equatoriana. Para descrever esse processo, Natuza Nery entrevistou Thiago Rodrigues, professor no instituto de estudos estratégicos da UFF e autor do livro “Política e drogas nas Américas: uma genealogia do narcotráfico”. Neste episódio: - Thiago comenta o assassinato de Fernando Villavicencio a cerca de dez dias antes da eleição presidencial e à luz do “impacto do crime organizado sobre a esfera pública equatoriana”. Villavicencio se apresentava como o candidato anticorrupção e vinha denunciando a atuação de grupos criminosos: “Com sua morte, o efeito de desencorajamento contra o crime é enorme”; - Ele explica a “posição geoestratégica” do país no sistema internacional do tráfico: está entre os dois maiores produtores mundiais de cocaína (Colômbia e Peru) e é grande portal de saída das drogas para os EUA e Europa. “Os grupos locais ganharam relevância e, com a chegada de cartéis mexicanos, o país se tornou mais violento”; - Thiago conta como a “perda de controle do Estado” reflete no aumento dos crimes políticos, como se observa em países como Colômbia e México. “O caso mexicano é o mais dramático de todos e é o que mais pode ter semelhanças com o caso brasileiro”, avalia; - O professor analisa as diferenças e as semelhanças entre a atuação do tráfico de drogas no Equador e no Brasil. “Eles têm uma característica importante que é ter no sistema penitenciário o manancial onde se abriga e cresce o crime organizado”, informa. “E, ao contrário do Brasil, Equador e demais países dos Andes são gravitacionados pelo mercado americano”, contrapõe.
8/11/202327 minutes, 17 seconds
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A prisão do homem forte de Bolsonaro na PRF

O ex-diretor geral da Polícia Rodoviária Federal durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), Silvinei Vasques, foi preso na operação da Polícia Federal desta quarta-feira (9) - que também expediu quase 50 mandados para ouvir servidores envolvidos na operação que teve mais de 600 focos de atuação, a maior parte delas em estradas do Nordeste, durante o 2º turno das eleições de 2022. A principal evidência da PF são os documentos que mostram o planejamento da operação, baseado no mapa de cidades nas quais Lula (PT) teve desempenho superior a 75% dos votos no 1º turno. Para explicar em que pé está o trabalho da PF e as próximas etapas, Natuza Nery recebe Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo. Neste episódio: - Malu relata os bastidores de sua reportagem que revelou a existência de uma “reunião secreta” entre Silvinei Vasques e mais 50 servidores da PRF para organizar a operação que seria direcionada “para prejudicar a movimentação de eleitores de Lula no dia do 2º turno da eleição”. “Houve um trabalho muito grande para esconder o objeto da reunião e compromisso de que ninguém falasse sobre o que aconteceu”, revela; - Ela analisa o que significa a descoberta do mapa usado por agentes da PRF para estruturar a operação. “Agora fica claro que a PF faz uma investigação em etapas, começando pelo Silvinei”, afirma a jornalista. “E tenho a informação de que a próxima etapa é colocar o Torres na cena e, a partir disso, colocar Bolsonaro na cena”; - Malu comenta o que disseram Anderson Torres e Silvinei Vasques em reuniões internas e nas declarações à investigação da PF: “Silvinei falou que a operação não era da PRF, mas do Ministério da Justiça. Tudo encaminha nosso entendimento para perceber que havia uma missão”, conta; - A jornalista também fala sobre o “jogo estratégico” entre a PF e os parlamentares bolsonaristas para investigar e para defender Jair Bolsonaro: “O ex-presidente tem certeza de que será preso”.
8/10/202329 minutes, 10 seconds
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O novo PAC e o alerta da volta ao passado

O desafio é antigo, e o remédio também - ao menos para os governos petistas. Em seu segundo mandato presidencial, Lula iniciou o Programa de Aceleração do Crescimento com o objetivo de investir no débil sistema de infraestrutura brasileiro. Agora, sob a gestão Lula 3, o governo federal promete um novo PAC, agora diante de contas públicas muito mais deterioradas e sob a crítica de tentar passar R$ 5 bilhões por fora da nova regra fiscal. Para fazer a análise da reedição do PAC, alertar os erros das primeiras versões e apontar possíveis caminhos mais eficazes, Natuza Nery ouve o economista Samuel Pessôa, professor pesquisador da Julius Baer Family Office e do Instituto Brasileiro de Economia, da FGV-RJ. Neste episódio: - Samuel reconhece que o “Estado brasileiro precisa investir”, mas defende que investimento público é gasto primário e precisa estar dentro da meta fiscal. “Tendo a regra fiscal, para aumentar o gasto de um item, precisa reduzir de outro item. E se o governo decidir gastar mais, precisa de mais receita para que as contas fechem”, avalia. “Enganar a regra não é uma boa”, resume; - Ele diz que o anúncio do programa faz recordar as “coisas ruins de 10 anos atrás” que pautaram a política econômica do governo federal que levou “à maior crise de nossa história”: “A gente volta pra um mundo que não era legal. Será que a gente não consegue aprender?”; - Samuel explica as diferenças de visão sobre o impacto dos gastos públicos entre economistas ortodoxos (como ele) e heterodoxos (caso da maioria dos integrantes da equipe econômica do governo): “Nós achamos que a economia brasileira está sempre, mais ou menos, a pleno emprego. Os heterodoxos têm a hipótese que a economia brasileira está ociosa”, resume; - O economista aponta as diferenças entre a gestão do Ministério da Fazenda de Guido Mantega (2006 a 2015) e Fernando Haddad (desde janeiro de 2023). “Será que agora eles conseguem fazer melhor”, questiona.
8/9/202329 minutes, 41 seconds
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Um racha no Brasil: conflitos regionais e discurso de ódio

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sugeriu uma aliança entre estados do Sul e do Sudeste para buscar “protagonismo econômico e político” em relação ao resto do país, em especial Norte e Nordeste. A fala foi mal-recebida, e gerou respostas de atores dos mais diversos espectros políticos - mas ganhou apoio de setores radicais da sociedade nas redes sociais. Para analisar as causas do discurso divisionista e as consequências políticas da fala do mineiro, Natuza Nery conversa com Victoria Abel, repórter do jornal O Globo, em Brasília, e Fernando Luiz Abrucio, cientista político professor da FGV-SP. Neste episódio: - Victoria recorda a formação dos consórcios de estados de Sul-Sudeste e do Nordeste durante o governo Bolsonaro, e como eles voltaram a ganhar protagonismo durante as discussões sobre a destinação do dinheiro dos impostos na reforma tributária. “Eles nasceram para fazer reinvindicações ao governo federal. Agora, o Romeu Zema quer trazer isso para as eleições”, afirma; - Ela comenta as potenciais reações no Congresso à fala de Zema e como a “inversão de forças” entre as duas casas pode interferir no texto final da reforma tributária. “Já existia um ambiente ruim às vontades dos governadores de Sul e Sudeste. Agora, a fala causa ambiente ainda pior”; - Abrucio crava que o governador mineiro “sepultou a candidatura presidencial dele”, além de aumentar “artificialmente” a polarização brasileira. “A fala do governador Zema, se lida do ponto de vista jurídico, é um crime contra a nação”, afirma; - O cientista político aponta, na lógica apresentada por Zema, visões “preconceituosas, extemporâneas e desinformadas” em relação à divisão de poder político e econômico de estados e regiões. E avalia que a intenção do governador foi tentar ocupar a raia eleitoral do bolsonarismo. “Foi proposital falar algo forte para atrair holofotes, mas o Zema não vai se tornar a figura política do Bolsonaro. É como um contrabando de mercadoria falsa”, resume.
8/8/202334 minutes, 6 seconds
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Educação digital: até onde a tecnologia ajuda?

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo anunciou que adotaria, a partir do ano letivo de 2024, materiais 100% digitais para os alunos dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e do ensino médio. O governo paulista, depois, recuou e prometeu oferecer livros em formato digital e também em papel. Outros países já tentaram experiências parecidas, mas com resultados ruins ou inconclusivos. Para pensar sobre os desafios e as possibilidades de uma educação que integre mais suportes tecnológicos, Natuza Nery conversa com Anna Helena Altenfelder, doutora em psicologia da educação e presidente do conselho do Cenpec, e Fabio Campos, pesquisador em educação e tecnologia da Universidade de Nova York. Neste episódio: - Anna comenta que o mais recente relatório da Unesco apresenta “poucas evidências científicas” sobre os benefícios da tecnologia no ensino: “O meio digital favorece a dispersão. E os comportamentos gerados na interação com textos em suportes digitais podem prejudicar habilidades de atenção, compreensão e reflexão”; - Ela relata que outros países que testaram novas tecnologias na educação agora estão investindo no uso híbrido de materiais digitais com analógicos. E destaca o caso da Suécia: depois de fazer transição integral ao digital, teve resultados piores em exames internacionais de leitura, escrita e matemática. “Estudos apontam que alunos perderam as habilidades pelo uso exclusivo de suportes digitais”, afirma; - Fabio critica o fato de o Brasil “não ter uma estratégia de tecnologia na educação” mesmo depois de passar por uma pandemia. "É preciso se perguntar que tipo de tecnologia educacional estamos falando. E depois disso, temos que democratizar”, afirma; - Ele defende que a simples substituição do analógico pelo digital “costuma sempre dar errado” - ao contrário de experiências nas quais o “digital complemente o analógico, e vá além”. E que o caso de São Paulo pode ser um exemplo de “falta de escuta” do governo sobre o que pensam os professores.
8/7/202328 minutes, 7 seconds
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Cerrado - como salvar o bioma do desmatamento

Nos últimos 12 meses, mais de 6,3 mil quilômetros quadrados de Cerrado foram derrubados, de acordo com dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). Trata-se do pior resultado da série histórica. E, apenas nos primeiros 7 meses deste ano, foram mais 5 mil km² desmatados do segundo maior bioma brasileiro – onde nascem 8 das 12 principais bacias hidrográficas do país. Para alertar sobre os perigos que rondam o bioma, Natuza Nery entrevista Isabel Figueiredo, mestre em ecologia e coordenadora do programa Cerrado e Caatinga no Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). Neste episódio: - Isabel comenta o processo de acelerado desmatamento que aflige o Cerrado, e aponta a lei de preservação nativa como um “entrave” para sua proteção: “Ele é colocado como um bioma de sacrifício para poder salvar a Amazônia”; - Ela descreve o bioma como uma "biblioteca que está sendo queimada sem que os livros tenham sido lidos ainda” devido a sua ampla biodiversidade: é a savana mais biodiversa do mundo e habitat de 5% de todas as espécies do planeta. “E tem o papel importante de ser o berço das águas para o Brasil”, reforça; - A ecóloga compara a redução do desmatamento na Amazônia com o aumento de registros no Cerrado, onde o “governo tem menos espaço de atuação”. Isso porque no Cerrado a maior parte da destruição da mata nativa se dá em áreas privadas, onde os donos de terra falsificam autorizações para desmatar; - Ela descreve como grileiros usam métodos violentos, com atuação até de milícias, para “acuar, cercear e expulsar” famílias tradicionais de suas terras. Essas comunidades sofrem também, relata, com contaminação de águas e solo por agrotóxicos usados nas grandes propriedades.
8/4/202325 minutes, 24 seconds
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Donald Trump e a ameaça à democracia americana

Pela terceira vez, o ex-presidente é acusado formalmente pela Justiça dos Estados Unidos. Agora, o republicano virou réu pela sua participação na invasão do Capitólio do dia 6 de janeiro de 2021 e pela tentativa de impedir a formalização da vitória eleitoral de Joe Biden. Na via eleitoral, Trump dispara como favorito a representar o partido Republicano na eleição presidencial do ano que vem. Para explicar como Trump está enquadrado pela Justiça ao mesmo tempo que tem chances reais de voltar à Casa Branca, Natuza Nery conversa com Carolina Cimenti, correspondente da TV Globo em Nova York, e com Fernanda Magnotta, coordenadora de relações internacionais da FAAP, comentarista da rádio CBN e autora do livro “As ideias importam: o excepcionalismo norte-americano no alvorecer da superpotência”. Neste episódio: - Carolina informa quais são as 4 acusações às quais Trump está submetido neste processo: três delas de conspiração e uma de obstrução de procedimento oficial – caso seja condenado em todas elas, sua pena pode chegar a 50 anos de prisão. “Ele pode ser eleito e ser presidente até em prisão domiciliar na Casa Branca. E, caso eleito, ele pode perdoar seus próprios crimes”, explica; - A jornalista também avalia a “confusão institucional” que irá se instalar nos EUA em 2024, quando serão realizados os julgamentos de Trump, em paralelo aos eventos do calendário eleitoral americano: “O que só intensifica o imbróglio judicial do ex-presidente"; - Fernanda fala sobre o recente debate que vem sendo travado nos EUA a respeito de modificações na Constituição do país - à luz das crises institucionais provocadas pelo ex-presidente. “Ao ser eleito, ele passou a atacar toda a estrutura do sistema e isso enfraqueceu a democracia dos Estados Unidos”, afirma; - Ela aponta como os “fenômenos do trumpismo” emergiram e se mantêm vivos dentro da sociedade americana: deterioração das condições de vida, aumento da desigualdade e discurso populista. “Ele volta pra essa narrativa original e tenta fazer parecer que é vítima de perseguição política”, conclui.
8/3/202328 minutes, 42 seconds
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Combate ao crime organizado após mortes no Guarujá

Desde sexta-feira, a Polícia Militar de São Paulo está em operação na Baixada Santista, motivada pelo assassinato do oficial Patrick Bastos Reis, da Rota. Desde que os agentes começaram a avançar pelas comunidades, moradores relatam o cometimento de ilegalidades. O governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a cúpula da segurança pública paulista justificam que é necessário o enfrentamento ostensivo ao crime organizado. Até agora, são pelo menos 14 mortos. Para explicar todos os aspectos do conflito no Guarujá e analisar as políticas públicas de segurança em todo o país, Natuza Nery conversa com Rafael Alcadipani, professor da FGV-SP e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Neste episódio: - Rafael destaca a importância estratégica da Baixada Santista para as facções criminosas e para o tráfico internacional de drogas: tem o maior porto da América Latina e áreas de ocupação em morros (onde criminosos escondem armas e drogas). “O Estado não tem conseguido realizar o enfrentamento adequado ao crime nessas regiões”, afirma; - Ele descreve a reação da corporação após o assassinato de um oficial, sobretudo quando a vítima é da Rota: “É uma unidade de muito prestígio e um ataque faz parecer que as coisas estão fora de controle”; - Rafael avalia a violência das ações policiais em São Paulo e na Bahia e destaca a importância de políticas de segurança pública “que levem em conta os direitos humanos e o enfrentamento ao crime organizado”. “O crime organizado está fora de controle e sua prevalência é a maior ameaça à democracia brasileira”, afirma; - O professor comenta o aumento da letalidade da polícia paulista e explica como o excesso de força “corrói a confiança na instituição policial”. Ele também prevê que, com o afrouxamento do controle policial, algum agente cometerá “um absurdo e a opinião pública ficará toda contra a instituição”.
8/2/202327 minutes, 23 seconds
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CGU: ministro avalia os 10 anos da Lei Anticorrupção

Uma década depois da aprovação da Lei nº 12.846/2013, a Controladoria-Geral da República convocou a sociedade civil para fazer um balanço de seus resultados – e oferecer acordos de cooperação com diferentes entidades de Estado, como ministérios e o BNDES. Com exclusividade, Natuza Nery entrevista o ministro Vinícius Marques de Carvalho sobre os próximos passos da GCU em relação à Lei Anticorrupção e às colaborações com órgãos do governo. Neste episódio: - O ministro avalia o que deu certo e o que vem dando errado com a lei nesta última década. Na lista dos avanços que ainda precisam ser feitos, ele cita a “coordenação entre as instituições responsáveis pela aplicação da lei” - além da própria CGU, o Ministério Público e as corregedorias de estados e municípios; - Ele antecipa como será o acordo de cooperação entre a CGU e o BNDES, cuja assinatura está prevista para esta terça-feira (1º). Segundo o ministro, haverá ações de controle focadas nas grandes empresas, e também a reestruturação de uma parceria com o Sebrae para “difundir a agência de integridade” pelas pequenas e médias empresas; - Vinícius explica como a CGU opera para fazer o pente fino em políticas públicas, e dá o exemplo da operação realizada em conjunto com a Polícia Federal em Alagoas, que identificou irregularidades na compra de kits de robótica para as escolas; - O ministro comenta qual seria o papel da CGU na proposta de texto da PL das Fake News que está sendo discutida dentro do governo. “O que eu posso garantir é que de modo algum a GCU seria uma controladora da internet no sentido de moderar o conteúdo”, afirma.
8/1/202328 minutes, 53 seconds
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O caminho do gado ilegal que sai da Amazônia

Durante 53 dias, agentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estiveram dentro da Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo numa operação para interromper a cadeia de ilegalidades: desmatamento, grilagem de terra, tráfico de madeira e pecuária ilegal. O repórter Victor Ferreira, da TV Globo e da GloboNews, acompanhou parte do trabalho e conta para Natuza Nery de que modo os criminosos operam para tornar legal a carne para exportá-la. Neste episódio: - Victor relata os dias em que ficou acampado junto à equipe do ICMBio que atuava na operação para a retirada de milhares de bois da reserva biológica – estima-se que sejam mais de 100 mil ao todo. “Na ação que eu acompanhei, foram 2.300 cabeças de gado. E esta nem é a reserva com o maior índice de desmatamento”, afirma; - Ele explica que nenhum contingente de agentes ambientais seria suficiente para fiscalizar toda a Amazônia e que a solução mais eficaz para reduzir o desmatamento e a grilagem relacionadas à pecuária é rastrear a carne desde o nascimento do gado: “Se os grandes frigoríficos exigirem o rastreamento, por que o pecuarista vai criar um gado que ele não vai conseguir vender?”, questiona; - O repórter enumera duas medidas para que as reservas biológicas sejam protegidas: respeito às multas aplicadas pelo ICMBio e adesão à cadeia de rastreabilidade de gado e madeira extraída da floresta. “O gado ilegal é o que mais derruba árvores e mais desmata na Amazônia”, conclui.
7/31/202325 minutes, 21 seconds
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Doenças cardíacas em jovens - riscos e prevenção

Infarto, parada cardíaca e acidente cerebral vascular, juntos, compõem a principal causa de morte em todo o mundo. No Brasil, os casos de infartos registrados por mês mais que dobrou nos últimos 15 anos, e a média mensal de internações decorrentes subiu quase 160% no mesmo período - entre jovens de até 30 anos, o crescimento foi 10% acima da média. Para explicar por que os jovens estão cada vez mais sob risco de problemas cardíacos e vasculares, Natuza Nery entrevista o médico Paulo Caramori, doutor em cardiologia e integrante do conselho da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Neste episódio: - Paulo Caramori destaca quais hábitos de vida se destacam entre os fatores de risco para doenças cardiovasculares: tabagismo, obesidade, uso de drogas e consumo de comidas de ultraprocessadas. “Temos que focar nas causas modificáveis dessas doenças para que possamos viver mais e melhor”, recomenda; - Ele explica a relação entre temperaturas extremas e aumento do risco para infarto e AVC: “Quando estiver extremamente quente ou extremamente frio, devemos nos preservar mais”; - O médico também alerta para a “falta de cuidado” dos brasileiros com índices de saúde básica, como controle de colesterol, cuidado com a pressão arterial e regulação da glicose. E destaca a manutenção da qualidade do sono como elemento fundamental para a saúde cardiovascular – o ideal para um adulto é de 8 a 9 horas por noite; - Paulo informa os sinais que o corpo apresenta nas 24 horas anteriores a um episódio de infarto ou parada cardíaca: dor, aperto ou queimação no peito, sudorese, falta de ar e palpitações no coração. “Se tiver esses sintomas, é preciso procurar uma emergência. A chance de reanimar uma parada cardíaca é muito mais baixa do que evitar que ela aconteça”, afirma.
7/28/202325 minutes, 39 seconds
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Racismo no Brasil – e educação antirracista

Pesquisa inédita mostra que 8 em cada 10 brasileiros concordam que o Brasil é um país racista. Os demais dados divulgados pela “Percepções sobre o racismo no Brasil” são igualmente fortes: 80% entendem que pessoas negras e brancas são tratadas de forma diferente pela polícia, mais de 50% afirmam ter presenciado cena de racismo e quase 90% concordam que pessoas pretas são as mais criminalizadas. Enquanto isso, o combate ao racismo nas escolas chega ao seu menor índice dos últimos 10 anos. Para analisar os resultados da pesquisa e a inclusão da pauta nos programas educacionais, Natuza Nery conversa com Ana Paula Brandão, diretora programática da ActionAid e gestora do projeto Seta, que encomendou o estudo, e com Janine Rodrigues, escritora, educadora e fundadora da iniciativa Piraporiando. Neste episódio: - Ana Paula valoriza os números apresentados pela pesquisa, que revelam a “percepção da população da relação entre racismo e desigualdade”. Ela considera que houve um avanço em relação ao resultado de pesquisas anteriores, que evidenciavam a compreensão de que o racismo ocorreria somente na esfera pessoal. “O brasileiro está percebendo que o racismo estrutura o Brasil”, resume; - Ela avalia a educação como a principal arma para enfrentar o racismo, mas pondera ser “um caminho muito demorado”. E exemplifica com o caso da lei que obriga o ensino de história e cultura africana nas escolas, sancionada há duas décadas e que até hoje não está completamente implementada. “Essa é uma política que não pode ser de governo, precisa ser de Estado”, afirma; - Ana Paula discursa sobre a como o preconceito “atravessa a vida das crianças” desde o momento em que ingressam na vida escolar – e como isso se reflete em um mau desempenho de aprendizado e evasão escolar, resultando em má empregabilidade. “É muito violento e cria um círculo vicioso complexo”, conclui; - Janine cobra a ação do poder público para implementar leis e dedicar orçamentos a favor da igualdade racial, e também participação de agentes importantes da sociedade civil no combate à discriminação. “É importante que a abordagem ao racismo não fique apenas entre pessoas negras, mas que seja o objetivo de uma sociedade mais saudável”, afirma.
7/27/202330 minutes, 58 seconds
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Crime contra democracia: a discussão sobre a punição

Seis meses depois da tentativa de golpe de 8 de janeiro, o governo federal anunciou que vai enviar ao Congresso um Projeto de Lei que cria novas tipificações penais e endurece as penas para aqueles que ameaçarem a democracia. Ações como invasão ao STF e ameaças ou atentados contra autoridades públicas serão fortemente punidas – inclusive, em caso de assassinato dessas figuras a pena pode chegar a 40 anos. Para explicar o que pretende o projeto, Natuza Nery recebe Augusto de Arruda Botelho, secretário nacional de Justiça que comandou o trabalho de redação do texto, e o também advogado criminalista Theo Dias, professor da Escola de Direito da FGV-SP. Neste episódio: - Augusto justifica a necessidade de atualizar a lei aprovada em 2021 à luz dos acontecimentos de 8 de janeiro, e conta como a construção da versão final do texto que será encaminhado ao Congresso teve a participação de membros do Ministério Público, de professores acadêmicos e de advogados. "A redação final tem a preocupação de que a lei não cerceie a liberdade de expressão”, afirma; - O secretário nacional defende que a pena de 40 anos de prisão para o crime de assassinato a uma autoridade pública é compatível com sua função de “defender dois bens jurídicos com o mesmo dispositivo penal”: a vida da vítima e a democracia. “Propusemos pena realmente alta para um crime de gravidade gigantesca”, conclui; - Theo diz que o Direito Penal, embora “necessário e importante”, tem “espaço limitado” para evitar eventos extremos como a tentativa de golpe de Estado. E lista medidas necessárias para a manutenção da democracia: reestruturação dos serviços de inteligência, despolitização das Forças Armadas, regulamentação das redes sociais e revisão dos poderes do procurador-geral da República; - Ele compara as agressões feitas pelo ex-deputado federal Daniel Silveira aos ministros do Supremo àquela sofrida por Alexandre de Moraes na Itália para exemplificar “os limites da liberdade de expressão” e o “dilema da democracia”.
7/26/202326 minutes, 39 seconds
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Caso Marielle: a delação de Élcio de Queiroz

Mais de 800 dias depois da execução de Marielle Franco e Anderson Gomes, pela primeira vez um dos suspeitos assumiu a autoria do crime. Num acordo de delação premiada, o ex-PM Élcio de Queiroz descreveu todos os passos do dia 14 de março de 2018, quando – de acordo com seu depoimento – dirigiu o carro no qual o policial militar reformado Ronnie Lessa disparou sua submetralhadora contra Marielle e Anderson. Élcio também mencionou a participação do ex-bombeiro Maxuell Simões Corrêa (Suel) e do sargento da PM Edmilson Oliveira da Silva (Macalé) no crime. Para apresentar o que foi dito por Élcio e explicar as próximas fases da investigação, Natuza Nery conversa com Mahomed Saigg, jornalista da TV Globo no Rio que primeiro teve acesso à delação, e com Octavio Guedes, colunista do g1 e comentarista da GloboNews. Neste episódio: - Mahomed descreve os desdobramentos mais recentes da investigação e como a coleta de novas provas e depoimentos pressionaram Élcio a “quebrar o pacto de silêncio” e propor um acordo de delação premiada: “O cerco estava se fechando. As autoridades que trabalham no caso nunca estiveram tão perto de elucidar esse crime”; - O jornalista revela com exclusividade alguns detalhes do acordo que Élcio fechou com a Justiça - o que ocorreu após sua “surpresa com a robustez das provas apresentadas”. E informa que, a partir das informações fornecidas pelo suspeito, “uma série de novas operações está por vir”; - Mahomed também analisa toda a complexidade do caso, que envolve crime político, atuação de milícias, policiais sob suspeita e investigações interrompidas ao longo dos últimos 5 anos. “Foi a partir do caso Marielle, por exemplo, que a população tomou conhecimento da existência do Escritório do Crime”, afirma; - Octávio comenta o “limitador de velocidade” da investigação, que passou anos sem qualquer avanço para além da descoberta dos executores do crime. E explica por que, agora, com o “fim do pacto da máfia”, as autoridades estão confiantes em relação à conclusão total do caso. “Se foi crime de ódio político, é pelo que Marielle representava”, afirma; - Por fim, ele fala sobre a expectativa de que Élcio tenha delatado “alguém acima de Ronnie Lessa” e de que o executor de Marielle também aceite um acordo de delação. “Agora os investigadores vão para a próxima fase, a dos autores intelectuais do crime”, conclui.
7/25/202337 minutes, 18 seconds
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Armas de fogo: novos limites pós-descontrole

Nos últimos quatro anos, o Brasil registrou uma média de 26 novas armas a cada hora. No total, passou de 900 mil o número de registros feitos por CACs (colecionadores, atiradores esportivos e caçadores) durante o período. E a própria quantidade de CACs também disparou de 117 mil para quase 675 mil – e cada um deles tinha autorização para comprar e manter 30 armas de alto poder de fogo, a exemplo de um fuzil de R$ 15 mil. Na última sexta-feira, o governo federal editou um decreto para frear bruscamente o acesso a novas armas e reduzir a multiplicação dos clubes de tiro. Para entender o que muda, Natuza Nery ouviu a socióloga Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, que estuda segurança pública desde 1999. Neste episódio: - Carolina esclarece as regras que passam a vigorar com o novo decreto, que limita a quantidade de armas por pessoa e restringe o acesso aos armamentos de maior potencial destrutivo: “Lá atrás, um cidadão em casa poderia estar mais armado que um policial”; - Ela também explicou como o crescimento explosivo de CACs e clubes de tiro aumentou a circulação de armas desviadas para o crime organizado, por meio de roubos, furtos ou mesmo esquemas fraudulentos. “Ao endurecer o controle sobre as armas, a gente diminui o abastecimento para o crime”, afirma; - Carolina lamenta que haja mais de 1 milhão de armas sem registro do sistema do Exército e reforça a necessidade de que é preciso ter “controle, critério e fiscalização”. “Sem informação de qualidade, como se faz uma política pública sobre armas?”, questiona; (13:50) - A socióloga analisa o crescimento do desejo de parte da população em se armar: criou-se um mercado de influencers e até de moda armamentista. E como isso colaborou para mais crimes contra mulheres e em ataques a escola. “Precisamos mostrar que é ilusão: a arma de fogo gera mais risco do que capacidade de se defender”, justifica.
7/24/202329 minutes, 1 second
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O Brasil mais perigoso para mulheres e crianças

Em 2022, o país registrou mais um de seus trágicos recordes de violência: foram quase 75 mil casos de estupro. E 6 em casa 10 casos têm como vítima crianças de até 13 anos. De acordo com as informações do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), isso representa 205 casos de violência sexual por dia, 8 casos a cada hora. Soma-se a isso o aumento de diversos índices de violência contra mulheres: feminicídio, violência doméstica e as medidas protetivas tiveram alta na incidência de casos. Para analisar esses dados, Natuza Nery recebe Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP. Neste episódio: - Samira informa que apenas 8,5% dos casos de estupro são notificados às autoridades – isso significa que em 2022 houve, de fato, mais de 880 mil casos. E 70% desses casos acontecem dentro de casa, cometidos por familiares ou pessoas próximas. “Vítimas de violência sexual têm dificuldade em denunciar por causa do medo e do constrangimento”, justifica; - Ela detalha o que significa estupro de vulneráveis, à luz da legislação, e como uma mudança na lei, em 2009, colaborou para que mais crianças fossem protegidas contra o abuso sexual. "Mas a pandemia ampliou a vulnerabilidade das crianças”, afirma. “Sem a mãe em casa e com a escola fechada, para onde essas crianças correm?”; - Ela também lamenta que o “Brasil tenha se tornado mais violento para as mulheres”: há mais casos de homicídios contra mulheres, mais feminicídios, mais agressões, mais ameaças e mais perseguições. “São crimes cometidos por parceiros íntimos, dentro de casa e que podem ser evitados”, afirma; - Samira comenta as recentes prisões e condenações de artistas e esportistas por abuso sexual: “Revela espaço para lutar por justiça e tem efeito pedagógico para os homens”.
7/21/202326 minutes, 44 seconds
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Barbie: independência x submissão

As salas de cinema estreiam nesta quinta-feira (20) o filme que mais vem movimentando as redes sociais neste ano. Barbie, da diretora Greta Gerwig, é a primeira adaptação live action da história da boneca criada em 1959 e que, ao longo de seis décadas, se consolidou como um símbolo inatingível. Para explicar a história da personagem e analisar seus efeitos na formação do imaginário feminino em todo o mundo, Natuza Nery conversa com Fernanda Roveri, doutora em educação pela Unicamp e autora do livro “Barbie na educação de meninas: do rosa ao choque”. Neste episódio: - Fernanda contextualiza o momento no qual a Barbie foi criada – à época, foi a primeira boneca adulta a ser fabricada. "No pós-guerra [a 2ª Guerra Mundial acabou em 1945], a sociedade do consumo começa a se estabelecer e as crianças passam a ser consumidoras”; - Ela também descreve como casal Ruth e Elliot Handler, fundadores da Mattel, adaptou Lili, a “boneca adulta para homens”, produzida na Alemanha, em um brinquedo “aceitável socialmente” para crianças, no fim dos anos 1950; - Fernanda fala sobre as contradições da boneca em relação à representatividade de gênero: “Ela não foi 100% independente nem 100% subordinada”. Os momentos histórico-culturais determinaram, avalia, a imagem da boneca. “O brinquedo é um produto da cultura material, atrelado à publicidade e valores econômicos. Não é inocente”, afirma; - A educadora analisa a participação do Ken na história da personagem e a recente multiplicação de identidades da Barbie, que já apareceu em diversos formatos e profissões. “O segredo dela é operar com a sedução e o desejo: ‘olhe como eu sou, você pode ser eu’”, resume.
7/20/202325 minutes, 31 seconds
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China - o alerta da desaceleração

O segundo trimestre de 2023 registrou um crescimento de 6,3% no PIB da China – um número que seria comemorado em muitos países, mas não na segunda maior economia do mundo, cuja expectativa era crescer acima de 7 pontos percentuais. Os dados oficiais do governo chinês mostraram também que a exportação está em queda e que o mercado de trabalho não consegue absorver milhões de jovens. Para explicar as razões internas e as consequências globais de uma China em marcha lenta, Natuza Nery conversa com Cláudia Trevisan, diretora-executiva do Conselho Empresarial Brasil-China. Neste episódio: - Claudia aponta a “queda da atividade no setor da construção civil” como principal causa da desaceleração do crescimento chinês, levando à queda de receita dos governos locais e, consequentemente, à “falta de recursos para investir em infraestrutura”; - Ela descreve como Pequim vem incentivando “aumentar o peso do consumo” na composição do PIB: atualmente, representa 40%, percentual bastante abaixo da média dos países ricos. Um modo de fomentar o desenvolvimento interno e garantir o crescimento econômico de longo prazo. “Mas aquela China que crescia a dois dígitos não vai voltar”, projeta; - Claudia também comenta os fatores do desemprego elevado entre os jovens: o avanço regulatório sobre a indústria de tecnologia, as medidas restritivas durante a pandemia e o crescimento exponencial de recém-formados no ensino superior. “A dificuldade em arrumar emprego afeta a aspiração de ter uma vida melhor”, afirma; - Ela avalia que o agronegócio brasileiro deve sofrer pouco com a desaceleração econômica da China, com baixa variação na exportação de alimentos. Já em relação a commodities como minério de ferro e petróleo, “a demanda e o preço podem ser prejudicados”.
7/19/202326 minutes, 52 seconds
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Recordes de calor e a ameaça à vida humana

Na Califórnia, 56° C no chamado ‘Vale da Morte’. Na Antártica, o nível de gelo no mar é o mais baixo já registrado. No Oceano Atlântico, o termômetro marca 1,5°C a mais do que a média histórica. Eventos extremos que se relacionam: o aquecimento do planeta chegou ao ápice no dia 6 de julho, quando a temperatura média global passou de 17°C, a mais alta já registrada na Terra – resultado das mudanças climáticas somadas à incidência do fenômeno El Niño. Para comentar o risco do calor em excesso para a saúde humana e explicar até onde a temperatura pode chegar, Natuza Nery conversa com Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima e integrante do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, e com o biomédico fisiologista Daniel Mendes Filho, um dos autores do livro “Condições extremas: como sobrevivemos?”. Neste episódio:  - Marcio lembra que as ondas de calor estão cada vez mais intensas, mas que os recordes de temperatura vêm sendo registrados há pelo menos duas décadas: “São gritos de alerta do planeta”. E a situação deve piorar. “A gente não vai mais recuperar os gases emitidos para a atmosfera. O planeta tem um problema já contratado”, afirma;  - Ele avalia que as soluções para mitigação e adaptação dos impactos do clima são de responsabilidade de governos e estão, principalmente, nas mãos dos líderes dos países desenvolvidos: “As pessoas mais pobres vão pagar a conta”. “Quanto menos a gente fizer agora, maior será a conta para as próximas gerações”, conclui;  - Daniel explica como o organismo humano reage às mudanças de temperatura, e quais são os riscos associados aos episódios de calor extremo – que afetam mais as crianças e os idosos: “Os mecanismos de adaptação do corpo são insuficientes para manter a temperatura em níveis fisiológicos. Pode haver quadros de hipertermia e insolação”;  - Ele também comenta sobre o que as cidades podem fazer para enfrentar as mudanças climáticas, com ações dedicadas a aumentar a arborização e os ambientes com circulação de ar. Daniel orienta sobre como cada um pode se proteger: roupas leves, alimentação saudável, plantas domésticas e até papel alumínio na janela.
7/18/202328 minutes, 52 seconds
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Agricultura familiar no combate à fome

A retomada do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), uma das principais ferramentas do governo federal nos mandatos petistas para acabar com a fome no país, foi aprovada no Congresso. A nova versão tem orçamento previsto de R$ 500 milhões e garante a compra de alimentos de propriedades rurais familiares – que passam a ter também crédito de R$ 71 bilhões oferecidos pelo Plano Safra. Para explicar o funcionamento do PAA, seu impacto para a agricultura familiar e seu papel no combate à insegurança alimentar, Natuza Nery conversa com Julian Perez-Cassarino, professor de agroecologia da Universidade Federal da Fronteira Sul e pesquisador da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Penssan). Neste episódio: - Julian destaca a importância do PAA nas “duas pontas da fome”: distribui comida para famílias em situação de insegurança alimentar e viabiliza a comercialização da agricultura familiar. “Ao mesmo tempo que oferta alimentos saudáveis pra pessoas na cidade, garante geração de renda para famílias rurais”, resume; - Ele recorda os primeiros dez anos do programa, nos quais o volume de recursos cresceu ininterruptamente até, em 2013, chegar ao equivalente a R$ 1 bilhão (em valores corrigidos) - no ano seguinte, 2014, o Brasil saiu do mapa da fome da ONU. “Nos últimos cinco anos, o programa está praticamente zerado”, lamenta; - Julian conta como vai funcionar o projeto que une o PAA com o chamado Cozinha Solidária: “Vamos fechar uma cadeia muito bonita de promoção da segurança alimentar”. Ele explica que boa parte dos alimentos que irá abastecer o Cozinha Solidária terá origem nas propriedades rurais familiares; - O pesquisador avalia que agora será mais difícil superar a fome do que em 2003, quando o PAA foi inaugurado: "Houve um grande desmonte das políticas públicas nos últimos quatro anos”.
7/17/202327 minutes, 7 seconds
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Bombas de fragmentação e o poder da Otan

Proibidas em mais de 120 países que assinaram um tratado internacional contra seu uso, as munições clusters são armamentos com alto poder ofensivo contra cidadãos civis – e que podem explodir mesmo anos depois de serem lançadas. Nesta semana, o arsenal ucraniano foi abastecido com novas bombas deste tipo, enviadas pelos EUA. A Otan, principal aliança intergovernamental militar do Ocidente, avalizou o uso do equipamento na guerra. Para explicar as consequências das bombas de fragmentação e o atual status da Otan no conflito contra a Rússia, Natuza Nery conversa com Cristian Wittmann, professor de direito da Unipampa e integrante do conselho do Ican, organização premiada com o Nobel da Paz em 2017. E com Marcelo Lins, apresentador e comentarista da GloboNews. Neste episódio: - Cristian descreve o funcionamento das bombas e como suas submunições “mutilam e tiram a vida de vítimas civis, décadas depois”. Ele avalia as motivações do Brasil para rejeitar o acordo que proíbe o uso do armamento: “O Brasil produz e exporta essas armas”; - Ele informa que a taxa de falha dessas armas pode chegar a até 60%, o que significa um enorme volume de explosivos remanescentes no território atingido: Laos, por exemplo, tem mais de 80 milhões de bombas e aproximadamente 300 mortes por ano - herança da Guerra do Vietnã, há mais de quatro décadas; - Marcelo Lins avalia como “desconfortável” a posição da Otan diante do uso das “mais covardes armas” em favor da Ucrânia: “Seria natural a busca por solução no diálogo”, afirma. Ao invés disso, as autoridades da aliança do Ocidente investem em uma vitória militar e usam isso como desculpa “para alimentar a máquina de guerra com uma arma tão cruel”; - O jornalista também afirma que “nunca antes a Otan esteve tão unida e tão forte”, resultado da ação de Vladimir Putin de invadir a Ucrânia - que apela aos membros para também integrá-la. Mas questiona também se a organização não deveria ter sido extinta junto com o Pacto de Varsóvia, ao fim da Guerra Fria.
7/14/202327 minutes, 44 seconds
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Deflação: queda nos preços e o futuro da inflação

Pela primeira vez no ano, o IPCA fechou um mês no negativo. Junho registrou queda de 0,08% na média geral de preços, puxado, principalmente, pelo comportamento dos alimentos (um recuo de 4% no consolidado de 12 meses) e dos transportes (devido à redução dos combustíveis). Resultado que tem impactos no acesso à alimentação para as famílias de baixa renda e também na autoridade monetária, mais pressionada para reduzir a taxa de juros. Para explicar as consequências da deflação na economia brasileira, Natuza Nery entrevista o economista André Braz, coordenador do núcleo dos preços ao consumidor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV-RJ. Neste episódio: - André avalia que a tendência da inflação é acelerar, mas destaca uma “boa notícia”: “A alimentação deve seguir com variação próxima de zero ou até negativa”. Isso porque o momento é de “trégua” em relação aos impactos inflacionários dos últimos anos, como pandemia e guerra na Ucrânia - ainda que as safras de alimentos estejam sob o risco do fenômeno El Niño; - Ele projeta os efeitos do retorno integral dos tributos federais sobre os combustíveis na formação de preço geral da economia e analisa a fase atual na curva da inflação à luz do acumulado dos últimos 12 meses: “A renúncia fiscal do segundo semestre do ano passado rendeu forte queda de inflação”, afirma, sobre o pacote de medidas assumido pelo governo anterior nas vésperas da eleição; - O economista comenta a manutenção da taxa Selic no atual patamar de 13,75%, levando em consideração os ainda elevados preços do setor de serviços. “Apesar de números distantes da meta, o processo de redução da inflação está acontecendo, mas lentamente”, avalia. “Caberia corte de juros na próxima reunião [do Copom]? Caberia, talvez de 0,25, que é o consenso de mercado”.
7/13/202328 minutes, 26 seconds
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Autismo: desafios do diagnóstico e da inclusão

Cada vez mais pessoas vêm identificando que determinados comportamentos e experiências estão relacionadas a uma condição mais ampla, o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Um levantamento realizado nos Estados Unidos demonstra o salto no número de diagnósticos: há 20 anos, havia 1 caso de autismo a cada 150 crianças; agora, identifica-se 1 caso a cada 36 crianças. No Brasil, o contingente identificado no TEA já passa de 2 milhões. E se, por um lado, a descoberta do diagnóstico avança, por outro, ainda falta muito para que toda essa população esteja devidamente integrada – pelo menos 85% dos autistas ainda não são absorvidos pelo mercado de trabalho. Para explicar tudo que está relacionado ao espectro autista, Natuza Nery conversa com o quadrinista Fúlvio Pacheco, autor dos livros Relatos Azuis e Relatos Autistas e coordenador da Gibiteca de Curitiba e do núcleo paranaense da Associação Abraça de Pessoas Autistas, e com Joana Portolese, neuropsicóloga e coordenadora do programa de diagnóstico do TEA do Hospital das Clínicas, na USP. Neste episódio: - Fúlvio conta como a notícia do diagnóstico foi um “divisor de águas” em sua vida. Uma investigação que começou depois do nascimento de seu filho mais novo, Murilo, diagnosticado ainda na primeira infância: “Quando ele começou a fazer as terapias, eu comecei a me ver, lembrando de quando tinha a idade dele. E não só eu, mas meu pai e meu irmão também têm algum grau de autismo”, afirma; - Ele também relata os episódios de discriminação que sofreu com Murilo, cujo grau no TEA baixou de 3 (severo) para 2 (moderado): “A criança autista às vezes tem colapsos, e as pessoas olham, criticam e teve até um caso em que uma senhora deu um tapa nele”. E, diante de um contexto no qual a aceitação aos autistas ainda é um desafio, ele advoga em prol das cotas. “No mercado de trabalho, uma pessoa autista pode ser até mais interessante do que uma pessoa neuro típica”, conclui; - Joana descreve as características do espectro autista, as diferenças entre os três graus da condição: que pode variar entre uma vida completamente funcional e capacidade cognitiva muito elevada até uma situação de não-verbalidade e alta dificuldade de viver autonomamente. “No nível leve, é comum que as pessoas tenham o diagnóstico mais tardio, e esse é um momento de autoconhecimento e liberação”, afirma; - Ela apresenta as hipóteses do crescimento no número de crianças diagnosticadas com autismo nos últimos anos. Uma delas se relaciona à “qualificação dos profissionais, ao número de pesquisas feitas e o acesso dos pais a mais informação” - elementos que levam também à possibilidade de identificar a condição na infância. “Quanto mais precoce a descoberta, melhor o desenvolvimento”, resume.
7/12/202333 minutes, 9 seconds
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AO VIVO – Endividamento, e como sair dele

No dia em que o podcast O Assunto chega ao episódio 1.000, Natuza Nery conversou ao vivo com Myrian Lund, planejadora financeira e professora de finanças na FGV do Rio de Janeiro. Com mais de 78% das famílias brasileiras endividadas, a especialista responde perguntas enviadas pela audiência e dá dicas sobre como lidar com dívidas que se arrastam e com aquelas que ainda vão vencer. Neste episódio: - Myrian explica como compras picadas podem levar ao descontrole no longo prazo. "Quando a gente tá muito endividado, acaba comprando por compensação, e o barato sai caro"; - A analista explica quais são os tipos de conta que vale a pena parcelar. No Brasil, há mais cartões de crédito do que pessoas, e a maior parte das famílias tem dívidas atreladas ao cartão. "Cartão de crédito você deve ter um só", destaca; - A planejadora também explica por onde começar a se organizar financeiramente. "O primeiro passo é relacionar receitas e despesas." Segundo Myrian, saber o que se tem para gastar todo mês é essencial para não perder controle do dinheiro.
7/11/202341 minutes, 34 seconds
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ESPECIAL: Natuza Nery entrevista Fernando Haddad

Nesta segunda-feira (10), na semana em que o podcast O Assunto comemora 1000 episódios, Natuza Nery entrevistou ao vivo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele fala sobre a relação com o PT e a pressão externa, além da articulação política no Congresso e as negociações com os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP) e Rodrigo Pacheco (PSD). Também fala sobre a reforma tributária, investimentos no Brasil, as eleições e os bastidores da foto com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para o ministro, a grande marca do terceiro mandato de Lula pode ser a transição ecológica, e o Ministério da Fazenda está fazendo planos para que isso aconteça. - Haddad diz que, nos últimos meses, tanto o "fogo amigo" como o "inimigo" diminuíram. “O amigo e o inimigo. O fogo diminuiu. Eu tô me sentindo menos na frigideira do que eu estava três meses atrás." Ele afirma que, depois de 23 anos de vida pública, está acostumado com os altos e baixos, e vê com naturalidade as discordâncias dentro do PT: "O meu partido tá cheio de gente de opinião, que pensa diferente, que estudou outra coisa. Eu não deixo também de conversar com o PT, de ir às reuniões da executiva, de explicar o que eu tô fazendo". - Sobre a relação com Lira, Haddad afirma que ela significa a "volta da política com P maiúsculo". O ministro conta que, desde o início da transição, tentou garantir que o processo fosse feito da maneira mais harmônica possível, surpreendendo inclusive a pessoas com quem nunca tinha tido contato. “Eu nunca desrespeitei a institucionalidade da Câmara e do Senado. Eu negociei a PEC da transição, e foi quando conheci o Lira." - O ministro confirma que se reunirá com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), nesta terça-feira (11), para discutir a reforma tributária e a tramitação do projeto no Senado, depois da aprovação do texto na Câmara dos Deputados na última semana. “Nós temos que concluir a tramitação da PEC no Senado, mas nós não vamos aguardar o final da tramitação para mandar para o Senado a segunda fase da reforma”, explica. - O ministro afirma que, depois de uma "década trágica" na economia, a expectativa é de um novo ciclo de crescimento. "De 2013 a 2022, foram 10 anos que vão marcar a nossa história e são anos que vão ensejar muitos estudos para saber o que de fato aconteceu. Espero que essa década tenha ficado para trás e que 2023 inaugure um novo ciclo."
7/10/20231 hour, 13 minutes, 46 seconds
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CONVITE: Natuza Nery entrevista Fernando Haddad

O Assunto vai ter um episódio especial, transmitido ao vivo direto de Brasília, nesta segunda-feira (10), a partir das 11h. Natuza Nery entrevista Fernando Haddad, ministro da Fazenda. O episódio vai ficar disponível, na íntegra, no g1 e nas plataformas de áudio. E na semana em que o podcast completa 1.000 episódios, O Assunto vai passar ter cortes, em vídeo, publicados no g1 e nas redes sociais.
7/10/202341 seconds
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Adeus a Zé Celso, o revolucionário do teatro

Nesta quinta-feira (6), a dramaturgia brasileira perdeu um de seus mais importantes nomes. José Celso Martinez Corrêa morreu depois de um incêndio em seu apartamento em São Paulo, onde vivia com o marido, o ator Marcelo Drummond – com quem mantinha um relacionamento de quase 40 anos, cujo último ato foi a cerimônia de casamento um mês atrás. No Teatro Oficina, fundado em 1958, Zé Celso escreveu, adaptou e dirigiu peças que entraram para a história da cultura brasileira e que formaram artistas ao longo de seis décadas. Para dimensionar o tamanho da história e da contribuição do artista ao Brasil, Natuza Nery ouve Pascoal da Conceição, ator, diretor e produtor cultural que começou a carreira no Teatro Oficina e que era amigo íntimo de Zé Celso. Neste episódio: - Pascoal conta quais eram os planos profissionais do dramaturgo: a adaptação do livro "A Queda do Céu", com pensamentos do xamã yanomami Davi Kopenawa, para uma peça que seria exibida em comunhão com a natureza no parque do Teatro Oficina. “Ele anunciou que este seria o trabalho mais importante da vida dele”, relata; - O ator comenta as qualidades de Zé Celso como diretor de teatro: “Ele faz trabalhos coletivos e tem a capacidade de catalisar o trabalho de muita gente”. E recorda como as atuações que fez na TV como Dr. Abobrinha, do Castelo Ra-Tim-Bum, e no teatro com Hamlet tiveram influência de sua direção. “Ele falava que não existe atuação no particular, ela é sempre pública”, lembra; - Ele também detalha a história do Teatro Oficina, alvo de censura e perseguições pela repressão da ditadura militar: atores e atrizes foram agredidos e houve até um incêndio criminoso. E, mais recentemente, a tentativa do dramaturgo em comprar o terreno – que está em disputa judicial com o Grupo Silvio Santos. “Ele foi até o Banco Central e disse: que economia você quer pro Brasil, a dos que fazem teatro ou carnê?”, conta; - Por fim, Pascoal recupera a ideia de Zé Celso que “não somos drama, somos tragédia” para explicar sua morte. E justifica porque ele tinha o apelido de ‘fênix’. “É obrigado a levantar e sair à luta, sair pra vida”, conclui.
7/7/202337 minutes, 9 seconds
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A ofensiva histórica de Israel na Cisjordânia

O saldo da maior operação militar israelense em duas décadas, na região de Jenin, foi de 12 mortos, dezenas de feridos e uma retaliação violenta de um integrante do grupo radical Hamas em Tel Aviv. O novo e sangrento capítulo da tensão histórica foi engatilhado quando o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou a construção de novos assentamentos em território reivindicado pela Autoridade Palestina. Para explicar o cenário do conflito, Natuza Nery recebe Guga Chacra, comentarista da Globo e da GloboNews em Nova York e colunista do jornal O Globo. Neste episódio: - Guga descreve o que é a Cisjordânia, a composição de sua população e como seu território está dividido atualmente: Israel controla 60% e é responsável pela administração e controle militar; e apenas 18%, separados em agrupamentos “ilhados”, está completamente sob domínio palestino. “Isso inviabiliza completamente a possibilidade de um Estado palestino ali”, afirma; - Ele explica como o governo de Netanyahu se aliou aos setores da extrema-direita e se tornou o “mais radical de todos os tempos” em Israel. E como, do outro lado, a liderança da Autoridade Palestina é “incompetente e enfraquecida” e vê partes do território submetidas ao Hamas; - O jornalista avalia quais são as perspectivas reais para a resolução do conflito. “Sou do grupo dos céticos”, afirma. Para ele, na prática, há dois caminhos: a manutenção do status quo ou a criação de um Estado palestino. “Israel já decidiu que quer o status quo, mas pros palestinos é uma situação insustentável”, conclui;
7/6/202322 minutes, 25 seconds
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A diferença de salário entre homens e mulheres

A legislação trabalhista determina igualdade de condições e remuneração independentemente do gênero, mas a realidade aponta que mulheres ainda recebem, em média, salários 30% menores que os homens na mesma função. Agora, a nova lei para paridade de gênero, sancionada pelo presidente Lula (PT) na segunda-feira (3), estabelece critérios objetivos a serem cumpridos pelas empresas e até o pagamento de multa equivalente a 10 vezes o salário da profissional discriminada. Para explicar a nova regra e propor soluções para o problema ainda mais complexo das condições de trabalho e carreira de mulheres, Natuza Nery conversa com a procuradora Danielle Olivares, vice coordenadora nacional de promoção de igualdade de oportunidades do Ministério Público do Trabalho, e Carmen Migueles, professora e pesquisadora da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da FGV-RJ. Neste episódio: - Danielle detalha as regras da nova lei: das obrigações das empresas à aplicação de penalidades e multas. “Ela traz possibilidade efetiva de corrigir as distorções entre a remuneração de homens e mulheres”, afirma; - Ela avalia que a nova lei trará benefícios ao exigir das empresas plano de ação do porquê da distorção salarial de gênero e da discrepância entre homens e mulheres nos cargos de gerência e diretoria. “É um grande passo no combate à discriminação”, resume; - Carmen informa que a massa salarial feminina é, em média, 30% menor do que a masculina. Entre as causas estão a “difícil questão da preferência das mulheres por empregos menos remunerados” e a “dupla jornada” de trabalho remunerado e de cuidado doméstico - que atingem a todas as classes sociais: “De um lado, mulheres desistem de se candidatar a cargos de diretoria; de outro, aceitam empregos de baixa remuneração”; - Ela aponta a “correlação direta entre a falta de suporte para a mãe que trabalha e a pobreza no Brasil e no mundo”. Para reverter isso, sugere a criação de creches 24 horas para crianças e idosos e de “redes de fraternidade feminina”.
7/5/202330 minutes, 32 seconds
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Reforma tributária – como ela afeta sua vida

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PL-AL), iniciou a semana com a promessa de pautar até sexta-feira (7) a votação em plenário da mais aguardada reforma do sistema econômico brasileiro. O texto negociado entre o Ministério da Fazenda, sob comando de Fernando Haddad (PT), e o grupo de Lira na Câmara, tem como principal objetivo a simplificação do sistema de impostos pela via da criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Para explicar o novo modelo e esclarecer quem é contra e quem é a favor, Natuza Nery conversa com Manoel Ventura, repórter do jornal O Globo, em Brasília. Neste episódio: - Manoel conta por que o andamento da reforma na Câmara “ganhou tração” nos últimos meses: a busca por protagonismo de Lira e o empenho dos ministros da Fazenda e do Planejamento pela pauta. “É uma reforma muito importante para reduzir a complexidade do sistema tributário brasileiro, e possibilitar atração de investimentos”, afirma; - O jornalista descreve de que modo o IVA deve ser aplicado: será dividido em dois, um federal e outro estadual. “A peculiaridade é que a alíquota deve ser a mesma [para todos os estados; hoje, cada um aplica a sua de modo independente]”, afirma – a mudança desagrada governadores; - Ele exemplifica com os casos do bombom, perfume e sorvete as distorções do sistema tributário brasileiro – resultado de lobby setorial e de estratégias do governo para incentivo de determinados produtos. No texto da reforma, sabe-se que “serviços de educação e saúde terão alíquotas 50% menores que a alíquota geral”; - Manoel esclarece a introdução do ‘cashback’ para os consumidores de baixa renda e dependentes de programas sociais, como o Bolsa Família: “Assim, focaliza-se a política pública”.
7/4/202330 minutes, 1 second
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O Brasil na Copa e o futuro do futebol feminino

Nesta segunda-feira (3), a seleção que vai representar o país na Copa do Mundo embarca rumo ao mundial. Entre os dias 20 de julho e 20 de agosto, as 23 escolhidas de Pia Sundhage, técnica da seleção, disputarão a Copa na Austrália e na Nova Zelândia: um plantel com número recorde de novatas e que tem também a maior artilheira da história do torneio, a “Rainha” Marta. Para analisar as chances do Brasil na Copa e contextualizar o momento do futebol feminino no país, Natuza Nery conversa com Renata Mendonça, comentarista de futebol da Globo. Neste episódio: - Renata avalia as condições reais da seleção no mundial. O Brasil hoje ocupa a 8ª colocação no ranking da Fifa e vê as equipes dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Alemanha e da Suécia à frente. Ela diz, no entanto, que “dá para nos animarmos” com um bom resultado; - A jornalista analisa a importância de Marta – que está em sua sexta Copa do Mundo – para o desenvolvimento do futebol feminino: “Quando se fala de futebol no Brasil, precisa falar de Pelé. E de futebol feminino, de Marta”, afirma. Para Renata, a participação de Marta no grupo, bastante renovado em relação ao último mundial, “representa a transformação” do esporte; - Renata questiona a resistência de clubes e organizações em relação ao futebol feminino. E acredita que a Copa pode colocar a Seleção, e o esporte, “na vida das pessoas”. “A bola de futebol pode fazer parte da vida de meninos e meninas igualmente. É a mudança real”, conclui.
7/3/202323 minutes, 9 seconds
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EXTRA: Bolsonaro inelegível e o futuro bolsonarista

Por 5 votos a 2, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral condenaram o ex-presidente pela prática de abuso de poder político e pelo uso indevido de meios de comunicação nas eleições de 2022. Desse modo, Bolsonaro (PL) fica inelegível para qualquer cargo público por 8 anos. No TSE ainda tramitam mais 15 processos contra ele – que avalia recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Para explicar o que acontece agora no campo político bolsonarista e as perspectivas para as próximas eleições, Natuza Nery ouve o cientista político e filósofo Marcos Nobre, professor do departamento de Filosofia da Unicamp, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e autor do livro “Limites da democracia: de junho de 2013 ao governo Bolsonaro”. Neste episódio: - Marcos Nobre avalia que o “bolsonarismo continuará operando porque é, sobretudo, uma organização digital”. Para ele, “o partido digital bolsonarista” deve continuar em atividade latente até as próximas eleições presidenciais, quando buscará “protagonismo político” e “hegemonia sobre a direita e a extrema-direita"; - Ele também aponta o sucesso da união entre este partido digital e o PL, legenda tradicional do Centrão, na eleição de 2022 – e como ela deve se manter. Para Marcos, Bolsonaro vai promover uma “guerrilha subterrânea” nessa aliança para manter sua influência e poder de decisão nas disputas eleitorais; - O analista político pondera que, mesmo com 25% da preferência do eleitorado, será difícil o ex-presidente fazer uma transferência direta de votos. “O bolsonarismo só vai conseguir funcionar ao criar um inimigo, e o inimigo será o governo Lula”, afirma. Mas Bolsonaro será um “grande cabo eleitoral”; - Marcos afirma que Bolsonaro tentará emplacar a imagem de “vítima do sistema” como uma comprovação de que sofre perseguição política e como modo de “reagrupar suas tropas”. “A luta contra o autoritarismo é uma luta de anos e não será resolvida rapidamente agora”, conclui o filósofo.
7/1/202326 minutes, 9 seconds
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O recorde de 110 milhões de refugiados

No Aeroporto Internacional de Guarulhos, um grupo de 200 afegãos passou dias acampado esperando acolhimento – o Ministério da Justiça resolveu abrigá-los em hotéis provisoriamente. Do outro lado do Oceano Atlântico acumulam-se naufrágios de embarcações com imigrantes da África e do Oriente Médio rumo à Europa – o número de mortos já passa de mil só em 2023. Resultado de guerras, fome, problemas climáticos e perseguições étnicas, religiosas e de identidade. Neste cenário, o mundo registra o maior número de refugiados da história. Para explicar as razões do fluxo inédito de pessoas entre países, Natuza Nery conversa com Luiz Fernando Godinho, porta-voz do Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) para a América do Sul. - Godinho justifica a crescente procura pelo Brasil como destino de refúgio por “sua liderança regional consolidada e sua legislação muito avançada”. “O país tem imagem de aberto e onde pessoas podem encontrar a proteção que necessitam”, afirma; - Ele também comenta o crescimento no número global de refugiados – os principais motivos são guerras, conflitos e perseguições; insegurança alimentar e mudanças climáticas também são relevantes. “Crises que se sobrepõem umas às outras”, diz; - O porta-voz da Acnur analisa as possíveis soluções para garantir segurança jurídica e mesmo física para que as pessoas possam chegar a seus destinos. “Muitas dessas pessoas são vítimas de crimes organizados de tráfico de pessoas”, alerta; - Godinho esclarece que a decisão de deixar um país é uma “situação extrema que ninguém quer passar” e que a maioria das pessoas gostaria de voltar para suas casas. Mas, segundo ele, são necessárias "várias condições para que as pessoas possam retornar”, pondera.
6/30/202322 minutes, 13 seconds
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Censo: o impacto de a população crescer menos

O Brasil conheceu, depois de 12 anos, a resposta para a pergunta: quantos somos? Depois de ser adiado por dois anos devido à pandemia e a problemas orçamentários, o Censo foi realizado apenas em 2022 – e teve alguns de seus dados divulgados nesta quarta-feira (28) pelo IBGE. A descoberta mais importante é a contagem de habitantes: somos 203 milhões de brasileiros, um número quase 5 milhões abaixo das estimativas. Para explicar o que isso significa e destrinchar os dados disponíveis, Natuza Nery entrevista Suzana Cavenaghi, doutora em demografia pela Universidade do Texas (EUA) e ex-coordenadora, professora e pesquisadora da pós-graduação da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE. Neste episódio: - Suzana chama a atenção para a menor taxa de crescimento populacional em 150 anos: “Daqui a pouco precisamos chamar de [taxa de] variação, porque ela vai ficar até negativa”. E projeta que já na próxima década não só o crescimento vai ser reduzido como a população total irá diminuir. “Vamos ter que ajustar a economia, a educação, o mercado de trabalho e o acesso à saúde”, reforça; - Ela lamenta o “péssimo trabalho” feito pelo país nas últimas décadas de bônus demográfico. E aponta dois motivos: mercado de trabalho incapaz de absorver toda força produtiva e falta de investimento adequado para a educação. “O problema é que se passarmos a ser um país envelhecido antes de dar um salto à renda alta, nunca mais vamos conseguir isso”, afirma; - A demógrafa comenta o baixo índice de resposta ao questionário do IBGE, um fenômeno que se repete em todo o mundo e demonstra a “exaustão das pessoas” em atender pesquisas. “Falta consciência de cidadania”, avalia. “[Responder] ajuda o país a se conhecer e a garantir o bom uso dos recursos públicos”.
6/29/202325 minutes, 46 seconds
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O agronegócio e o desafio da sustentabilidade

O Plano Safra para o biênio 2023-2024 foi lançado nesta terça-feira (27) e terá o maior valor já investido da história: estão previstos R$ 364 bilhões em créditos rurais para médios e grandes produtores. E além do recorde de recursos financeiros – houve um acréscimo de 27% em relação à última edição – o plano prevê novidades em relação aos critérios ambientais com o objetivo de expandir a agricultura de baixo carbono. Para analisar o status atual da relação entre o agronegócio e as pautas sustentáveis, Natuza Nery entrevista Marcelo Morandi, ex-chefe geral da Embrapa Meio Ambiente, e Roberto Rodrigues, professor emérito e coordenador do Centro de Agronegócios da FGV-SP e ministro da Agricultura entre 2003 e 2006. Neste episódio: - Marcelo comenta a importância de empregar técnicas sustentáveis para a produção de comida e para garantir a segurança alimentar da população brasileira. Ele afirma que “há conhecimento científico” suficiente para crescer a produção de forma sustentável - e que o Plano Safra pode garantir o crédito para isso; - Ele também destaca quais são as principais tecnologias que garantiram ao Brasil o cumprimento da meta de emissão de carbono no ciclo de 2010 a 2020. Agora, na segunda fase de metas, o país terá que alcançar um objetivo cinco vezes maior: “Está de acordo com as ambições do Brasil nos acordos internacionais”; - Roberto detalha a cadeia produtiva do agronegócio no Brasil e afirma que apenas 2% de todo o desmatamento é feito por agricultores; os 98% restantes são “aventureiros e criminosos”. Mas que, para conquistar os mercados internacionais, é preciso “eliminar todas as ilegalidades” para se sobrepor às barreiras tarifárias ambientais; - O ex-ministro afirma que, ao agro, cabe apenas “trabalhar de acordo com a lei”; a fiscalização cabe exclusivamente ao governo. “Por outro lado, a sociedade como um todo não pode eleger quem não trabalha contra as ilegalidades”, conclui.
6/28/202329 minutes, 5 seconds
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A rebelião que desafiou o poder de Putin

Desde as primeiras ações da invasão russa na Ucrânia, o exército de Moscou tem o apoio do grupo armado de mercenários Wagner – nome que faz referência ao compositor favorito de Adolf Hitler. Nos últimos dias, o chefe do grupo, Yevgeny Prigozhin, anunciou um motim contra as lideranças militares do Kremlin e prometeu uma campanha em direção a Moscou. A ofensiva do até então aliado de Putin foi interrompida com a promessa do governo russo de anistiar os soltados e lideranças que aderiram ao motim, mas não sem consequências para a imagem de Putin. Para explicar os impactos dessa rebelião na política russa e no conflito contra a Ucrânia, Natuza Nery conversa com Tanguy Baghdadi, professor de Política Internacional na Universidade Veiga de Almeida e fundador do podcast Petit Journal . Neste episódio: - Tanguy descreve quem é Prigozhin, suas relações com o alto poder de Moscou e como ele ascendeu até o comando do Grupo Wagner. “Ele fez parece que invadir a Rússia não era tão difícil assim”, afirma; - O professor comenta a situação atual de Putin diante da opinião pública interna e da comunidade internacional: “Pela primeira vez em mais de 20 anos, Putin parece não ser mais intocável”. Mas aposta que o líder russo não vai “cruzar os braços” e que irá trabalhar para reocupar seu status e “esmagar” os opositores; - Tanguy também analisa como Prigozhin tenta se colocar como um dos mais importantes atores na política russa, mas sem bater de frente com Putin – que tem toda a máquina de Estado a seu favor e é muito popular. “Pela primeira vez, se fala sobre a sucessão de Putin. E Prigozhin sente o cheiro da oportunidade”, conclui.
6/27/202327 minutes, 25 seconds
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Câncer: a terapia revolucionária que cura

Paulo Pelegrino tem 61 anos, e viveu os últimos 13 sob contínuos tratamentos para se livrar do câncer. Em 2023, conseguiu. Durante 1 mês, Paulo foi submetido a uma terapia experimental que está sendo desenvolvida e aplicada no Brasil pela USP, em parceria com o Instituto Butantan e o Hemocentro de Ribeirão Preto. Trata-se da CAR-T Cell, tecnologia celular aplicada em alguns pacientes na Europa e nos EUA - lá, o tratamento custa cerca de R$ 2 milhões; aqui, o SUS irá disponibilizá-la gratuitamente assim que for aprovada pela Anvisa. Paulo relata a Natuza Nery o que ele passou nos últimos anos. Participa também o médico Dimas Covas, diretor do Hemocentro de Ribeirão Preto, professor da USP na mesma cidade e coordenador do Centro de Terapia Celular da instituição. Neste episódio: - Paulo conta o que sentiu ao ver as imagens de seus exames antes e depois da terapia: a primeira mostra um corpo tomado por tumores, e a segunda “era como se tivessem passado uma borracha naquilo”. “A ficha não caiu ainda”, celebra; - Para Paulo, o desfecho de sua história é uma “ressureição”. Ele diz se sentir “envaidecido” de ter sido um dos 14 pacientes cobaia deste experimento, realizado gratuitamente pelo SUS e que devolve às pessoas “a crença na ciência e a esperança na cura”; - Dimas Covas explica o que é a terapia CAR-T Cell e descreve seu funcionamento: as células T do paciente são extraídas e, no laboratório, são modificadas geneticamente para perseguirem e atacarem as células cancerígenas. De volta ao corpo, ele afirma, “essas células conseguem em 15 a 20 dias destruírem completamente o tumor”; - Ele anuncia que “o próximo desafio é levar o tratamento aos pacientes do SUS”. Para isso, o primeiro passo é registrar a terapia na Anvisa e, depois, “em um prazo máximo de um ano e alguns meses” poderemos ver este tratamento disponibilizado no SUS. “O CAR-T Cell será a nova fronteira do tratamento de câncer em geral”, conclui.
6/26/202329 minutes, 18 seconds
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A implosão do submersível rumo ao Titanic

Cerca de 1 hora e 45 minutos depois de submergirem no Oceano Atlântico, os cinco passageiros que desciam ao fundo do mar para ver os destroços da mais famosa embarcação do mundo perderam o contato com a base. Eles estavam dentro da cápsula Titan, com 6,5 metros de altura e 3 metros de largura - uma estrutura modesta controlada por um joystick de videogame. A busca pela embarcação mobilizou equipamentos de vários países e atraiu a atenção do mundo. Na manhã desta quinta-feira (22), chegou-se ao desfecho: o submersível implodiu, e todos os passageiros morreram. Para explicar toda essa história, Natuza Nery conversa com Candice Carvalho, correspondente da Globo que fala direto de Boston, onde a Guarda Costeira americana coordenava as buscas, e com o médico Camilo Saraiva, especialista em medicina do mergulho e diretor médico da Divers Alert Network. Nesse episódio: - Candice relata toda a operação de buscas até a confirmação da implosão do submersível: “Era o que as autoridades temiam desde o início”. Isso porque, a despeito de aspectos amadores de seu padrão de segurança, o Titan tinha sete planos de emergência para salvar os passageiros. “Mas em caso de implosão, não tem o que fazer”; - A jornalista descreve os desafios que as equipes de busca enfrentaram: ondas de 2 metros de altura e ventos fortes em um dos lugares mais inóspitos do Oceano Atlântico, a 600 km da costa canadense; tudo isso numa profundidade de 3.800 metros. “Poucos equipamentos no mundo chegam a uma profundidade tão grande porque a pressão da água é enorme”, afirma; - Camilo explica o que acontece no corpo humano ao ser submetido a diferentes intensidades de pressão em ambiente aquático. “No caso do submarino, a pressão é quase 400 vezes maior que na superfície da praia”, esclarece; - Ele descreve o que provavelmente aconteceu com o equipamento, de acordo com as informações da Guarda Costeira americana: “Ele cedeu à pressão bruscamente e foi implodido pela força da água”, conclui.
6/23/202327 minutes, 29 seconds
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Bolsonaro julgado no TSE: risco da inelegibilidade

A partir desta quarta-feira (22), o ministro do Tribunal Superior Eleitoral Benedito Gonçalves, relator da ação, iniciará a leitura de seu voto. Ele será o primeiro dos 7 ministros a decidir o futuro político de Bolsonaro, que corre o risco de ficar até 2030 impedido de disputar eleições. O TSE analisa o episódio no qual o ex-presidente convocou embaixadores para, sem provas, denunciar o processo eleitoral brasileiro e questionar a lisura da urna eletrônica. Para explicar o processo judicial e os argumentos de acusação e defesa, Natuza Nery conversa com Fernanda Vivas, produtora da TV Globo em Brasília especialista no Judiciário, e Oscar Vilhena, professor de direito na FGV-SP e autor do livro “Constituição e sua reserva de Justiça”. Neste episódio: - Fernanda descreve o mérito da ação que será analisada pelos ministros do TSE: abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. “Se analisares que a ação procede, Bolsonaro fica inelegível”; - A jornalista também menciona os diversos processos que tramitam no Supremo contra o ex-presidente. “São ações de ordem criminal e foram enviadas às instâncias inferiores, agora que Bolsonaro não tem mais foro privilegiado”, explica - são esses casos que podem até levá-lo à prisão; - Oscar destaca a “peculiaridade” da situação enfrentada por Bolsonaro, que teve processos contra ele represados pela inação da PGR e da Câmara. “Agora esses processos têm o devido procedimento”, afirma; - Ele analisa o funcionamento da justiça eleitoral e sua “jurisprudência robusta” contra abuso de poder econômico e abuso de poder político: “O que não tínhamos era abuso de poder para conspirar contra o próprio processo democrático”. E, caso confirmada a inelegibilidade do ex-presidente, Oscar entende que o tribunal “sinaliza para o futuro que novas conspirações não serão toleradas”.
6/22/202328 minutes, 24 seconds
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El Niño - como evitar a catástrofe climática

O inverno no hemisfério sul começa nesta quarta-feira (21), e este ano ele será muito mais quente que o normal. Resultado do fenômeno El Niño, que deve alterar profundamente o regime de chuvas e pode elevar a temperatura em até 2,5°C - o que configuraria um raro “Super El Niño”. Para entender as consequências do fenômeno e o que fazer para mitigar seus danos, Natuza Nery entrevista Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e integrante do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU. Neste episódio: - Paulo Artaxo detalha o que é o fenômeno, e como ele impacta as temperaturas e, principalmente, o ciclo hidrológico do planeta. Devido ao aquecimento anormal das águas dos oceanos, informa, este ano deve ter “aquilo que a gente chama de Super El Niño”, com efeito na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos; - O professor detalha o mecanismo de como o El Niño age sobre o território brasileiro: “Ele faz com que massas de ar mais secas cheguem ao Nordeste, e massas de ar com mais umidade cheguem ao Sul”. Assim, haverá menos precipitações na Amazônia e no Cerrado e chuvas torrenciais no Sul, em ambos os casos com “danos socioeconômicos”; - Artaxo destaca “uma das várias vulnerabilidades do Brasil em relação às mudanças climáticas”: uma economia muito dependente de uma única atividade, o agronegócio - setor que terá impacto negativo na produtividade; - O cientista recorda que há mais de 50 anos já se alerta sobre os riscos das mudanças climáticas, “mas os governos não agiram e, hoje, há impactos no mundo todo”. Para remediar isso, ele afirma, é preciso reduzir a emissão de carbono (com foco em zerar desmatamento e reduzir o uso de combustíveis fósseis) e se adaptar ao novo clima, nas cidades e na agricultura.
6/21/202322 minutes, 41 seconds
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Juros altos e a pressão sobre o Copom

A partir desta terça-feira (20), o Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne mais uma vez para decidir a taxa básica de juros. A decisão sai na quarta-feira (21), e a expectativa do mercado é de que ela seja mantida em 13,75%, o maior patamar em 6 anos e meio. O ciclo de queda deve começar somente a partir da reunião de agosto. Diante dos índices positivos no cenário econômico – PIB mais alto que o esperado, e inflação, câmbio e juros futuros em baixa – até mesmo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já ameaça vocalizar contra o Banco Central e o presidente da instituição, Roberto Campos Neto. Para analisar as pressões e as consequências da Selic nas alturas, Natuza Nery conversa com a economista Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Peterson Institute for Internacional Economics. Neste episódio: - Monica ratifica as críticas ao BC e afirma que a instituição “já está atrasada no processo de redução de juros”. E, afirma, não será agora. Por dois motivos: a necessidade de comunicação prévia, via atas do Copom, e o “cenário turvo” que os bancos centrais de todo o mundo enfrentam diante da resistência da inflação nos países desenvolvidos; - Ela explica por que o efeito da redução da Selic só tem efeito na economia pelo menos 6 meses depois. E que a “relutância do BC em reduzir os juros causa perplexidade”, mesmo diante dos desafios do cenário externo e do “embate político” com o Palácio do Planalto; - A economista relata que desde o início do ano as condições de crédito já "eram muito ruins” e pressionam empresas e famílias em direção ao endividamento. “Quanto mais tempo as taxas de juros estiverem altas, menos capacidade de pagamento elas têm”, resume.
6/20/202324 minutes, 2 seconds
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Everest: temporada mortal no topo do mundo

Todos os anos, cada vez mais turistas encaram o desafio de subir ao ponto mais alto do mundo, a 8.849 metros de altura. Não é exagero: o número de alpinistas (profissionais e amadores) dispostos a essa aventura cresceu tanto que houve até um recente episódio de congestionamento nos metros finais da subida. A superlotação aumenta o risco – assim como os ventos cortantes de 100 km/h e a temperatura que chega a -50°C. Para contar a experiência de subir o Everest e explicar todos os perigos envolvidos, Natuza Nery entrevista Clayton Conservani, jornalista de esporte do Grupo Globo. Neste episódio: - Clayton analisa os fatores climáticos que resultaram em uma temporada especialmente perigosa para os alpinistas no Everest: “Os principais obstáculos para alcançar o topo são a velocidade dos ventos e a falta de oxigênio”. Quando isso se soma a temperaturas muito baixas, como neste ano, há uma “combinação fatal”; - Ele, que já subiu o monte duas vezes, relata o passo a passo da expedição, que dura cerca de dois meses – e destaca o perigo de cruzar a “cascata de gelo” e de entrar na “zona da morte”. “O corpo humano não foi feito para suportar grandes altitudes”, afirma. “Acima dos 5.000 metros, é como respirar com um pulmão só, e você se sente morrendo lentamente”; - O jornalista recorda o impacto do terremoto de 2015 no Nepal e como foram os 10 dias de cobertura: “Estávamos lá durante o pior terremoto dos últimos 80 anos”. Ele relata a destruição que viu em Katmandu e também na montanha – e como isso prejudicou o turismo no Nepal e incentivou a emissão de mais licenças para alpinistas no Everest; - Clayton conta como foi a tentativa de chegar ao cume da montanha em 2005, quando ficou 79 dias em expedição e perdeu cerca de 15 kg – e como seu amigo, um dos maiores alpinistas brasileiros, Vitor Negrete, morreu horas depois de chegar ao ponto mais alto do mundo.
6/19/202327 minutes, 24 seconds
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Blindagem de políticos: aprovação a toque de caixa

A toque de caixa, a Câmara aprovou um projeto de lei que pune “discriminação contra políticos”. O texto foi apresentado pela deputada Dani Cunha (União Brasil), filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Entre os pontos, está a punição para quem negar crédito a quem for “politicamente exposto” - uma lista de 99 mil pessoas com muito poder, além de parentes, sócios e colaboradores de políticos. Para entender o projeto e o que a tramitação relâmpago dizem sobre a política em Brasília, Natuza Nery conversa com Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e da rádio CBN. Neste episódio: - Maria Cristina Fernandes explica os pontos do projeto e como ele foi “incluído de supetão” na pauta da Câmara. “A verdade é que na noite de quarta-feira ninguém sabia exatamente o que estava sendo votado”, diz; - “Os partidos estão em uma cruzada para ampliar a margem de atuação e descriminalizar a atuação dos dirigentes partidários”, diz, ao citar o interesse de parlamentares de blindar partidos e dirigentes na gestão de recursos dos fundos Partidário e Eleitoral; - A jornalista aponta para a importância de entender o momento em que o texto foi aprovado na Câmara, quando há “tentativa do Centrão de ampliar a todo custo seu espaço no governo”; - E conclui como a relação entre o presidente Lula e o deputado Arthur Lira, que comanda a Câmara, explica as circunstâncias da votação do texto.
6/16/202327 minutes, 26 seconds
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As igrejas evangélicas e a comunidade LGBT+

O mês de junho marca as comemorações do orgulho LGBT+, e é também quando acontece a Marcha para Jesus. Evidenciando um discurso pela inclusão de fieis de diferentes orientações e identidades, enquanto parte conservadora dos evangélicos resiste. Para entender como grupo evangélicos acolhem a comunidade LGBT+, e a reação a este movimento, Natuza Nery recebe dois pastores. Hermes Carvalho Fernandes, da Igreja Reina, psicólogo, teólogo e autor de “Homossexualidade: da sombra da lei à luz da graça”, e Fellipe dos Anjos, doutorando em Ciências da Religião na Universidade Metodista de São Paulo. Neste episódio: - Hermes expõe o que o fez lutar pela causa da inclusão e explica quais trechos da Bíblica são usados para justificar a homofobia. Ele cita “interpretações equivocadas” e explica a leitura que faz destes mesmos trechos: “Não encontramos uma única passagem que fale sobre homoafetividade”, diz; - O pastor fala de perseguições sofridas ao acolher a diversidade, e é categórico ao dizer que não trocaria este acolhimento para ter um número ainda maior de fieis. “Aquela pessoa que nós acolhemos, para onde iriam?”, questiona. "De que adianta arrastar multidões com conservadorismo doentio?”; - Fellipe dos Anjos explica o surgimento de alas progressistas entre os evangélicos, grupo religioso em crescimento no Brasil nas últimas décadas. “Os evangélicos não só cresceram, mas também se pluralizaram”, afirma – ao citar minorias teológicas, sociais, raciais, culturais, políticas e sexuais; - Ele analisa por que grupos mais conservadores “se fecham” à pluralidade. E conclui: “o que explica um recrudescimento do fundamentalismo é uma aliança com a extrema-direita cultural e política”.
6/15/202322 minutes, 47 seconds
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Colômbia: como resgate de 4 irmãos uniu militares e indígenas

No dia 1° de maio, um avião com 7 pessoas decolou para fazer o trajeto entre as cidades colombianas de Araracuara e San Jose del Guaviare. Sinais de alerta de falha foram emitidos pelo piloto pouco antes da queda que matou 3 adultos. Começava ali a operação Esperança, que por 40 dias buscou 4 crianças sobreviventes – elas foram resgatadas na última sexta-feira de helicóptero, desnutridas, desidratadas e com picadas de insetos. Para entender como a história dos 4 irmãos indígenas revela a situação política do país, Natuza Nery conversa com Carlos de Lannoy, enviado especial da Globo à Colômbia, e Thiago Vidal, diretor de análise política para a América Latina da consultoria Prospectiva. Neste episódio: - Direto de Bogotá, Lannoy monta o quebra-cabeças do período em que os irmãos ficaram perdidos na selva: “Elas sobreviveram graças ao conhecimento que tinham da floresta”, explica. Ele descreve uma região onde chove torrencialmente até 16 horas por dia, com mata densa, animais venenosos e predadores; - O jornalista relata como o resgate às crianças indígenas engajou “um país dividido” há décadas por conflitos armados. Ele relembra o caso “dos falsos positivos”, indígenas acusados por militares de fazer parte de grupos guerrilheiros. E como “colombianos estão surpresos ao ver militares e indígenas juntos na floresta nas buscas”; - Thiago Vidal relembra a relação conflituosa entre indígenas e guerrilheiros na Amazônia colombiana. “Comunidades agrícolas e indígenas foram as mais prejudicadas pelo avanço do narcotráfico”, explica, ao lembrar os “desplazados”, pessoas obrigadas a sair de suas terras pelo avanço do tráfico e das guerrilhas; - O analista conclui como um recente cessar-fogo anunciado com o ELN (Exército de Libertação Nacional) e o resgate das crianças interferem no momento político do presidente Gustavo Petro, o primeiro de esquerda a governar a Colômbia.
6/14/202329 minutes, 29 seconds
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O celular de Cid e a CPI dos Atos Golpistas

Preso desde que a Polícia Federal deflagrou uma operação sobre a falsificação nos cartões de vacina de Jair Bolsonaro (PL), o ex-ajudante de ordens da Presidência se complicou ainda mais diante da descoberta de novas evidências de crime em seu celular. A PF encontrou conversas sobre tramas e tratativas para inviabilizar a posse de Lula (PT) como presidente. E também a troca de documentos propostos para legitimar uma ação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e a favor de um golpe de Estado. Para explicar os impactos e repercussões desse novo elemento no desenrolar da CPI dos Atos Golpistas, Natuza Nery conversa com Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN. Neste episódio: - Malu avalia que as novas evidências encontradas no celular do ex faz-tudo de Bolsonaro “complicam bastante” a situação dele e reforçam a tese de que Cid atuava “para justificar um golpe de Estado”; - Ela analisa os movimentos do governo e da oposição para assumir o protagonismo da CPI dos Atos Golpistas: “Até agora, embora os atos de 8 de janeiro tenham sido claramente fomentados por bolsonaristas, é o governo que parece acuado”. Um dos motivos, informa, é a presença do ex-chefe do GSI, Gonçalves Dias, no Palácio do Planalto no dia da invasão; - Malu chama a atenção para o fato de que, pela primeira vez, uma CPI terá que convocar e, possivelmente, indiciar generais. “É uma coisa muito séria que o governo Lula queria evitar, agora que a situação entre governo e militares está mais calma”, afirma; - A jornalista também comenta, à luz das novas evidências contra Mauro Cid, o que deve acontecer no julgamento de Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (agendado para o dia 22 de junho): “É fato político que pode interferir”. Ela informa que “até os advogados de Bolsonaro” acham que a corte deve decidir pela inelegibilidade e que o “ex-presidente está com muito medo de ser preso”.
6/13/202328 minutes, 17 seconds
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O desafio da alfabetização no Brasil

Levantamento recente do Ministério da Educação concluiu que apenas 4 em cada 10 crianças do 2º ano do Ensino Fundamental estão alfabetizadas. Resultado de um histórico de fragilidades na formação educacional, somado à gestão desastrosa dos anos nos quais houve a necessidade de isolamento social. Para explicar os retrocessos provocados pela pandemia e quais os desafios para alfabetizar as crianças brasileiras, Natuza Nery entrevista a pedagoga Isabel Frade, presidente emérita da Associação Brasileira de Alfabetização e pesquisadora do centro de alfabetização, leitura e escrita da UFMG; e fala também com Gabriel Corrêa, economista e diretor de políticas públicas no Todos pela Educação. Neste episódio: - Isabel explica a evolução do conceito de alfabetização ao longo dos anos e como “mudanças no uso da escrita na sociedade” impuseram a ideia de letramento no contexto educacional. “A expectativa hoje é que a criança, além de decifrar o sistema de escrita e dominar os instrumentos de escrita, seja leitora e produtor de texto”, afirma; - Ela demonstra porque o processo de alfabetização não é apenas uma questão de gestão ou pedagógica: “A desigualdade tem que ser colocada em primeiro plano". E, do lado de dentro da escola, além da universalização do acesso à educação, é preciso “metodologias, materiais, formação de professores e condições de trabalho”; - Gabriel diz que “não há bala de prata” para resolver a educação no Brasil, mas aponta ações cuja eficácia já foi observada: foco na formação de professores, melhor gestão escolar e avaliações mais precisas. Para isso, destaca que “estados e governo federal precisam apoiar e dar incentivo para aos municípios”; - Ele também chama a atenção para a “tragédia silenciosa” de não alfabetizar as crianças no tempo ideal. “É preciso uma ação emergencial para evitar que isso prejudique toda a continuidade de suas vidas”, clama.
6/12/202325 minutes, 58 seconds
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O brasileiro endividado – e o impacto na economia

O governo lançou um programa que pode atender até 70 milhões de brasileiros inadimplentes. O Desenrola vai ajudar quem ganha até 2 salários-mínimos e tem dívidas de até R$ 5 mil a renegociar e parcelar seus débitos a juros muito abaixo da prática do mercado. Para explicar como o programa irá funcionar e sua repercussão na economia, Natuza Nery entrevista Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva e do Data Favela, e Rafael Pereira, ex-presidente da Associação Brasileira de Crédito Digital e cofundador da fintech Crédito Open Co. Neste episódio: - Renato lembra como as classes D e E foram as que mais sofreram durante a pandemia: enfrentaram alta da inflação dos alimentos e perda de emprego formal e informal. “Isso acaba com a ideia de que as pessoas estão inadimplentes porque são perdulárias”, afirma; - Ele revela que grande parte da população inadimplente adquiriu a dívida “com crédito concedido enquanto tinha renda formal” e que, agora, dispõem das mais diversas estratégias para conseguir pagar as necessidades básicas: “61% dos endividados têm o hábito de fazer rodízio de contas para escolher que compromissos poderão honrar”; - Renato avalia o potencial econômico de R$ 800 bilhões do contingente de brasileiros que estão negativados: uma vez com o nome limpo, esse brasileiro “vai gastar com o seu cartão de crédito" fazendo varejistas "vender mais e, assim contratar mais gente”. Por isso o programa, explica, deve ser encarado “como auxílio aos mais necessitados” e como estímulo para um “ciclo econômico virtuoso”; - Rafael analisa de que modo muitas famílias recorrem ao crédito como um adicional à renda para compensar a corrosão do poder de compra imposta pela inflação: “É a lógica de vender o almoço para pagar o jantar. Isso não funciona e gera um problema social enorme”.
6/7/202324 minutes, 58 seconds
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Junho de 2013: as manifestações que abalaram o país

Os protestos começaram tímidos, contra o aumento de 0,20 centavos nas passagens do transporte público e com a reivindicação da tarifa zero. Conforme os atos ganhavam adesão popular, mais violenta a repressão policial: em poucos dias, as ruas das maiores cidades brasileiras estavam tomadas por milhões de manifestantes. Um terremoto que sacudiu a sociedade, criou diferentes movimentos sociais e lançou novos atores no cenário político. Para entender o impacto dos protestos na última década, Natuza Nery conversa com Roberto Andrés, professor da escola de arquitetura da UFMG e autor do livro “A razão dos centavos: crise urbana, vida democrática e as revoltas de 2013”. Neste episódio: - Roberto recorda que as revoltas contra aumentos tarifários remontam desde o século 19, um sinal de que “a questão da mobilidade urbana nunca foi bem endereçada”. No momento das manifestações de 2013, havia um novo elemento em jogo: as redes sociais. “De positivo, houve mais democratização nos eventos. De negativo, o debate ficou mais superficial”, analisa; - Ele lembra que o pós-junho de 2013 foi marcado pela profusão de movimentos populares, e que o acirramento da polarização política começa a aparecer no contexto das eleições presidenciais de 2014. “Os autoritários de extrema-direita surgem na segunda metade da década com falsas soluções para os mesmos problemas”; afirma; - Ele também observa que a pauta da tarifa zero, uma demanda vista como “irrealista e impossível” em 2013, teve um salto no Brasil desde então: hoje, são mais de 70 cidades que adotam a política, servindo mais de 3,5 milhões de pessoas. “As manifestações colocaram a ideia no centro do debate”; - Roberto afirma que, dez anos depois da revolta, “quem está melhor posicionado na política brasileira é o Centrão”. E conclui que, com a eleição do Lula, fica evidente que “as agendas demandadas lá atrás ainda não foram absorvidas pela esquerda”.
6/6/202324 minutes, 17 seconds
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Bruno e Dom, 1 ano do crime no Vale do Javari

No dia 5 de junho de 2022, o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips foram vítimas de uma emboscada próxima à comunidade de São Rafael, região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Na ocasião, apontam as investigações da polícia, eles foram executados com tiros nas costas por pescadores ilegais, a mando de financiadores do crime organizado. Para esclarecer o que se sabe deste crime um ano depois e as consequências dele no Vale do Javari, Natuza Nery conversa com Sônia Bridi, repórter do Fantástico e diretora do documentário “Vale dos isolados: o assassinato de Bruno e Dom”, disponível no Globoplay. Neste episódio: - Sônia relata os mais de 70 dias que passou no Vale do Javari para a gravação do documentário. “O cenário da Amazônia era outro e a água tinha abaixado mais de 3 metros em relação ao dia do crime”, recorda. Assim, ela acompanhou amigos e ex-colegas de Bruno numa incursão em busca de objetos pessoais dele e do jornalista: foram encontrados documentos, um caderno de anotações e um celular, cujas imagens “deixam clara a dinâmica do que aconteceu”; - Ela também explica a história de violência desmedida contra os indígenas que aflige há décadas o Vale do Javari. Há mais de 40 massacres relatados e registrados – em pelo menos dois deles, ocorridos em 1989 e 1995, assassinos têm relação com os executores de Bruno e Dom. E agora, a polícia tem indícios de que o mandante da morte dos dois é também responsável pelo homicídio do indigenista Maxciel Pereira, em 2019; - A jornalista apresenta uma figura importante no crime organizado da região, o Colômbia. É ele o suspeito de mandar matar Bruno, Dom e Maxciel, além de financiar a pesca ilegal e de estar relacionado à lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas. “Eu fui até a balsa onde operava o negócio do Colômbia, e fui intimidada e colocada para fora por policiais peruanos”, revela; - Sônia recorda as conversas que teve com os indígenas sobre o trabalho de Bruno no Vale do Javari: “Eles diziam que o Bruno era ‘parte de nós’, que era um parente”. Eles também contaram à jornalista que, em termos de segurança, nada mudou neste último ano. “As pessoas continuam sendo ameaçadas e com medo”, afirma.
6/5/202337 minutes, 19 seconds
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Zanin, o indicado de Lula ao STF

Desde que o Supremo anulou todas as condenações e devolveu a elegibilidade a Lula, o nome do advogado Cristiano Zanin aparecia no topo da lista de possíveis indicações à Corte caso o petista voltasse ao Palácio do Planalto. Lula venceu a eleição e, com a aposentadoria de Ricardo Lewandowski, confirmou o favoritismo de seu advogado pessoal na saga que travou contra a Lava Jato – agora, seu nome precisa ser também aprovado no Senado por maioria simples. Para analisar as contradições de Lula nas indicações ao STF e os desafios de Zanin para superar desconfianças, Natuza Nery entrevista Felipe Recondo, sócio-fundador da plataforma Jota e autor de dois livros sobre o Supremo, e Conrado Hubner Mendes, doutor em direito e ciência política e professor de Direito Constitucional na USP. Neste episódio: - Recondo descreve os 23 anos de carreira de Zanin: os grandes casos em que trabalhou; sua atuação na Lava Jato; e o que pensa sobre pautas que transitam pelo Supremo. “Ele tem sensibilidade para a estabilidade do setor produtivo, e não vai se alinhar nem aos ministros mais progressistas, nem aos conservadores”, afirma; - Ele também comenta as reações dos ministros da Suprema Corte à indicação: “Eles sabem que a realidade é que Zanin estava na cabeça e no coração de Lula”. Isso porque, agora no terceiro mandato, Lula assumiu que a indicação para o STF seria “da sua confiança e de sua responsabilidade”; - Conrado observa que o provável ingresso de Zanin no Supremo é a manutenção “da tradição oitocentista” em relação à diversidade – uma maioria de 95% de homens brancos entre todos os ministros. “Um tribunal mais diverso é um tribunal mais inteligente e com mais força para cumprir sua missão”; - Para o futuro da Corte, ele afirma que Zanin carrega consigo um “fardo de desconfiança para o STF”. E que o fato do presidente indicar um aliado pessoal e uma “incógnita jurídica” dá todos os sinais de que seus critérios são “pouco republicanos e pouco constitucionais” - Rosa Weber se aposenta até outubro e Lula indicará o substituto.
6/2/202335 minutes, 18 seconds
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Lula, a desarticulação e o poder de Lira

Foi aos 45 do segundo tempo, mas o governo conseguiu aprovar na Câmara a Medida Provisória que mantém a atual estrutura do Planalto, com 37 ministérios. O texto final recebeu alterações, enfraqueceu os ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas e correu o risco de ficar fora da pauta no dia limite para a votação. Tarde da noite desta quarta-feira (31), véspera do dia em que perderia a validade, a MP passou com 337 votos a favor e 125 votos contrários. Agora, o texto será votado nesta quinta (1º) no Senado – e a expectativa é que seja aprovado. Para explicar as vitórias e derrotas do Executivo diante do Congresso e a tensa relação entre Lula (PT) e Arthur Lira (PP-AL), Natuza Nery conversa com Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo, comentarista da rádio CBN e apresentadora do programa Roda Viva, na TV Cultura. Neste episódio: - Vera imputa a Lira “responsabilidade total” na resistência da Câmara em aprovar a MP governista: “Lira é uma entidade que detém a maioria dos deputados” - e ganha mais poder diante de um “governo fraco” politicamente no Parlamento; - Ela comenta a “ausência de Lula na articulação política”, que resulta de sua atenção excessiva com as relações exteriores e que pode “inviabilizar o governo na largada”: assim como enquadrou Bolsonaro com dezenas de pedidos de impeachment na mão, Lira pode colocar o atual presidente contra a parede ao pautar as CPIs; - Vera também revela a conversa que teve com um influente parlamentar: “Ele falou: ‘ganhou a eleição por 80% a 20%? Não, foi por 51% a 49%’. E é essa ideia que vai nortear tudo nesses quatro anos”, afirma. Assim, avalia, Lula corre o risco de ter um governo mais regressivo do que o do próprio Bolsonaro - “estão achando mais confortável passar a boiada sem o Bolsonaro para atrapalhar”; - A jornalista analisa a pressão do Congresso sobre o STF na questão do marco temporal das terras indígenas. “A Corte está dividida”, revela, sobre o julgamento em relação à constitucionalidade do tema, pautado para 7 de junho.
6/1/202329 minutes, 55 seconds
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Gripe aviária no Brasil – quais os riscos?

Nos últimos anos, surtos de contaminação com o vírus H5N1 vem se espalhando pelo globo, e se aproximando cada vez mais do Brasil. O país, que nunca registrou sinais de gripe aviária em granjas, identificou dois casos em aves silvestres no Espírito Santo; desde então, novos focos apareceram. São 13 até agora - além do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul também têm casos. Para mensurar o risco que a doença oferece, Natuza Nery fala com Paula Salati, repórter de agro do g1, e com o economista Fernando Henrique Iglesias, analista e consultora da Safras & Mercado. Neste episódio: - Paula explica as características do vírus H5N1, um subtipo do Influenza que afeta predominantemente as aves. Ele foi detectado pela primeira vez em 1996, na China, onde também foi registrado o primeiro contágio humano – nos últimos anos, tem se disseminado pelas Américas. “É um vírus que se espalha rapidamente e tem alta taxa de mortalidade”, afirma; - A jornalista justifica a decisão do Ministério da Agricultura de decretar estado de emergência zoossanitária: “A principal preocupação é evitar que a gripe chegue às granjas”. Caso haja contaminação nos produtores dedicados ao comércio de carnes e ovos, é preciso sacrificar todas as aves, explica; - Fernando dimensiona o tamanho do mercado de aves no Brasil: segundo maior produtor do mundo, maior exportador e prevê a produção de 15 milhões de toneladas de carne de frango até o fim do ano. E ressalta que, embora “o Brasil siga os mais rigorosos protocolos sanitários animais”, o mercado pode sofrer um baque caso a gripe chegue às granjas comerciais; - Ele também comenta o impacto da crise zoossanitária na Europa e nos Estados Unidos, onde houve desabastecimento e boom inflacionário na comercialização de ovos. No Brasil, avalia, “será preciso ter um descontrole muito grande” para que a inflação geral de preços seja pressionada.
5/31/202323 minutes, 30 seconds
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Lula com Maduro, e a relação Brasil-Venezuela

Nesta segunda-feira (29), Lula (PT) recebeu o chefe de Estado venezuelano no Palácio do Planalto antes da cúpula dos países da América do Sul. A efusiva recepção do presidente brasileiro culminou em uma coletiva de imprensa na qual teceu elogios a Nicolás Maduro e defendeu a suposta democracia da Venezuela - país que já foi denunciado pela ONU por violação dos direitos humanos. Para explicar o que Lula busca na aproximação com a Venezuela, Natuza Nery conversa com o analista político Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais na FGV-SP. Neste episódio: - Oliver elogia a “decisão pragmática” de reestabelecer relações com o país vizinho, com o qual o Brasil divide uma fronteira de 2.200 mil km, mas pondera: “Lula foi bastante longe com os comentários simpáticos a Maduro, e ganha muito pouco com isso”; - Ele afirma que a relação com a Venezuela é inevitável, mesmo que, hoje, “o país não seja uma democracia”. No entanto, os elogios de Lula ao regime promovem a “polarização” e causam “a festa dos grupos bolsonaristas”; - O analista político comenta a situação econômica da Venezuela, ultra dependente dos recursos provenientes da venda de petróleo: “um colapso” que se soma a uma inflação alta e a um quadro de “erosão democrática”. “É um Estado falido”, resume; - Oliver explica que a cúpula entre os líderes sul-americanos tem como objetivo “reiniciar o diálogo” na região, depois de anos de ausência brasileira. O desafio, aponta, é “avançar nas questões técnicas” em detrimento das diferenças ideológicas. “Lula mantém a capacidade de manter laços com líderes de esquerda e direita”, afirma.
5/30/202328 minutes, 25 seconds
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Mata Atlântica sob risco de extinção

Terceiro maior bioma do território nacional – onde está 70% da população brasileira – e berço de uma biodiversidade com mais de 2 mil espécies animais e 20 mil espécies de plantas. Toda a riqueza da Mata Atlântica foi alvo de exploração desde a chegada dos portugueses ao Brasil: hoje, resta dela apenas 12,4% da cobertura de vegetação original. E pode piorar. Na última semana, a Câmara aprovou a Medida Provisória que afrouxa ainda mais a proteção ao bioma – o texto ainda pode ser vetado pelo presidente Lula (PT). Para apresentar a importância da Mata Atlântica e o risco da aprovação da MP, Natuza Nery ouve Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da fundação SOS Mata Atlântica. Neste episódio: - Malu justifica por que a MP, que libera construção de obras de infraestrutura sem compensação, é “muito grave”, um “retrocesso” e uma “afronta” ao patrimônio nacional; - Diante de o contexto global de emergência climática, ela explica a importância da vegetação nativa se preservada. A mata age na umidade do ar, no lençol freático, no solo e nos rios, evita catástrofes como a que ocorreu em São Sebastião (SP) no início do ano e cumpre “uma função de reguladora do clima”; - A ambientalista aponta o risco de desertificação de outros biomas, caso a Mata Atlântica seja extinta – colocando em risco a segurança alimentar do país e gerando mais vítimas em eventos climáticos extremos. “Seria um suicídio geral”, afirma; - Por fim, ela comenta a repercussão internacional no caso de Lula não vetar o pacote contra o meio ambiente aprovado na Câmara: sofreria o agronegócio, o país perderia credibilidade e “todas as portas seriam fechadas”.
5/29/202325 minutes, 52 seconds
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Carro mais barato para quem?

A pandemia e, depois, a guerra da Ucrânia provocaram uma crise nas cadeias de produção global. Desde 2020, o preço dos carros no Brasil escalou para seu patamar mais alto – o que resultou no envelhecimento da frota nas ruas e na queda de vendas. Agora, de olho na classe média, o governo decidiu agir: nesta quinta-feira (25), o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, anunciou um programa de estímulos para o carro popular. É um pacote de desoneração de impostos que atende até veículos de R$ 120 mil. E que promete reduzir o preço de saída dos carros 0 km de quase R$ 70 mil para menos de R$ 60 mil. Sobre isso, Natuza Nery conversa com o jornalista André Paixão, editor da revista AutoEsporte, e com Carlos Góes, economista que faz PhD na Universidade da Califórnia e é fundador do Instituto Mercado Popular. Neste episódio: - André analisa a “extinção” dos carros populares no Brasil, um segmento que foi enorme no mercado automobilístico décadas atrás: “São carros que dão menos lucro para os fabricantes”; - O jornalista informa quais veículos devem ser barateados com a redução dos impostos – que seguirão três critérios: preço, emissão de poluentes e cadeia de produção. E lembra que, embora a questão ambiental tenha sido citada pelo governo, “o estímulo não contempla nenhum carro elétrico ou híbrido”; - Carlos explica que as pesquisas econômicas mais recentes apontam que uma “política industrial ótima deve incentivar os setores da base da cadeia produtiva e provêm insumos para os outros”. Ou seja, para ele, o anúncio do governo incentiva um setor que é “exatamente o contrário disso”; - Ele recorda que a política de desoneração fiscal para estímulos setoriais do governo Dilma Rousseff resultou na “maior recessão brasileira em 100 anos”. Para Carlos, tal política pode se justificar com investimentos específicos em pesquisa e desenvolvimento, mas “há risco daquela situação voltar a acontecer”.
5/26/202325 minutes, 49 seconds
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Porte de drogas na pauta do STF

A apreensão de 3 gramas de maconha em posse de um presidiário dentro do sistema prisional paulista avançou todas as instâncias da justiça brasileira e chegou à Suprema Corte como um caso de repercussão geral. Ou seja, esse julgamento – pautado para voltar ao plenário nesta semana, depois de 8 anos paralisado – irá decidir se o porte de drogas para uso pessoal é crime. Antes do pedido de vista, o placar registrava 3 a 0 a favor da liberação ao menos da maconha. Para entender o que está em jogo e as repercussões gerais na Justiça e no sistema prisional, Natuza Nery entrevista o criminalista Pierpaolo Bottini, professor de direito penal da USP e autor do livro “Porte de drogas para uso próprio e o STF”, e Cristiano Maronna, diretor do Justa, organização que analisa dados sobre financiamento e gestão do sistema de Justiça. Neste episódio: - Pierpaolo esclarece o mérito do voto dos três ministros que já apresentaram suas posições no Supremo. O argumento central, afirma, é o direito constitucional da “dignidade humana, ou seja, que não se pode criminalizar qualquer tipo de prática ou conduta que diga respeito apenas a mim mesmo”; - Ele avalia que, “dadas as características dos ministros que compõem a Corte”, deve-se chegar a uma maioria a favor da descriminalização. Pierpaolo afirma também que este julgamento é uma “oportunidade para traçar o limite objetivo entre uso e tráfico” para que a decisão tenha impacto significativo; - Cristiano relaciona a política de combate às drogas com o atual estágio de encarceramento em massa no Brasil - são aproximadamente 1 milhão de detentos, terceiro maior contingente do mundo. “A lei de drogas é o principal vetor encarcerador hoje e um exemplo de lei aplicada de forma disfuncional e com efeitos negativos”, afirma; - Ele também afirma que o Brasil é um dos últimos países que ainda criminalizam a posse de drogas (especificamente a maconha) para uso pessoal e “tem uma das piores políticas de drogas do mundo”. E que o STF tem agora a chance de “reduzir a insegurança que existe hoje na lei de drogas”.
5/25/202326 minutes, 56 seconds
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CPI do MST - os objetivos do governo e da oposição

Desde a posse de Lula (PT), a bancada da oposição no Congresso se articula para criar uma comissão parlamentar de inquérito contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). O ambiente político para isso se fortaleceu no mês passado: em abril - mês no qual o MST realiza ações para lembrar o massacre de Eldorado dos Carajás (PA), em 1996 – foram registradas ao menos 12 invasões, entre elas em terras do Incra e da Embrapa. Nesta terça-feira (23), a CPI foi aberta com os bolsonaristas Coronel Zucco (Republicanos-RS) e Ricardo Salles (PL-SP), respectivamente, na presidência e na relatoria da comissão. Para analisar impactos políticos e sociais da CPI, Natuza Nery conversa com Luiz Felipe Barbiéri, repórter do g1 em Brasília, e com o sociólogo Celso Rocha de Barros, colunista do jornal Folha de S. Paulo e autor do livro “PT, uma história”. Neste episódio: - Luiz Felipe conta como os deputados bolsonaristas se organizaram para abrir a CPI e “tirar a atenção da comissão sobre os atos golpistas de 8 de janeiro”, na qual muitos deles são alvo. E relata que os deputados governistas veem a CPI do MST como um “termômetro” para as investigações sobre os atos golpistas; - Ele descreve o “clima tenso” do primeiro dia da comissão: deputados bateram boca, tiveram microfone cortado e deram até tapas na mesa. Para os próximos passos, ele antecipa que ministros do governo serão convocados à comissão para “levar pra frente a narrativa bolsonarista”; - Celso corrobora a análise de que os deputados bolsonaristas irão instrumentalizar a CPI para “ganhar a visibilidade que não tinham conseguido até agora” - e que a oportunidade para debater a sério a reforma agrária no país será perdida. “Se os parlamentares conseguirem usar a CPI para se blindarem vai ser muito ruim”; - O sociólogo explica como PT e MST, que nasceram no mesmo período histórico e tinham forte aproximação ideológica, cultivaram a tensão entre si: “Na década de 90, o PT se modera e o MST se radicaliza mais”. Ainda assim, partido e movimento se mantiveram próximos, numa relação que afasta o agronegócio do governo petista. A única alternativa a Lula, afirma, “é apresentar políticas bem boladas para os dois setores”.
5/24/202328 minutes, 36 seconds
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Vinícius Jr. e a reação contra o racismo na Espanha

No último domingo (21), a partida entre Real Madrid e Valencia, pelo Campeonato Espanhol, foi o cenário do mais grave ataque racista contra o atacante brasileiro. Nos últimos minutos do jogo, Vini Jr. identificou os torcedores que iniciaram os gritos e cânticos criminosos, e exigiu alguma reação da arbitragem. No meio da confusão, trocou agressões com um adversário e foi expulso pelo árbitro - ele foi o único punido em campo. Para explicar por que Vini Jr. é o principal alvo de uma cruel campanha de ódio racial na Espanha e o que vem sendo feito para punir os criminosos, Natuza Nery conversa com dois jornalistas: Fernando Kallás, correspondente de esportes da Reuters na península ibérica, e Paulo Cesar Vasconcellos, comentarista da TV Globo e do Sportv. Neste episódio: - Kallás descreve as dez denúncias de racismo contra Vini Jr. abertas apenas nesta temporada do futebol espanhol – e como esses casos “foram arquivados e nunca foram julgados como delito de ódio”. Dentro do contexto esportivo, ele afirma que “nenhum clube sofreu nenhuma punição” pelos atos racistas de seus torcedores; - Ele relata que, pela primeira vez desde que a onda de ataques racistas começou, o atleta está “mais do que arrasado, está revoltado”. Além das ofensas, Vini Jr. precisa lidar com a inação da La Liga (organizadora do campeonato espanhol) e com o racismo velado da imprensa local. “Tudo isso começou em um programa de televisão, com racismo e xenofobia”; - PC Vasconcellos analisa "o silêncio e a omissão” de diversos atores sociais para que o racismo chegasse ao atual estágio no futebol espanhol. E destaca as “boas notícias” que resultam deste caso: o posicionamento do presidente brasileiro, o acordo de colaboração entre Brasil e Espanha contra o racismo e a xenofobia e o fato de “um jovem preto de 22 anos se manifestar e chamar a atenção do mundo”; - PC relaciona o crescimento no número de episódios de racismo ao “avanço da extrema direita pelo mundo”, e afirma que as punições “se mostram insuficientes para a situação ser modificada”. “A minha razão é de pessimismo, mas quando vejo um comportamento como o do Vinícius passo a ficar mais otimista”, conclui.
5/23/202334 minutes, 44 seconds
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Mortalidade materna: como combater

No momento mais agudo da pandemia, 70% das gestantes que morreram em decorrência da Covid eram brasileiras. E diante da sobrecarga do sistema de saúde, mulheres não puderam realizar exames adequados para a gestação. Assim, doenças como a pré-eclâmpsia, historicamente a principal causa da mortalidade materna, não tiveram o atendimento médico necessário. Na média, em todos os dias de 2021, 8 mulheres grávidas morreram – trata-se do maior número em mais de duas décadas. No Dia Mundial de Prevenção da Pré-eclâmpsia, Natuza Nery recebe Fatima Marinho, assessora técnica sênior da Vital Strategies, organização global de saúde pública, e a obstetra Maria Laura Costa Nascimento, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Neste episódio: - Fatima fala do “grande retrocesso dos últimos anos”, quando o movimento de queda nos índices de mortalidade materna foi revertido: com o “aumento de casos durante a pandemia”, o número de mortes voltou ao patamar de 1990 – apenas entre 2019 e 2021, os óbitos saltaram de aproximadamente 1.500 para mais de 3 mil; - Fatima também avalia os dados de mortalidade por estado. “Chama atenção o crescimento no Sul, onde havia a menor razão de mortes maternas”, informa – e a principal hipótese para isso é a recusa da vacina contra a Covid. Por outro lado, Pernambuco registrou o melhor resultado; - Laura conta por que a pré-eclâmpsia é a principal causa de mortes maternas no Brasil, embora “evitável em 99% dos casos”. Trata-se de uma síndrome que ataca a pressão arterial e altera órgãos como rins, fígado, cérebro e placenta; - A obstetra detalha o tratamento para a síndrome e como os médicos agem para preparar mãe e bebê para um parto prematuro mais seguro. “Mesmo depois do parto, as mulheres precisam de acompanhamento clínico”, completa.
5/22/202326 minutes, 38 seconds
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A crise que faz o varejo fechar lojas

Logo no início do ano, uma das gigantes do setor no Brasil divulgou inconsistências contábeis na casa dos R$ 40 bilhões. A Americanas, então, entrou com pedido de recuperação judicial e suas ações derreteram na bolsa de valores. Diante de um cenário de queda nas vendas do comércio, mais empresas de varejo passaram a apresentar resultados ruins, seguidos de prejuízo nos balanços e fechamento de lojas – num setor que emprega mais de 8 milhões de pessoas e depende do consumo das famílias, cada vez mais endividadas. Para esclarecer as causas e consequências desta crise, Natuza Nery entrevista Guilherme Mercês, diretor de economia e inovação da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Neste episódio: - Guilherme elenca fatores que levaram empresas e famílias a se endividar na pandemia e como o elas “levaram um grande baque com a taxa de juros, que subiu muito”. O resultado é que, hoje, 80% das famílias estão endividadas e uma a cada cinco delas gasta mais da metade da renda para pagar dívidas; - Ele explica como o contexto macroeconômico colaborou para o colapso da Americanas – na esteira dela, outras empresas também pediram recuperação judicial e até falência. “Isso agravou ainda mais o cenário e, obviamente, o custo do crédito sobe”; - O economista também observa a crise em escala internacional durante a intersecção da pandemia com a guerra na Ucrânia: assim como o Brasil, nas economias desenvolvidas houve aumento de juros e alta do endividamento. “Foi todo mundo surpreendido”, afirma, “e um exemplo disso são as big tech, que estão demitindo funcionários no mundo todo”; - Por fim, Guilherme comenta o atual momento de “transformação tecnológica”. Para ele, depois de superar o contexto “turbulento que deve durar até 2026”, as empresas precisam investir na “revolução tecnológica” no médio e longo prazo.